Letters To Him.

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Oular :3
Primeiramente, nunca achei que viveria o bastante para ver o dia em que escreveria um fanfic livre. LIVRE. L-I-V-R-E! Gente, eu sou a rainha das p00tarias -qq Também nunca achei que escreveria sobre Pokémon, mas aqui estamos nós, cada dia aprendendo uma coisa diferente -qq
Bem, o que me levou a escrever foi que precisava dar um presente para minha Best... 6 FUCKING ANOS QUE NOS CONHECEMOS E NUNCA DEI UMA ONE DE PRESENTE PRA ELA /shame
Não conheço o ship profundamente, por isso não me prolonguei muito, então o capítulo está bem curtinho >< sorry.
Best, aproveite a leitura ♥ Essa contestshipping é toda para você!
Leiam as notas finais.

Saiu de casa sem olhar adequadamente para o céu, sem checar a previsão do tempo na TV ou em seu celular. Estava com tanta pressa enquanto trancava a porta de sua casa e descia os degraus da frente dois a dois que não percebeu as nuvens pesadas e cinzentas que espalhavam-se pelo céu e cobriam a cidade toda.

Já à meio caminho de seu destino, correndo contra o tempo, torcia para que a chuva não desabasse enquanto ainda estava na rua. Deveria pegar um táxi? Mas seria um desperdício tão grande de dinheiro... Não estava tão longe, então era bem capaz de atrasar-se ainda mais se pegasse um táxi e enfrentasse o trânsito caótico do Centro àquelas horas da manhã. Deveria, então, apenas apertar o passo de sua corrida e torcer para que seus pulmões de metropolitana sedentária não lhe deixassem na mão quando mais precisava.

Apesar do vento frio, cortante, May suava e arfava enquanto prosseguia em sua corrida. Estava pensando até mesmo em mudar seus hábitos alimentares e passar a fazer corridas matinais enquanto fazia a curva de uma esquina quando o choque contra algo a retirou de seus devaneios, fazendo-a cambalear e retroceder alguns passos.

Franziu as sobrancelhas juntas e preparou-se para encarar ao estranho tão descuidado quanto ela, que não olhava para onde estava indo. Tinha algumas palavras bem mal educadas na ponta da língua, prontinhas para serem ditas destilando um veneno digno da manhã chuvosa de segunda-feira na qual se encontrava quando o céu finalmente cedeu em grossas, pesadas e gélidas gotas de chuva que passaram a cair impiedosamente, fazendo com que as pessoas apressadas que transitavam para todos os lados na calçada apressassem-se ainda mais.

Naquele espaço de tempo de segundos, pensou que o ser mal educado que lhe trombara já havia seguido seu caminho, deixando-a ainda mais atrasada, – porém agora ensopada e furiosa – mas ao voltar seus olhos para cima, em busca do rosto do estranho, sua expressão mal humorada cedeu à de espanto quando seu coração pulsou forte, quase dolorosamente, aquecendo-lhe o corpo que já passava a sentir-se encharcado e frio até os ossos.

O barulho característico da cidade deu lugar à um zumbido em seus ouvidos, sua pulsação rugindo enquanto sentia seu rosto corar absurdamente. Sua mente embranqueceu por um momento e esqueceu-se de toda a rudeza com a qual queria tratar aquele homem quando fitou-lhe nos olhos dotados de verde tão vívido que poderia ser divisado com perfeição mesmo através da cortina de chuva que os separava.

Ele era bonito de uma maneira comum, com um corpo esguio e alto, lábios finos, feições pouco marcantes. Não seria uma pessoa a quem May olharia duas vezes ao cruzar na rua. Isto é, claro, se não fossem aqueles olhos... O que havia neles? Possuíam um brilho intenso que delatava o turbilhão de emoções dentro do peito do rapaz, mas o mais assustador de tudo era que May podia ver ali estampadas as cicatrizes emocionais que ele tanto se esforçava em esconder. Ele estava tão perdido...

Tão ensopado quanto ela, seus cabelos de um verde que imitava o tom de seus olhos colavam-se ao seu rosto e ele passou uma mão pelos fios, retirando-os de sua testa e jogando-os para trás. Aquele gesto simples pareceu a ela como um encantador de serpentes que começa a tocar sua flauta e movimentar-se, hipnotizando seu alvo, pois era assim que sentia-se. Não conseguia mover-se. Todos os seus pensamentos estavam focados naquele momento. Naquela pessoa.

Tardiamente, May percebeu que o encarava por algum tempo, boquiaberta, mas o fez apenas quando ele desviou o olhar do seu.

— Me desculpe. – ele finalmente falou em um tom de voz grave, pouco mais alto que o barulho que a cidade e a chuva faziam, mas havia ali algo inconfundivelmente desconcertado, como se ele estivesse no mesmo estado de torpor que ela. O que, claro, May sabia ser impossível.

E assim, sem uma segunda troca de olhares, ele partiu, seguindo seu caminho, passando ao lado dela e desaparecendo de vista.

Naquele momento, esquecida de seu compromisso para o qual estava tão atrasada, May permaneceu sob a chuva durante um tempo que pareceu durar uma eternidade, sua mente ainda presa àquele olhar, àquele tom de voz.

Apenas mais tarde ela perceberia que algo lhe faltava após aquele encontro.

xxx

— Sim, eu sei que estou quase estourando o prazo, mas... – May falava com o celular entre a orelha e o ombro enquanto se servia de uma xícara de café com as mãos e ocupava novamente seu lugar em frente à escrivaninha, encarando o documento em branco na tela de seu notebook.

— Não, May, você já estourou o prazo e agora está quase perdendo seu tempo limite de tolerância! – era a voz de seu editor ao telefone, exasperada. – Não basta que você tenha se atrasado e chegado ensopada no nosso último encontro, agora o que? Vamos ter que cancelar o lançamento do livro?

— Não exagere! Eu nunca perdi um prazo antes! – May defendeu-se, o cenho franzido. Não suportava ser acusada tão injustamente. Seu editor estivera lhe fazendo cobranças cada vez mais entusiásticas desde o último encontro, no qual definiram os prazos, no qual chegara atrasada pela primeira vez desde que o conhecera, no qual chegara ensopada e com o pensamento distante daquela discussão importante.

— Justamente! – seu editor replicou e ela pôde ouvir um barulho ecoando ao fundo, o qual provavelmente era ele descontando sua frustração em alguma coisa.

— Olha... – May suspirou e passou uma mão pelos cabelos. Não possuía o hábito daquele gesto, mas desde que o vira naquela manhã chuvosa, não pode ajudar a si mesma: pegava-se sempre replicando-o. Como se isso fizesse alguma diferença, como se fosse lhe devolver aquilo que tinha perdido... – Me desculpe, okay? Mas você sabe como trabalho, sabe que preciso de inspiração de verdade, preciso sentir, preciso... Preciso ser alma, entende? E isso simplesmente... Fugiu de mim! – quase dissera aquilo que realmente pensava. “Isso simplesmente foi roubado de mim.”, confessou para si mesma, não pela primeira vez.

— Eu sei, May. Eu sei. Eu entendo. Você está passando por seu primeiro bloqueio, mas nós trabalhamos com prazos e eu não posso prolongar muito mais o seu. Você só tem mais cinco dias. – e sem qualquer despedida, a ligação fora encerrada.

May suspirou e largou-se na cadeira, balançando-se de um lado para o outro, empurrando-se com os pés. Fixou seus olhos no teto e percebeu que sua mente, antes tão produtiva, encontrava-se tão em branco quanto o gesso que o revestia.

Mordeu o lábio inferior.

Pensara que conhecia os sentimentos, que tornara-se íntima deles com o tempo, que nada que viesse deles a surpreenderia, mas ali estava ela, um corpo cheio de confusão, de sentimentos desconhecidos que se recusavam a sentar-se para um café, abrindo-se para ela, lhe explicando quem eles eram e o que faziam ali.

Muito pelo contrário, antes preferiam tentar enlouquece-la, brincando com seus sentidos, bagunçando sua mente, puxando de volta as lembranças daquele dia, as quais ela estivera decidida a esquecer. Mas esquecer como? Aqueles malditos sentimentos não lhe deixavam fechar os olhos ser ver novamente aquele par de olhos verdes fixos nos seus, sem ouvir novamente aquele timbre de voz grave.

Não conseguia esquecer um encontro que ocorrera há quase dois meses, não conseguia esquecer um estranho. Estava mesmo ficando louca.

Voltou seus olhos para a tela do notebook novamente. Era uma visão triste, aquele documento em branco. Antes, costumava enchê-la de expectativa, pois sabia que poderia preencher páginas e mais páginas com sua escrita, mas agora a entristecia, pois refletia o estado aparentemente imutável de sua inspiração.

Dentro de si tudo era bagunça, confusão, mas ainda assim sabia que estava faltando algo. Sentia-se melancólica, um vazio crescente dentro de si ameaçando traga-la a cada inspiração e expiração. Sentia uma mistura agridoce de felicidade e tristeza que lhe era desconhecida.

Tudo por causa dele.

Mas quem era ele?

Bufou, exasperada.

Quantas vezes já fizera aquela pergunta a si mesma?

Incontáveis.

A resposta? Quem dera soubesse.

Quem dera...

Ajeitou-se na cadeira e posicionou suas mãos sobre o teclado. Por Deus, era uma escritora! Vivia de colocar sentimentos em palavras! Para ela, não deveria existir algo como “sem palavras”, “não consigo explicar”, “não sei como dizer”!

Começaria, então, com uma carta.

xxx

“Quando olhei nos seus olhos, minha alma espiou na sua direção e teve um vislumbre de quem você era.

Naquele dia chuvoso no qual nos conhecemos, ela se apaixonou perdidamente pelo que viu, pois perdido por perdido, você também estava e ela escolheu perder-se contigo.

Você balbuciou um “Me desculpe.” desajeitado por causa do seu ombro que havia se encontrado com o meu enquanto seguíamos em direções opostas, e eu não soube sequer como responder.

E, um segundo depois, assim mesmo, de repente, você já seguia seu caminho.

No entanto, eu nunca segui o meu. Não de verdade.

Meu corpo foi e voltou, e seguiu para todos os lugares que deveria ir, mas minha alma continuou presa naquela esquina, esperando por um segundo vislumbre da sua.

Eu não sei seu nome. Eu não sei quem é você. Eu só me lembro do verde dos seus olhos, do seus cabelos extravagantes, do timbre da sua voz.

Então, por favor, se naquela esquina você reencontrar minha alma, devolva-a para mim... Ela me faz falta, e eu não sabia que amar poderia ser assim.

Butterfly.”

Suspirou e afastou suas mãos trêmulas do teclado.

Sua escrita sempre tinha se provado livre. Sua mente surgia com uma ideia, mas não sabia como se desenvolveria até o momento em que sentava-se para escrever e permitia-se fluir.

E ali estava a prova mais concreta daquele verdade.

Ao passo de que sua mente não poderia entender o que ia em seu coração, sua escrita sempre fora boa em desvendar aqueles mistérios. Fora isso que a incentivara a começar a escrever, desde o princípio.

E naquele momento, mais do que nunca, May soube que era verdade ao constatar dois fatos: sua alma fora roubada; amava aquela alma que pertencia à um estranho.

Como diabos aquilo seria possível?

Coisas como amor à primeira vista eram impossíveis!

Então... Qual outra explicação poderia dar, além daquela amalucada que sua escrita fizera questão de evidenciar?

Com um clique, abriu sua página em uma rede social e compartilhou aquela carta com seus seguidores. Como muitas de suas atitudes recentes, ela não soube explicar por que fizera, mas fizera.

E aquela exteriorização de sua confusão finalmente iluminou sua mente para prosseguir com o projeto de seu livro.

xxx

Depois da primeira carta, outras se seguiram.

Por menos que quisesse escrevê-las, percebeu que era impossível abster-se daquilo, pois quanto mais escrevia, mais entendia seus sentimentos e não havia nada que May quisesse mais no mundo. Bem, talvez apenas uma coisa...

Cada nova carta era compartilhada com seus seguidores. Depois da primeira, recebera muitos pedidos por novas. Era impressionante o número de pessoas que se identificavam com aquilo que escrevia... Realmente existiam tantos corações roubados e quebrados que se assemelhavam ao dela? Poderia o dele ser daquela forma também?, perguntava-se.

Já passara muito tempo desde aquele encontro, mas em sua mente era tão vívido que poderia ter acontecido no dia anterior...

Sentou-se em frente ao seu notebook e ligou-o. Fitou o relógio e percebeu que ainda tinha pelo menos trinta minutos até que o carro a viesse buscar. Era tempo mais que suficiente para escrever uma carta. Uma última carta...

““Essa é a última.”, prometo a mim mesma todas as vezes que me sento para escrever para você. “Essa é a última.”, repito, para fixar em minha mente.

Mas você, para quem escrevo, sabe melhor do que ninguém que esta minha mente, esta que nunca teve poder sobre meu coração, agora o tem tampouco.

Até mesmo por que não se pode controlar algo que nem sequer se encontra aqui, pois bem sabe que fui roubada. Claro que o sabe, afinal o ladrão é você.

Roubou-me coração e alma, mas como pode isso ser, se não sinto-me vazia?

Pelo contrário, sinto-me transbordar o tempo todo naquela costumeira confusão de sentimentos que já conhece tão bem, pois é você a causa dela. Sofro, sufocada pela melancolia, mas alegro-me, envolvida nesse amor estranho.

Amor por um estranho.

Hoje prometo novamente que esta é a última.

Não posso prometer manter esta promessa.

Me desculpe por não conseguir calar minha mente que chama teu nome, apesar de nem sequer sabê-lo, mas anseio por mais um vislumbre de sua alma, por mais uma troca de olhares, por mais um mergulho no verde eloquente dos teus olhos.

Então, diga-me: está preso ao azul do meu céu como estou presa ao verde do teu mar?

Butterfly.”

Com poucos cliques, lá estava compartilhando seus sentimentos mais profundos novamente, mas não teria tempo de verificar os comentários tão cedo, constatou ao ouvir um carro estacionar em frente à sua casa e buzinar em dois toques secos.

Desligou o notebook e levantou-se, pegando o casaco que deixara jogado sobre o braço do sofá e adiantando-se para a porta, reprimindo seu nervosismo enquanto a trancava. Era seu terceiro livro e já passara por sessões de autógrafos e entrevistas antes, mas era sempre emocionante.

Sorriu melancólica mesmo sem querer ao perceber que queria compartilhar aquele momento com o estranho que lhe roubara seu amor.

xxx

— Bem, saindo um pouco do foco do livro, não pudemos deixar de perceber que você tem compartilhado pequenas cartas com seus fãs em sua página. Você assina essas cartas como Butterfly. Poderia nos falar um pouco mais sobre isso? – a repórter perguntou aquilo que May mais temia. Não queria falar sobre aquele assunto, mas sabia que não poderia escapar com meias palavras, mesmo que nunca realmente tivesse parado para pensar a respeito do motivo que a levara a escolher aquela assinatura tão específica.

— Hum... Escolhi Butterfly por que um coração que ama é como uma borboleta. – May explicou, um tanto pensativa, e continuou a explicar ao perceber o olhar confuso no rosto da repórter e de todos aqueles que acompanhavam a entrevista que antecedia a sessão de autógrafos. – Quando você vê uma borboleta, tudo em que consegue pensar é em quão bela ela é, com todas as suas cores e sua graça, mas você se esquece de todo o sofrimento e de todas as mudanças pelas quais ela teve que passar para tornar-se quem é, como é. Assim também não é um coração apaixonado? Belo e gracioso, mas simultaneamente cheio de marcas, cicatrizes causadas pela ação da mudança e do tempo.

— Oh, entendo... Então seria certeiro assumir que você apaixonou-se? – a repórter questionou-a descaradamente e ainda acompanhou a pergunta com um trejeito de sobrancelhas muito sugestivo. May podia sentir-se corando.

— Seria, sim. – May respondeu, falhando em conter um sorriso que era um mero curvar de lábios, encabulado, enquanto aqueles olhos surgiam em sua mente novamente. – Para ser bem sincera, creio que se há algo como amor à primeira vista, é assim que me sinto.

E a entrevista seguiu seu curso normal após May recusar-se a dar um nome à tal pessoa que lhe roubara o coração e que lhe inspirava tanto, mas não era como se sua recusa fosse real... Ela simplesmente não sabia quem ele era. Daria tudo para saber.

Sentou-se em frente à mesa na qual passaria muitas horas, bem sabia, e preparou-se para a sessão de autógrafos. Amava passar aquele momento com seus leitores e amava até mesmo o cansaço que se seguia às longas sessões. Apreciava as diferentes formas das quais as pessoas se usavam para dizer o quanto sua escrita as tocava.

Muitas pessoas passaram por aquela mesa nas horas seguintes, muitas fotos foram tiradas e quando a cabeça de May ameaçava começar a latejar, seu breve momento de introspecção foi interrompido.

— Olá. – aquela voz de timbre inesquecível lhe retirou qualquer sombra de cansaço e fê-la voltar seus olhos para muito acima, onde seu olhar encontrou aquele pelo qual tanto ansiava. Queria responder ao cumprimento, mas aqueles olhos verdes profundos e expressivos, tal qual lembrava-se, lhe embranqueciam a mente. Não bastasse isso, com certa hesitação, como pode perceber, uma rosa vermelha foi estendida em sua direção, atraindo seu olhar. – O seu trabalho é incrível.

— Obrigada. – May respondeu, apesar de não saber onde havia reencontrado sua voz para tal. Pondo-se de pé, aceitou a rosa que lhe era estendida. Não conseguia assimilar que ele estivesse ali, à sua frente... – A quem devo dedicar?

— A alguém que segue preso ao azul do seu céu; Drew. – às suas palavras repletas de significância, seguiu-se um pequeno sorriso, um curvar de lábios charmoso e quase tímido que lhe iluminava ainda mais os olhos. May poderia afogar-se naquele olhar, demorar-se uma eternidade naquele sorriso...

Agora o ladrão que lhe roubara o sossego possuía nome.

Agora, May tinha um destinatário para suas cartas.

Notas finais
Então... É isso :3
Best, espero que tenha gostado, que eu não tenha te desapontado ao escrever sobre seu OTPain supremo >< por favor, me perdoe por qualquer erro. Te amo ♥
À todos... Por favor, deixem review. Juro que não faz as mãos caírem -qq
Visitem meu perfil, leiam às demais fanfics, tornem-se meus amiguinhos. Eu não mordo :3
Beijinhos.
@UmaSunnyBunny
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!