Let's Not Fall In Love
22 Capítulo 21 - Vingança
Notas iniciais

MARCUS
Sentado no sofá observo as luzes fervilhantes de Seoul através da janela. Amanhã será um grande dia, poderei ver a Yong-Gi depois de tantos anos. Provavelmente ela já não me reconhecerá, mas de qualquer forma será bom voltá-la a ver. Dirigi-me ao quarto e abri a gaveta da mesinha de cabeceira de lá retirei uma fota antiga onde eu e a Marti estávamos juntos.
— Amanhã vai ser um grande dia. – Falei de mim para mim. Depois de um banho relaxante, deitei-me na cama e acabei por adormecer.
***
Quando cheguei ao prédio da TvN, um aglomerado de pessoas já se encontrava à porta. Quando saí da van fui rodeado por um monte de jornalistas a me perguntarem sobre o drama em que iria participar e qual a razão para ter esperado pela volta da Marti. Eu limitei-me ao básico: “O drama vai ser algo único e a Marti é uma excelente atriz e estou curioso para trabalhar com ela.” Mas a verdade é que eu apenas queria voltar a ver a Marti uma última vez, já faz anos desde que nos vimos, e eu apenas a quero consolar depois da triste morte do Andrew.
Fui o último a chegar à reunião. Eu sentei-me junto do meu manager mesmo em frente da Marti. Ela estava ainda mais bonita do que antes. O cabelo avermelhado assentava-lhe como uma luva.
O produtor deu início à reunião. – Boa tarde a todos. Hoje finalmente teremos a nossa primeira reunião com toda a equipa. Na próxima semana procederemos à leitura dos roteiros. Hoje apenas faremos a distribuição oficial de papeis bem como a apresentação da equipa.
O roteirista passou a explicar pormenorizadamente todo o enredo do drama bem como as localizações onde seriam filmadas as cenas e por fim recitou os nomes dos atores e personagens que cada um interpretaria. Depois de combinar mais algumas coisas deu-se por terminada a sessão.
— Obrigada a todos por estarem presentes, e não se esqueçam que na próxima Terça teremos a primeira leitura do roteiro. Quero-vos todos aqui à mesma hora. Bem, é tudo por agora. Tenham um bom resto de semana.
Todos saíram da sala de reunião e alguns dirigiram-se até à explanada no andar debaixo. Marti foi a única que subiu em direção ao telhado do edifício. Estava sozinha, assim que aproveitei para a seguir. Quando cheguei ao telhado, ela estava junto à grade.
— Andrew, parece que finalmente podes descansar em paz. Está tudo a correr perfeitamente!
Andrew. Apesar dos anos se terem passado ela continua presa a ele.
— O Ji-Yong está-me a apoiar muito, acho que fiz bem em te deixar descansar em paz.
Ji-Yong? Quem é esse, e como é que a Marti passou tão rápido de uma relação para outra? Pára Marcus, já estás a criar teorias sem saber o que está a acontecer, além do mais tens de aproveitar esta oportunidade para a fazer voltar para ti e finalmente ter a tua vingança.
***
— Quantas vezes te tendo de avisar para não te aproximares mais da Marti? Quantas? – Disse Andrew enfurecido.
— Porque é que és assim comigo Andy, o que é que eu te fiz de mal para merecer que me trates assim? – Perguntei num tom irónico.
— Tu sabes muito bem o que fizeste, e algum dia vais pagar por isso. – Retorquiu.
Estávamos no telhado do edifício onde se encontrava o apartamento da Marti. A noite já havia caído faz tempo. — Não tens provas do que aconteceu.
— Bem, nisso é que te enganas. – Ele levantou a mão revelando uma pen drive. – Aqui estão as gravações da violação Young-Jae, e se não te afastares da Marti a polícia vai ser a primeira a ter a cópia.
— Onde arranjaste isso? – Questionei tentando evitar mostrar o meu nervosismo.
— Parece que desta vez não foste tão cuidadoso como da primeira. – Revelou. – Devias ter pensado nas câmaras de vigilância antes de ter cometido tal ato.
— Pensas que me consegues assustar com meras palavras. – Disse enfurecido.
Ele retirou o telemóvel do bolso mostrando a gravação. Merda.— Não te voltes a aproximar da Marti nunca mais.
— Mas eu amo-a. Graças a ti nunca tive uma única oportunidade. Tu sabes o quão duro é estar a ser constantemente rejeitado por ela.
— Obsessão não é amor, Young-Jae. – Retorquiu.
— Eu viajei para cá para estar junto dela. Comprei-lhe presentes e estive toda a vida ao seu lado, nunca a deixei. Porque é que ela se foi apaixonar por alguém que via apenas algumas semanas por ano. Porque é que ela não se apaixonou por mim que estava junto dela todos os dias? Porquê?! – Eu estava prestes a perder o controlo. – Mas eu vou conquistá-la, ela vai ser minha, e tu vais sentir na pele o que eu senti durante estes anos todos! Eu vou-te destruir Andrew!
Corri até às escadas e desci até ao andar onde se encontrava o apartamento da Marti, Andrew seguiu atrás de mim mas não me importei. Antes que conseguisse abrir a porta fui intercetado pela polícia. Aquilo não tinha passado de uma armadilha para me apanharem.
— Está preso pelos crimes de violação e homicídio agravado. Permaneça em silêncio, tudo o que disser pode e será utilizado contra si num tribunal.
Dias depois fui extraditado para a Coreia onde fui julgado por dois crimes de violação e um crime de homicídio com agravantes. Sendo assim sentenciado a pena de morte por não manifestar qualquer tipo de arrependimento pelo que tinha feito. Porque haveria aquelas pessoas mereciam tal destino.
Nunca cheguei a cumprir tal pena pois dois anos após a sentença consegui escapar, mudei a minha identidade e consegui comprar a Black Enter. a empresa de entretimento dos meus pais, de novo pedindo uns favores no submundo. Para que ninguém suspeitasse da minha verdadeira identidade, para além de mudar a minha cara, criei toda uma história falsa sobre o meu passado, e o novo dono da Black Enter. passou a ser um verdadeiro mistério. Irei debutar no final deste ano, e usarei isso como cobertura para o meu retorno. Com tudo de volta ao normal é tempo de dar início à minha vingança. A Marti sentirá na pele o que eu senti, e destruirei tudo o que lhe é querido a começar pelo Andrew, e a terminar na sua família. E no meio tempo voltarei a tornar a Balck Enter. a maior empresa de entretenimento do mundo!
***
Subi as escadas que davam acesso ao piso onde se encontrava o Andrew internado. Engraçado. No bolso do casaco trazia uma injeção com uma nova droga indetetável que para o coração em questão de minutos, cortesia de um amigo meu do submundo. Entrei dentro do quarto, Andrew estava a dormir, mas logo acordou ao ouvir os meus passos.
— Quem és tu? – Questionou.
— O meu nome é Lee Chan-Seong, mas tu deves-me conhecer por Choi Young-Jae. – Retorqui aproximando-me dele.
— Impossível, tu não te pareces nem um pouco com ele. – Disse com ar sobressaltado.
— Claro que não me pareço com ele, agora ainda sou mais bonito. Sabes, a cirurgia plástica faz mesmo milagres.
— Como é que escapaste da prisão? – Perguntou ajeitando-se na cama.
— Eu tenho muitos contactos. – Respondi vagamente. – Mas quem diria, eu sou quem estava destinado à pena de morte, mas és tu quem estás a morrer.
— Nem te atrevas a aproximar da Marti ou da minha família. – Ameaçou quase sem ar.
— Bem, a tua família não me interessa, já a Marti é outro assunto. – Respondi com um sorriso na cara.
— Nem te atrevas a aproximar-te dela. Ela não sabe o que tu fizeste… — Ele tossiu. – Eu não queria que ela ficasse com uma imagem negativa de ti, o seu melhor amigo da vida.
— Isso já não importa mais. Eu agora sou uma nova pessoa, sou o Marcus. – Afirmei. – Eu vou destruir tudo o que é querido para ela, para ela saber o quanto eu sofri durante todos estes anos. E começarei por ti.
— Tu és louco! – Exclamou num sussurro.
— E tu ainda não viste nada. – Afirmei retirando do bolso a injeção. – Esta injeção matar-te-á lentamente. E tudo não passará de um mero ataque ao qual não resististe.
Fui até junto da cama e no local de administração da medicação coloquei a agulha começando a injetar a droga. Ele não se conseguia mexer naquele momento assim que não ofereceu muita resistência. – Foi um prazer conhecer-te Andrew. Espero que descanses em paz sabendo que a Marti vai morrer graças a ti. Adeus.
O pulso dele começou a diminuir enquanto a sua respiração aumentava. Não assisti até ao fim do espetáculo. Saí rapidamente do edifício. Isto é apenas o começo.
***
Lá estava ela. Tão bonita como sempre. Avancei em direção a ela. Esperei tanto tempo para fazer isto.
— Marti? – Chamei. Ela virou-se imediatamente.
— Sou eu. – Disse com um sorriso. Ela continuava a mesma de sempre com a sua personalidade um tanto peculiar. – E tu deves ser o Marcus Oppa?
— Acertaste. – Retorqui. – Estás ansiosa para começar as gravações?
— Sim, já faz imenso tempo que não interpreto nenhum personagem. – Disse. – É bom estar de volta.
Passamos um bom pedaço no telhado do edifício a conversar, apesar de saber da maioria das coisas que ela me contou de quando era mais nova, foi bom voltar a conversar com ela. Por um momento fiquei encantado. Por um momento quase me esqueci que tinha uma missão a cumprir. Por um momento pensei em desistir.
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