Letters - a História atrás das Cartas -
3 Histórias de amor nunca são simples
Cap. III – Histórias de amor nunca são simples
26 de novembro de 1921, Posto militar afastado.
Roy olhava para as cartas que havia recebido naquela quinzena ouvindo o som da nevasca que pintava de branco a paisagem do lado de fora. E nenhuma era de sua rainha, já fazia mais de quinze dias que ela não escrevia nada.
Olhava frustrado para os papéis sobre a mesa, nenhuma carta, nem uma única carta!! Demônios, o que ela estava fazendo de tão importante que não podia tirar dez ou quinze minutos para lhe escrever um punhado de palavras??
O Mustang estava frustrado de uma maneira que jamais esteve em toda a vida, parecia que não só ela, mas todos o estavam abandonando aos poucos. As cartas que chegaram dos amigos estavam raleando e semana após semana, os números diminuíam. Era provável que todos os amigos estivessem aderindo à filosofia: Não se pode ajudar quem não quer ser ajudado.
- Kuso! – o moreno bateu as mãos na mesa – O que eu estou fazendo com a minha vida?
O homem passou as mãos nos cabelos negros e começou a caminhar pelo pequeno cômodo enquanto pensava em tudo o que estava acontecendo. Primeiro teve seus princípios trancafiados durante e no pós-guerra, depois viveu como se aquilo nunca tivesse acontecido, agora fugiu e abandonou todos os sonhos, amigos e tudo pelo que lutou a vida toda e se não tomasse uma decisão agora perderia todos os amigos, os sonhos e ela...
Mas tudo estava tão confuso, tudo o que conquistara não parecia ser justo na sua mente confusa e ao mesmo tempo parecia burrice abandonar o mundo no qual vivera e tudo o que havia ali.
Seus pecados nunca o abandonariam, depois de tanto tempo de reclusão era fácil perceber isso. Não adiantava fugir ou abandonar o que lhe era familiar, suas culpas eram suas culpas e nada mudaria o passado. Nenhuma vida tirada poderia ser recuperada, mas ele podia tentar mudar o que estava errado para que mais nenhuma vida inocente fosse perdida.
Era esse o seu objetivo de vida, não era? Não foi essa a decisão que tomou naquele pedaço do inferno? Por que agora o que tinha que fazer parecia tão claro e há um ano atrás não parecia fazer sentido. Porque tentar mudar o que estava errado foi o que tentou fazer todos aqueles anos e de uma hora para outra parecia não fazer sentido.
Bem, talvez fosse essa a maneira de sua mente de fazê-lo lidar com sua consciência... Só que isso quase lhe custou tudo e todos! Sozinho não faria diferença nenhuma no mundo, mas com aqueles que sempre estiveram ao seu lado poderia mudar e era isso o que faria...
Era hora de voltar.
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02 de dezembro de 1921, Darmonth — Festival de inverno.
As ruas da pequena cidade estavam repletas de habitantes e turistas, não talvez como seria na época da colheita dos morangos, mas o lugar estava muito agitado, o que fugia de seu padrão normal. Como ficava na serra, o inverno ali era razoavelmente rigoroso e a tradição vinda com os primeiros habitantes vivia até hoje... Desfiles de carros alegóricos com a temática Natal, ruas decoradas primorosamente, uma camada branca que lembrava algodão pelas ruas e telhados, muita alegria e até mesmo uma quermece.
A lourinha estava sentada em no único café da cidade, vestida com muita elegância: bota de cano alto, meias pretas, vestido de corte reto, um longo casaco roxo com fileira dupla de botões, cachecol e luvas. Sentada a mesa mais afastada da multidão que havia ali, a jovem Riza olhava para as pessoas do lado de fora, enquanto tomava um chocolate quente com mashimallows, calda de morango e chantilly... Recomendação do pequeno Craig.
Já fazia mais de um mês que estava ali e tinha praticamente cortado todas as relações com os velhos amigos. Por enquanto, não precisava dos conselhos que sabia que ouviria ou mesmo do consolo...
Riza estava tão alheia que não notou a aproximação de um homem.
- Com licença. – disse o rapaz polidamente –
A rainha levantou os olhos olhando para a figura masculina a sua frente e viu um homem de cabelos ruivos longos amarrados em um rabo baixo, usando calças sociais, sapatos pretos, um longo casaco elegante, cachecol e luvas de couro... A mulher sentiu uma certa vontade de sorrir ao ver aquela figura.
- Sim?
- Eu poderia sentar aqui? – ele tinha uma xícara de porcelana na mão esquerda – Eu notei que a cadeira está vazia e todos os outros lugares estão ocupados.
- Hum... Claro, a vontade.
- Obrigado. – disse puxando a cadeira e sentando-se – Acho que todo mundo resolveu se esconder aqui para tomar algo quente.
- Realmente... Mas para falar a verdade, não tinha nem percebido. – ela deu um sorriso que não mostrou os dentes –
- Eu notei, todo mundo aqui está tão animado, eufórico e você parece estar em outro mundo... Com todo respeito, eu não sei nada da sua vida, mas é que você se destacou estando no mundo da lua.
- Não me importo, eu realmente estou muito alheia a isso tudo... Mas você deve ser turista, eu moro aqui a um mês e nunca te vi.
- Na verdade, sou daqui, mas moro no Sul do país... Vim visitar meus pais.
O homem a frente de Riza parecia ter trinta anos ou um pouco mais, tinha os olhos azuis e algumas sardas lindinhas na pele branca do rosto. Era um tipo um tanto incomum para os padrões amestrinos, sem contar que a voz dele parecia um carinho... Riza achou estranho sentir aquele tipo de atração por um cara que acabou de conhecer. A Hawkeye não era o tipo de mulher que se sentia atraída assim... platonicamente ou seria sexualmente.
Aquilo não estava certo. Okay que era uma adulta, solteira e bem resolvida, mas isso não justificava aquela atração sem explicação por um desconhecido. Estava no meio de uma redescoberta da vida... Ainda não estava pronta para qualquer espécie de relacionamento.
- Desculpe, mas seu nome é? Estamos conversando há uns minutos e eu ainda não sei como se chama. Meu nome é Eric McQueen, prazer. – o ruivo estendeu a mão que não estava mais enluvada com um sorriso gentil na face –
- Elizabeth Hawkeye, mas prefiro ser chamada de Riza. – ela retribuiu o gesto –
- Riza? – ele ergueu uma das sobrancelhas –
- Sim, o que foi?
- Seu nome é Elizabeth... Um apelido normal seria Beth, ou quem sabe Iza, ou Liza, mas Riza? – perguntou o homem sorrindo –
- Minha avó chamava-se Eliza, e seu apelido era Liza, então alguém teve a idéia de me chamar de Riza. E acabou ficando.
- Interessante, não se encontram muitas Rizas por aí.
- Até hoje não vi nenhuma. – os dois riram –
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Riza caminhava pela calçada devagar, ainda não era mais que sete da manhã e toda a cidade estava calma, ao contrário da noite anterior. A jovem mulher não tinha dormido em casa, havia feito na noite anterior algo que não fazia a muito tempo e não sentia-se culpada por isso, mas também não sentia-se bem. Estava no ponto exato onde estar bem e estar mal se encontram.
Eric era um homem incrível, haviam saído do café para assistir o desfile, passearam, conversaram, riram juntos. Pela primeira vez em muito tempo não estava preocupada com alguma conspiração, ou mesmo no que teria de trabalhar no dia seguinte... Mas isso não a fazia sentir-se bem como queria estar se sentindo.
Seu coração ainda não estava preparado para se abrir novamente, esteve tanto tempo fechado a espera que agora estava destreinado. Não sabia muito bem como agir diante de outro... E Eric era o tipo de homem que combinava com Riza. Centrado, calmo, gentil, inteligente, engraçado, paciente... Se estivesse realmente preparada, não pensaria duas vezes em mudar-se para o Sul, não para morar com ele, e sim par iniciar uma relação e a recomeçar, mas seu coraçãozinho ainda não estava pronto.
- Riza-san! – a loura ouviu a voz familiar de Anne, a mulher estava sentada no banco de madeira a frente de seu mercado –
- Anne-san. – a militar sorriu sincera, gostava de Anne –
- Acordou cedo, pensei que não lhe veria tão cedo. – a loura sentou ao lado da amiga – A vi ontem no festival.
- Você quer dizer que me viu acompanhada... – a Hawkeye riu – Não fique constrangida, eu sou uma adulta e a cidade é pequena.
- Eric-san é filho de Hannah-san, uma senhora muito simpática, o conheço a alguns anos.
- Ele é ótimo, fazia muito tempo que não me sentia tão confortável com alguém. – o olhar da loura foi longe, nunca se sentira leve perto de Roy –
- Muitas moças por aqui ficaram meio mordidas, ele nunca se envolve com alguém quando vem ver os pais.
- Não me fale isso, vou me sentir especial e me ficar mal por isso... – Riza olhava para o chão –
- Olha, eu ainda não te conheço bem, mas sou um pouco mais velha e já tive o coração partido... – Anne olhou para frente como se estivesse revivendo momentos do passado e depois olhou para a amiga – Uma moça tão jovem e que não é daqui, não viria para Darmonth dar aulas de piano se algo não tivesse acontecido e pelo que posso notar... Foi mal de amor.
A Hawkeye riu, estava tão na cara assim? Sentia-se uma idiota, se até mesmo essa mulher que conheceu a pouco conseguia lê-la dessa maneira, o que os amigos na Central não viram sem que notasse?
- Anne-san...
- Não quero que me conte se não quiser, só estou falando o que notei. Mas poderia me responder uma coisa?
- O quê?
- Arrepende-se?
- De quê? Ontem? Ou do passado?
- Dos dois.
- Bem... Não me sinto mal por ontem, na verdade, me sinto muito bem, só acho que foi na hora errada. Eric-san é um homem maravilhoso e agora eu não posso oferecer mais do que eu dei ontem. E não estou falando só de cama.
- Entendo, e do passado?
- Não, não acho que mudaria nada se tivesse uma segunda chance. Mesmo os momentos mais horríveis e mesmo as culpas... Não acho que foi errado. Minhas escolhas foram feitas e cada escolha traz uma conseqüência, não poderia me arrepender de ações em que tive escolhas.
- E sobre quem quebrou seu coração?
- Não foi bem uma escolha consciente. Muitos anos de convivência, convivência em tempos difíceis, eu precisava de um ponto de referência para me guiar e no final esperei o que não me poderia ser oferecido.
- Não me respondeu, arrepende-se ou não?
- Não, mas sobre isso talvez fizesse diferente, se pudesse. Teria vivido mais a minha vida e quem sabe assim eu tivesse um resultado melhor...
- Isso é bom. Pois penso que quem arrepende-se de ter amado, não merecia o amor. Por pior que seja a experiência, foi uma escolha sua e em algo ela contribuiu. Mesmo que não notemos em meio ao sofrimento e a dúvida.
- Experiência própria?
- Sim.
As duas riram e ficaram olhando o não movimento da cidade naquele momento.
- Não se preocupe, vai passar e você vai sobreviver. Eu que vivi para ser dona de casa e tinha meu mundo reduzido, dei a volta por cima... Imagine uma mulher que tem tanta atitude e que tem o mundo como horizonte.
- Bem, eu vou para casa tomar um banho e dormir. Pode mandar o Craig para a aula de piano à tarde.
- Mandarei.
- Obrigada por conversa... Eu precisava falar um pouco.
- De nada.
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07 de dezembro de 1921, Cidade Central – Residência da família Hughes
Maes estava animado naquele domingo, juntamente com a pequena Elycia de cinco anos de idade, estava montando a decoração de natal. A casa já estava perfeitamente decorada do lado de fora por luzes e enfeites e havia um papai Noel em um trenó no telhado.
Aquela era uma data que muito agradava ao moreno, pois além de estar com sua amada família, seu amigos sempre estavam presentes tornando a noite ainda mais especial. Nesse instante, Maes estava com a filha no colo e essa estava colocando a estrela no topo da árvore.
- Como ficou linda, filhinha!! Nós somos ótimos decoradores! – ele beijou bochecha da pequena –
- Ficou linda! Linda!! Papai Noel vai ficar surpreso quando vier trazer os presentes!!!
- Com certeza!! Acho que ele nunca vai ter visto uma árvore mais bonita!!
- Vocês dois não tem jeito mesmo... – Gracia entrou na sala e encostou-se na parede sorrindo –
- Eu e o papai somos ótimos decoradores!
- Com certeza!! Não acho que outro lugar da cidade está mais... Natalino!
- Vamos lá no quintal agora pegar as luzes que deixei na caixa!! Não tem graça uma árvore sem luzes!
- Não tem graça!!!
Din Don. A campainha toca e Gracia vai atender já que o marido e a filha estavam muito alienados em seu planinho de decorar a casa, ela esperava que, pelo menos, ele fizesse as ligações direito para não correr risco de incêndio.
E quando abriu a porta, a mulher não poderia ter ficado mais espantada com o que vira: Roy Mustang estava a sua frente, com um pesado casaco militar, cabelos um pouco mais longos do que ela se lembrava e um sorriso sem-graça.
- Roy-san? – disse encabulada –
- Boa tarde, Gracia-san, posso entrar?
- Oh... Claro!! Entre! – a mulher deu espaço – Eu estou realmente surpresa, Maes não contou que você estaria de volta.
- Ele não sabe. – Roy caminhou pelo hall que conhecia bem – Não falei para ninguém que estava voltando.
- Uma surpresa e tanto. Todos vão ficar felizes... O meu marido andava bem preocupado.
- Eu finalmente caí em mim... Já estava na hora... Mas onde está o Maes?
- No quintal, pegando mais pisca-piscas... – ela riu – Sente-se, fique a vontade, vou buscar um café e bolo.
- Obrigado.
Roy passou a mão nos cabelos e sentou-se no sofá olhando toda a decoração natalina que a amigo prepara. Sentiu tanta falta daquilo... Daquele ar familiar que aquela casa lhe passava. Realmente não poderia abrir mão de tudo aquilo, não só por si, mas também por aqueles que gostavam dele, afinal, quando se toma uma atitude inconseqüente não se fere apenas a si mesmo, mas também a todos gostam de você.
- Gracia, onde estão aqueles pisca-picas multicoloridos, só achei os de uma cor só...
O melhor amigo de Roy entrou na sala e paralisou ao ver a figura que estava sentada em seu sofá olhando de maneira quase saudosista sua árvore de natal. Era como se estivesse tendo uma visão ou mesmo uma lembrança de alguns anos atrás quando a presença do amigo era frequente àquela época do ano. Mesmo que algumas vezes o Mustang fosse meio que arrastado.
Um sentimento de felicidade correu as veias do pai de família, andava tão preocupado com o rumo que as coisas haviam tomado. Roy tendo aquela crise de consciência em um momento que deveria se concentrar em concretizar seus sonhos. Alguns membros da equipe saindo porque agora não eram mais uma unidade... E Riza sem dar sinal de vida algum.
Será que aquilo era um bom pressagio de que agora as coisas realmente tomariam o rumo certo?
- Papai... Aquele é o tio Roy? – perguntou Elycia olhando para cima –
- Sim, filhinha. Aquele é o seu padrinho desnaturado que ficou mais de um ano sem fazer visitas!!! – disse o Hughes alto de maneira a fazer o Mustang prestar atenção em si –
- Nossa! Mal cheguei e já estou sofrendo repressão!! Isso é anti-democrático!
- Eu deveria é te dar um murro no meio dessa cara lerda! Mas não posso criar um ambiente hostil tão perto do natal.
Maes atravessou a sala em poucos passos e deu um abraço apertado no velho amigo. Aqueles últimos meses o deixaram com certos pensamentos que agora não faziam mais sentido, como: perder a amizade de uma vida, ver o amigo jogar tudo fora, parar de tentar manter o que restou da equipe unida...
- Eu senti falta de você, é meio monótono não ter ninguém invadindo sua sala berrando ou bancando o grilo consciência do Pinóquio.
- Eu sei que você me ama, só espero que seja de uma maneira muito amigo do peito... Sabe como é, eu sou casado e apaixonado pela minha esposa.
Roy riu e se abaixou para falar com a afilhada. Elycia sabia quem ele era, mas parecia um pouco receosa, fazia tanto tempo que não o via. Os grandes olhos verdes da menina exprimiam dúvida e um pouco de curiosidade, ela não sabia muito bem como agir.
E ele não pôde deixar de notar como ela crescera, Elycia estava alguns bons centímetros mais alta, não era mais aquela coisinha pequenina. Estava se tornando uma mocinha... Maes a partir daí ficaria cada vez mais neurótico.
- Oi, pequena... Tudo bem? – disse sorrindo –
- Oi, tio Roy! – ela sorriu sem graça –
- Não vou ganhar um abraço?
- Hum Tá! – O Mustang abraçou-a e pegou no colo levantando-se. Além de mais maior, ela estava consideravelmente mais pesada –
Nesse momento, Gracia voltou com uma bandeja com bolo, biscoitos, café e tudo mais que conseguiu colocar harmoniosamente ali. Entrou sorrindo e o sorriso aumentou o ver uma cena familiar que tanto não via. O marido finalmente voltaria a ser o que era antes. Tudo o que acontecera nos últimos três anos... Nossa! Como mudou o semblante e as ações daquele homem que amava.
- Então, voltou para ficar? – indagou Maes quase num tom de ameaça –
- Voltei sim, Maes... Tenho muita coisa para fazer aqui, mas vou precisar de ajuda.
- Como sempre!! – os dois riram – Vamos ter que ir atrás do Havoc no Leste e do Breda no Sul.
- Tomara que eles ainda queiram voltar!
- Eu acho que não fazia sentido ficarem aqui já que o Líder da “quadrilha” deu no pé, mas todos esperávamos que você voltasse.
- Eu sei que fui um idiota, mas agora eu sei o que quero e sou capaz de lidar com tudo. Mas você só falou do Havoc e do Breda, a Riza já voltou do Leste?
Nesse instante, a mulher que servia o café parou um segundo de fazer e trocou olhares com o cônjuge que retribuiu o gesto mantendo um silêncio que categoricamente queria dizer alguma coisa. E os instintos de Roy diziam que boa coisa não era.
- Tia Riza sumiu, faz um tempão que não vem visitar!
- Ela se mudou da Central?
Gracia entregou a xícara a Roy e um biscoito a filha que estava no colo do padrinho.
- Sim, Roy-san. Ela se mudou há quase oito meses e há umas seis semanas se quer sabemos onde está morando.
- Como? – o moreno começou a ficar agitado –
- Ela pediu uma licença em abril, disse que precisava de um tempo e como o Grunman estava doente foi ficar com ele. O general morreu em julho e no final de outubro se mudou não nos disse para onde e nas raras vezes que liga não conta muita coisa.
- O general morreu?? – Roy quase pulou do sofá, colocando a afilhada no chão – Como assim?? Eu não sabia disso, nem que estava doente...
- Pouca gente sabia, eu mesmo nem suspeitava até chegar a mim que ele morrera... Riza pediu para não te contarmos, sabia que isso te afetaria.
- Claro que me afetaria!! O general foi quase como que um mentor para mim, me ajudou, deu conselhos... Eu gostava muito dele!! Vocês tinham que ter me falado!
- Calma, Roy! Você não estava no seu melhor momento e uma notícia como essa poderia te afetar!!
- Eu não acredito!! – as mãos masculinas passearam nervosas sobre os fios negros – Eu tinha que ter estado com ela! Eu precisava... Eu tinha que ter estado lá prestando minha última homenagem!! Por isso aquelas cartas...
- Riza é forte, não fique assim... Não pudemos ir, mas o Havoc esteve lá dando apoio. Ele e a Rebecca foram bons amigos e ajudaram-na com tudo o que puderam.
- Vocês não fazem nem idéia de onde ela pode estar?
- Não, Roy-san. Eu tentei saber, mas ela não falou, disse que agora era melhor assim.
- Isso não pode ficar assim! Eu preciso acertar as coisas!
- Bem, ela está de licença indeterminada e como isso na maioria precede uma dispensa pessoal ou forçada, não é obrigada a deixar endereço para possível convocação.
- Não importa como, eu preciso encontrá-la. Vai ajudar?
- E eu tenho opção? – Maes levantou uma sobrancelha –
- Você precisou de um tempo, dê um crédito a ela, Roy-san.
- Eu sei, eu sei... Só que acho que não tenho a mesma paciência que ela. – Roy deu um sorriso amarelo –
- Esperar nunca é legal!!
Todos olharam abismados pela pequena Elycia que estava sentada no chão, perto da bandeja. Não esperavam que ela estivesse prestando atenção no assunto, quanto mais entendendo a conversa. A menina ficou vermelha devido aos olhares e enfiou um biscoito na boca na tentativa desviar a atenção para outra coisa.
Realmente, as crianças sabem muito mais do que sonhamos...
Continua...
Notas finais
Amo vcs, ameis os comentários e até a proxima!!!
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