Let's Not Fall In Love
24 Capítulo 23 - Estrelas
Notas iniciais

G-DRAGON
— Que se passa? – Questionei olhando para o telemóvel da Yong-Gi. “Hoje o céu está estrelado, tudo vai ficar bem.” Era o que se podia ler no ecrã do seu telemóvel. Ela encarou-me e mostrou-me melhor o telemóvel. A mensagem era do Marcus.
— Isto era o que Young-Jae me costumava dizer quando as coisas não corriam bem. Eu nunca ouvi ninguém dizer isto para além dele, Ji-Yong. – Disse num tom preocupado. – Eu preciso de falar coma Seung-Hee imediatamente.
Depois de falar ao telemóvel com a Seung-Hee, Marti levantou-se e começou a andar em círculos à volta do sofá.
— Gi, o que te preocupa tanto? – Questionei seguindo-a com os olhos.
— Young-Jae é um psicopata. Ele quer destruir tudo o que é importante para mim. Se não fosse pelo Andrew eu já não estaria viva. Ele quer-me morta e quer que tudo o que é importante para mim despareça. E isso inclui-te a ti Ji-Yong. – Os seus olhos já estavam envolvidos em lágrimas, ela estava aterrorizada.
— Temos de arranjar uma forma de o voltar a colocar na cadeia, eu vou ligar para a polícia.
— Não servirá de nada, não tenho provas suficientes além disso, ele mudou por completo. A Seung-Hee disse que ia ligar para o seu amigo detetive para ele dar uma opinião. – Ela voltou-se a sentar junto a mim. – Estou com medo Ji-Yong… Eu não te quero perder a ti também. – Disse começando a chorar no meu ombro. Eu abracei-a fortemente. Não ia deixar que ela se magoasse, e farei o necessário para meter Marcus na cadeia.
O telefonema da Seung-Hee não tardou muito em chegar. Marti colocou o telemóvel em alta voz para que os dois pudéssemos ouvir.
— Eu falei com o detetive Kang e ele disse que se nós conseguíssemos provas de tal mudança eles poderiam reabrir o caso.
— E como é suposto fazermos isso. Não vai ser fácil entrar na casa dele. Além disso ele já se deve ter livrado de tudo o que o relacionava com a sua antiga identidade. – Comentei.
— O detetive disse que um documento apenas, que o relacionasse com a Black Enter. bastaria para abrir o caso. Algo que provasse que ele é o dono da empresa. Ou então algo que o relacionasse diretamente com a família Choi, um testamento, uma fotografia, alguma coisa… Mas isso não será fácil de conseguir. – Revelou Seung-Hee.
— Eu sei como arranjar isso. – Falou Yong-Gi do nada. – Eu costumava-lhe mandar cartas e coisas do género quando eramos crianças, ele têm as todas guardadas, tenho a certeza absoluta.
— Como podes ter tanta a certeza? – Perguntei.
— Simples, ele é obcecado pela Marti, jamais se desfazeria de algo tão importante para ele. – Retorquiu Seung-Hee.
— E como é que vais conseguir tais provas? – Indaguei.
— Eu vou arranjar uma forma de entrar na sua casa. – Disse Marti.
— Como? Além disso isso é extremamente perigoso. – Afirmou Seung-Hee.
— Ele está a tentar seduzir-me, então mudemos o jogo, eu seduzi-lo-ei de forma a conseguir entrar na sua casa e procurar por essas evidências. – Explicou Marti.
— Mas isso é muito perigoso. – Disse Seung-Hee preocupada.
— Eu não gosto da ideia. – Afirmei.
— Ji-Yong, é a única forma. Temos de fazer justiça à tua melhor amiga, ela não merece a morte injusta que teve, tal como todas as outras pessoas que morreram graças a ele. O psicopata como ele não pode estar livre. E eu estou disposta a fazer tal sacrifício.
— Mas… — Ela não me deixou terminar.
— Se não estás de acordo não te precisas de meter, eu resolverei este problema sozinha. – Afirmou seca.
— Marti, isto pode-te custar a vida. – Disse Seung-Hee do outro lado da linha.
— Não importa, se morrer ao menos morri na tentativa de ajudar alguém. – Cuspiu. O ambiente na sala tornou-se ainda mais pesado. Eu não a quero deixar fazer algo tão perigoso, mas o Marcus não pode ficar livre depois de todas as coisas horríveis que fez e que fará no futuro.
— Tudo bem, mas promete-me que terás cuidado. – Pedi.
— Eu terei cuidado. – Retorquiu.
— Tens a certeza do que irás fazer? – Questionou Seung-Hee.
— Tenho.
***
Já se passou uma semana desde a descoberta, isso significa que estamos uma semana mais próximos do lançamento do nosso álbum em colaboração. As coisas na GP acalmaram e a Yong-Gi tem feito progressos no nosso plano para nos infiltrarmos na casa do Marcus. Claro que se isso não funcionar não sei o que faremos já que não temos plano b. Graças às noticias todo o mundo sabe que a Marti e o Marcus são bastante próximos, e um monte de rumor sobre uma suposta relação percorrem toda a internet. Os rapazes já me ligaram várias vezes a confirmar se o que se lia na media era verdade, e como é obvio neguei sem dar demasiada informação.
Os últimos dias que tenho passado com a Yong-Gi têm sido estranhos, mesmo sabendo que isto tudo faz parte do plano, a ideia dela e do Marcus juntos numa casa perturba-me todas as noites. Sei que ela jamais cairia nos braços de Marcus, mas não posso deixar de me preocupar com tudo o que lhe pode acontecer de mal.
Era meio da noite, Yong-Gi dormia profundamente ao meu lado. Ela é muito fofa quando dorme. Sentei-me na cama e olhei para a escuridão, deixei-me levar pelos meus pensamentos, recordei todos os bons momentos que passei com a Ha-Neul. Nós rimos, choramos, zangamo-nos, fizemos tanta coisa. Ainda me lembra da altura em que lhe contei que me iria tornar um idol. Eu tinha treze anos e ela costumava gozar comigo, costumava dizer que não tinha talento suficiente para ser famoso, eu sabia que ela estava a brincar e que me apoiava muito naquela decisão, mas mesmo assim fazia de conta que ficava ofendido com as suas palavras. Ela tinha 15 anos quando se suicidou, eu não pode fazer nada. Eu não sabia… Descobri mais tarde, através de uma carta que encontrei dentro da minha mochila que tinha sido violada e que não aguentava toda aquela vergonha. Eu nunca chorei tanto como naquele dia… A minha amiga tinha acabado com a vida. Ela foi sem dúvida a minha primeira amiga, a minha primeira confidente, a minha primeira fã, o meu primeiro beijo… O meu primeiro amor.
Eu sei que ela está lá no céu a olhar por mim, espero que esteja orgulhosa de tudo o que consegui durante estes anos. Eu sei que ela está a cuidar de mim…
Não pude conter as lágrimas ao pensar nela, e apesar de ter tentado fazer o mínimo de barulho, Yong-Gi acordou. Ela puxou-me para baixo, para junto dela e abraçou-me com carinho.
— A Ha-Neul está orgulhosa de ti, eu estou orgulhosa de ti, Ji. Nunca te esqueças disso. – Sussurrou ao meu ouvido.
E assim nos braços de Yong-Gi acabei por adormecer, sabendo que a Ha-Neul estava a cuidar de mim desde o céu, como uma estrela.
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