Letters About Us

4 Capítulo 4 - Suposições de um estranho presente


Notas iniciais
Heeey! Boa leitura!

Com o coração na mão peguei a carta seguinte.

“Queria Amélia,

Não resisti e me peguei olhando suas redes sociais novamente, você está linda naquela foto em que está usando roupa de chef, tenho certeza que seus pratos devem ser tão deliciosos quanto aparentam nas fotos. Incrível como todos os estilos de roupa que você usa parecem cair tão perfeitamente com todas as versões de você. Mas devo admitir que parte de mim ficou magoado que não vi o pingente em nenhuma foto nova sua. Me deixou bastante pensativo se de fato você chegou a recebê-lo ou não quis usá-lo, estou tentando não acreditar na segunda opção, pois confirmei recentemente o endereço com sua irmã, aliás, ela me disse que você não queria mais me ver nem pintado a ouro. Acho compreensível depois do meu sumiço, mas eu queria dizer que eu precisei ir embora Lia, é muito difícil pra mim, quero dizer, FOI muito difícil na verdade, mas eu não podia deixar você se envolver naquele momento. No entanto eu gostaria que você mudasse de ideia quanto a me ver novamente, claro que o tempo não foi tão gentil comigo quanto foi com você, mas acho que não estou um completo monstro se olhar no geral... enfim, acho que já falei demais.

Beijos L.”

Essa carta me deixou bastante pensativa, o que ele quis dizer com não poderia me envolver naquele momento? O que ele tanto escondia de mim? Nesse momento fiz algo que eu não fazia há muito tempo, entrei em meu Instagram e procurei pelo perfil dele. Não havia nenhuma foto atual. Na verdade, a última foto era dele com os meninos, com a legenda “May we meet again”, o que será que aquilo indicava? Aquela foto fora postada na semana que ele foi embora, será que era incerto se ele voltaria ou não? Eu não conseguia parar de pensar qual era o motivo, mas também não tinha coragem de confrontá-lo. Na verdade eu o confrontei no dia em que ele estava indo embora.

...

Sinto as lágrimas ardendo com a lembrança. Seco rapidamente meus olhos antes que elas caiam. Prometi a minha mesma que nunca mais choraria pelo Gonçalvez e não será agora que irei quebrar minha promessa. Resolvi investigar mais a fundo e tentei olhar os perfis dos dois irmãos de Lorcan, Josh e Emily, eles tinham fotos atuais, mas nada com o Lorcan. Algo não parecia se encaixar nisso tudo. Eu de fato procurei Emily tentando obter respostas semanas depois que ele se foi, mas ela disse que não poderia me ajudar, por que era uma decisão particular dele e se ele havia escolhido não me envolver era pelo meu próprio bem.

Fiquei ainda mais irada. Ele não tinha o direito de escolher por mim, ele poderia ter me contado a verdade, eu iria decidir me envolver ou não, mas ele simplesmente preferiu tomar as rédeas da situação. Peguei a carta seguinte espumando de raiva.

“Querida Amélia,

Imagino que a carta anterior te deixou a ponto de jogar um tijolo na minha cabeça se pudesse. Te devo tantas explicações que eu não saberia nem por onde começar se quisesse, mas garanto que eventualmente você terá uma chance para descobrir tudo o que você quiser, sem cortinas, sem suspense. Estou ficando pouco esperançoso, no entanto, o que eu não consigo parar de pensar é em como fui idiota Lia. Gostaria muito de te encontrar para conversarmos pessoalmente, por favor, responda minhas cartas, mesmo que seja com um “me esqueça seu idiota” só quero uma resposta para parar de imaginar mil e uma coisas e não saber de fato qual delas é verdade. Por favor Lia, acabe com o sofrimento desse pobre homem.

Beijos, L.”

Por um segundo pensei o que eu teria feito se tivesse lido essas cartas na data em que chegaram, não sei dizer se a Lia amargurada teria lido e respondido, ou lido e rasgado e mandado um “me esqueça seu idiota” logo de cara. Honestamente eu não duvidaria, levou muito tempo para eu conseguir fingir que eu não me importava mais com sua ida, mesmo que no fundo eu soubesse que aquilo não era totalmente verdade.

Resolvo dar um tempo das cartas e fui fazer um café, afinal já era quase 5 da tarde e eu estava com fome, após fazer um café e um misto quente, me sentei no sofá e liguei a TV, acabei colocando em Rick and Morty enquanto comia. Quando terminei e estava lavando a louça meu celular apita com uma notificação de Anna no WhatsApp, Era de um grupo que havíamos criado para facilitar nosso contato e contar tudo para todas.

HEY GATA, estamos querendo ir jogar boliche hoje, topa ir com a gente? Por favor, diz que sim! Faz tanto tempo que não saímos juntas!— Anna.

Por favor Lia.— Elara.

Tá bem, eu vou!— respondo sem pensar em qualquer desculpa.

Luna vai passar daqui 2 horas pra te pegar, ok?— Anna.

Ok.

. . .

Resolvi tomar um banho e me arrumar para o boliche, optei por um jeans skinny preto, e um body verde militar, com o meu famigerado all star branco e minha jaqueta preta, sim essas duas peças são meus xodós, além de serem bastante versáteis. Faço uma maquiagem básica, coloco minhas argolas e quando estou escolhendo um cordão, bato o olho no pingente que Lorcan mandou na carta, eu havia deixado em cima da penteadeira, resolvi que o usaria essa noite, parecia que uma estranha energia me deixava atraída por usá-lo, ou talvez eu estivesse ficando maluca. Faltavam 20 minutos para que Luna chegasse em meu apartamento, então coloquei minha playlist indie e sentei no parapeito da janela da sala, começou tocando Sweater Weather do The Neighbourhood.

Vi um motoqueiro se aproximando, ele tirou o capacete e pegou um vaso no bagageiro, um vaso de lírios. Aquele homem não me era estranho, mas provavelmente era uma semelhança aleatória com o Lorcan, por que não poderia ser ele ali, ou poderia? O cabelo estava bem curto, sendo que ele sempre usou cabelo um pouco maior, na verdade, acho que nunca o vi com um corte diferente desde que o conheci, ele dizia que ficava com muita cara de mal com o cabelo curto. E aquele homem estava magro, Lorcan não era o tipo musculoso, mas ele também não era magro, estava naquele meio termo onde o braço fica um pouco evidente se usar a camisa certa. Logo o homem sumiu na entrada do prédio, e pouco depois meu interfone tocou. Era Peter, meu porteiro, avisando que havia algo para mim, aquilo realmente estava estranho.

Corri para a janela apenas a tempo de ver a moto indo embora. Então desci até o térreo e de fato havia um vaso com lírios brancos a minha espera. Jorge estava sorrindo e me entregou um cartão.

— Está indo bem não é senhorita Amélia? – Ele diz gesticulando para o vaso.

— É, eu acho. – Sorri timidamente. – Obrigada.

Ele sorriu e acenou com a cabeça enquanto eu voltava para o elevador com meu vaso e um pequeno envelope. Quando voltei ao meu apartamento coloquei o vaso na bancada e aproveitei para aguar minha nova plantinha. Então me concentrei novamente no envelope.

“Feliz dia dos namorados querida Lia. Sinto que merecemos uma nova chance, não acha?

Beijos, L”

Okay, aquilo acabara de ficar confuso, seria esse presente de Lorcan ou de Lucca? Muito bom Amélia, parabéns por se relacionar com homens cujo nome começa com a letra L, por que de fato aquilo era uma encruzilhada para descobrir quem era o responsável por aquilo. Eu realmente não fazia ideia, por que esse não era o estilo de Lucca, porém não faria sentido o Lorcan me mandar isso do nada, ou faria? Então achei melhor organizar em fatos.

1. Lucca havia citado cartas, eu o havia confrontado, será?

2. E Lucca também disse algo sobre uma nova chance mais cedo, então era possível que aquilo tivesse vindo dele...

3. Não tem um terceiro item, porém listas ficam melhores com 3 itens.

A caligrafia era semelhante com as cartas de Lorcan, porém aquela letra também me lembrava a de Lucca. Mas que porcaria Lia! Lembrete mental: não namorar mais homens cujo nome comece com a letra L e as caligrafias sejam semelhantes. Os fatos indicavam que aquilo pertencia a Lorcan... Mas então por que parte de mim gostaria que de fato houvessem mais fatos de que fosse Lorcan?

Pelo meu próprio bem eu deveria engolir aqueles sentimentos como fiz anos atrás, eu realmente não deveria ter ido na cachoeira naquele dia, foi ali que tudo desandou pra mim e eu sei que teria me arrependido mais se tivesse... Afastei o pensamento antes que eu começasse a chorar. Então meu interfone tocou, imaginei que fosse Alice, então peguei minha bolsa de alça preta e saí para uma tranquila noite de boliche com minhas amigas.

Ou pelo menos o que eu achava que seria.

Notas finais
O que estão achando? Espero que tenham gostado! Beijinhos!