Let's Not Fall In Love
9 Capítulo 8 - Uma Escolha Difícil
Notas iniciais

SEUNG-HEE
Na minha frente a cidade de Seoul erguia-se gloriosa com todas as suas luzes multi-cores. Fazia anos que não visitava a Torre Namsan, quando era pequena costumava vir aqui todos os fins de semana com os meus pais passear, e mais tarde, com os meus dezasseis, dezassete anos, vinha aqui passar o tempo com a Marti ou com um ou outro namorado que havia arranjado na altura. Ainda me está gravado na memória o dia em que Marti me disse que se iria mudar para Nova Iorque, há mais ou menos oito anos. Aqui em cima fazia um frio desgraçado, mas mesmo assim, Marti obrigou-me a vir, e foi neste exacto local onde me encontro agora que ela me disse que estava doente e que só em Nova Iorque é que existia tratamento. Eu fiquei de rastos, não sei qual foi a pior notícia: ela estar doente, ou ela se mudar. As duas passamos a tarde a chorar sentadas no chão uma agarrada a outra, pensando que talvez assim as coisas ficassem melhor e Marti não tivesse que partir.
Mas os meus pensamentos neste momento não estão muito virados para esse tipo de memórias nostálgicas, mas sim para umas memórias mais recentes.
T.O.P ou Seung-Hyun, como é conhecido pelos amigos, um homem fantástico, educado e cavalheiro, tão perfeito que chega a arrasar o ridículo. Desejado por muitas, pode ter qualquer mulher que queira e mesmo assim está sozinho. Engraçado.
Enquanto admiro a maravilhosa paisagem, recapitulo tudo o que tinha acontecido neste dia de loucos.
Giselle Unnie havia-me ligado dizendo para me dirigir imediatamente para o prédio da GP pois haveria uma reunião de emergência. Como não tinha o carro Seung-Hyun ofereceu-se a me levar lá. O silêncio no carro chegava a ser frustrante, mas não superava a vergonha alheia que se sentia no ar. Esta manhã tinha sido bastante estranha, desde acordar-mos os dois um ao lado do outro de mãos dadas até eu não me lembrar de praticamente nada da noite anterior.
— Sobre o que aconteceu há pouco… — Quebrou o silêncio. — Ontem à noite não aconteceu nada, acho...
— Espero que não. — Afirmei friamente. — Porque senão estamos metidos num grande sarilho por motivos óbvios.
— Seung-Hee, os dois bebemos demais, o que passou passou. — Disse. — E tenho a certeza que nenhum dos presentes nas festas vai dizer alguma coisa.
— Talvez… Mas já viste as notícias hoje? — Perguntei ainda com bastante frieza na voz. Ele acenou a cabeça negando.
Peguei no telemóvel que estava dentro da bolsa e abri o site do Dispach, E foi até às noticias do dia, em primeiro lugar aparecia o artigo: Membro dos BIGBANG, T.O.P visto com mulher misteriosa.
Comecei a ler o artigo para Seung-Hyun que parecia perplexo perante a noticia. — T.O.P, membro do grupo BIGBANG, foi visto esta sexta-feira com uma mulher misteriosa. Ainda sem identidade confirmada, esta mulher de cabelos escuros parece ser o novo amor do rapper e actor. Não é a primeira vez que este casal foi visto junto, sendo que a primeira aparição sucedeu faz umas três semanas. Tentamos entrar em contacto com a empresa, mas esta negou a existência de qualquer tipo de relacionamento.
Seung-Hyun ficou sem reacção, mas por fim articulou algumas palavras. — Tenho de ligar ao Presidente Yang imediatamente. — Ligou para ele. — Bom dia, espero não estar a incomodar.
— Não não estás.— Respondeu o Presidente do outro lado da linha. — Suponho que me tenhas ligado por causa da notícia.
— Supôs bem, Presidente. — Disse Seung-Hyun.
— Não te preocupes com isso, eu já esclareci as coisas com a imprensa.— Informou. — Mas gostaria que tivesses mais cuidado com quem andas, os paparazzis estão sempre de vigia.
— Terei sim, Presidente. Obrigada. — Agradeceu Seung-Hyun.
— De nada, Seung-Hyun. Até breve.— Disse o Presidente desligando.
Os dois entreolhamo-nos, com o mesmo pensamento em mente: Marti e Ji-Yong. — Se eles soubessem ligariam. — Disse.
— Eu penso o mesmo. — Concordou.
Chegamos ao local e eu saí do carro. Enquanto Seung-Hyun foi estacionar subi até ao último piso para assim a reunião de emergência ter início.
***
Saí do prédio ainda um pouco atordoada. Não podia acreditar no acabara de ouvir. Novas regras, as relações entre empregados e artistas totalmente proibidas, a infracção desta regra levará ao despedimento imediato das pessoas envolvidas. Estas novas regras ecoavam na minha cabeça, como se esta fosse um túnel sem fim. As relações entre empregados e artistas deve ser estritamente profissional. Devido a acontecimentos recentes não tive outra opção se não a impor esta nova regra. As palavras de Giselle não deixavam a minha cabeça, pergunto-me o que ela fará quando souber o que aconteceu entre mim e o Seung-Hyun. A minha vida está arruinada… O que será da Marti?
Senti alguém tocar-me nas costas e ao virar dei-me de caras com a última pessoa que queria ver neste momento, Seung-Hyun.
— Onde vais? — Perguntou de sorriso na cara, mas logo este desapareceu para dar lugar a uma expressão de preocupação. — Que se passa?
— Que se passa? — Retorqui, pensando de novo nas palavras de Giselle. — Passa-se que isto. — Apontei para nós os dois. — Isto acaba aqui.
— O quê? — Questionou, a confusão sentia-se na sua voz.
— Esta amizade, relação, como lhe queiras chamar, termina aqui. — Respondi tentando ser o mais fria possível, para que ele não notasse a mentira por detrás daquelas palavras.
Eu não quero deixar de ser amiga dele, mas o meu trabalho depende dessa decisão. Uma amizade ou um emprego? Eu não sei… Seung-Hyun ou Marti? Eu não posso escolher.
— Porque dizes isso? Porquê agora? — Indagou confuso.
— Porque uma colega minha, uma mulher que conheço há sete longos anos foi despedida, perdeu tudo por se ter apaixonado por um artista. — Disse sem meias palavras. — E apesar do artista ter sido expulso, ainda está bem na vida graças ao dinheiro, mas a minha colega não teve tanta sorte… Está na ruína.
— Mas nós somos apenas amigos. — Afirmou Seung-Hyun. — Não tem nada de mal.
— Sabes onde a amizade entre um homem e uma mulher acaba? — Questionei retoricamente. — Na cama. E nós não somos excepção.
— Seung-Hee…
— Lamento… — Disse abandonando Seung-Hyun no meio da rua. Caminhei durante alguns minutos até apanhar um táxi de volta a casa.
Passei o resto do dia em casa, a matutar nas palavras de Giselle e de Seung-Hyun. Perder Seung-Hyun ou perder Marti? Eu não consigo escolher, deixar a minha melhor amiga, ou o homem que me faz sentir como se fosse uma adolescente de novo?
Chamei um táxi uma vez mais, desta vez o destino era a Torre Namsan.
***
E então aqui estou eu debruçada sobre o corrimão coberto de cadeados do amor, observando a maravilhosa cidade de Seoul fervilhar de energia. Estou aqui sozinha, obrigada a escolher entre as borboletas e a montanha russa, entre o amor e a amizade, entre o T.O.P e a Marti.
Faz sete anos prometi que jamais a deixaria sozinha, que jamais deixaria Marti para trás. Faz três semanas encontrei por acaso alguém que me levou de volta à adolescência, encontrei Seung-Hyun.
Os meus pensamentos foram interrompidos por uns braços quentes que me rodearam. Afastei-me rapidamente dando-me de caras com Seung-Hyun.
— Que estás tu a fazer? Não te disse para me deixares, que agora a nossa relação é estritamente profissional. — Interroguei.
— Não te vou deixar, não a ti, Seung-Hee. — Disse. — Desde o dia que te conheci e te levei a casa sabia que eras diferente, falaste para mim como um igual… Nunca ninguém me falou assim antes… Desde esse dia que não deixo de pensar um minuto que seja em ti.
— Seung-Hyun… — Ele não me deixou terminar.
— Seung-Hee… Eu sei o que estou a arriscar ao ter vindo aqui, ao ter-me aproximado de ti, eu sei… Mas eu já tomei a minha decisão, e não te vou deixar escapar. — Ele aproximou-se de mim encurralando-me contra o corrimão.
— Seung-Hyun, não és o único que está a arriscar as coisas, mas ao contrário de ti, eu não ganho uma fortuna, este trabalho é tudo o que tenho…
— Nós podemos mudar as coisas. — Afirmou.
— Achas? — Questionei. — Tu viste o que aconteceu.
— Eu vi… Mas ao contrário da tua colega, eu jamais te deixaria sozinha numa situação daquelas. — Respondeu Seung-Hyun.
Senti as suas mãos quentes acariciarem a minha face, fazendo-me arrepiar.
— Nós vamos conseguir. — Disse ele. — Nós vamos vencer, Seung-Hee.
E então os seus lábios colaram-se nos meus, um arrepio percorreu todo o meu corpo como se fosse electricidade, o que estava a acontecer era errado, mas não podia fazer nada. Não quero fazer nada. E foi ali, com a cidade como pano de fundo, que Seung-Hyun finalmente roubou meu coração por completo.
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