Let's Not Fall In Love
18 Capítulo 17 - Máscaras
Notas iniciais

SEUNG-HEE
— Eu juro que vou queimar este telemóvel se ele voltar a tocar! — Exclamei irritada atirando o telemóvel para longe de mim. Toda a gente que se encontrava na explanada do bar ficou a olhar para mim.
Já todos naquele local sabiam sobre o mais recente escândalo dentro da YGP Collaboration. “ O retorno do casal maravilha e a mulher misteriosa de T.O.P.” À dois dias atrás saiu uma notícia do reencontro entre o antigo casal maravilha formado pelo o Seung-Hyun e pela Soo-Young e um dia depois dessa notícia ter sido publicada o Dispatch revelou a identidade da mulher misteriosa com o qual o Seung-Hyun se tem encontrado nos últimos meses. Ainda tenho bem viva na memória a reação que tive ao abrir o site e me deparar com a minha cara estampada na página principal com um título em negrito debaixo onde se podia ler “Kim Seung-Hee, a manager que roubou o coração de T.O.P.” Desde essa publicação o meu telemóvel não parou um segundo. O que é que eu fiz de errado para merecer tal castigo? A única coisa boa acerca desta confusão toda é que a Giselle não me despediu. Yong-Gi, porque não estás comigo agora?...
Voltei a sentar-me na cadeira e abri uma vez mais o site de notícias, desci até ao fundo da página onde se encontravam os comentários e lios mais uma vez.
“Ela só se interessou nele por causa do dinheiro, de certeza que é uma manager na miséria.“
“Como é que a GP foi capaz de contratar alguém como ela?”
“Ela só quer é fama. Vadia.”
A minha viagem pelos comentários foi interrompida pela mão de Giselle que me retirou o telemóvel das mãos e mo desligou. — Não devias ler este tipo de coisas Seung-Hee.
— Unnie, o que fazes aqui? — Questionei surpresa.
— Evitar que entres em depressão por ler demasiados comentários e sejas atacada por um grupo de haters que se encontram à porta do edifício. — Retorquiu. — Hoje tens o dia livre, já pedi para que chamassem um táxi. Hoje ficas em minha casa, ao que parece os paparazzis fizeram uma multidão à porta do teu apartamento.
— Obrigada Unnie… — Agradeci desanimada.
— Hey, nós vamos resolver isto. — Disse tentando-me animar, mas foi em vão.
— Posso-te fazer uma pergunta? — Ela acenou afirmativamente. — Porque não me despediste?
— Porque tu não fizeste nada de mal. Comunicar com idols não é motivo para despedimento. — Respondeu com um pequeno sorriso. — Agora vai para casa e descansa, amanhã será um novo dia.
Segui o concelho de Giselle e voltei para a sua casa para descansar e me esquecer um pouco de tudo o que estava a acontecer. Depois de evitar a multidão de pessoas que se acumulava em frente ao edifício da GP, finalmente me dirigi para casa, ou pelo menos para a casa de Giselle.
***
“Os meus pais estariam fora durante o fim de semana, para celebrar o seu vigésimo quinto aniversário de casamento, assim que passaria dois dias sozinha em casa. Naquela altura eu namorava um rapaz chamado Oh Joon, a Yong-Gi não gostava muito dele, dizia que era uma má influência. Admito que ao princípio eu achava o mesmo, ele parecia uma chaminé sempre com o cigarro aceso e os seus amigos também não eram as melhores influências. Na altura eu tinha uns dezassete anos e ele uns dezanove, eu achava que ele era todo um homem. E eu estava realmente apaixonada por ele. Apesar das más influências ele era muito inteligente, e nos últimos meses tinha feito com que ele voltasse a aparecer nas aulas. Senti muito orgulho em mim por ter conseguido tal proeza.
Joon sabia que eu estaria sozinha aquele sábado à noite assim que passou lá por casa para me ajudar a estudar. Não sei o que tinha na cabeça para o deixar entrar. Eu achava mesmo que aquilo seria uma simples sessão de estudo. Eu era tão inocente…
Subimos para o meu quarto e ele sentou-se em cima da cama, eu fui até junto da minha secretária e peguei no livro de matemática. Sentei-me junto dele e abri o livro em cima das pernas. Enquanto ele me explicava a matéria, passava cuidadosamente os seus dedos sobre o meu cabelo, deixando-me completamente arrepiada. Naquela altura eu não me apercebi do que Joon realmente tinha vindo fazer a minha casa.
Ele começou lentamente a beijar-me o pescoço, foi descendo até chegar ao encontro da minha clavícula. Eu afastei-o com uma mão e com a outra apontei para o livro.
— Oppa, eu tenho de estudar. — Afirmei.
Ele parou e continuou a sua explicação sobre a matéria, mas alguns minutos depois voltou-me a beijar o pescoço, e com as mãos agarrou cuidadosamente o meu queixo e virou-o para ele depositando um beijo doce sobre os meus lábios. Foi aqui que me dei conta que ele não estava ali para estudar, mas sim para algo mais.
— Oppa… — Antes que eu terminasse a frase ele voltou-me a beijar. Nunca tínhamos abordado este assunto antes, mas ele sabia que aquela era a minha primeira vez. Se estava preparada? Não, mas deixei-me levar pelo momento.
Ele inclinou-se sobre mim deitando-me delicadamente sobre o cobertor macio da minha cama, foi lentamente beijando-me o pescoço, o peito e os lábios. Quando ele me começou a desapertar a blusa, exclamei:
— Pára!
Ele não me deu ouvidos e prosseguiu. Coloquei as minhas mãos sobre o seu peito e tentei afastá-lo, mas sem sucesso. Quando me tentou beijar, virei a cara e uma vez mais exclamei:
— Oppa, pára por favor! — Nesse momento consegui afastá-lo e então levantei-me da cama enquanto apertava de novo a blusa.
— Oppa, acho que devias ir embora. — Afirmei apontando para a porta.
— Porquê? Estávamos a ter um bom momento juntos. — Disse com um sorriso sinistro na cara.
— Joon, por favor saí, falamos amanhã, okay? — Pedi calmamente.
Ele aproximou-se de mim rapidamente encurralando-me contra a parede. Segurou o meu queixo com um das mãos e olhou-me nos olhos. — Não me digas que estás com medo. Só vai doer um bocadinho.
— Joon, eu não estou pronta… — Finalmente revelei.
— Oh, não te preocupes, vai ser bem depressa. — Retorquiu.
— Eu disse não! — Exclamei dando-lhe uma chapada na cara, ficou com a marca. A sua expressão mudou completamente depois da chapada, a sua cara manifestava fúria. Então do nada e começou novamente a me beijar o pescoço descendo depois para junto do peito. Tentei-me afastar, mas sem sucesso. Ele abriu-me a blusa com tanta força que arrebentou com os botões. Aproximou-se mais de mim e começou-me a beijar, com tanta força que ao me morder o lábio fez sangue. Eu tentei sem parar afastá-lo mas era impossível para mim conseguir tal feito.
Ele atirou-me para cima da cama, fazendo com que a minha cabeça batesse contra a cabeceira da cama, não sei como não desmaiei. Ele não fez muito caso às minhas queixas e continuou com o que estava a fazer. Tirou-me as calças e em seguida as cuecas. Dei-lhe pontapés, arranhei-o tão fundo que até fez sangue, mas de nada serviu, ele não parou. Mas o pior estava ainda por vir. A dor que sentiria a seguir ficaria marcada para sempre na minha mente.
Ele penetrou-me com tanta força que senti como se me estivessem a dilacerar pouco a pouco. Naquele momento senti-me impotente, incapaz de me defender. Eu tentei afastá-lo com todas as minhas forças, mas de nada serviu. Quanto mais o tentava afastar mais ele se aproximava e me magoada. Enquanto prosseguia com o ato agarrou nos meus pulsos com tanta força quase deixando a minha mão sem circulação.
Depois de muito lutar acabei por desistir. Deixei de me opor, simplesmente fechei os olhos e rezei para que tudo aquilo terminasse.
Quando terminou levantou-se e aportou o fecho das calças e em seguida olhou para mim com um sorriso de satisfação na cara, enquanto as minhas lágrimas me encharcavam os olhos. Ele saiu do quarto, e eu apenas me levantei quando ouvi o som da porta principal a bater. Corri então para a casa de banho e entrei para dentro da banheira, peguei no chuveiro, liguei a água fria e deixei que ela corre-se pelo meu corpo magoado. Observei os meus pulsos negros, e a minha barriga marcada. Sentia-me suja. Sentia-me desesperada, sem saber o que fazer. Sentei-me na banheira enquanto deixava que a água caísse sobre mim. Peguei numa esponja de banho e comecei a esfregar o meu corpo, esfreguei com tanta força que acabei por fazer sangue num braço, e por mais estranho que pareça, aquela dor foi um alívio. Quando a banheira estava praticamente cheia deixei-me escorregar para debaixo da água, na esperança de morrer afogada…”
Acordei ofegante, estava completamente suada e as lágrimas desciam pelo meu rosto. Levantei-me rapidamente e corri para casa de banho onde me sentei debaixo do chuveiro com a água fria ligada, a chorar pensando naquele horrível noite de Dezembro.
***
Foi Marti a primeira a se dar conta que algo estava errado comigo naquela altura, que algo estava errado por detrás daquela máscara de felicidade que eu teimava em usar. Naquele altura eu praticamente não comia ou falava, foi também nessa altura que eu comecei a dormir com o taco de basebol junto da cama, comecei a andar com gás pimenta na mochila e a me cortar com um canivete que havia roubado ao meu pai, parece muito clichê, mas a verdade é que essa era a única forma de liberar a dor que tinha no coração. Tinha medo que o Joon se voltasse a aproveitar. Lembra-me que depois daquela noite nunca mais o voltei a ver.
Marti é a única que sabe sobre a violação, foi ela que convenceu os meus pais a que me levassem a um psicólogo. Se não fosse por ela não estaria aqui hoje. Ainda me lembra do dia em que lhe contei toda a história. Foi numa tarde na minha casa, não sei como ela se deu conta, mas apontou para os meus braços e perguntou-me o que se havia passado. Lembro-me de lhe ter dado um monte de desculpas sem sentido e ter acabado por desistir e lhe contar a verdade. Choramos as duas juntas, e Marti disse que faria tudo o que pudesse para me ajudar. Foi ela que me deu a notícia da morte do Joon três anos depois daquela noite. Joon havia morrido nas mãos do gangue a que pertencia. Falando em bons amigos.
Toda aquela situação me mudou como pessoa. Encontrei no trabalho uma escapatória à dor que sentia, não estou a brincar quando digo que este trabalho é tudo o que tenho. O trabalho e a Marti…
***
No dia seguinte, depois de insistir com a Giselle, voltei ao trabalho. Trabalhar era a única forma de fugir da realidade. Fugir do facto que meio mundo me odiava. Prometi a Giselle que não leria as notícias até que as coisas acalmassem.
Encontro-me agora no terraço da GP Enter. O sol já se põe, mais um dia passou. Observei o movimento na cidade, o resto do mundo continua a dar voltas apesar de tudo o que aconteceu… Os meus pensamento foram interrompidos pela chamada do meu nome. — Seung-Hee!
Rodei sobre mim mesma para me dar de caras com o Seung-Hyun. Tentei escapar dele, mas ele foi rápido e agarrou-me o pulso. — Podemos falar?
— Por favor… — Pedi, tentado que ele me largasse o pulso.
— Deixa-me pelo menos explicar todo este mal entendido. — Pediu.
— Tudo bem… Tens cinco minutos. — Disse voltando-me para ele.
— O que estás na imprensa é tudo mentira, um plano criado pela Soo-Young para se aproveitar da minha fama. Não voltamos, eu nunca voltaria para uma mulher como ela. E quanto a ti… Amanhã tudo estará resolvido, amanhã voltarás a ser uma mulher normal. — Explicou.
— Não quero saber nada sobre a tua vida, Seung-Hyun, eu só quero que tudo volte ao normal. — Retorqui afastando-me em direção ao interior, mas mais uma vez ele parou-me.
— É a ti que eu quero. Eu jamais voltaria para alguém que me fez sofrer tanto… Ela abandonou-me, fugiu com outro homem, e deixou-me sozinho a sofrer, achas que isso é algo que se faça a alguém? E depois aparece cinco anos mais tarde, pedindo uma segunda oportunidade…
— Choi Seung-Hyun, eu não estou interessada na tua história de amor com ela, eu tenho tantas coisas com que me preocupar, tu e ela são o menor dos meus problemas. — Afirmei.
— Eu significo assim tão pouco para ti? — Questionou. O meu coração deu um salto. Eu não sabia o que ele era para mim, os sentimentos que tenho em relação a ele são confusos… — Diz-me Seung-Hee? Eu não sou nada para ti? Sou apenas mais um idol?! Se sou apenas mais um idol, porque raio é que me tratas-te como uma pessoa normal! O trabalho importa mais uma que uma amizade, é? Diz-me!
Aquelas palavras começaram-me a fazer ferver, e apesar de me ter contido o mais que pude deixei que a bomba explodisse.
— Achas que és o único que sofreu por amor?! Achas que és o único que está a sofrer com toda esta situação?! Sabes que mais, não és, o teu sofrimento não se compara ao meu! Eu passei os últimos dez anos a culpar-me por algo que eu não fiz! A Soo-Young abandonou-te? Foi? Pois o único rapaz que alguma vez amei de verdade, violou-me! Essa é a razão pela qual eu só penso no trabalho e na Marti, porque elas são a minha única escapatória da dor que tenho dentro! — Seung-Hyun congelou, o seu olhar fixo no meu, podia ver as lágrimas a brutarem dos seus olhos, enquanto as minhas já há muito escorriam por minha face abaixo. — À dez anos que durmo com um taco de basebol junto da minha cama, à dez anos que ando de psicólogo em psicólogo para conseguir seguir em frente, e por mais que eu tente passar isso para trás das costas não consigo… Eu sou incapaz de amar, e sou incapaz de confiar em homens… O que eu sinto por ti… Eu não sei descrever, sinto que posso confiar em ti, mas sou incapaz de confiar… Tu estás-me a deixar completamente louca, e eu já não sei o que fazer… — Respirei fundo e limpei as lágrimas. — Eu não estou a mentir quando digo que este trabalho é tudo o que tenho... A Marti é tudo o que tenho…
Eu tentei controlar as lágrimas, mas sem sucesso. Eu só queria chorar, deitar tudo o que à tanto tempo guardava dentro de mim para fora.
— … Eu… E-Eu… — Seung-Hyun hesitou.
— A Marti é única que sabe tudo isto se não fosse por ela, eu não estaria aqui hoje… — Revelei.
— D-Desculpa… Desculpa por te por numa situação tão complicada…
Ele puxou-me para seus braços, acostou a minha cabeça a seu peito e chorou comigo, como a Marti fez daquela vez. Eu não me conti, deixei que as lágrimas caíssem de meus olhos como a água nas cataratas.
— Vai ficar tudo bem, Seung-Hee-ah, eu estou aqui para te proteger enquanto a Young-Gi não volta… — Disse enquanto me acariciava o cabelo.
Talvez tenham sido suas palavras, ou talvez os seus atos, mas naquele momento senti que algo em mim mudou em relação a ele, senti que podia confiar verdadeiramente nele. E foi assim, à luz do pôr do sol, que deixei o meu coração abrir-se para Seung-Hyun.
— Seung-Hyun, nunca largues a minha mão, porque se eu for nunca mais volto… — Disse entre soluços.
— Jamais largarei a tua mão, Seung-Hee…
Fale com o autor