Let's Not Fall In Love
4 Capítulo 3 - Um Dia Atarefado
Notas iniciais

MARTI
– Toca a acordar! Já estás atrasada! Nossa… Mas que é isto!
Ouvi alguém praguejar dentro do meu quarto, a luz do sol enchia o quarto de uns leves tons amarelos, olhei então para trás e deparei-me com Seung-Hee segurando uma das minhas meias na mão. Esfreguei os olhos para tentar ver com mais claridade, e realmente era ela.
– Mas que fazes tu aqui? — Perguntei, levantando-me vagarosamente.
– Faço o meu trabalho como manager. — Disse atirando a meia para o meio da confusão de roupa que havia em cima de uma cadeira encostada numa esquina.
– E isso quer dizer?… — Questionei.
– Tens uma reunião daqui a vinte minutos com o Presidente Yang da YG e com a Giselle Unnie e com o manager dos BIGBANG e com o Ji-Yong, se fosse a ti não chegaria atrasada… — Informou Seung-Hee abandonando o quarto. — E antes que perguntes, sim cheguei mais cedo do que o previsto.
Já me havia esquecido da reunião, antes de começar qualquer trabalho é necessário que o Presidente Yang e a Giselle estejam a par de toda a situação.
Já se passaram quatro dias desde a minha chegada oficial a Seoul, tenho ainda imensa coisa que fazer antes de começar a compor, as mudanças são tão complicadas.
Quando terminei de me vestir faltavam dez minutos para a reunião, Seung-Hee estava na cozinha a fazer um pequeno-almoço improvisado.
– Tu sabes como está a Hyuna? — Perguntou Seung-Hee enquanto colocava à pressa uma panqueca meio queimada em cima de um prato.
– Ela está um bocado doente, mas se queres saber de alguma coisa, fala com o manager dela. — Afirmei começando a comer rapidamente a dita panqueca.
– Pois, mas o manager dela ligou para mim a perguntar se sabia como é que ela estava. — Informou Seung-Hee já a abrir a porta principal.
– Esta Hyuna… Eu ligo mais logo para ela ou para a irmã, para ver se sei de alguma coisa. — Disse seguindo-a até ao elevador. — E já agora como é que o manager dela sabe que eu sou prima?
– Provavelmente perguntou à Haru, eles encontram-se todos os dias na GP. — Respondeu.
– É verdade, e sabes como é que vão as coisas entre as BlackJack e os Mobidiq, a minha irmã tem andado com a cabeça em água por culpa deles. — Indaguei.
– Bem, a imprensa continua em cima dos dois grupos, principalmente agora que há rumores de que os dois vão acabar. — Afirmou Seung-Hee pegando no telemóvel. — Olha aqui.
Ela apontou para o título do artigo, eu peguei no telemóvel e comecei a ler em voz alta:
– “Será o fim de GP Entertainment? Os conflitos entre as duas bandas começam a tomar proporções desmesuradamente grandes, isto pode por em risco a continuação dos dois rookie grupos que debutaram este ano. Fontes próximas da empresa afirmam que a Presidente Park já ameaçou pôr fim aos contratos dos dois grupos, mesmo isso afectando todos os ligados à empresa, e isso inclui Park Haru e HyunA familiares de Giselle Park.”– O artigo continuava, mas não li mais pois sabia que apesar de Giselle negar tudo era a pura verdade.
Giselle, para além de uma atriz famosa é dona de uma empresa de entertenimento em crescimento, GP, ela criou-a o ano passado junto com o seu marido, para além de músicos GP Enter. também abarga as áreas de cinema e teatro e passerelle e moda. Haru é uma rapper e compositora com muito talento, já HyunA é uma modelo que tem vindo a dar muito que falar, elas fazem parte da nossa família, mas se GP terminar as coisas vão ficar complicadas para elas e para os restantes. Isto tudo começou por causa de uma rivalidade entre os dois rookie grupos que debutaram debaixo do selo da GP, e agora vai afetar os restantes colaboradores, espero bem que ela tenha uma solução para o problema, porque se não vai ser uma catástrofe.
Saímos do elevador e dirigimo-nos à parte traseira do edificio, uma van esperava por nós à saída. Seung-Hee entrou na porta da frente e sentou-se junto do motorista, já eu entrei pela detrás e sentei-me junto de Ji-Yong, um homem que ia sentado um pouco mais á frente virou-se para trás e cumprimentou-me com uma vénia.
– É um prazer conhecê-la finalmente! — Cumprimentou o desconhecido.
Ji-Yong que estava sentado à minha beira aproximou-se do meu ouvido e disse-me quem era aquele homem.
– Desculpe, não me apresentei… — Disse atrapalhado. — Lee Ki-Jung, o novo manager dos BIGBANG.
– Prazer em conhecê-lo, eu sou a Park Yong-Gi, mas pode-me tratar apenas por Marti. — Cumprimentei de volta.
Depois da apresentação um pouco estranha eu e o Ji-Yong continuamos a por a conversa em dia enquanto nos dirigia-mos para o Quartel-General da YG, onde estariam à nossa espera o Presidente Yang e a minha irmã Giselle, e tinha a impressão que aquele encontro seria algo mais que uma simples reunião.
***
– O Presidente Yang tem muito bom gosto para decoração… — Divaguei olhando em redor da sala de reuniões, Ji-Yong olhou para mim e um pequeno sorriso rasgou os seus lábios.
Depois de examinar um pouco o local finalmente me decidi por sentar-me junto de Seung-Hee que mexia freneticamente no telemóvel.
– Eu acho que devias desligar o telemóvel. — Disse olhando para os dois indivíduos que se aproximavam.
– Pois… tens razão. — Concordou baixando rapidamente o aparelho.
Giselle e o Presidente Yang sentaram-se à nossa frente, ele pouso o tablet e começou a mexer num monte de papeis que trazia consigo já Giselle deu início à reunião.
– Bom dia, hoje estamos aqui reunidos para falarmos de uma futura colaboração entre a GP e a YG Entertainment, algo que mudará por completo o mundo do K-pop. Eu sei que você os dois queriam que não fosse uma colaboração oficial, mas acho que algo oficial abrirá para nós um mar de possibilidades, por isso é que decidi fazer a reunião com vocês todos.
– E no que estás a pensar, Unnie? — Perguntei interrompendo o monólogo da minha irmã.
– Numa música, talvez um álbum que vos promovesse aos dois. — Propôs Giselle.
– Não é mal pensado, isso ajudaria com a publicidade para o novo álbum da Yong-Gi. — Disse Ji-Yong olhando depois para mim. De repente senti que todos os olhares pousavam na minha pessoa, algo que me deixou um pouco atrapalhada.
– Estou totalmente de acordo… — Disse um pouco atrapalhada.
– Faz algum tempo eu compus um dueto, e acho que pode funcionar. — Revelou Ji-Yong pegando no telemóvel. Uma música lenta começou a soar através das colunas do telemóvel. — Eu pedi à Dara Noona para que cantasse a parte da mulher, mas esta música não foi composta para a voz dele, mas sim para a tua Marti. — A música continuava a tocar enquanto ele falava, a letra tocava o coração de uma forma especial, ela não falava de amor… Ela falava de amizade, uma amizade forte que apesar de tudo sobrevive.
O Presidente Yang largou a papelada para ouvir com mais atenção a música, e rapidamente se lhe abriu um sorriso nos lábios.
– Ji-Yong, quero que graves uma versão desta música com a Yong-Gi. — Pediu o Presidente. — Não… na verdade eu quero que vocês os dois lancem um mini-álbum sobre o selo da YGP Colaboration.
Eu e o Ji-Yong cruzamos olhares, sabiamos que uma colaboração seria genial, mas um mini-álbum seria impossível de superar, e se tudo corresse bem YG e GP saíriam muito bem do negócio.
– Se vocês estiverem de acordo, acho que podemos assinar os contratos… — Afirmou Giselle.
– Só uma pergunta, Unnie.- Começou Seung-Hee que havia estado calada até ao momento. — Antes de assinar qualquer coisa, gostaria de saber qual seria o lucro para a Yong-Gi?
– Bem, este contrato será um pouco diferente, será 70/30, isto quer dizer, a Marti receberá 30% dos lucros e nós 70%, mas ela não pagará o B.E.P, isso ficará por nossa conta, resumindo continuará a receber o que recebe até agora, mas a longo prazo será bem maior o lucro. — Explicou Giselle.
– E quanto seria? — Interviu Ki-Jung.
– Uns 150 milhões. — Respondeu o Presidente Yang. — Claro que isso dependerá do quão bem-sucedidos sejam. Nós faremos a nossa parte e investiremos 100 milhões, nada mais e nada menos.
– Então quer dizer que se isto falhar as empresas vão perder 100 milhões de wons… — Disse Seung-Hee, fixando Giselle.
– Nós não estamos a falar de wons, estamos a falar de dólares… O lançamento será a nível mundial, se não funcionar, GP falirá e YG terá graves problemas. — Informou o Presidente Yang. — Mas não vamos pensar em coisas más.
– E quando é que começamos? — Perguntei, terminado de assinar o contrato.
– Hoje mesmo. — Respondeu sorrindo. — Mas Ji-Yong, quero que leves tudo o que precisares para compor, para o prédio da GP, lá têm melhor equipamento que aqui… E em breve quero ouvir os resultados do vosso trabalho.
– Claro, Presidente. — Confirmou Ji-Yong.
Aquela reunião foi sem dúvida o começo de algum novo e grandioso que vai mudar por completo a forma como vemos o K-pop, naquele momento sentia-me orgulhoso por poder fazer parte disto, pois naquele momento estava-se a fazer história!
***
– E como é que é suposto que nós carreguemos isto tudo e o levemos para o prédio ao lado? — Perguntei pegando em parte de um piano que se encontrava no meio do estúdio.
– Com as mãos e muita paciência. — Respondeu Ji-Yong pegando na outra metade.
– Oppa, tens a certeza que não podes usar um dos imensos pianos que temos na GP? — Continuei, andei dois passos e pousei de novo o piano.
– Tecnicamente isto não é um piano, além disso componho com ele, desde … sei lá… Desde sempre! — Respondeu Ji-Yong saindo pela porta.
Ji-Yong e eu estávamos no meio do delicado processo de movimentação de algum equipamento para o prédio do lado, pois ele decidiu que só ele podia fazer tal mudança, mas esse não é realmente o maior problema, o maior problema é que me meteu a mim no meio, às vezes ele pode ser bem inconveniente.
No elevador, a coisa ficou um pouco estranha, já que equipamento enchia mais de metade do espaço fazendo eu e o Oppa estarmos extremamente próximos, algo que por alguma razão me deixava um pouco incomodada.
– Isto aqui está apertado não… — Indaguei para quebrar o gelo.
– Eh… Acho que não foi grande ideia meter tudo aqui dentro de uma vez… — Disse Ji-Yong olhando para o enorme número de coisas ali acumuladas.
Quando o elevador parou na planta baixa os dois saímos rapidamente para respirar ar puro, e fiz-o prometer que já mais voltaria a colocar tantas coisas num sitio tão pequeno.
Depois de levar tudo para o novo estúdio, Ji-Yong olhou pela janela, apreciando a fabulosa vista que se tinha desde ali para a cidade, pergunto-me no que será que ele está a pensar.
– As vistas de aqui são maravilhosas… inspiradoras… — Disse Ji-Yong virando-se para mim.
– Deveras incríveis. — Concordei.
– Nós vamos ser um sucesso, não achas? — Perguntou aproximando-se do teclado que havíamos acabado de montar.
– Eu não acho, eu tenho a certeza!
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