Let's Not Fall In Love
2 Capítulo 1 - De Volta a Seoul
Notas iniciais

MARTI
Nova Iorque no verão parece um maldito forno, ainda mais este ano onde o único sítio onde se está bem é debaixo de água cheia de gelo. Desci o par de degraus que conduziam até ao passeio atulhado de gente que não ajudava nada a minimizar o calor, Andy, o cachorrinho que adotei há uns meses seguia atrás de mim. Eu sempre quis ter um cachorrinho, mas Andrew era alérgico e por isso não tínhamos nenhum, mas um dia passei num refúgio de animais e vi o Andy e pensei que ele realmente se parecia muito com o Andrew.
Eu e Gil tínhamos combinado encontrar-nos numa Coffe Shop ali na esquina, era um local pequeno mas muito agradável, e o melhor é que deixavam animais entrar. Abri a porta, e uma onda de ar fresco bateu diretamente contra mim provocando uma sensação muito agradável, ao fundo vi uma mulher com uns enormes óculos de sol e um chapéu ainda maior, a única pessoa que eu conhecia que usava chapéu e óculos num sitio fechado era a Gil, que ainda não tinha reparado que assim ainda dava mais na vistas. Um camareiro chegou há minha beira e levou o Andy para o local onde ficavam os cães e eu fui até junto da Gil.
– Posso? – Perguntei, fazendo de conta que não conhecia a mulher há minha frente.
– Claro, e não faças de conta que não me conheces. – Resmungou entre os dentes.
– Então de que é que querias falar? – Questionei, chamando em seguida um camareiro para lhe pedir um café.
– Desde quando é que vais para Seoul sem me avisar antes! – Resmungou Gil, a voz saiu tão alta que os presentes olharam todos para a nossa mesa, Gil baixou a cabeça e tapou o rosto com o chapéu.
– Não sei porque é que te escondes, que eu saiba já todo o mundo sabe que esta é a tua Coffe Shop de eleição. E quanto ao facto de eu voltar para Seoul… Não sei como descobriste, mas não é o que estás a pensar. – Esclareci. O camareiro aproximou-se com o meu café e deixou em cima da mesa.
– Então não vais voltar para Seoul por causa do Ji-Yong-sshi? – Questionou dando um sorvo no café.
– Não, não é por causa do Ji-Yong Oppa, é por mim, quero que ele me ajude com o meu álbum de comeback. – Esclareci bebendo um pouco do café. – E já agora, quem foi que te disse?
– Foi a Seung-Hee, eu liguei-lhe para saber como estavas e ela contou-me. – Revelou.
– Eu vou matar a Unnie, eu disse para não te dizer nada. – Resmunguei. – Era para ser um segredo, só a mãe e a Unnie é que sabiam.
– Mas a mãe está na Austrália de “visita” à Ally e ao Cody. – Disse a Gil fazendo aspas com as mãos. – Está a fazer uma daquelas visitas que levam meses. A Ally ligou desesperada para mim a pedir para eu impedir a mãe de ir, eu disse-lhe que quando tinha 19 anos e fui viver com o Matt, ela também tinha feito uma dessas visitas.
– E não foi só a ti, fez o mesmo comigo quando fui morar com o Andrew. – Comentei terminado o café.
Já era uma tradição da nossa família, quando mudamos de casa ou vamos viver com alguém a mãe faz sempre uma visitinha que dura meses, fez com a Gil, fez comigo e agora é a vez de Ally, que decidiu mudar-se para a casa do namorado que vive na Austrália com apenas 21 anos, não sei se ela fez bem ou não, mas uma coisa é certa, ela desistiu da sua carreira como actriz para ir morar com ele, não sei se daqui a uns anos não se venha a arrepender.
– Só uma coisa, se te vais mudar para Seoul e no apartamento da mãe não deixam ter animais, com quem vais deixar o Andy? – Perguntou Gil olhando para o cachorro que brincava animadamente com os seus companheiros.
– A Seung-Hee Unnie disse que no prédio dela aceitavam e que ela cuidaria dele, e que quando tivesse de viajar ficava com os seus pais. – Respondi abrindo um sorriso para Andy quando os nossos olhares se cruzaram.
Depois do café e de um pequeno passeio nada agradável pelo Central Park devido ao calor infernal que se fazia sentir, finalmente voltei para casa, tinha muitas coisas para fazer, desde fazer as malas, levantar dinheiro, levar o Andy à Unnie até comprar alguma coisa para o jantar. A viagem seria daqui a um par de dias e não me sentia preparada para enfrentar uma viagem de praticamente 22 horas até ao outro lado do mundo, mas uma pessoa tem-se de sacrificar pela arte não é verdade?
Depois de terminar de fazer uma das malas peguei nas coisas do Andy e coloquei-as numa mala, aproveitei a baixa de temperatura causada pelo anoitecer para ir levar o Andy à casa de Seung-Hee. Não sei se conseguirei aguentar muito tempo longe deste cachorrinho, Seung-Hee irá para Seoul uma semana e meia depois de mim devido a uns assuntos que tem de tratar. A sua casa não ficava muito longe da minha assim que decidi ir a pé.
Quando cheguei à casa da Unnie fui recebida com um convite para jantar, Seung-Hee vive sozinha em Nova Iorque desde os 20 anos, sendo que está praticamente a 7 anos neste apartamento, ela tem sido a minha manager, maquilhadora, cabeleireira, melhor amiga e um monte de outras coisas praticamente desde o início da minha carreira, sempre nos demos bem apesar de às vezes discordarmos e como em todas as amizades termos altos e baixos. Não sei o que faria sem ela, pois trata de todos os assuntos relacionados com a minha carreira e com a minha agência, é muito bom que a tua manager seja também a tua melhor amiga!
– Estão aqui as coisas do Andy. – Disse pousando a mala em cima da mesinha de café da sala. – O Andy come uma vez por dia, mas provavelmente se te vir com alguma coisa combustível na mão pode tentar comê-la.
– Está bem. – Seung-Hee baixou-se e fez uma caricia a Andy que logo começou a abanar a calda. – Agora senta-te que o jantar está quase pronto.
O jantar foi Kimchi e não sei porquê o Kimchi da Unnie sabia como o que a minha mãe preparava quando era pequena e ainda vivíamos nos subúrbios de Seoul. Nós pertencíamos a uma família de classe média baixa que trabalhava muito duro para que o dinheiro chegasse ao fim do mês, e só de pensar que agora desperdiço dinheiro em roupa de marca só para agradar à imprensa… A minha mãe trabalhava numa pequena lavandaria e o meu pai nas obras, apesar de não sermos muito ricos nunca nos faltou nada e eu e as minhas irmãs fomos capazes de cumprir os nossos sonhos. Com 10 anos, eu tinha 2, Gil fez uma participação num filme que fez muito sucesso, mas ela só se começou a tornar realmente famosa quando com 18 anos se mudou sozinha para Los Angeles e entrou num filme que a atirou para o topo. A Ally com 14 anos mudou-se para a casa da Gil e lá consegui um papel numa série qualquer da Disney que abandonou o ano passado para se dedicar à música e ao seu namorado da adolescência. Já eu tentei a minha sorte na SM Entertainment e até que consegui entrar, mas devido a um problema que tive, fui obrigada a abandonar, isso tinha eu 17 anos, por alguma razão correu um rumor entre as agência do meu talento e a YG acabou por me contactar um ano mais tarde a perguntar se estaria interessada em me tornar trainee deles, mas eu não aceitei pois já havia começado a fazer sucesso na América, pois no ano em que tive de abandonar mudei-me para lá para receber tratamento e aproveitei uma oportunidade dada por uma gravadora.
Depois do jantar despedi-me de Seung-Hee e do Andy e voltei para casa, já era quase meia-noite, a temperatura ambiente tinha descido consideravelmente e agora arrependi-me de não ter trazido um casaco, mas quem iria adivinhar? Amanhã por esta hora devo estar a dirigir-me para o aeroporto para a apanhar o voo mais longo da história, só de pensar nisso já estou cansada.
Cheguei a casa e simplesmente deixei-me cair em cima da cama desfeita, apesar de não ter feito praticamente nada estava completamente exausta, assim que me deixei adormecer ao som da cidade que nunca dorme.
***
Quando saí do avião em direção ao local de recolha de malas, deparei-me com uma multidão de paparazzi parados em frente da porta de saída, a princípio pensei que fosse para alguma estrela de K-pop ou de algum K-drama que havia chegado ou iria partir, mas quando me aproximei um pouco reparei que a maioria deles eram americanos, mal percebi isso peguei nas minhas malas e corri para detrás de um pilar de publicidade, peguei no telemóvel e liguei rapidamente para a Seung-Hee.
– Estou. – Ouvi a voz de Seung-Hee. – Tu sabes que horas são aqui?
– Desculpa se te acordei, mas está uma multidão de fotógrafos à porta do aeroporto! – Queixei-me. – Como é que eles descobriram que eu vinha para aqui?
– Soa-te a frase “Coreia aqui vou eu” de alguma coisa?– Perguntou.
– Foi o que publiquei junto com aquela foto no instagram… Ah! – Eles seguiram-me através do maldito instagram.
– Não te preocupes eu vou mandar vir uma van para te ir buscar, espera só um momento. – Pediu Seung-Hee.
– Uma van?! Estás louca, é preferível um táxi dá muito menos nas vistas. – Disse.
– Bem tu é que sabes, mas depois não digas que não te avisei, os taxistas em Seoul não são propriamente parecidos aos de Nova Iorque. – Informou.
– Não importa, manda vir um táxi, por favor salva-me! – Supliquei.
– Está bem. – Terminou a chamada.
Uns minutos depois pude ver um táxi a estacionar numa parte afastada e dirigi-me até ele, o homem de meia-idade perguntou se eu era Park Yong-Gi e eu confirmei, um dos fotógrafos deve ter reparado na minha tentativa de escapar e veio atrás de mim, mas era tarde de mais, eu já estava caminho do não tão meu apartamento. Entreguei um papel com um endereço e ele levou-me até lá. Acho que agora entendo o aviso da Seung-Hee, aquele taxista estava de alguma forma a tentar-me matar, mas não sabia como. Ela tinha mesmo razão, mais-valia ter mandado a enorme van e não ter sofrido tanto para chegar a casa.
O homem teve a amabilidade de me ajudar a levar as malas para cima e isso valeu-lhe uma boa gorjeta já que não tinha como lhe oferecer um café.
Antes de mais nada fui até a um pequeno supermercado perto do apartamento para comprar algumas coisas como comida e bebida já que não havia trazido nada de Nova Iorque. Admito que entre Seoul e Nova Iorque não posso escolher, uma foi a minha casa durante a minha infância e grande parte da minha adolescência e a outra foi a casa da minha carreira e viu como eu me tornava no que sou hoje, as duas pertencem ao meu coração de uma forma muito especial!
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