Letter
4 Capítulo 4 - Desculpas
Notas iniciais
Para não ser incomodada, Winry foi para seu esconderijo secreto. Não estava com cabeça para assistir a aula. Caso a escola ligasse em sua casa, iria dar um jeito de se desculpar com seus irmãos. Tudo o que queria naquele momento era distância de tudo e todos. Gostava muito de seus amigos, mas sabia que nenhum deles poderia ajudá-la naquele momento. A dor era somente dela.
Estava cogitando rasgar aquela carta e fingir que nada tinha acontecido, mas a mesma não se encontrava em lugar nenhum de sua mochila. Será que havia deixado cair enquanto corria? Se aquilo caísse em mãos erradas, esse seria o fim dela. Preocupada, saiu correndo pelo caminho que fez. Aquela carta poderia ser a ruína dela.
Desesperada, nem via para onde andava. Estava mais entretida em encontrar o envelope roxo. Na sua distração toda, acabou trombando em alguém, indo ao chão. Ergueu a cabeça para ver quem era, e então viu Yuuichi, a pessoa que menos queria ver aquele momento. Sem saber o que fazer, tentou se levantar, mas acabou se atrapalhando. Por pouco não foi ao chão novamente. O azulado a havia segurado.
– O que foi? Você estava ocupado até pouco tempo atrás. Pode voltar ao que estava fazendo. – Winry falou secamente, enquanto tentava se desvencilhar do abraço.
– Pare de tanto drama Winry! A menina ia cair! Só a segurei, como fiz com você agora! – O garoto respondeu.
– Não quero saber e... O que faz com esse envelope? É a carta daquelazinha? – Winry questionou, batendo um dos pés no chão.
– Não. Isso eu encontrei no meio da calçada enquanto te procurava. – Yuuichi respondeu seriamente.
– Isso não é nada de importante. Pode me devolver? – Winry pediu receosa. A raiva que sentia deu lugar ao desespero.
– Tem meu nome aqui escrito com uma letra bonita. Então quer dizer que é meu agora. – O garoto respondeu, tirando o envelope do alcance da menina.
– Droga, droga! Odeio ser baixa! – A garota exclamava, enquanto tentava tirar a carta das mãos do menino.
– Você sabe que não vai conseguir tirá-la de mim. – Yuuichi falou sorrindo, o que deixou Winry sem graça.
– Então... Faça um favor pra mim...? – Winry perguntou de cabeça baixa.
– Sabe que eu faço qualquer favor que me pedir. – O garoto respondeu.
– Leia isso quando estiver em casa. Quando terminar de ler, pode zoar com a minha cara à vontade, que eu não ligarei. Sou uma tonta mesmo... – Winry falava, com a cabeça baixa ainda. Suas mãos suavam e seu corpo tremia de ansiedade e raiva por ser daquele jeito.
– Lerei em casa, pode deixar. Mas nunca irei te zoar. Só tiro sarro da sua altura, fora isso, nunca me verá te zoar de outra coisa. – Yuuichi falou, pousando uma das mãos na cabeça da garota.
– Depois disso você vai me zoar, tenho certeza disso. – Winry respondeu erguendo a cabeça, ostentando um fraco sorriso de derrota.
– Creio que o que está escrito aqui não seja tão ruim. Sempre li seus textos, eles são ótimos. – O menino falou, tentando animar Winry.
– Não tente me animar. Só vá para casa e leia essa vergonha alheia, ok? – Winry falou, empurrando o maior.
– Ok, ok. Amanhã eu volto a falar com você então... Que tal irmos pra aula primeiro? Aí depois eu vou pra casa ler sua carta. – O menino brincou, olhando no relógio.
– Já perdi a primeira aula. Não quero voltar pra escola... – Winry falou se virando na direção de seu esconderijo.
– Onde vai passar a tarde então? – Yuuichi questionou. Não havia gostado do que ouviu.
– Vou dar uma volta. Se eu aparecer em casa agora, meu irmão me dará um sermão de três horas... – Winry falou, com uma gota enorme na cabeça.
– Sendo assim, te farei companhia. Também perdi a primeira aula já. – Yuuichi respondeu, indo para o lado da garota.
– Ok... Vou para meu lugar favorito, então não conte a ninguém, ok? – Winry disse, olhando bem no fundo dos olhos do garoto.
– Não irei contar. Sabia que eu ia gostar de você me encarando assim mais vezes? – O menino falou sorrindo.
– Pare com isso! Vamos logo antes que nos peguem! – Winry exclamou e saiu correndo.
Os dois correram até um pequeno parque um pouco fora da cidade de Inazuma. Não havia muitas pessoas. Era um lugar tranquilo, com várias mesas de piquenique, árvores com folhas verdes balançando com a brisa, um parquinho para crianças, constituído por um grupo de balanços, um escorregador, uma caixa de areia e uma gangorra. Era um ótimo esconderijo, já que quase ninguém sabia da existência daquele parque. O garoto observava tudo ao seu redor. Estava maravilhado com a paisagem que via. Na cidade, coisas assim eram raras.
– Winry, quer dizer que quando você some, é pra cá que vem? – Yuuichi questionou, olhando ao redor.
– Sim. É meu refúgio. Quando quero pensar eu venho pra cá. Nem meus amigos sabem disso aqui. – Winry respondeu, olhando para o céu.
– Então quer dizer que só eu sei? – O garoto perguntou.
– Agora sim... – A garota respondeu, encarando o chão.
– Obrigado por confiar em mim. Não irei contar a ninguém, pode deixar! – Yuuichi respondeu sorrindo.
Passaram a tarde toda conversando e rindo, como há muito tempo não faziam isso. Foi um dia muito agradável, apesar de terem de ouvir sermões de seus irmãos quando voltarem para casa. Mas nada disso importava. Quando menos esperavam, já tinham se desculpado um com o outro e conversavam naturalmente, como se nada daquilo tivesse acontecido.
O tempo passou e já estava escurecendo. A hora de ir embora havia chegado. Antes de ir para casa, Yuuichi acompanhou Winry em segurança até a casa dela. Quando chegaram, Atsuya estava na porta, com cara de poucos amigos. Era hora de começar a ouvir. Para poupar Yuuichi, Winry sugeriu que ele fosse embora. O garoto aceitou a sugestão e, como despedida, depositou um pequeno beijo na bochecha da garota. Essa despedida fez com que ela nem ouvisse seu irmão lhe dando bronca. Apenas subiu as escadas em direção ao seu quarto e lá ficou até a hora da janta.
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