Let's Not Fall In Love
26 Capítulo 25 - Mentiras
Notas iniciais
MARCUS
Depois de deixar Marti na casa de Seung-Hee voltei para casa e deitei-me na cama. Não pude controlar o sorriso que tinha estampado na cara. O plano havia funcionado. Como é que alguém tão inteligente pode ter caído tão facilmente numa armadilha destas. Aquele documento até pode abrir o caso, mas eles descobrirão rapidamente que tudo foi feito de forma legal, e o diário, esse, foi ainda mais simples. Marti caiu na armadilha que nem um ratinho e a minha vingança está cada vez mais próxima!
No dia seguinte reuni-me com os meus fieis colaboradores para planejarmos o seguinte passo. G-Dragon e Marti, dois amigos extremamente próximos. Será que é apenas uma amizade? Claro que não, conhecendo a Marti como conheço sei que o Ji-Yong faz totalmente o estilo dela, eles combinam ironicamente bem. Mas antes de destruir essa possível powerhouse couple, terei que os expor aos meios de comunicação. Eles conhecem este mundo e não se deixarão expor, mas claro que ninguém é perfeito e eu só estou à espera de um deslize para os apanhar em flagrante.
— Preciso que contratem um paparazzi que siga a Marti e o G-Dragon para todo o lado. Preciso de os apanhar custe o custar. — Revelei para os três homens que se encontravam na sala. O meu braço direito Kim Tae-Won, presidente de uma grande empresa que controla desde restaurantes até cadeias de televisão, o meu contacto mais confiável no submundo, Sa Young-il e do meu fiel chefe de segurança Kal Kwan.
— E para que queres um paparazzi a seguir esses dois? — Questionou Tae-Won.
— Bem, antes de destruir o casalinho maravilha preciso de o fazer público. Preciso de uma prova que eles não possam refutar.
— E o que pretende fazer a seguir, chefe? — Questionou Kwan.
— Bem, separá-los obviamente. — Respondi. — Para isso precisarei de fazer o Ji-Yong passar por um traidor. E acho que tu Young-il Hyung és o mais indicado para me fazer esse favor.
— Bem, preciso de mais detalhes. — Replicou.
— Arranja uma mulher atrativa que possas relacionar que ele, e depois é apenas fabricar as provas da traição. Ameaça-a se for preciso.
— Continuo sem perceber o que pretendes. — Afirmou Tae-Won.
— Eu farei Marti apanhar o Ji-Yong a traí-la. Ela ficará destroçada e eu correrei para ela oferecendo-lhe o meu apoio como sempre fiz no passado. Dessa forma apesar dela saber quem eu sou vai ficar dividida e essa é a minha deixa para fazer o Ji-Yong ficar ciúmes. E isto tudo enquanto os olhos atentos da impressa nos seguem. Vou destruir a reputação do grande G-Dragon e terei a Marti na minha mão. — Expliquei. Eu tenho tudo planejado até ao mínimo detalhe, nada pode falhar e nada falhará.
— E quanto à outra parte? — Tae-Won perguntou.
— O meu contacto na gestão da GP conseguiu entrar no sistema e colocar lá provas de que a GP é uma empresa corrupta. Agora vou fazer uma denuncia anónima e dessa forma, conseguirei fechar a GP e deixar a YG fraca. Eles terão de parar as promoções e assim iniciarei as dos meus grupos de forma a eles terem espaço para brilhar. Não te preocupes Tae-Won, terás tudo aquilo que te prometi. — Disse recostando-me na cadeira.
— Espero bem que o teu plano funcione, não quero que acabes na cadeia. — Retorquiu Tae-Won.
— Bem, vamos deixar a reunião por aqui. Agora tenho uma cena de beijo que preparar. — Finalizei.
Depois de me despedir dos presentes dirigi-me de volta para casa para estudar o roteiro das gravações de amanhã. Este episódio é muito importante pois terá a primeira cena de beijo do casal principal. Nós já somos considerados o melhor casal do ano, por isso temos de provar o quanto valemos. Mal posso esperar por amanhã.
***
Seoul Forest, um lugar muito romântico, um lugar perfeito para gravar a primeira cena de beijo de um casal. Eu e Marti encontrávamo-nos junto do diretor e do roteirista recebendo instruções.
— Como já sabem "Forever" está a receber imenso carinho por parte dos espectadores e nos seis episódios que já foram gravados já tivemos três cenas de "quase beijo". Esta cena tem de ser emotiva e romântica de forma a deixar os espectadores felizes e à espera de mais. — Expôs o diretor.
— Como sabem a Karen está a passar por um mal momento. Ela não consegue encontrar nenhuma cura para a sua doença, a sua melhor amiga foi presa e ela não consegue encontrar o culpado da sua morte. Ela agora decidiu tirar um tempo para si depois de discutir com o Hee-Chul, mas ele segue-a até aqui. Os dois discutem, mas acabam por se deixar levar pelo amor. — Explicou o roteirista. Eu e Marti assentimos em confirmação.
Despimos os casacos grossos que nos protegiam do frio cortante daquela noite. Colocámo-nos em posição e entramos dentro do personagem.
"Karen encontrava-se debruçada sobre o corrimão daquela pequena ponte que atravessava o lago. Fiquei feliz de a encontrar depois de tanto procurar.
— Karen! — Gritei do outro lado da ponte, ela não se mexeu. Aproximei-me então dela, estava a chorar. — Karen, o que eu disse antes...
— Não precisas de te desculpar, tens razão, para quê estar presa ao passado quando tive uma nova oportunidade para viver. — Proferiu ainda debruçada sobre o corrimão.
— Karen, eu...
— Hee-Chul, esquece está bem? — Ela encarou-me. — A única coisa que eu queria é ter uma vida normal. Faz umas semanas eu só pensava no meu casamento, na vida que teria, e que iria morrer muito velha junto daquele que amava. — As lágrimas surgiram nos seus olhos. — Mas agora estou aqui, o meu noivo abandonou-me no altar e eu estou sozinha, com algo que não tem cura, algo que me torna imortal...
— Eu estou aqui contigo, para o que precisares. — Tentei confortar.
— Tu não estarás aqui para sempre, tu encontrarás o amor da tua vida, casar-te-ás e morrerás de velhice tal como todas as pessoas..." As pessoas normais? — Continuou Marti, ela começou-se a rir. — Esqueci-me do que vinha a seguir.
— Sim, as pessoas normais. — Retorqui rindo-me também. — A cena estava a correr tão bem Marti.
— O take ficou bom, assim que iremos repetir, mas de outro ângulo, okay? — Explicou o diretor.
Os dois assentimos e dirigimo-nos de volta às nossas posições. Depois de repetirmos a cena até à parte em que havíamos parado anteriormente, o diretor veio-nos explicar como prosseguiria a cena.
"- Tu não estarás aqui para sempre, tu encontrarás o amor da tua vida, casar-te-ás e morrerás de velhice tal como as pessoas normais. E eu não tenho o direito de te impedir de tal coisa...
— Eu prometi-te que ficaria ao teu lado e te ajudaria, não importa o quê, eu não quero saber se és imortal, eu quero te ver bem. Esse é o meu único desejo. — Disse olhando Karen nos olhos.
— Hee-Chul... Eu não posso estar junto a ti, eu só te causo problemas. Eu sou um impedimento para ti...
— Não, não és. — Afirmei. "
— Corta! — Gritou o diretor. — A cena ficou muito boa, mas vamos repetir mais uma vez.
Depois de repetida a cena, o diretor foi até junto de nós e explicou como seria feita a cena de beijo.
— A Marti afasta-se e tu agarras-lhe o braço dando-lhe a volta, ela fica a olhar fixamente para ti e tu prossegues com a fala. Acaricias-lhe o rosto suavemente e passas ao beijo. — Explicou. Nós voltamos aos nossos lugares e seguimos com a gravação.
— Ação!
"Ela virou-me as costas e eu agarrei-lhe o pulso com suavidade, fazendo-a voltar-se para mim.
— Hee-Chul...
— Faz tempo que te queria dizer isto, mas nunca achei o momento certo... — Acariciei-lhe o rosto suavemente. — Karen... Eu gosto de ti. Não, eu amo-te... Não me deixes. Fica do meu lado, para sempre..."
Então inclinei-me sobre ela parando perto da sua boca.
— Corta. De novo!
As palavras saíram-me tão naturalmente da boca a primeira vez, não sei se o conseguirei fazer com tanta naturalidade neste segundo take.
Depois da repetição da cena fizemos uma pequena pausa para retoque de maquilhagem e para beber algo quente, pois estava muito frio. Vestimos os casacos grossos e sentamo-nos um pouco.
Eu achava imensa graça à nossa relação. Fingimos ser amigos próximos quando na verdade nos odiamos. Ela pensa que eu não sei que ela sabe a verdade. E apesar dessa frase bastante engraçada, é a definição da nossa relação. Um fingimento onde fazemos de conta que nada se passa.
— Oppa, esta cena tem que ser muito boa. — Afirmou Marti bebendo um pouco de chocolate quente.
— Vai ser, tenho a certeza, então eles não dizem que nós somos um dos melhores casais em tela? — Disse bebendo um pouco de café.
— É, eu também ouvi isso. — Ela riu. — Acho que as pessoas até nos querem ver juntos na vida real.
— Tu já sabes como os fãs são, eles juntam toda a gente com toda a gente. — Comentei. — Eu não sei qual foi a coisa mais bizarra com que te shipparam, mas a mim foi com um espelho.
— A mim foi com uma ventoinha, porque uma vez fiz uma piadinha com a palavra fan de fã e fan de ventoinha em inglês e desde aí dizem que eu fico muito bem com ventoinhas. — Revelou entre risos.
Depois de mais uns minutos a descansar voltamos a gravar. Prosseguimos desde a última fala.
"... Fica do meu lado, para sempre... — Inclinei-me sobre ele a beijei-a com delicadeza, um beijo doce e triste de uns amantes que jamais poderiam viver juntos para sempre."
Neve começou a cair, isso não estava planeado na cena assim que paramos imediatamente.
— Continuem. Isto está perfeito.
Voltei-a a beijar, não sei se estava a beijá-la como Hee-Chul ou como Marcus, mas as memórias do passado, que há muito havia esquecido surgiram na minha mente. Aquele beijo inocente de duas crianças que ainda não sabiam o que era amar... Ou que talvez soubessem bem de mais. O que aconteceu connosco Matty? O que que aconteceu comigo? Porque é que sou incapaz de sentir? Porquê?
— Corta! Vamos repetir.
Repetimos esta cenas umas dez vezes no mínimo. Pergunto-me o que é que a Marti esteve a pensar durante todo esse tempo. Será que me estava a beijar como Karen ou como Marti? Será que tal como eu se lembrou daquele dia?
Eu sou incapaz de sentir... Mas por um momento nesta noite, durante esta cena tive um vislumbre do que é amar. Do que é sentir-se amado... E isso deixa-me completamente fora de mim, deixa-me completamente irritado. Eu não sei amar. Eu não sei sentir.
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