Letters About Us
1 Capítulo 1 - O Fim
Notas iniciais
Gostaria de dizer que essa história é uma especial de dia dos namorados e pretendo estar com ela toda postada e finalizada até o dia 12/06.
Esse projeto esteve parado em meu notebook por anos e agora enfim saí do bloqueio criativo e fui capaz de reinventá-la.
Boa leitura, espero que gostem!
É engraçado quando sentimos que algo está chegando ao fim. É uma sensação engraçada, por que lá no fundo você sabe que algo ali não é mais da maneira que era, mas você está tão absorta dentro de seu próprio conjunto de sentimentos que você diz pra si mesma: “é apenas insegurança e paranoias da minha cabeça” quando na verdade é seu subconsciente tentando te avisar pra pular fora enquanto você ainda pode, mas você se ouve e não se escuta.
Eu estava no meio das férias, sem ainda saber ao certo o que seria da minha vida agora que eu me formara no Ensino Médio, meu sonho era fazer gastronomia desde que eu fizera 14 anos. Hoje com 18 eu pretendia virar chef e abrir minha própria cafeteria cheia bolos e doces depois que me formasse. Mas hoje não era o dia de ficar matutando sobre o futuro, hoje era dia de passear com Lorcan e eu andava calmamente até sua casa. Após inúmeras tentativas de tentar recusar esse homem, me rendi aos seus encantos e resolvi sair com ele uma vez e de fato ele era mais do que um rostinho bonito, rostinho que hoje eu diria que é o meu favorito.
Vejamos, Lorcan e eu éramos colegas de turma e por influência das minhas amigas e dos amigos dele que acabaram por começar a namorar no primeiro ano do colegial nós acabamos fazendo parte do mesmo círculo social. Mas veja bem, quando ele supostamente começou a ter uma queda por mim eu namorava um traste. Aquele famigerado dedo podre, ainda bem que resolvi aposentá-lo há muito tempo. Tudo começou quando eu percebi que meu namorado era extremamente tóxico para mim e me impedia de ser eu mesma, com o apoio das meninas eu resolvi dar um basta naquilo e claro que ele não quis levar desaforo pra casa e tentou me arrastar pelo braço pra conversarmos “em particular”, mas Lorcan simplesmente saiu de si e partiu para cima dele. A briga acabou com uma suspensão para meu ex e uma advertência para Lorcan depois que eu intervi contando o que havia acontecido e que Lorcan só estava tentando me ajudar e as coisas saíram do controle.
Depois disso Lorcan tentou inúmeras vezes me chamar pra sair, eu sempre recusava, apesar de saber que algo havia se acendido dentro de mim no dia em que ele me defendeu, no fundo parte de mim tinha medo de se ferir de novo. Até que 2 meses atrás estávamos jogando sinuca com nossos amigos em um bar e ele sorrateiramente aproveitou a oportunidade para me ensinar a segurar um taco apropriadamente depois de me dizer que eu era canhota demais, ambos estávamos altos à aquela altura do campeonato. Ele se aproximou por trás, segurando meus braços na posição exata para segurar o taco, ele era um pouco mais alto do que eu, mas se encurvou o suficiente para que sua boca ficasse na reta do meu ouvido, e com a voz rouca disse que era só impulsionar, não conseguia me conter em imaginar como aqueles lábios seriam saborosos, sacudi a cabeça para me livrar daqueles pensamentos. Tentei me convencer que era apenas o álcool, mas minha missão teve o nível de dificuldade bastante elevada quando ele fungou no meu pescoço.
— Seu cabelo tem um cheiro muito bom. – Ele sussurrou para que apenas eu conseguisse ouvir, apesar que nossos amigos estavam bastante ocupados ouvindo alguma piada que Fred estava contando e não houvesse mais ninguém perto da mesa de sinuca.
— Chama-se shampoo Lorcan. – Respondi ignorando aquele arrepio eletrizante que percorreu meus braços, agradecendo mentalmente por estar usando uma jaqueta.
— Quer sentir o meu? – Ele se encurvou mais e aproximou seu rosto do meu de forma proposital, encaixando-o em meu pescoço.
Eu tinha plena consciência de que virar meu rosto seria um caminho sem volta, mas algo estava me atraindo para ele, provavelmente a minha falta de senso. Quando virei ele ficou estático e deu para perceber que estava me olhando de soslaio, na tentativa de tentar entender quais seriam as minhas intenções. Então dei uma fungada em seu pescoço e ele estremeceu.
— Bom, não sei o shampoo, mas o perfume está certamente em dia. – Digo afastando meu rosto o suficiente para olhar qual seria a reação dele.
— Amélia, o que você está fazendo? – Ele perguntou lentamente, acho que estava nervoso com o desenrolar, mas no fundo eu também estava querendo saber aonde aquilo iria dar.
— Eu... – Fiquei sem palavras por que eu de fato não sabia, eu culpava o álcool, mas no fundo era inútil negar que a atração estava ali bem na minha frente, acenando calorosamente.
— Não provoque se não for prosseguir com isso. – Ele alertou ainda olhando para frente, eu sentia que ele estava retesado, talvez por medo de ser uma pegadinha de mal gosto da minha parte, afinal, se depois de 1 ano do suposto início da minha queda por alguém, o consagrado resolvesse flertar do nada, sob efeito do álcool eu também ficaria receosa.
— E você não fique protelando se não vai terminar o que VOCÊ começou. – Disse bem convicta.
Então ele virou o rosto para o meu e me encarou, seus olhos verdes alternaram seu olhar entre meus olhos e minha boca, ele engoliu em seco antes de colar seus lábios nos meus. Não tardou até que ele soltasse o taco de sinuca, que já estava tão frouxo em minhas mãos que simplesmente caiu no tampo na mesa fazendo um estalo enquanto eu me virava em sua direção e ele colocava uma mão em meus cabelos, encaixando a outra em minha cintura, me beijando como se estivesse sedento por aquilo, correspondi puxando-o mais pra mim. Após o que pareceu uma eternidade – mesmo que fontes me digam que foram cerca de 20 segundos –, nós nos afastamos e aquele sorriso bobo apareceu no rosto de ambos, quando percebemos um silêncio ao redor e nos viramos para olhar, percebemos que nossos seis amigos estavam nos encarando estupefatos, como se não acreditassem no que seus olhos haviam presenciado.
Sorri com vergonha e abaixei a cabeça, então após ele colocar uma mecha de cabelo atrás da minha orelha ele me pegou pela mão e me arrastou para a mesa onde estávamos sentados, todos ainda pasmos.
— Porra cara, eu estava sentindo a tensão sexual daqui, ia mandar logo vocês irem pra um quarto! – Fred disse cutucando Lorcan e rindo pra quebrar o gelo.
Então todos começaram a rir e zoar sobre todas as vezes que imaginaram aquele momento, com direito a encenações cafonas. Após aquele dia quase sempre estávamos juntos, até reclamaram que estávamos muito melosos um com o outro, apesar de que discordávamos veementemente daquilo. Na formatura ele perguntou a cor do meu vestido e fez questão de usar uma gravata borboleta da mesma cor para que combinasse comigo, mal sabia ele que eu amava gravatas borboletas e aquela escolha lhe caiu como uma luva. Ele estava lindo naquela noite, foi um fofo com a minha família, os olhos dos meus pais brilhavam em aprovação para o homem engraçado e atencioso que havia fisgado o coração da filha deles. Dançamos com o pessoal e quando foi chegando ao fim e colocaram músicas mais tranquilas ele me puxou pra dançar apenas com ele, colando a testa na minha e olhando bem fundo nos meus olhos. Ao fundo tocava Just Say Eyes do Snow Patrol e ele cantou cada verso olhando sem desviar os olhos dos meus nem mesmo por um segundo.
Eu conseguia lembrar de todas as fagulhas eletrizantes que passeavam pelo meu corpo durante aquele momento, quando a música chegou ao fim ele me beijou calmamente e soltou a me olhar.
— Apenas diga sim, diga que não tem nada te impedindo, que isso não é um teste nem um truque da mente, somente amor. – Ele cita música. – Namora comigo, Amélia?
— Sim.
Sacudo a cabeça afastando as lembranças pois acabo de chegar na casa de Lorcan. Estamos namorando por exatos 2 meses. Mas Lorcan tem estado estranho há 3 semanas, desanimado, sumindo sem dar notícias, ele me parece triste e não consigo deixar de me perguntar se foi algo que eu fiz, mas eu tinha certeza de que algo não estava certo. Como era nosso mêsversário de namoro eu resolvi fazer uma surpresa e aparecer em sua casa para tentar levá-lo ao nosso lugar preferido: uma cachoeira que ficava próximo de nossa cidade.
Porém ao chegar eu percebi que algo estava errado, o carro do irmão dele estava do lado de fora, com a parte de trás abarrotada de coisas e o porta-malas aberto. A porta da casa estava aberta e logo Lorcan saiu por ela com uma expressão vazia carregando uma mala pesada. Ele parou quando seus olhos me avistaram, sua expressão mudou e eu não conseguia decifrar se era medo, tristeza ou raiva.
— O que você tá fazendo aqui? – Ele pergunta voltando a andar na direção do carro.
— Eu pretendia te fazer uma surpresa já que hoje completamos 2 meses. – Digo com cautela.
— Lia, eu... me desculpe. – Consigo captar a tristeza em sua voz, talvez ele tenha se esquecido.
— Ah... tudo bem, eu só queria passar um tempo com você e... – Começo a dizer de cabeça baixa.
— Estou indo embora Lia. – Ele me interrompe soltando a bomba.
— Assim do nada? – Começo a me aproximar e sinto que estou ficando quente, logo não serei capaz de esconder a raiva que estava crescendo lentamente em mim.
— Eu escrevi uma carta pra você e... – Ele começa a dizer sem olhar pra mim.
— UMA PORCARIA DE UMA CARTA LORCAN? VOCÊ VAI EMBORA E IRIA ME MANDAR UMA CARTA DE SATISFAÇÃO? – Simplesmente explodo e então ele enfim olha pra mim, seus olhos estavam tristes, como se ele não quisesse que aquilo terminasse daquela forma.
— Eu... eu preciso ir Lia, é complicado e eu queria evitar esse tipo de situação. – Ele não se move, fica parado enquanto eu paro cara a cara com ele, meus olhos já estavam ardendo segurando as lágrimas.
— Não Lorcan, o que você precisa é parar de omitir tudo de mim e me explicar por que caralhos você tem estado estranho por 3 malditas semanas! Fiquei quebrando a cabeça pra pensar o que foi que eu fiz enquanto você estava aí, empacotando suas coisas pra ir embora! – Meu tom é muito acusatório e eu sei que não estou sendo muito justa, mas não consigo evitar que a raiva extravase.
— Lia, por favor, não tem nada a ver com você, mas eu preciso ir embora agora e eu prometo que me vou me explicar devidamente pra você no tempo certo e... – Ele para e desiste de continuar falando, então sacode a cabeça e tenta passar por mim.
— Lorcan por favor, não vai. – Digo segurando seu braço enquanto as lágrimas rolam por minha face.
— Você não entende Lia, é melhor assim, eu não quero meter você nisso, não é certo.
— Quem é você pra decidir o que é certo e o que não é por mim?
— Alguém que se importa pra caralho com você para não depositar toda essa carga em cima de você. – Ele diz olhando fundo nos meus olhos.
— Se se importasse me diria por que tem que ir embora.
— Não posso Amélia, realmente não posso, sinto muito, espero que possa me perdoar. – Ele diz sem me olhar, se desvencilha e vai andando para o carro.
Fico estática, as lágrimas rolando pelo meu rosto enquanto vejo ele saindo com o carro e indo embora, sabe Deus para onde e por que. E simplesmente assim eu vi o homem que eu amava se distanciando cada vez mais. Me amaldiçoei mentalmente por ter me envolvido tanto, era justamente disso que eu tinha medo. Eu imaginava que nossa história iria tão longe...
Mas aparentemente eu deveria ter ouvido quando meu subconsciente me alertou. Me ouvi mas não me escutei e esse foi o preço a ser pago.
Notas finais
Estarei atualizando e postando novos capítulos a cada 2 dias.
Até o próximo, beijos!
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