Let's Not Fall In Love
10 Capítulo 9 - Sem Arrependimentos
Notas iniciais

T.O.P
Os lábios de Seung-Hee eram suaves e quentes.Apesar de já ter pensado em beijá-la enumeras vezes, eu não sei porque a beijei, mas não me arrependo do ter feito. Ela é diferente, ela vê-me como a pessoa que sou e não como o ídolo e isso é o que me atrai e me fascina nela.
A razão pela qual nunca manti nenhum relação séria com nenhuma mulher é que no final elas sempre queriam algo de mim. “Oppa, por favor arranja-me um photoshoot!” “Oppa, poderia falar com o G-Dragon para que ele escreva algumas músicas para mim?” “Oppa, podia-me apresentar para o Presidente Yang?” “Oppa…”Estar com uma pessoa apenas porque ela é famosa e rica e te possa fazer famosa e rica, não é amor, é interesse. É irritante.
De súbito fui afastado violentamente por Seung-Hee, e logo a sua mão se colou à minha cara com tanta força que tive que recuar, sabia que aquela ia deixar marca.
— Porquê? — Proferi ainda confuso pela sua reação inesperada.
— Eu valorizo muito a tua amizade Seung-Hyun… — A sua voz saía um pouco trémula, nunca a tinha visto assim antes. — Mas nós não podemos… Eu não quero que sejas expulso dos BIGBANG por minha causa… Eu já nem estou a pensar em mim. Eu estou a pensar em ti e em todas as fãs que ficaram de coração partido se tu saíres.
— Eu disse-te que nós venceríamos. — Recordei.
— Seung-Hyun… Por favor, não me faças ter de escolher… — Proferiu virando costas, mas antes que fosse demasiado tarde agarrei-lhe o pulso.
— Ao menos podemos continuar a ser amigos?... — Perguntei hesitante.
— Logo se verá… — Respondeu, deixando-me sozinho.
Por mais que me custe admitir eu também entendo o lado da Seung-Hee, se isto não desse certo e eu fosse expulso dos BIGBANG, as fãs iriam cair todas em cima dela e infernizar-lhe a vida, mas apesar de tudo eu quero estar com ela.
Com a cara ainda a arder da estalada pus-me a caminho de casa. Quando lá cheguei estava tudo em silêncio, demasiado para ser a minha própria casa, liguei a luz da sala e com isso a da cozinha também e fui até ao congelador buscar um pouco de gelo, parecendo ou não a Seung-Hee tem mais força do que pensava, e coloquei-o na cara. Voltei para a sala e sentei-me no sofá a dar voltas no que havia acontecido à pouco. Eu fui tolo… Eu não a devia ter beijado sem pelo menos saber se ela sente o mesmo por mim. Idiota. O que será que ela está a fazer agora? Onde será que ela está?
— Para o nosso T.O.P estar em casa tão cedo num sábado à noite, algo deve ter acontecido. — Afirma uma voz por trás de mim a qual identifiquei como sendo Ji-Yong.
— O mesmo se aplica a ti G-Dragon. — Repliquei num tom mais frio do que pretendia.
— Estava a brincar… — Ele sentou-se à minha beira pousando o seu olhar sobre o saco de gelo na minha cara. — Andas-te à porrada com quem, Hyung?
— Não andei à porrada com ninguém. — Respondi, novamente mais frio do que pretendia.
— Já percebi que hoje não estás de humor… Foi a Seung-Hee, não foi? — Indagou Ji-Yong.
— Bem… — Tirei o gelo da cara e pousei-o sobre a mesinha da sala e levantei-me dirigindo-me ao terraço, Ji-Yong seguiu-me. Peguei no maço de tabaco que tinha no bolso e tirei um cigarro. Apesar de estar a tentar deixar de fumar, neste momento acho que é a única coisa capaz de me acalmar um pouco.
— Não me digas que realmente gostas dela. — Proferiu Ji-Yong com dureza.
— E se gostar? — Provoquei enquanto levava o cigarro à boca. — Ela não sente o mesmo…
— Bem… Isso tu não sabes. Mas o que mais me preocupa é como é que vais resolver o probleminha das regras e da fama. — Disse Ji-Yong.
— Não há nada para resolver, já não. — Afirmei levando uma vez mais o cigarro à boca.
— Que se passou? — Questionou Ji-Yong rodeando-me em seguida com o braço. — Conta aqui para o seu irmão mais novo.
— Algo que eu já esperava que fosse acontecer. Regras. — Cuspi com raiva. — Mas tanto faz, ela não é tão importante assim. — Aquelas palavras eram punhaladas no coração.
— Sim, claro. — Duvidou Ji-Yong. — Eu conheço-te Hyung, e eu nunca que tinha visto assim por ninguém, nem mesmo…
— Não fales nela. — Interrompi bruscamente. — Isso é passado.
— Mas…
— Ela foi embora e deixou-me para trás, nunca mais quis saber da minha existência, e eu tão pouco quero saber da existência dela. — Esclareci atirando para longe a beata do cigarro. — Boa noite, Ji-Yong vou descansar.
Deixei Ji-Young sozinho no terraço e dirigi-me para o meu quarto trancando-me lá dentro. Eu sei que o Ji-Yong não fez por mal, mas eu não queria pensar mais nela, aquela mulher que me abandonou e quase destruiu a minha carreira.
***
Encontrava-me em frente ao prédio onde a Seung-Hee vive, com esperança de a encontrar em casa e falar com ela. Dirigi-me ao elevador e subi até ao piso do seu apartamento, avancei corredor dentro e parei em frente da sua porta, levantei a mão e levei-a ao botão da campainha, mas hesitei. Será que isto é o certo? Mas lá deixei cair o meu dedo sobre o botão. A campainha tocou uma, dois, três vezes e nada em resposta, nem o o cachorro Andy se ouvia.
Uma senhora já nos seus cinquenta anos saiu da porta do apartamento do lado e olhou para mim. — Está à procura da Kim Seung-Hee? — Assenti positivamente.- Ela saiu de casa à uns minutos em direção ao aeroporto.
De viagem. Daqui ao aeroporto são cerca de uma hora e meia contando já com o trânsito e se tudo correr bem ainda sou capaz de a apanhar antes que ela entre para o avião. Agradeci à senhora e desci rapidamente em direção ao meu carro.
Já no carro, liguei para Ji-Yong. - Estou. — Atendeu.
— Estou. Podias-me dar o número da Marti? — Perguntei.
— Claro, mas para quê? — Retorquiu.
— Preciso que ela me ajude com uma coisinha. E não te preocupes não é nada de mal.
Ele concordou e deu-me o número, já com ele a postos liguei para Marti na esperança que esta estivesse com a Seung-Hee e a impedisse de apanhar o avião até que eu chegasse.
Marti concordou em ajudar, e disse que a impediria de apanhar o avião até que eu chegasse, ela ainda não sabe como o fará, mas prometeu-me arranjar uma forma.
Antes de sair do carro, coloquei um capuz e uns óculos de sol para conseguir esconder a minha identidade. Peguei no pedaço de papel onde tinha o nome do vôo e o local onde elas estavam à espera e também peguei num pequeno mapa de bolso do aeroporto que tinha ali guardado faz tempo para possíveis situações como esta.
O meu senso de direção não é o melhor e talvez por isso tenha demorado bastante até achar as duas caras conhecidas sentadas num banco a conversar e a tomar café, quando as avistei um sorriso abriu-se me no rosto. Seung-Hee parecia cansada, talvez tenha passado a noite em branco como eu. Os meus pés hesitaram um pouco antes da avançar na sua direção. Marti havia-me dito para lhe mandar mensagem quando as visse para que assim ela nos pudesse deixar a sós. Fiquei muito surpreendida por Marti me estar a ajudar tanto, pensei que ela ficaria do lado de Seung-Hee para todos os efeitos, mas parece que estava enganado. Ela olhou para mim e depois para Seung-Hee e logo saiu deixando-a sozinha. Era a minha oportunidade, avancei. Ela estava a olhar para o lado oposto não me vendo chegar, então toquei no seu ombro para assim chamar a atenção.
— Ma… — Ela não terminou a palavra, os nossos olhos cruzaram-se e foi como se o tempo parasse por um segundo. — O que está aqui a fazer Choi Seung-Hyun? Não disse que a nossa relação é estritamente profissional? Acabou! — Afirmou levantando-se, a sua voz saiu trémula, como se não estivesse segura daquilo que estava a dizer.
— Seung-Hee… Estive a pensar no beijo de ontem, e não sei o que fazer… Se me confessar ou se me desculpar. — Disse olhando-a nos olhos.
— Choi Seung-Hyun, sabia que a nossa relação não podia ultrapassar a amizade, e mesmo assim você quis atravessar a linha. Eu acho que se deveria desculpar. — Retorquiu com voz firme, uma firmeza fingida que não tardaria muito em se desvanecer.
— Tudo bem… Me desculpe Kim Seung-Hee, não voltará a acontecer. — Cada palavra queimava-me na boca como se fosse fogo, um fogo que me estava a destruir por dentro. Não me queria desculpar, claro que não. Mas se isso faz a Seung-Hee sentir-se melhor, que assim seja.
— Eu não sei o que você tinha na cabeça para fazer algo assim. — Disse tentando manter a força. — Acho que você não pensou muito bem nas consequências.
— Na verdade eu pensei mais de mil vezes nas consequências e mesmo assim decidi fazê-lo. — Afirmei. — E não me arrependo de nem um segundo daquele beijo.
Ela ficou boquiaberta. Seung-Hee ia falar algo mas a voz de uma mulher começou a suar através dos altifalantes a anunciar ao passageiros que o embarque com destino a Nova Iorque já estava a começar, o vôo que Seung-Hee tinha que apanhar. Ela pegou nas suas malas e virou costas, nem se chegando a despedir.
Antes que ela fosse embora, agarrei no seu braço. — Espero que tenhas uma boa viagem!
Ela não respondeu, apenas avançou para se encontrar com Marti que estava um pouco mais à frente, as duas abraçaram-se e Seung-Hee seguiu para o local de embarque.
Marti aproximou-se de mim. — Conseguiste resolver alguma coisa, Oppa?
— Acho que não… — Respondi desanimado. — Mas… Porque me ajudas-te?
— Porque tu fazes a Seung-Hee sorrir de uma forma que eu nunca a tinha visto sorrir antes. E apesar de eu perceber o lado dela, eu já lhe disse que ela não me perderia se te escolhesse a ti, se decidisse lutar. — Revelou Marti. — Mas por agora dá-lhe um tempo. Ela precisa de aclarar as ideias, e acho que esta viagem vai ajudar.
— Eu concordo. — Disse.
***
Estou agora debruçado sobre o corrimão da varanda do meu quarto, repassando mentalmente tanto o beijo como a nossa despedida no aeroporto. A brisa é suave e luar erguesse grandioso no céu de tons escuros enquanto lá ao fundo a cidade brilha com grande esplendor.
Nós vamos vencer, Seung-Hee.
Eu não me arrependo de nem um segundo daquele beijo.
E não me arrependo de nenhuma das palavras ditas. Eu não vou desistir dela, não sem antes lutar.
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