Notas iniciais
Hey, gente! Quanto tempo, hein? Algumas de vocês já devem ter notado o meu sumiço e, acreditem, nunca foi proposital. Resolvi terminar esse bônus para meio que compensar vocês pelo hiatus das minhas outras fics. Espero que gostem e comentem! Xero ♥ LEIAM AS NOTAS FINAIS

Oh I can't believe I finally found you baby

Happy ever after, after all this time

Oh there's gonna be some ups and downs

but with you to wrap my arms around

I'm fine

So baby, hold on tight

Don't let go

Hold onto the love we're making

Cause baby when the ground starts shakin

You gotta know when you've got a good thing

— When You Got A Good Thing (Lady Antebellum)

Felicity Smoak

Corro meus olhos pelo salão decorado dando um sorriso pequeno de uma felicidade sincera.

Era o dia de Sara e não poderia estar sendo mais perfeito.

Olho para os noivos dançando calmamente no centro da pista da dança e percebo o brilho em seus olhares, como se fossem incapazes de caberem em si mesmos. Eles merecem isso.

Sorrio baixinho e logo sinto uma mão calejada e quente encontrar a minha por baixo da mesa, um suspiro involuntário escapando por meus lábios antes de olhar para o rosto masculino que me encara com curiosidade.

Oliver.

— Do que está rindo, anjo? – ele me pergunta com certa diversão e eu reviro os olhos.

Haviam se passado 2 meses desde o dia em que nos conhecemos de maneira torta e imprevisível e, desde então, tentamos passar o máximo de tempo juntos.

Sempre que podia, ele me visitava em Star, e eu fazia o mesmo, principalmente porque tinha de vir regularmente até Coast City para ajudar Sara com seu casamento.

Depois de mais ou menos 3 encontros, Oliver me propôs namoro, me fazendo quase morrer engasgada com uma azeitona que entalou na minha garganta e cuspir metade de uma taça de vinho em cima dele. No fim das contas, entre mortos e feridos salvaram-se todos e eu aceitei.

A partir daí, todas as vezes em que eu viera, ele insistiu para que visitasse seu apartamento, o que me salvou de ter que aturar Sara e Tommy em seu grude, ainda que eu tivesse de ouvir reclamações semelhantes às que fazia sobre eles, dessa vez partindo de Thea, a irmã caçula e adoravelmente impertinente de Oliver, que morava com ele.

Estávamos bem assim, com nossa rotina apertada, com as saudades frequentes e com a euforia de cada reencontro. E, por mais que eu dissesse a mim mesma que íamos rápido demais com tudo, eu também sabia que nunca antes havia sido tão feliz.

As palavras de mamãe iam e vinham na minha cabeça:

“As pessoas felizes geralmente são um pouco loucas mesmo.”

— Oi?! – pisco várias vezes diante da mão aberta e grande sacudindo à frente do meu rosto.

— Planeta Terra chamando Felicity. – ele brinca, inclinando a cabeça para observar melhor meu rosto. – Eu perguntei por que você estava rindo. – lembra e eu sorrio outra vez.

— Quando éramos crianças, Sara nos obrigava a brincar de casamento com ela. – conto e ele abre um sorriso que me derrete. – Ela sempre era a noiva, eu era o noivo, Laurel era o padre e Cait o pai dela. – explico, o fazendo gargalhar. – Sim, muito egoísta da parte dela ficar com o único papel feminino. – rio junto com ele, vendo minha amiga encostar a cabeça no ombro de Tommy, que a conduz na valsa.

— Eu pagaria para ver. – ele me provoca e eu o empurro suavemente, lhe mostrando a língua. – Em parte, ela quase consumou sua fantasia, afinal Laurel foi a juíza de paz e Ray realizou a cerimônia. – dá de ombros e eu assinto divertida, olhando para o casal Palmer, Laurel alisando de leve sua barriga de 6 meses de gravidez enquanto Ray conversa animadamente com o Capitão Lance. Eles formavam um belo par, no fim das contas, apesar de Laurel provavelmente ser o homem da relação. – Você quer dançar? – Oliver pergunta após um momento e vejo Barry arrastar Caitlin para a pista de dança, sendo seguido por mais alguns casais.

— Você sabe que eu não sei dançar. – resmungo, torcendo os lábios para seu sorriso arteiro.

— Oh, sim! – ele joga a cabeça para trás, gargalhando sem som. – Eu também estive nos jantares de ensaio, caso não se lembre... E eram os meus pés que sempre acabavam embaixo dos seus. – acrescenta, me levando a franzir a testa numa careta de irritação.

— E por que diabos está me chamando para dançar? – questiono ríspida e ele se aproxima um pouco mais de mim, pondo o braço sobre o encosto da minha cadeira.

— Porque mesmo que você tenha dois pés esquerdos para a dança, eles são os seus pés, anjo, e eu amo cada parte sua. – responde, acariciando minha bochecha.

Oh, God! Ele disse amar? Tá, ele disse que ama meus pés, mas isso quer dizer alguma coisa, certo?

— Aceite logo essa dança, Smoak. – Thea se manifesta do outro lado da mesa, quebrando o momento. – E rápido, antes que ele recupere a razão. – pisca, sarcástica.

— Ha Ha Ha, muito engraçado, Queen. – rio falso, me levantando e aceitando a mão que Oliver me estende.

Caminhamos de mãos dadas até os demais casais e eu seguro a saia do longo vestido azul de seda com a mão livre.

— Se você rasgar esse vestido eu rasgarei a sua cara! – ameaço e ele ri, balançando a cabeça com diversão antes de me puxar pela cintura para colar nossos corpos, meu peito aquecendo com a sensação.

— Adoro sua delicadeza. – zomba e eu reviro os olhos, deitando a cabeça em seu ombro e acompanhando devagar o balanço da melodia.

— Eu vim com um salto largo. – comento num sussurro, apertando seus braços, e ele ri pelo nariz sobre meus cabelos.

— Claro. – diz. – Afinal você prefere esmagar meus dedos a furá-los, estou certo? – brinca, a mão dedilhando minha cintura com familiaridade.

— Você é mesmo muito esperto, Queen. – rio baixo, dando um tapinha leve em seu antebraço forte.

Passamos algum tempo num silêncio confortável, até que eu suspiro sonoramente.

Ela adoraria isso aqui, sabe? – murmuro, e Oliver acaricia minhas costas esperando que eu continue. – Mamãe era fã de casamentos, acho que eram seus eventos favoritos. – acrescento e sinto seu queixo movimentar minimamente para cima e para baixo num assentimento. – Não é a toa que ela se casou 5 vezes. – rio com a lembrança e ouço a risada rouca e profunda do loiro, sua respiração aquecendo minha pele.

— Sua mãe era uma figura. – fala, como se a houvesse conhecido.

— Provavelmente ela o mimaria como se você fosse filho dela e não eu... – continuo e ele ri. – É sério! Ela estava tão determinada em me arranjar um marido que provavelmente beijaria o chão que você pisasse. – arregalo os olhos ao perceber o que acabei de dizer e me afasto para ver o rosto dele. – Não falei como se fôssemos nos casar, não que eu não queira me casar com você... Apenas não espero me casar logo, talvez daqui a uns 10 anos. – falo rapidamente e ele franze a testa.

— 10 anos?! – engasga e eu tropeço em seus pés, sendo segurada por ele um segundo depois.

— Talvez... 8. – amenizo e suspiro. – Ou 5... Quem sabe 3. – atropelo, as bochechas queimando diante de seu olhar divertido.

— Você não parece já ter pensado bastante sobre o assunto... – brinca, meneando a cabeça zombeteiramente.

— Ah, Oliver! – dou um empurrãozinho leve em seu peito. – Eu tenho 26 anos e, até dois meses atrás, estava solteira por mais tempo do que consigo me lembrar. Não é como se eu imaginasse um marido caindo do céu. – reviro os olhos e ele ri pelo nariz.

— Ainda não consigo entender como você pôde passar tanto tempo sem alguém. – balança a cabeça. – Não que eu esteja reclamando, claro. – dá de ombros presunçosamente. – Gosto de achar que na verdade você estava esperando por mim. – pisca e eu tombo a cabeça, gargalhando.

— Você é tão ostensivamente arrogante. – zombo e vejo seus olhos cintilarem em minha direção.

— Gosto disso. – ele me gira, trazendo minhas costas contra seu peito firme.

— De quê? – questiono baixinho à medida que ele encaixa seu rosto na curva do meu pescoço, sua barba pinicando minha pele quando ele segue me embalando ao ritmo da música.

— De fazê-la rir sendo pura e vergonhosamente tolo. – murmura e eu gargalho outra vez. – Exceto quando você destrói meu pé no processo. – grunhe em tom baixo e eu me afasto um pouco de seu corpo, resmungando vários pedidos de desculpa.

— Eu avisei que isso jamais daria certo. – choramingo, me virando para vê-lo com uma careta. – Consigo alcançar um nível ainda maior de descoordenação motora quando estou de costas. – digo, e o vejo retorcer sua feição de dor num sorriso de escárnio.

— Pelo menos você é honesta... – provoca e eu bufo, sendo impedida de me afastar quando suas mãos me puxam de volta ao encontro dele.

— Por que insiste tanto nessa missão suicida que é dançar comigo? – murmuro, semicerrando os olhos.

— Porque gosto de ter uma desculpa pra te segurar em público e aproveitar para deixar claro para todos os homens aqui que você não está mais disponível. – ele devolve o murmúrio contra a base do meu pescoço e sinto um arrepio cruzar minha espinha numa descarga elétrica.

— Não faça isso, Queen. – alerto, apertando seu braço sobre o tecido do terno.

— O quê? – ele parece confuso, ainda que continue roçando a barba em minha pele numa carícia explícita. – Exibi-la? – quer saber.

— Também. – faço um biquinho e ele ri. – Mas estou falando de me provocar. – sussurro, enterrando o rosto em seu peito, o cheiro me entorpecendo.

— Por quê? – consigo notar o riso contido em sua voz ao perguntar. Bastardo.

— Oliver... – digo, mas antes que algo, além disso, possa acontecer, vemos Sara se aproximar, segurando a saia do vestido em uma mão crispada.

— Desculpem interromper, pombinhos. – ela fala, quando nos alcança, mas o sorriso zombeteiro em seus lábios invalida seu pedido de desculpas. – Lis, vem comigo. – me puxa dos braços de Oliver sem a menor cerimônia.

— Okay. – Oliver fala, erguendo as mãos com uma piscadela, me surpreendendo por não parecer irritado com a interrupção.

— O que aconteceu? – questiono, tentando acompanhar o passo dela, me perguntando como diabos ela consegue andar tão rápido em cima de saltos 15 e segurando o que parecem toneladas de tecido branco em uma das mãos. – O bolo explodiu? – olho, alarmada, na direção da mesa, encontrando o enorme bolo de 3 andares intacto. Suspiro, aliviada, e ela apenas continua me rebocando. – Laurel entrou em trabalho de parto? – giro a cabeça freneticamente procurando a advogada com o olhar e encontrando-a devorando um prato de salgados.

— Cala a boca, Smoak! – Sara freia, me olhando exasperada. – Fique aqui. – ordena, me deixando plantada sozinha no meio do enorme salão.

Olho ao redor enquanto ela busca seu buquê com Caitlin (?), minhas bochechas esquentando ao passo que todos os presentes começam a olhar para mim com curiosidade. Vejo Thea e Roy, seu namorado, sozinhos em nossa mesa e franzo o cenho. Onde inferno Oliver se enfiou? — passo o peso para um dos pés, vendo Sara caminhar até parar 1,5 m longe de mim, com um sorriso que parece engolir seu rosto.

— O que você pensa que está fazendo? – pergunto entredentes, extremamente confusa.

— Eu vou jogar o buquê. – ela dá de ombros.

— Sara, só tem eu aqui. – olho para os lados e então a encaro, me questionando sobre quanto ela já bebeu. – Para jogar o buquê você precisa chamar todas as convidadas solteiras e, geralmente, isso acontece no final da festa. – explico, contando nos dedos como se ela fosse alguém de intelecto limitado. – Além do mais...

— Será que você é capaz de fechar a maldita boca e segurar logo esse buquê? – ela revira os olhos, simplesmente atirando o maço de flores na minha direção, e eu o seguro por reflexo, sem entender patavinas.

Arregalo meus olhos ao notar um envelope entre as flores com as letras douradas FMS gravadas no papel vermelho.

Levanto o olhar para questionar aquilo, mas engasgo com o ar ao encontrar Oliver parado exatamente onde Sara estivera há alguns segundos.

— Abra. – ele murmura sem som e, antes de fazer o que ele pediu, vejo Sara e Tommy abraçados e nos observando com sorrisos cúmplices.

Abro o envelope e retiro um cartão dobrado ao meio. Desdobro o papel com as mãos extremamente suadas, consciente do silêncio absoluto no ambiente. Encaro a letra inclinada de Oliver e sorrio de nervoso.

“Olhe para mim e, por favor, não corra antes de eu terminar”.

Obedeço e o vejo limpar a garganta.

— Eu amo você. – ele parece soltar todo o ar dos pulmões roubando o meu, ao dizer essa frase. – Muito. – acrescenta com um sorriso de menino. – Nunca disse, como você também não disse, mas acho que no fundo você já sabia. Sinto muito pela vergonha que tive de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. – diz, me encarando sem nem mesmo piscar, firme. – Penso sempre que nós fomos impelidos a estar juntos, que tínhamos de nos encontrar, sem medo nem coisas falsas. Eu só queria que você soubesse do muito amor que eu tenho pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim. – sorri, parecendo repentinamente muito tenso. – É uma loucura, mas é real. Eu sei que é único, não preciso de mais tempo para analisar e debater isso comigo mesmo. – coloca as mãos nos bolsos, dando passos lentos na minha direção, minhas pernas fraquejando, minhas mãos tremendo. Deus! Eu estou hiperventilando! — Tire o segundo cartão. – ele orienta baixinho e eu desaperto o envelope de entre meus dedos para ler o outro papel.

Nem sei ao certo em que momento o envelope caiu das minhas mãos, o único cartão escrito com piloto preto me levando ao céu enquanto eu cubro a boca para abafar um grito chocado.

“QUER CASAR COMIGO?”

— Oliver... – murmuro entre meus dedos gelados e ele sorri desajeitadamente, se ajoelhando à minha frente.

Arquejo quando ele tira uma caixinha de veludo azul-marinho do bolso do terno.

— Não precisa me dizer que eu enlouqueci, anjo, eu sei disso. – ele ri nervosamente, abrindo a caixa e expondo o anel aninhado lá dentro, a bela joia de ouro branco com uma delicada pedra de ametista, a minha favorita, adornando-a e me fazendo suspirar. – Meses atrás, você me disse que eu era a sua deliciosa loucura, bendita seja Donna Smoak. – fala e eu sorrio entre as lágrimas não derramadas. – Então, eu queria pedir... não, isso não é um pedido, é uma súplica: Seja a minha deliciosa loucura. – me olha com uma adoração que faz meu coração falhar algumas batidas. – Felicity Megan Smoak, casa comigo? – repete o pedido.

— SIM!!! – o grito soa alto e toco meus lábios, me perguntando se respondi sem nem me dar conta. – Pelo amor de Deus, SIM! – a voz repete. Não, não fui eu. – olho ao redor e encaro Thea Queen com as mãos espalmadas na mesa, nos olhando como se estivesse prestes a morrer ali mesmo.

Speedy, você é realmente uma mulher notável. – Oliver tem a presença de espírito para olhá-la com humor, desviando sua atenção de mim por um momento. – Mas até onde eu sei incesto é proibido nesse país. – lança uma piscadela para ela, que revira os olhos, algumas risadas soando ao fundo. – Qual a sua resposta? – ele volta a me olhar de um jeito ansioso adorável.

Respiro tão profundamente que acho que roubei todo o oxigênio do ambiente.

E então assinto, abrindo um sorriso de incredulidade ao estender minha mão direita para Oliver, que dá um suspiro nada discreto de alívio, fazendo mais algumas pessoas rir.

— Sim. – digo num fiapo de voz quando ele desliza o delicado anel por meu dedo. – Você é completamente maluco, Oliver Jonas Queen. – sorrio e ele devolve o gesto ao beijar minha mão, demorando os lábios na aliança recém-colocada. – Oliver? – chamo com um aceno e ele se ergue, envolvendo meu rosto com suas palmas grandes e incrivelmente quentes, seus olhos se cravando nos meus. – Eu amo você também. – digo por fim e, em meio aos aplausos da multidão e do assovio zombeteiro de Tommy, ele me beija sem desmanchar seu sorriso largo.

~*~

3 anos depois...

Eu estava nervosa.

Santo Cristo, eu estava prestes a entrar em colapso e desmaiar! — puxo o corpete do vestido para cima outra vez, enquanto Thea dá os últimos ajustes na cintura.

— Pelo amor de Deus, você não está desistindo! – ela exclama, a voz saindo abafada pelo alfinete que segurava entre os dentes. – Oliver irá morrer se você mudar a data desse casório outra vez. – avisa, tirando o alfinete da boca e me olhando de sobrancelha erguida. – E eu irei matá-la logo após! – ameaça e eu arregalo os olhos, negando rapidamente com a cabeça. — Que Deus me ajude, se você se mexer, vou acabar com você. Não. Respire — ela murmura, voltando a se concentrar no vestido, atrás de mim.

Eu estava com as mãos na cintura, tão imóvel quanto possível, olhando pela janela para a bela paisagem. O sol brilhava suave e dourado sobre as colinas.

Thea puxa a fita do meu espartilho com força, interrompendo meu suprimento de ar por um momento.

— Vamos lá, no três, expire... Um... dois... três!

Thea tinha razão.— penso sobre o que ela disse a respeito dos meus infinitos adiamentos para esse dia, enquanto solto o ar sofregamente.

Nos casamos no civil apenas 5 meses após o pedido, mas por causa da nossa rotina fechada e dividida entre Star e Coast City, meu trabalho puxado como técnica de TI de uma multinacional e o de Oliver como bombeiro, decidimos deixar a festa e tudo o mais para depois.

Desde que nos casamos, nós (eu) já havíamos mudado a data da cerimônia um zilhão de vezes pelos mais variados motivos, apesar de já estarmos morando juntos há pouco mais de 2 anos.

Aliás, o último motivo para o adiamento da data, estava entrando no aposento neste exato instante, no colo de Caitlin. E tinha nome e sobrenome: Emily Lavínia Smoak Queen.

— Veja se não é o bombom da titia. – Thea me abandona em frente ao espelho para puxar a garotinha loira dos braços de Cait, que lança um bufo aborrecido para ela, o qual ela parece nem notar, mais preocupada em mexer nos pequenos cachos dourados da sobrinha, que também vestia azul, a cor das damas de honra.

Eu havia engravidado 2 meses após Oliver e eu oficializarmos nossa união e Sara quase me matou por não ter realizado a cerimônia antes disso, uma vez que eu me recusei a fazê-lo grávida, para desgosto de Oliver. Ainda assim, ele me convenceu a mudarmos de vez para Coast City.

Para nossa surpresa, tão logo Lavínia nasceu, Thea se mudou para o apartamento de Roy para nos dar mais privacidade, segundo ela, nos surpreendendo de verdade quando nos demos conta de que ela sabia o que era isso.

Decidimos celebrar nosso casamento quando nossa filha estivesse um pouco crescidinha, assim ela não estaria mais tão dependente de mim e teríamos mais liberdade. E, apesar da ansiedade de Oliver, da minha ansiedade, com a data, o tempo realmente passou voando à medida que acompanhávamos o desenvolvimento de nosso anjo, o que preencheu completamente cada um dos nossos dias até aqui, 1 ano e meio depois.

— Thea, você vai estragar a minha filha! – brinco, levantando a saia do vestido longo e caminhando até elas.

— Nem vem! – ela se afasta, sentando numa poltrona e pondo Ems no colo. – Essa criaturinha é uma destruidora de penteados e eu não passei quase uma hora enchendo seu cabelo de laquê para deixar que você a permita arruinar meu trabalho! – exclama e Caitlin ri alto, assim como a pequena, que gargalha sonoramente, apertando as bochechas da tia.

— Ela tem razão, Smoak. – a doutora afirma, se aproximando e tocando o único jasmim que adorna a elaborada trança que Thea fez em meus cachos. – Você está fantástica. – elogia com um sorriso sincero.

— Obrigada. – digo, alisando a saia delicada em sinal de nervosismo. – Onde está Sara? – pergunto.

— Por aí... – Thea dá de ombros, ciumenta. – Carregando aquela barriga redonda por todo o chalé. – conclui com um sorriso.

— Minha barriga é perfeitamente aceitável, Queen! – nos viramos para ver a loira de braços cruzados no batente da porta, os olhos semicerrados na direção de Thea.

— Nunca disse o contrário. – a morena se defende, olhando carinhosamente para Ems, que brinca com seus cabelos curtos. – O que eu disse é que ela era redonda... Estamos lidando com fatos aqui. – acrescenta com uma piscadela e nós rimos. – Tem certeza de que está com apenas 7 meses? – zomba e Sara passa por ela, lhe dando um beliscão antes de vir até mim e me entregar uma pequena caixa de madeira que eu julgara perdida há séculos.

— Onde conseguiu isso? – pisco várias vezes, tentando me conter.

— Por favor, não chore! – ela alerta em tom de reprimenda. – Você está tão linda. – lembra e eu trato de me recompor para não borrar toda a maquiagem e incorrer na fúria assassina da minha cunhada. – Donna guardou. – conta baixinho, e eu arregalo os olhos.

— Por que... Como... Quando? – as perguntas borbulham em minha mente e escapam embaralhadas por meus lábios.

— Ela me entregou uma semana antes de... Você sabe. – seus olhos marejam junto com os meus. – Me pediu para te entregar apenas no dia do seu casamento. – diz, dando um sorriso pequeno. – Seu casamento de verdade. — acrescenta quando abro a boca, me cortando. – O casamento no civil não vale para o que Donna tinha em mente. ­– revira os olhos. – Aqui está. – põe a mão sobre a minha na tampa da caixa. – Dever cumprido. – pisca e então se volta para Thea e Caitlin, que se divertiam com as palavras enroladas que Emily tentava dizer como se fossem duas crianças. – Quem está a fim de ajudar Laurel com a arrumação de Katie? – chama a atenção delas ao falar da sobrinha, que seria a minha porta-aliança.

— Eu! – Thea se ergue de uma vez da poltrona, entregando Ems para Caitlin. – Eu adoro beliscar aquela princesa! – fala e nós rimos.

— Lembre-se de avisar Laurel para monitorar as visitas dela... – Cait diz para Sara zombeteiramente.

— Claro. – a Merlyn estala a língua. – Aliás, você está terminantemente proibida de visitar Colin sem um acompanhante! – ergue um dedo, alisando a barriga com um sorriso, e fazendo Thea revirar os olhos.

— Não seja dramática! – ela bufa, dispensando com a mão. – Seu filho irá me adorar! – faz cócegas em Lavínia que sorri gostosamente contra o pescoço da Dr.ª Allen.

— Credo, garota, você às vezes parece a Felícia. – Sara resmunga, empurrando as outras para fora e recebendo uma estirada de língua da parte de Thea. – Peça para o Harper encomendar trigêmeos para você e deixe de perseguir os filhos dos outros! – alfineta, saindo junto com elas, me arrancando uma risada quando põe a cabeça para dentro do quarto onde fiquei sozinha com a caixa que mamãe deixou e me lança uma piscadela cúmplice.

— Obrigada! – digo sem som e ela faz um “joinha”, se retirando em seguida.

Respiro fundo destampando o recipiente de madeira pintada de cor-de-rosa. Eu e Sara havíamos montado essa caixa com mamãe quando tínhamos por volta dos 10 anos. Colocamos nela todos os planos para nossos futuros casamentos dos sonhos, com muito mais purpurina do que a realidade permite, é claro. Fizemos colagens com revistas e outras coisas, como separar algo azul, algo velho, algo novo e algo emprestado para usarmos no grande dia.

Estava tudo ali, exatamente como eu me lembrava.

Na minha memória, eu havia perdido essa caixa na época da minha entrada para o MIT e, desde então, poucas vezes tinha parado para sentir sua falta, sinceramente falando. Mas é claro que Donna Smoak não era tão relapsa assim, e sinto meus olhos encherem ao ver um novo envelope rosa-pink aninhado entre as demais bugigangas.

Ignoro o tremor em minhas mãos e rasgo o lacre, abrindo-o e me deparando com uma folha dobrada ao meio e uma pequena nota num post-it também rosa, que diz: “Se você estiver lendo isso 5 anos ou mais depois da minha partida, saiba que eu voltarei para puxar o seu pé! ;)”

Sorrio alto para sua ameaça agradecendo mentalmente por não ter demorado tanto assim para me decidir por dar os votos.

Pego a folha me preparando para ler uma nova carta, o coração na mão... Mas qual não é a minha surpresa ao ler as palavras rabiscadas, com marca-texto vermelho, nas costas da folha.

“PARA O HOMEM QUE ROUBOU O CORAÇÃO DA MINHA GAROTINHA”

Arquejo, sentindo os olhos encherem ao me dar conta do que se trata e seguro um soluço, lembrando a mim mesma que hoje não é um dia para a tristeza e que mamãe com certeza não ia querer me fazer chorar. Observo o papel amarelado em minhas mãos me perguntando como conseguiria entregá-lo a Oliver, uma vez que não podia vê-lo antes da cerimônia.

Antes que tenha uma ideia, ouço batidas na porta e me viro para ver Quentin, meu protetor desde que nos conhecemos há décadas atrás, quando eu era apenas uma garota carente de atenção e ele o pai solteiro da minha melhor amiga. Eu o havia usado como uma figura paterna por tanto tempo que foi simplesmente natural pedi-lo para me levar até o altar hoje.

— Hey. – ele cumprimenta, pondo apenas a cabeça para dentro.

— Hey. – abro um sorriso largo para ele, chamando-o com a mão para dentro.

— Vim trazer algo que Oliver mandou para você. – ele conta, me passando um tablet com um sorriso enigmático.

— Ele me mandou um tablet? – franzo a testa para o aparelho, intrigada.

— Ele sabe a mulher que tem. – Quentin pisca um olho e eu balanço a cabeça, rindo e pondo o tablet ao meu lado, no sofá.

— Ele o mandou por você? – ergo uma sobrancelha zombeteiramente, lembrando-me do quanto Quentin gostava de intimidar Oliver.

— Ele usou o Harper como intermediário entre nós... – ele conta, rindo maldosamente e eu gargalho.

— Também tenho algo para ele. – passo o envelope rosa para o Capitão de Polícia, que franze o nariz ao observá-lo.

Pink? – aponta. – Você detesta pink! – lembra e eu sorrio nostalgicamente.

— Donna Smoak. – dou de ombros e ele ergue as sobrancelhas ao entender.

— Eu vou levar. – diz, se erguendo rapidamente e me dando um beijo na testa. – Você vai ficar bem? – quer saber.

— Yep! – ergo o punho para ele, que ri, mas ainda assim encosta o seu ao meu num cumprimento antigo.

— Logo estarei de volta.

— Claro. – rio, empurrando-o na direção da porta.

— Lis... – ele chama, com metade do corpo para fora. – Você está linda. – elogia e eu sorrio, orgulhosa. – Oliver é um cara de sorte. – acena com a cabeça e sai, me deixando sozinha outra vez.

~*~

You know you keep on bringin out the best in me

And I need you now even more than the air I breathe

You can make me laugh when I wanna cry

This will last forever I just know, I know

So baby, hold on tight

Don't let go

Hold onto the love we're making

Cause baby when the ground starts shakin

You gotta know when you've gotta good thing

— When You Got A Good Thing (Lady Antebellum)

Oliver Queen

Eu não estava nervoso.

Minhas mãos só estavam suadas e a maldita gravata-borboleta não ficava no lugar.

— Respire, Oliver... — digo para mim mesmo, encarando meu reflexo.

Onde meu padrinho tinha se metido? Não era ele o encarregado das malditas gravatas-borboleta que não ficavam no lugar? Claro que não. Tommy não saberia como dar o nó também. Eu já o vira pedindo arrego para Sara um par de vezes e isso era o suficiente para saber que ele seria um inútil agora.

Esfrego as mãos na nuca antes de desistir da gravata e passar para os punhos da minha camisa.

— Como você está?

Levanto o olhar e vejo Quentin Lance de pé na porta, seu smoking impecável, sua gravata perfeitamente arrumada.

Sinto uma ligeira hesitação quando olho para ele, meus dedos tremendo por causa de algum estranho sentimento; mas não era de nervoso!

Bem, talvez fosse de nervoso.

Eu havia mandado o tablet com minha mensagem para Felicity por ele, mas Roy havia sido o intermediário entre nós. Ainda era um pouco assustador lidar com o homem que quase me esgoelou quando Felicity apareceu grávida dois meses após nos casarmos e praticamente me intimou a levá-la de vez para morar comigo em Coast City acabando completamente com nossa rotina maluca entre as duas cidades, como se eu já não fosse fazer isso de qualquer forma.

— Essa maldita gravata-borboleta está me matando e não faço ideia de onde Tommy esteja. – admito.

— Deixa comigo. — diz ele, dirigindo-se para mim.

Ele começa a ajudar e eu suspiro.

Agora eu estava extremamente nervoso. Quentin sempre me fazia sentir desse jeito. Era quase como lidar com o pai da mulher que amo e, sim, isso me enerva.

— Ela é demais, não é? – ele diz, me lançando um sorriso amistoso.

— Ela é. – me limito a dizer, com um sorriso idiota.

Suas mãos se movem como se ele tivesse sido um especialista em gravatas-borboleta numa vida passada.

— Se fizer Felicity sofrer, vou matar você e fazer com que pareça um acidente. – ele comenta casualmente.

Eu rio alto até encarar seus olhos assustadores, severos, sobre mim. Engulo em seco, sentindo a gravata-borboleta mais apertada.

— Sr. Lance. — tusso.

— Oliver.

— Você está me sufocando.

Um sorriso malicioso surge em seus lábios e ele afrouxa a gravata. Ele dá um passo para trás e assente para mim, antes de me estender um envelope.

— Seja bom para ela, filho. – fala como se eu e Felicity não já estivéssemos realmente juntos há mais de 2 anos.

A palavra “filho” atinge meus ouvidos e balanço a cabeça, pegando a carta dele. Ele se vira para ir embora, mas o chamo.

Quando ele olha para trás, sorrio.

— Obrigado pela ajuda.

— Eu só amarrei uma gravata-borboleta. Não é grande coisa.

Mas nós dois sabíamos que ele tinha feito muito mais do que isso.

Ele me deixa sozinho com o envelope e o abro, encontrando uma carta dentro e me dando conta um pouco tardiamente de que se tratava de um envelope rosa-pink.

Sinto as mãos suarem com a compreensão que me atinge ao ver as letras vermelhas rabiscadas nas costas da folha.

“PARA O HOMEM QUE ROUBOU O CORAÇÃO DA MINHA GAROTINHA”

Desdobro a folha tentando me preparar para ler a segunda carta de Donna Smoak, e então levo meu punho aos lábios, absorvendo tudo.

“A quem possa interessar,

Oi.

Não tenho certeza se já nos conhecemos, mas como hoje é o dia em que você vai se casar com a minha filha única, pensei em dizer oi.

Como não posso ficar de pé na frente de todo mundo para fazer o meu dramático discurso de mãe da noiva, vou fazer isso só para você.

Quando Felicity tinha sete anos, ela encontrou uma aranha no quarto, e, em vez de matar a aranha, ela a levou para fora para que ela pudesse levar uma boa vida de aranha. Mais tarde a aranha voltou para cima dela e ela a matou sem querer. Felicity chorou três dias seguidos.

Quando tinha quinze anos, ela namorou um idiota completo, e quando ele terminou o namoro, ela chorou quatro dias seguidos.

Quando ela descobriu que eu estava doente, chorou mais dias do que consegui contar.

Ela tem o maior coração do mundo, e sei que você já conheceu todos os seus lados.

Ela não sabe falar baixo, nem rir discretamente. Não consegue controlar sua raiva e sempre grita quando tenta resolver algum problema. Não sabe amar pouco nem muito menos fingir sentimento...

É preciso um homem forte para amar a minha garota. E você é um homem forte. Então, aqui estão algumas dicas de mãe:

Leia Shakespeare para ela quando ela chorar.

Passeiem na chuva e pule nas poças com ela.

Não ligue quando ela te chamar de idiota durante “aquela época do mês”; ela pode ser bem intragável nesses dias.

Compre flores para ela porque é terça-feira.

Faça com que ela enfrente as coisas que a assustam.

Não seja chato; não gostamos disso.

Não seja um idiota; nós odiamos isso.

Deixe-a desmontar seus computadores apenas para montá-los de novo. De alguma forma estranha isso a desestressa quando está passando por uma barra e impedirá que ela estrangule alguém. Muito provavelmente esse alguém seria você, então, escute o que eu digo e simplesmente a deixe desmontar as porcarias dos computadores.

Nunca a interrompa quando ela estiver divagando, ela vai conseguir encontrar as palavras certas e você com certeza se divertirá mais se souber apreciar sua língua sem travas.

Sorria para ela quando você estiver com raiva.

Dance com ela no meio do dia, mesmo ela sendo a pior dançarina num raio de 100 km e esmiuçando seus dedos repetidas vezes...

Dê um beijo nela só por beijar.

Ame-a para sempre.

Obrigada por amar a melhor parte de mim, filho.

Espero que não se incomode de eu chamar você assim. Achei que, se você é o futuro marido de Felicity, é meu filho também. Gostaria que tivéssemos tido a oportunidade de nos conhecer em diferentes circunstâncias, mas esse negócio de morrer realmente é um empecilho na minha capacidade de causar uma boa primeira impressão.

Então o que quero dizer é obrigada. Obrigada por se tornar o homem da vida de uma garota que esteve, provavelmente, muito triste, mas que é ao mesmo tempo tão perfeita. Obrigada por se tornar o amor de uma garota que é um pouquinho esquisita e que fala de tecnologia na mesa do jantar. Obrigada por se tornar o companheiro de uma garota que não fala muito sobre seus sentimentos, mas, confie em mim, ela sente tudo.

Obrigada por estar aí junto dela.

Então, agora, prometo a você que vou estar aí junto de você também.

Eu não sei como. E provavelmente não deveria fazer esse tipo de promessa... mas só sei que quando você vir o vento assobiando através das flores, sou eu agradecendo e abraçando você em seus dias mais tristes.

Obrigada, filho. Você está se saindo muito bem.

Continue o bom trabalho.

Sua nova mãe, Donna.”

Olho para aquelas palavras por um bom tempo, com lágrimas rolando pelo rosto.

A porta do quarto se abre e Tommy espreita a cabeça para dentro. Minhas mãos roçam meus olhos ligeiramente e me viro para ele.

— Você está pronto, Ollie? O fotógrafo quer tirar algumas fotos dos padrinhos antes da cerimônia. — diz, sorrindo para mim.

Vou até ele e coloco meu braço em seu ombro.

— Estou pronto.

Ele sorri de novo.

— Você sabia dar nó em gravata-borboleta?

Eu rio e reviro os olhos com prepotência.

— Claro. Você não?

~*~

Felicity Smoak

Ligo a tela do tablet de Oliver e sorrio com a foto da proteção de tela: Ele com Lavínia em suas costas, de cabeça para baixo. Thea havia tirado há duas semanas.

Franzo a testa ao observar o vídeo pausado quando destravo o tablet, mas após tomar uma respiração profunda e me acomodar melhor no sofá, aperto o play.

Bom dia, amor. – a voz rouca de sono me faz sorrir antes mesmo de eu focar no rosto inchado de Oliver, que me “olha” desde a tela, com Emily recostada em seu peito.— Diga oi para a mamãe, Lavi! – ele pede e nosso anjinho sorri para a câmera.

— Oi, mama! – sua mão gordinha acena e eu sorrio, com os olhos molhados, ao ver o olhar abobalhado dele para ela.

— Então, como Thea fez o favor de me arrastar para fora do nosso quarto... – ele revira os olhos e eu gargalho.— ... E a nossa filha decidiu que 5 da manhã é a hora perfeita pra brincar... – cutuca o narizinho dela, que faz uma pequena careta adorável antes de gargalhar.— Você é uma garotinha perversa. – ele murmura para ela, que aperta sua bochecha.

— Pincesa. – corrige com um bico.

— Sim, você é a princesa do papai. – ele concorda.— Mas agora eu preciso falar com a nossa rainha, tudo bem? – questiona como se ela o entendesse e eu reviro os olhos sorrindo quando ela dá de ombros, exatamente como Thea.— Como eu ia dizendo... – Oliver volta a olhar para a câmera.— Eu resolvi aproveitar essas horas que estou tendo longe de você para gravar um vídeo que vai te fazer ter certeza de que o seu marido é realmente o homem mais incrível do mundo! – pisca um olho e eu bufo. Idiota! – Porque nunca, e eu repito, nunca mesmo, você vai encontrar um cara que ame mais você e a nossa filha do que eu amo! Isso é simplesmente impossível já que eu não consigo sequer imaginar algo que supere tudo o que sinto cada vez que olho para uma de vocês. – ele afirma com olhos intensos e, como que para provar suas palavras, Lavínia boceja alto e seu olhar para ela é tão cheio de adoração que eu derreto uma vez mais ao observá-lo aconchegar o corpo pequeno contra o dele.— Quando nos conhecemos, eu era um homem quebrado, você sabe disso... – continua e eu aperto os lábios. Eu também estava quebrada. – E nunca vou agradecer o suficiente a Donna Smoak por ter me levado até você, a minha luz, minha companheira, a mulher que colou todos os meus pedaços, o meu amor, a mãe da minha filha, meu anjo... – ele limpa a garganta quando sua voz embarga e eu engulo minhas próprias lágrimas.— Eu sou um pouco possessivo, gosto de colocar um “meu” ou “minha” antes de qualquer adjetivo quando se trata de você... – ri baixinho, acariciando as costinhas de Ems.— Você é muitas coisas para mim, Felicity, mas, desde o primeiro dia, eu tive certeza de que “minha esposa” e “minha mulher” são os meus adjetivos preferidos pra falar de você. – suspiro ao ver seu sorriso satisfeito.— E é por isso que eu insisti tanto em fazermos uma celebração à altura do nosso casamento, mesmo quase 3 anos depois dele. Foi um longo caminho até aqui, e não estou reclamando. Esse tempo me fez descobrir que é possível se apaixonar pela mesma pessoa todos os dias, descobri qual é a sensação de olhar para sua esposa e ter certeza de que ela é a melhor pessoa que você conhece, descobri que nunca vou saber tudo sobre você e que nada nem ninguém é forte o bastante para destruir o que construímos juntos. – ele puxa o ar e eu prendo o fôlego. – Eu amo você. Amo você por cada por cada um dos meus sorrisos e ainda mais pelos teus. Amo você pela Lavi e pelos filhos que ainda teremos juntos. Amo você porque é minha única alternativa, a melhor coisa que sei fazer e a única que realmente importa. Amo você porque preciso do seu amor mais que tudo e não estarei voltando atrás nisso! – conclui e eu pisco várias vezes tentando conter as lágrimas. – Seja legal comigo e não deixe Thea convencê-la a seguir a tradição dos atrasos. – ele faz uma cara de sofrimento hilária e eu gargalho, fungando. – Atrasada ou não, eu estarei lá! – ele suspira, resignado. – De hoje não passa, ou você volta para casa oficialmente como Sr.ª Queen, ou eu mudo meu nome... – faz uma pausa dramática. — ...para Smoak. – dá um sorriso sapeca e não posso evitar sorrir alto. – Te amo! – repete e então olha para Lavínia, que coça o olho, ressonando baixinho, nós dois soltando suspiros idênticos de adoração. – Tchau. – ele sussurra com um sorriso bobo por entre os cabelos dela, que beijava, e desliga a câmera.

Preciso de alguns minutos para me recompor quando a tela se apaga, assimilando tudo o que esses 3 anos significaram. Quando mamãe morreu, foi como se uma parte minha tivesse morrido junto e nunca, nunca mesmo, eu me imaginei sendo capaz de colar meus caquinhos. Porque eu não era.

Nunca fui eu.

Foi Oliver. E agora Emily também.

O amor que sinto por eles, foi isso que me curou em cada dia de cada um dos meses de cada um desses três anos.

E simplesmente não consigo imaginar-me vivendo algo remotamente diferente disso.

Mamãe se foi e isso será eternamente uma ferida mal cicatrizada, mas ela deixou para trás amor suficiente para cuidar de mim, de Oliver e da nossa filha, dos filhos que ainda virão.

— Toc. Toc. – ouço a voz brincalhona de Quentin e me viro para a porta, vendo-o atravessá-la. – Tudo bem por aqui? – questiona ao me ver secar os olhos.

— Tudo. – fungo, me levantando e alisando a saia do vestido. – Eu já disse que Oliver é um idiota? – sorrio, apontando para o tablet, e ele gargalha vindo até mim e estendendo a curva do seu braço, que aceito.

— Várias vezes. – responde com humor. – E eu concordei em todas. – pisca e é minha vez de gargalhar.

— Não seja mau com ele. – acotovelo seu abdômen, à medida que caminhamos pelos extensos corredores.

Eu e Oliver havíamos nos decidido por uma cerimônia simples e íntima, na casa de campo da família Lance, um lindo chalé com uma área enorme, aos fundos, bem arborizada, onde nós refaríamos os votos. A própria Thea havia se encarregado da decoração e, ao passo que nos aproximávamos da porta que dava para o corredor que me levaria até Oliver, um frio se agarrava às minhas entranhas ao ver como tudo estava lindo.

— Oliver é um bom homem. – Quentin fala e eu o encaro, erguendo as sobrancelhas. – Nesses anos ele tem provado ser um ótimo marido e pai, apesar de eu ainda não concordar com o casamento apressado de vocês há dois anos e meio. – reitera e eu reviro os olhos. – Mas ele tem dado conta do recado de uma forma que nem eu posso desmerecer. – dá de ombros e eu sorrio, orgulhosa de Oliver. – Depois dessa cerimônia, acho que não há nada que eu ou sua mãe pudéssemos querer mais para sua vida. – conclui, me lançando um sorriso paternal.

— Sabe? – suspiro, olhando para a porta cada vez mais próxima, minhas mãos tremendo. – Quando eu era criança, torcia muito para descobrir que você era o meu pai. – confesso, meus olhos marejando um pouco.

— Eu sou o seu pai, pequena. – ele pisca, parando em frente à porta e deixando um beijo na minha testa. – Meu coração te adotou como filha há muito tempo! – diz. – Agora seque essas lágrimas e vamos até lá, para o seu Queen idiota não enfartar. – zomba e eu sorrio, piscando várias vezes para secar as lágrimas.

— Okay. – respiro fundo e endireito as costas.

As portas se abrem, a marcha nupcial toca e então eu vejo.

As minhas damas de honra, Sara, Caitlin e Thea, que carrega Lavínia no colo com um sorriso gigantesco enquanto a pequena Katie caminha à minha frente, saltitando com as alianças.

Os padrinhos, Tommy, Diggle (o psicólogo de Oliver) e Roy me olhando com sorrisos orgulhosos.

E Oliver.

Acho que nunca antes tinha visto uma expressão mais pura de felicidade e encantamento.

— E então, que tal o sonho dourado? – Quentin cochicha comigo, enquanto andamos lentamente.

— A realidade é muito melhor. – consigo dizer.

Essa era a nossa loucura. Eu sempre a escolheria.

Notas finais
Então,além da questão da minha saúde, estou enfrentando alguns problemas em base pessoal que vão me manter longe por um tempo. Acreditem, eu realmente preciso disso, não é birra, não é capricho e, embora eu não vá expor minha vida pessoal aqui, estou disposta a explicar meus motivos para as leitoras que me mandarem uma MP, querendo saber. O fato é que, apesar da distância, eu vou continuar escrevendo, além do que estou revisando e reescrevendo várias cenas tanto em MM como em PTdL, pra dar algo melhor para cada uma de vocês. Também queria que soubessem que estou trabalhando na ideia de transformar MM em livro, de verdade, de capa dura como diria a MissDream, então fiquem calmas, não estou abandonando a história. Amo vocês meninas, e espero que me perdoem pela demora na att, assim como as escritoras que não tem mais recebido meus textões nos reviews, eu sinto muito, mas preciso desse tempo. Xero ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!