Let's be awkward together
2 Chuck... ou Charlie?
– Isso me parece um lindo momento de reencontro, mas eu tenho que começar a aula meus jovens – diz o Sr. K. – Voltem aos seus lugares.
– Sim senhor – responde Chuck para o professor, mas sorri para mim.
Olho para ele uma ultima vez antes de voltar para o meu lugar. Infelizmente, a cadeira de Chuck fica literalmente do outro lado da sala.
Se alguém chegasse em mim a dois dias atrás e perguntasse: Você lembra do Charles Watson?A primeira imagem que viria na minha cabeça era de um garoto de 7 anos gordinho e menor do que eu aos 7, com o cabelo castanho escuro e espetado para todas as direções, grandes e brilhantes olhos verde e os dentes levemente tortos, mas com o melhor sorriso que eu já vida.
Mas aquelas Charles Watson, que acabou de entrar na sala... Aquela pessoa não batia nenhum pouco com a imagem que eu tinha em mente. Primeiro, vamos dizer que a puberdade foi incrivelmente generosa com Chuck. Sério.
Ele cresceu. Bastante. ( meu orgulho estava um pouco ferido por viver em um mundo onde Chuck Watson era mais alto do que eu, porque na infância, eu sempre o zoava por ser menor que eu). E ele perdeu muito peso. Muito peso mesmo. Quem olhasse para ele agora jamais pensaria que uma vez, os garotos da escola o fizeram tropeçar de proposito só para ver se ele saia rolando pelo corredor (o que obviamente não aconteceu). A gordura se foi, dando lugar aos músculos. A versão 2.0 de Charles Watson não era nem de longe um garoto super bombado, mas ele tinha músculos nos lugares certos e ombros largos, coisas me fez deduzir que ele devia participar de algum esporte. Agora qual esporte exatamente eu não fazia ideia, porque o Chuck que eu conhecia não conseguia correr até o final do quarteirão sem ficar escandalosamente suado e ofegante. Seu cabelo tinha passado e espetado e bagunçado para brilhante e arrumado.
Oh puberdade, por que és tão injusta?
Seus dentes não eram perfeitos. Ainda eram levemente tortos, que o deixava com um ar de garoto, e foi por isso que eu o reconheci. Seu corpo pode ter mudado, mas com 8 ou 16 anos, o sorriso de Chuck era sempre o mesmo.
Eu quero prestar atenção na aula. Eu juro que quero. Sr. K é um bom professor, ele é engraçado e animado para idade, mas a ansiedade dentro de mim falava mais alto do que Sr. K e as fases da divisão celular.
Finalmente a aula acaba e antes que eu termine de fechar o meu estojo Chuck já está parado do lado da minha mesa, com a mochila nas costas e um grande sorriso.
– Oi – ele diz, um pouco sem jeito.
– Oi – eu digo sorrindo de volta e terminado de arrumar a minha mochila o mais rápido possível.
Sem dizer nada saímos da sala e ficamos parados no corredor. Eu estou tão feliz de vê-lo que eu nem sei o que dizer.
– Estou tão feliz em ter que nem o que dizer – Chuck diz. Exatamente essas palavras.
– Entendo o que você quer dizer – eu respondo.
Abro os braços e ele me abraça. Deus, a gordura realmente deu lugar os músculos....
Mas ignoro meus pensamentos sobre o novo e melhorado corpo de Chuck e aproveito seu abraço.
– Ackerman o que você está fazendo aqui?! – ele pergunta ao me soltar do abraço.
– Hum... – estou tentando escolher as melhores palavras para explicar o que eu estava fazendo ali, mas a verdade era que eu não fazia ideia do que estava fazendo ali. – Ouvi falar que a lasanha dessa escola era boa, resolvi experimentar...
Oh céus... Eu realmente disse isso? Que piada mais besta! Talvez por educação ou talvez por ter um senso de humor tão bizarro quanto o meu, Chuck ri.
– É verdade, a lasanha daqui é incrível. Mas o Dia das Massas é só na quarta-feira. – ele diz. – Quando você chegou? Qual é o seu quarto? Seus pais? Como estão? Qual aula você tem agora? Ackerman, e o seu irmão? Gus era tão divertido!
– Hum.. é... hã... eu não sei qual pergunta responder primeiro... – eu digo olhando confusa para Chuck.
– Não! É claro, eu te bombardeie com perguntas... Qual é a sua aula agora?
Pego minha folha de horários no bolso do suéter.
– Geografia – eu digo mostrando a folha para ele.
– Droga... – Ele pega a folha da minha mão e a analisa.
Enquanto ele analisa a folha, estou analisando seu rosto. Vou dizer a verdade, Chuck 2.0 era bonito. Bonito pra caramba.
– Não temos muitas aulas juntos hoje... – ele comenta me devolvendo a folha. – E todas são depois do almoço... O almoço! Vamos almoçar juntos hoje!
– Sim claro.
– Ok então, te espero na porta do refeitório – ele diz enquanto se afasta – Tchau Ackerman, não posso me atrasar de novo. Até o almoço Ackerman.
– Até o almoço Chuck – eu digo vendo-o se afastar.
Chuck Watson....
Sigo na direção oposta a Chuck, indo para aula de geografia, quando Skyler se materializa na minha frente, sabe Deus vinda de onde.
– Por que não me esperou? – ela pergunta. Parece irritada.
– Porquê...porquê... – Por que?! – ... eu não queria ser um estorvo para você. Ficar seguindo você por todo o campus. Você tem coisas para fazer, eu não queria te atrapalhar.
Não era mentira. A última coisa que eu queria era ficar seguindo Skyler para todo lugar como um cachorrinho perdido.
– Clarisse, que besteira. Eu jamais me importaria em ajudar você – ela responde, um pouco menos irritada. – Vamos, temos aula de geografia juntas agora.
Como ela sabia disso?
– De onde você conhece Charlie Watson? – ela pergunta.
– Chuck? – eu digo. – Eu conheço ele desde que eu tinha 5 anos de idade. Ele é super legal...
– Talvez fosse quando tinha 5 anos, mas não é aos 16.
– Como assim?
– Você é nova aqui. Não conhece ninguém. Não vou dizer que sou a melhor influência do mundo, não sou. Nem de longe. Mas você devia tomar cuidado com Charlie. Ele é famoso por aqui.
– Que tipo de fama? – pergunto, assustada.
– Ele... bem... ele é um galinha. Do pior tipo.
Não, ele não é; é o que eu quis dizer. Mas então eu percebi. Chuck não estava nem um pouco perto de ser um galinha, eu sabia disso.
– Já perdi a conta do número de garotas que já encontrei chorando no banheiro ou na porta do nosso dormitório por causa dele. Ele é insensível. Só se importa com os sentimentos dele.
Eu não acredito no que ouço. Não... Não é possível. Chuck sempre foi o garoto mais doce e gentil da face da terra comigo. Eu jamais conseguiria imagina-lo brincando com os sentimentos de outra pessoa.
– Vamos almoçar juntos hoje – é tudo o que eu consigo dizer.
– Você ouviu alguma palavra do que eu acabei de falar? – Skyler pergunta parando na frente da sala de geografia.
Antes que eu possa responder, um garoto aparece na nossa frente.
– Skyler, quem é sua nova amiga? – ele pergunta sorrindo para mim. Ele é apenas um pouco mais alto do que eu, tem o cabelo cor de areia e os olhos castanhos. Institivamente, me afasto um pouco dele.
– Af Xander, você não poderia ser mais ridículo – diz outro garoto parado atrás dele.
Esse garoto é alto e magro, um pouco desajeitado, com o cabelo raspado dos lados e um grande e bonito topete. Pela sua pose e seu modo de se vestir, eu já sabia que ele gostava de garotos tanto quanto eu
– Não se preocupe gracinha, ele é mal adestrado mas não morde – diz o garoto. E eu logo sinto uma grande onda de simpatia por ele.
– Klaus! – diz Xander dando um soco no braço de Klaus.
– Ai viado, isso dói – diz Klaus alisando o braço.
– Clarisse, essas duas criaturas exóticas são O Estranho Xander, e a Fantastica Klaus. – diz Skyler.
– Oi – é tudo o que digo.
– Então você é a nova colega de quarto de Skyler... – diz Klaus me analisando. – Você é bonitinha, ajudaria se ficasse de cabelo solto...
– Meu cabelo estava impossível hoje de manhã..
– Nem me diga! – comenta Klaus. –Odeio quando isso acontece. Não se preocupe, depois te dou algumas dicas.
Xander revirou os olhos e entrou na sala resmungando.
– Não se preocupe com ele – diz Skyler. – Ele só está pouco frustrado porque Klaus se da melhor com as garotas, mesmo sem nem “gostar” delas... se é que você me entende.
– É claro que ela entende – diz Klaus um pouco ofendido. – Desse modo obvio que você falou até uma cacatua surda entenderia.
– Relaxa bi, vamos para a sala – diz Skyler e nós três entramos na sala.
Acho que Klaus percebeu que eu estava indo para uma direção diferente da deles dentro da sala e fez o favor de pegar o meu braço e fazer sentar no lugar vazia atrás dele, ao lado de Xander.
Skyler e Klaus estão cochichando alguma coisa na frente e alguns minutos depois ouço Klaus dizer ( ou quase gritar):
– Não! Para! Mentira bi! – então se vira para mim – Você conhece Charles Watson? A versão humana de Apolo?
– ... sim...? – eu digo um pouco confusa.
– Pode me contar t-u-d-o!
– Não tem muito o que contar... A gente se conheceu quando tinha 5 anos, e quando tínhamos 8 anos, ele se mudou. A gente tentou manter contado por algum tempo, mas não deu muito certo... Então encontrei ele hoje na aula de biologia.
– Ele era tão gostoso quando era criança quanto é agora?! – Klaus pergunta.
– Meu Deus Klaus, você é tão pervertido! – diz Xander olhando com um ar de nojo para Klaus, que educadamente levanta seu dedo do meio para Xander e volta a prestar atenção em mim.
– Ele mudou bastante – é tudo que posso dizer.
Nessa hora a professora de geografia entra na sala e aula começa, mas ainda assim Klaus e Skyler continuam a conversar e eu sei que o assunto é eu e Chuck.
A aula de geografia é calma e acaba logo. Minha próxima aula é de química e é com Skyler e Xander ( Klaus tem biologia).
As aulas vão seguindo e vou tentando me adaptar a Skyler e seus amigos, e nem é tão difícil. Klaus e Xander são o tipico caso de melhores amigos que vivem brigando e quando eles brigam, vou te contar, eu quase choro de rir. Longe de Klaus, Xander é mais calmo e até mais agradável. Klaus é ligado no 220v. o tempo todo, sempre falando, rindo e mexendo as mãos. Skyler é um intermediário. Ela sabia se soltar nos momentos certos.
Não vou negar que ao ir de uma aula para a outra fico procurando Chuck no corredor, mas não vejo nenhum sinal dele.
Quando a ultima aula antes do almoço acabou (aula de inglês com Xander), Xander se vira para mim e pergunta:
– Você vai almoçar com a gente, certo?
– Não posso. Combinei de almoçar com Chuck.
– Chuck?
– Charles Watson – eu esclareço.
– Ah ta... – ele diz. – Clarisse, eu não queria ter que te falar isso, mas a probabilidade de ele aparecer de verdade, é bem baixa. Ele é famoso por não cumprir sua palavra.
– Ele vai aparecer – eu digo confiante.
É claro que Chuck vai aparecer. Eu acredito nisso.
– Ok... no caso de ele não parecer... – Xander diz.
– Ele vai – eu respondo.
– ... no caso de ele não aparecer, nós sempre nos sentamos na terceira mesa do lado da janela. Pode passar lá se quiser. – Xander continua.
Fico um pouco irritada com ele ao perceber o tom de dó e compaixão na sua voz. Como se ele tivesse toda a certeza do mundo de que eu ia me magoar.
– Ok. Obrigado.
Seguimos em silêncio para o refeitório, ele mais uma vez indica qual é a mesa que sempre fica com Klaus e Skyler e então entra. Eu fico na porta do refeitório, olhando as pessoas passarem, mais uma vez procurando Chuck.
Quase 10 minutos se passaram e Chuck não apareceu. Mas tudo bem, alguma coisa deve ter acontecido. Ele chegou atrasado na aula de biologia, então também poderia chegar atrasado no almoço. Nada demais.
Logo 10 minutos viram 20, e 20 viram 30 minutos e todos meus pensamentos positivos acabaram. Ele não vai vir. Ele se esqueceu. Só pode ser isso.
Talvez me rever não seja tão importante para ele quanto é para mim.
Mas o que eu tinha na cabeça?
Eu achei que tudo seria como antes? Quase 10 anos sem ver um ao outro, e ao se reencontrar por acaso, íamos magicamente voltar a ter 8 anos e agir como se nada tivesse acontecido?
Me sentindo do tamanho de uma formiga, entro no refeitório, pego qualquer coisa sem prestar atenção, passo no caixa e vou até a mesa de Skyler.
Nenhum dos três diz nada. Eu posso sentir seus olhares de pena sobre mim. Eles estavam certos.
Eu conhecia Chuck. Mas Charlie? Charlie era um completo estranho para mim. Eu tenho que encarar isso.
– Ele não apareceu – eu digo para Xander.
– Clarisse.. eu não... eu... – Xander tenta falar mas se enrola todo.
– Xander, relaxa. – é tudo que digo, e na hora ele fecha a boca.
– Oh Clara.... – diz Klaus carinhosamente colocando sua mão sobre a minha. – Ele é lindo como um anjo, mas não se pode confiar nele.
Eu não sabia disso.... Porque eu sempre confiei em Chuck, e ele nunca me decepcionou. Até hoje.
Eu sei que posso parecer um pouco dramática em relação a isso... Mas pense bem... Você combina de sair com seu melhor amigo, aquele amigo por quem você sente o mais puro carinho, e começa até pensar em como vai ser isso. As historias que você tem para contar para ele, as coisas que ele tem que contar para você, as coisas de que vocês vão rir e eventualmente se engasgar com o refrigerante. E como isso vai ser legal.
Então seu amigo não aparece. Todos seus planos e expectativas caem por terra, porque ele inexplicavelmente não apareceu. O que você sentiria?
Tudo o que como é um pedaço de chocolate que Xander dá para mim (talvez por culpa pelo que me disse antes). Quando todos acabam de comer. Klaus se levanta e diz:
– Ainda temos quinze minutos, vamos lá fora tomar um sol – e todos nos levantamos.
E é nessa hora que vejo Chuck passar correndo pela porta do refeitório, olhando para todas as direções. Finjo estar ocupada recolhendo minha bandeja para não ter que olhar para ele. Mas é claro que com aquela altura toda, ele me encontra.
– Ackerman! – ele me chama ao se aproximar. – Me desculpa. Mesmo. Eu perdi a hora. Nem acredito... Você já esta saindo? – ele diz ao ver a bandeja na minha mão. Então olha para o seu relógio de pulso – Ainda temos quinze minutos de almoço...
– Eu vou lá fora tomar um sol com o pessoal. Te vejo depois Chuck – eu digo desviando dele. Por fora pareço bem, mas me xingo internamente por deixar escapar na minha voz que estava magoada.
– Desculpa Ackerman... desculpa mesmo – ele diz me seguindo.
– Ok Chuck, relaxa. – eu digo. – Você obviamente tinha coisas mais importantes para fazer, tudo bem eu entendo. Não é o fim do mundo. Te vejo depois.
Então vou ao encontro de Skyler, Klaus e Xander que estão parados na porta de refeitório me esperando.
– Clarisse Ackerman, eu te conheço a menos de 5 horas, mas eu definitivamente gosto de você – diz Klaus sorrindo para mim.
Eu sei que deveria estar feliz com esse comentário, mas não estou. Eu não queria que fosse assim.
Fale com o autor