Letters Shortaki/ Hey Arnold
8 Devo cuidar de mim mesma
HELGA ESTAVA DESACREDITADA, completamente fora de si. Sua raiva era tão descomunal quanto um vulcão entrando em erupção, pois viu Lila e Arnold conversando e rindo enquanto andavam juntos, a loira ficou boquiaberta e muito confusa até o fim da última aula.
Estranhou aquele garoto mudado tão depressa, os colegas tinham o excluído, porém em um instante sorriu com a ruiva simpática ao seu lado. Sequer notou outra direção, aquela beleza pareceu ter curado literalmente todos os mínimos problemas do loiro.
Quando o final do dia surgiu, Helga pôde voltar para casa — triste — despedindo da melhor amiga que atravessou a rua para ir direto a sua residência também.
A Pataki ignorou tudo ao seu redor e no fim esperou anoitecer, aproveitou encher sua banheira para tomar um banho; despiu as roupas claras, sobrepôs a toalha bege na pia e adentrou na água morna, relaxando seu corpo o máximo que podia, lavou os cabelos lentamente sentindo o silêncio avassalador pela quietude do ambiente.
“Como Lila foi capaz de fazer aquele loiro imbecil sorrir tão depressa?” falou consigo mesma em voz alta, enquanto observava seu reflexo pela água preenchida de espumas, Arnold não saía de seus pensamentos, muito menos aquele semblante inseguro que a encarou tão rápido.
Desde que ambos se conheceram, tinham uma grande amizade. Talvez Lila não era interesseira e sim aquela mesma garota que o ajudava com seus conselhos, a Sawyer sabia conquistar as pessoas, um dos talentos no qual Helga inveja muito.
A garota finalizou seu banho e enrolou seu corpo em volta da toalha, Helga olhou para o espelho e notou seu semblante cabisbaixo. Havia estado muito cansada para ficar refletindo sobre o que acabou vendo, no entanto vestiu seu pijama e enfim adormeceu.
[...]
O fim de semana chegou, era sábado, um bom dia para dar um passeio em Hillwood, uma pena James não ter enviado mais mensagens ou chamado Helga para ir no aquário municipal desde a revelação da carta. Entretanto, a menina tinha outras opções melhores como pedalar pela praça ou se encontrar com pessoas conhecidas do colégio, desde que Olga foi embora não tinha mais ânimo para sair ou fazer algo mais produtivo; nem Miram e Robert saiam.
Helga não sabia por onde começar, se logo conversava com a irmã, ou andaria pela cidade pois era difícil organizar aqueles pensamentos tão repentinos.
Lá pelas 9:45 da manhã, a menina se despertou seguindo seu roteiro matinal diário, entretanto percebeu que sua mãe não tinha levantado, isso a deixou meio cismada, se Big Bob saiu pela noite sem avisá-la; a mulher teve insônia, sua cozinha estava barulhenta e não parou de mexer na geladeira por um minuto.
A Pataki tinha que reagir, era impossível ficar parada e esconder toda a verdade o pai de fato não iria parar de cometer traições com sua secretária, disso a mais nova não duvidou, quando terminou de arrumar sua cama; Helga foi em direção ao quarto de sua mãe abrindo a porta com cautela, visualizou o ambiente melancólico as paredes brancas perdiam o brilho em meio a escuridão.
Miriam dormia de mau jeito com o corpo inteiramente jogado junto aos braços esticados para o ar e fora de sua cama. Claramente a matriarca não tinha forças para falar sobre o porquê de seu cansaço naquela parte do dia.
Lentamente a filha andou pelo quarto, indo em direção a mãe adormecida.
Helga sussurrou algumas palavras vindas de sua boca e no mesmo instante, Miriam se despertou; a mais velha ligou a luz do abajur que se mantia em cima do criado-mudo, com um pires preenchidos de cigarros já usados revelando o semblante desembaraçado; ajeitou seus óculos em seu rosto e olhou para a Pataki mais noiva sentada na beira do colchão da cama de casal.
— F-Filha? — Bocejava com a voz cansada e lenta como o habitual.
— Bom dia! — Disse Helga. — Por que o papai ainda não voltou?
Miriam pegou seu celular para verificar a mensagem recebida do marido, ao descer as notificações encarou a foto do perfil de Bob com um aviso escrito: “Me perdi no caminho, estou hospedado em um motel próximo de Hillwood, voltarei logo,logo.”
Com a mensagem estranha, Miriam então começou a desconfiar. Porém revirou os olhos e voltou dar atenção para a menor
— Seu pai se perdeu no caminho de casa depois da reunião importante, ele já está voltando para casa. — “Eu sabia!” Helga pensou consigo mesma, o homem estava aprontando alguma e pela cara de sua mãe, começou a desconfiar também.
— Será mesmo que ele se perdeu? — Indagou. — Essa história me parece estranha.
— Não subestime seu pai. — Miriam suspirou. — Ele é muito dedicado à empresa.
— Se você diz. — Revirou os olhos, o que na verdade queria dizer era: Mamãe você precisa acordar! Big Bob está transando com uma secretária às escondidas, eu não posso fazer nada a respeito senão a senhora pode ficar magoada comigo. Ignorou e sentiu uma leve dor no coração, precisava arrumar alguma estratégia de salvar sua mãe daquele monstro.
— Então fique calma, ele está bem. — Miriam sorriu tentando se demonstrar compreensiva. — O que houve querida?
Helga balançava a cabeça enquanto parava de pensar sobre o pai, aquela tarefa seria nada fácil.
— Ah, nada! — Riu forçadamente. — Vou fazer o café para nós, tenho alguns planos em mente para hoje, e irei à cidade mais tarde, se quiser vir comigo.
— Não posso Helga! Preciso trabalhar e cuidar da casa — Miriam nunca conseguia ter mais tempo com ela, mesmo se ela a ajudasse no máximo que conseguia. — Obrigada pela disposição, agora deixe-me levantar, já desço para tomar café.
— Sim, Miriam. — Helga se retirou.
A jovem queria muito ajudá-la, no entanto tinha medo do que diria. Todavia, esconder o que estava passando também era nada saudável; Helga teve uma ideia, queria conversar com alguém que a entendesse melhor do que Olga, Phoebe seria uma boa opção naquelas horas.
Ao relaxar os ombros, respirar profundamente e correr até a cozinha para preparar o café, fritar ovos com bacon e arrumar a mesa, Pataki lavou as mãos e pôde enfim comer enquanto ouvia algumas músicas da Beyoncé pela rádio.
Ao terminar sua refeição, desbloqueou a tela de seu smartphone e clicou no contato da japonesa naquela foto onde sorria alegremente, Phoebe ficava fofa sem os óculos, Helga mandou a seguinte mensagem: “Vamos nos encontrar na sorveteria dos O'connor, preciso muito conversar contigo” Não era só aquilo que diria no momento, tinha que resolver aquele assunto antes que fosse tarde demais.
[...]
Arnold acordou animado, diferente dos outros dias, na noite anterior conversou por horas com Lila, trocando várias mensagens de texto e voz rindo ou falando sobre alguma música que estava viciado em ouvir, coisa na qual sentiu muita falta, poder ter alguém que o entendesse. No entanto algo inusitado chamou bem mais a sua atenção — Helga — aquele olhar distinto e curioso não esperava vê-la virar o rosto para ele.
Estava intrigado pelo o que aquela jovem tinha passado depois de ler as últimas palavras românticas naquele papel. Os cabelos dela estavam levemente soltos sem aquele laço enfeitando o topo da cabeça. Em tempos de outrora ela vivia usando aquele laço desde o jardim de infância e nunca havia o tirado da cabeça até os dias de hoje, algo que Arnold não imaginou que aconteceria.
O loiro erguia os braços nas grades da sacada da janela e atentamente o céu claro surgia como uma bela paisagem de se admirar lá de cima, mesmo com o ar poluído das empresas e aquele barulho insuportável das máquinas, não pareceu o bairro agitado como o habitual, mas era diferente e poucas pessoas se entendiam mostravam-se egoístas e estressadas pelas, horas de trabalho em pleno final de semana. Por que tudo foi de mal a pior só quando eu resolvi voltar? Arnold pensava entre suspiros e arrependimentos, de vez em quando falava sozinho pelo quarto enquanto encarava o teto iluminado.
Porém seus sorrisos ao imaginar ouvir a risada de Lila, era uma terapia para ele, e torcia para que a encontrasse novamente dessa vez, fora do Ps.118; o colégio não era importante, nem aqueles que sequer ouviram a suas desculpas sobre o seu passado.
Batidas na porta chamaram sua atenção, Phill desejou um “Bom dia” para o neto perplexo, os avós dormiam cedo e não se acostumaram com o barulho no quarto ao lado, Arnold virou para frente e olhou para o mais velho, deixando-o entrar em seu quarto.
— Bom dia, vovô. — Arnold fingiu um sorriso. — Precisa de ajuda?
— Ah não agora, estou tomando meu café antes de começar os serviços da pensão. — O idoso afirmou. — Ontem conseguiu dormir tranquilo? Ouvimos vozes altas na noite passada. — Arnold entendeu do que seu avô estava se referindo.
— Sério? — Perguntou o neto constrangido. — Desculpe por não ter dormido mais cedo, estava em ligação com uma pessoa e não notei o horário.
— Quem era? Não precisa falar, respeito sua privacidade. — O avô tentava não ser muito invasivo, porém conhecia todos os amigos de seu neto, corrigindo ex-amigos.
— O senhor conhece! Era a Lila, minha colega de classe. — Respondeu sincero.
— Claro! A menina Sawyer. — O mais velho riu. — Voltaram a conversar então? que ótimo, ela é mesmo uma boa moça.
— Concordo a considero uma boa amiga, mas não foi ela que encontrei no final da aula me olhando torto. — O loiro queria poder dizer sobre a rejeição, mas tinha certo medo de seu avô perguntar demais sobre como fora o dia no colégio.
— As pessoas de sua idade mudam sem querer, sempre haverá inimizades ou desentendimentos entre elas. — Phill não estava falando nenhuma mentira. — Alguém andou te ofendendo, rapaz?
— Ninguém! — Arnold sacudia a cabeça enquanto tentava esquecer do que havia dito minutos atrás. — Foi apenas um colega desconhecido.
Arnold evitou contar sobre Helga para seu avô. Era o recomeço de uma nova vida escolar, queria seguir em frente e poder esquecer dos antigos e mudados amigos. Contudo era impossível escolher ser o novo Arnold Shortman, este que não era mais o menino positivo e animado como toda a Hillwood conhecia, já que ninguém gostava daquela nova versão dele.
— Saiba que pode me contar qualquer coisa, Arnold — Phill desacostumado com a nova personalidade de seu neto, pediu para que ele se abrisse mais para ele, ambos sempre guardavam segredos entre si, porém nem isso o convenceu de dizer o motivo de Arnold estar tão desmotivado.
— Estou tranquilo, não precisa se preocupar vovô. — Arnold respondeu nada mais assim encerrando o assunto. — Pode me dar licença? Vou me vestir e arrumar o quarto, já desço para tomar café.
— Sim, fique a vontade meu jovem — O idoso se retirou, assim fechando a porta.
O loiro terminou de ajeitar seu dormitório e em seguida trocou de roupas procurando peças mais confortáveis e ajeitou os seus fios de cabelo dourado para frente enquanto ajeitava o boné azul marinho na cabeça, seu fim de semana se iniciou bem agitado ignorou as coisas que pensou durante a conversa com Phill e se sentiu mais produtivo no que faria mais tarde.
Enquanto descia os degraus das escadas, pôde encarar a sala de estar silenciosa com Abner deitado no sofá semelhante a um cachorro, Gertrudes e Phill comendo ovos com bacon, panquecas e pães francês, o que não se recordava, já que seus pais só comiam frutas e faziam lanches mais veganos e saudáveis, era bom poder comer o que tinha vontade, e Arnold sentia muita falta de ovos com bacon.
Os avós viram o rapaz sorrir enquanto se sentou na cadeira, pegando um prato de porcelana colocando o que iria comer. Seu semblante sério mudou em um instante vozes chamavam por Gertudes, um dos inquilinos da pensão, sendo eles alguém que Arnold não falava há anos.
— Senhora Pookie! — A grisalha, atendeu quem estava batendo em sua porta, era Oskar um homem ruivo, 1,75 de altura, usava roupas sociais e sapatos marrons.
— Sim Oskar? Algum problema?
— Na verdade ia os perguntar se precisarão de alguma coisa, estou indo para o centro. — Afirmou o homem, com um notebook em mãos. — Minha esposa pediu para que eu fosse na assistência técnica atualizar o software deste computador, mas não faço ideia de como mexer nessas configurações tecnológicas.
— Entendi, não precisaremos de nada por enquanto. — A idosa respondeu, reparando no neto entediado perto do marido. — Meu neto Arnold, talvez possa te acompanhar no passeio se não for muito incomodo. — Encarou o loiro atônito, pois estava desentendido sobre o assunto.
— Deixe o Oskar cuidar do problema sozinho, Gertrudes. — Phill esbravejou. — Arnold vai me ajudar com as obrigações da pensão.
— Sério? O pequeno Shortman voltou de Buenos Aires? — O ruivo sorriu contente, porém acabou desconhecendo a nova aparência do adolescente. — Quero dizer… está um grande rapaz! Que prazer revê-lo Arnold.
— Ah… é um prazer também senhor Kokoschka. — Disse o menino um pouco desconfortável, andar com o antigo vizinho não parecia uma boa ideia, Arnold precisava sair de seu quarto, encarar a vida reconstruída em Hillwood. — Não me importo em o acompanhar, estive pensando muito em fazer algo menos entediante hoje. — Riu constrangido.
— Tem certeza? — Perguntou o avô indignado. — Íamos passar um bom tempo juntos!
— Tudo bem vovô, prometo que voltarei depois de ajudar o senhor Kokoschka. — Disse ele. — Se não me engano, existe uma assistência técnica próxima à sorveteria dos O'connor, se é que ainda existe aquela sorveteria, né?
— Sim, eles ainda trabalham por lá. — Oskar concluiu, reparou no semblante incrédulo do menor, Arnold viveu por muitos anos naquela sorveteria, até ver Helga e Stinky terem se beijado na sua frente. — Por que a pergunta?
— Er… nada! — Riu. — Vou só terminar meu café, e daqui a pouco podemos nos encontrar no ponto de ônibus, até daqui a pouco.
— Certo, até Arnold, e tenham um bom dia! — Kokoschka se despediu.
O Shortman subiu para vestir algo mais apropriado para a ocasião, não era nenhuma novidade querer ajudar os outros quando não tinha nada para fazer. Mas também queria passar mais tempo com os avós, só era impossível cumprir suas promessas, enquanto colocava os fones de ouvido dentro dos bolsos de seu casaco, percebendo o telefone vibrando em um dos bolsos de seu jeans, era uma ligação de Lila, sem muita escolha o loiro decidiu atender.
— Alô, Lila? — Atendeu a chamada esperando que a ruiva falasse.
— Oi, Arnold! desculpa te ligar tão cedo. – Pôde ouvir a risada fofa pelo outro lado da linha, Sawyer era linda quando ria: — Vou me encontrar com o pessoal no parque municipal. E gostaria de te convidar, sabe? Vai que consiga fazer as pazes depois do mal entendido, sei que eles vão te perdoar, você os conhece bem.
“Não, eu não conheço mais ninguém.” Pensava inseguro, o garoto sacudiu a cabeça e tentava não magoá-la pela resposta que daria, após um minuto de silêncio, Arnold enfim a respondeu.
— Acho que isso não é uma boa ideia. – Respondeu sincero: — Estou indo até o centro para ajudar um inquilino da pensão, não posso demorar tanto pra voltar, meus avós iam me dar uma bronca terrível.
— Arnold pensando negativo? — A Sawyer tenta brincar com a situação, fazendo com que o loiro risse sem querer. — Hm, desconheço.
— O menino da “cabeça de bigorna”, virou outra pessoa, né? — Debochou, mas apenas Helga o chamava por aquele apelido, porém não era a loira naquele momento, e com isso Lila entendeu nada de sua piada.
— Cabeça de bigorna?
— Uh, esquece! — Arnold mudou de assunto. — Vai ser estranho se me virem lá do nada, melhor nós sairmos outro dia.
— Por favor?! – Lila implorava, não queria segurar vela e ser azarada pelos jogadores que não faziam o seu tipo. — É muito chato sem você, qual o seu medo pra te impedir de encarar um pouco a vida?
— Sei, lá, eu nem tenho assunto, e se me evitarem como na escola? Pior se eles inventarem boatos sobre nós, nunca imaginei que pessoas fossem tão aterrorizantes. – O Shortman agia como um perfeito anti-social, pois o seu real medo era não poder mais falar com seu antigo melhor amigo, sendo ele: Gerald Johanssen.
— Eu te ajudarei nisso, pode deixar! – Lila se demonstrou confiante. — Então, podemos nos ver hoje a tarde?
— Está bem, podemos sim! – Arnold não teve outra escolha a não ser ouvi-la tocando no mesmo assunto. — Vou tentar me socializar, mas não prometo nada.
— Se é assim. – Lila concluiu. — Até mais tarde, estarei te esperando!
— Até!
Qual era a possibilidade daquilo se tornar um encontro? Arnold suava frio, nunca tinha saído com uma garota sem algum interesse amoroso, de fato achava a ruiva muito bonita portanto sabia dos limites.
Sem mais nem menos, o loiro saiu da onde se localizava, e disse aos avós que voltaria depois de um compromisso importante com mais outra pessoa, Gertrudes havia perguntado quem era. O neto respondeu que era uma colega da classe, no entanto seus avós o autorizaram a sair, e Arnold fora para ver seu vizinho sentado no ponto, esperando o ônibus de linha chegar, ambos entraram no transporte e por aquele barulho alto e desconfortável, o mais novo plugou seus fones na entrada do celular podendo ouvir um pouco do álbum: Come Over When You're Sober, de Lil Peep com o objetivo de esquecer um pouco daquelas pessoas entediantes.
[...]
Big Bob como sempre, havia chegado escondendo algo de sua família, para um homem desleal — como ele não deixava de ser —, fora mais uma das suas melhores habilidades, todavia Helga não caía mais naquelas armadilhas. O homem sentou-se no sofá, depois de manipular a esposa que o abraçou sentindo o cheiro de perfume Chanel N⁰ 5 pela camisa social; Miriam pôde no entanto perceber que seu marido estava a traindo e se afastou de imediato, a filha viu sua mãe com um semblante fechado, quando ia perguntar o que estava acontecendo, viu Miriam ir para o trabalho, sem dizer nenhuma palavra.
A jovem Pataki engolia em seco e tinha a maior vontade de vomitar, pois viu seu pai rindo como se nada fosse importante para ele, o homem se deliciava com cada gole de sua cerveja amarga ao assistir a televisão, Helga não suportou, e nem queria ficar sozinha com aquele homem nojento, e quando ia subir para seu quarto, ouviu o mais velho dizer alguma coisa.
Na realidade nem ao menos queria estar ali próxima dele naquele fatídico momento, Big-Bob bebia como um alucinado. E fazia com que Helga se sentisse ameaçada por ele, no entanto, a garota parou de andar pela escada e prestou atenção no pai, com a voz rouca e ríspida, tinha puro desdém de sua parte.
— Você, não vai contar a sua mãe, vai? — O pai encarava a filha parada e não entendia absolutamente nada.
— Contar, o quê? — Helga sabia do que ele estava se referindo, porém não imaginou que tinha mais algo envolvido.
— Sobre a Elizabeth. — Big-Bob falou indo direto ao assunto. — Ela é minha amiga de trabalho, estávamos em negócios.
— Amiga? — Helga bufou. — Finge que eu acredito nisso.
— Não fique assim, meu bem! — Bob tentava não se estressar por mais que bebesse rapidamente. — Papai trabalha demais.
— Eu não sou mais uma criança! — Helga franzia o cenho, irritada. — Sei o que você está escondendo, que traí Miriam e a trata como lixo e sua empregada, sei disso há anos! Não adianta me manipular!
— O quê?! — Big Bob, largou a garrafa de cerveja que tomava, pela a sua atitude o homem estava completamente embriagado, Helga estranhou aquela hostilidade e deu um passo atrás, vendo os olhos furiosos do pai a encarar. — Então, andou mexendo no meu celular?!
— Não toquei nenhum dedo naquela droga, mas amei ver a mensagem fofa da sua amante vagabunda. — Alfinetou, ignorando o pai bêbado, chegando mais perto de seu corpo. — Miriam, ia adorar a surpresa, que você além de ter agredido e a traído com a mesma vaca, que você não passa de um filho da puta, machista e manipulador.
— Sério?! E quanto a você? — Rebateu o homem, a puxando pela orelha, fazendo-a se contorcer pela dor. — A filhinha que eu nunca quis? Não só passou de uma praga no meu caminho, é só mais uma malcriada que xinga o pai quando ele te dá tudo pra você! — Por fim a empurrou para trás, dando um tapa em sua face.
— Eu não acredito que sou a porra da sua filha! — Helga faltava chorar, o pai não parava de assusta-la sentia-se ameaçada. — Algum dia, você vai pagar por isso, não mereço passar por isso! Sei que vai esquecer disso, mas eu não! Pois eu sei cuidar de mim mesma, e cansei de passar por isso seu babaca! — A garota retribuiu o tapa no rosto do maior, e saiu correndo pelo medo.
— Helga, volte aqui! — O homem corria atrás da garota. — Como ousa bater no seu pai, sua estúpida?!
— Vá embora, me deixe sozinha. — A loira tentava empurrar a porta, mas pela força do homem, tentou abrir para alcançá-la, mas em um instante o homem acabou sentindo um embrulho no estômago, e mudou sua personalidade rapidamente, querendo pedir desculpas pela filha.
— Não foi minha intenção machucá-la, saiba que eu amo a sua mãe, mas preciso do dinheiro.
— Mentira!
Sabia que Big Bob estava bêbado, porém não daquele jeito. A loira entrava em pânico, se sentia uma péssima pessoa por não dizer a verdade, Helga gritava e xingava o pai diversas vezes, até ver que de repente Robert havia desmaiado de tanto ter bebido. A filha o ignorou, e decidiu andar para frente, fingindo que não era problema dela, assim declarando ódio pelo seu pai.
Resolveu procurar ajuda e só Olga era capaz de fazer aquilo.
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