Let's Not Fall In Love

11 Capítulo 10 - Vodka Preta


Notas iniciais
- Todos os acontecimentos aqui descritos são fictícios, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. — Espero que gostem!

MARTI

— Como assim um Special Stage? — Questionei surpreendida.

— Sim… A Giselle não te disse nada? — Retorquiu Ji-Yong enquanto bebia um pouco de café.

— Não. — Respondi, mas logo me lembrei de algo. — Espera será que era isso do que ela queria falar ontem? Mas de qualquer forma para quando é?

— Daqui a duas semanas. — Revelou Ji-Yong bebendo um pouco mais de café.

— Como assim daqui a duas semanas? Como é que nós vamos preparar alguma coisa em duas semanas? — Perguntei começando a desesperar.

Ele apenas abanou com os ombros e bebeu mais café.

— Ji-Yong, não brinques… Sabes à quanto tempo eu não faço uma performance?

— Eu sei Yong-Gi, e foi o que eu disse à Giselle Noona e ao Presidente Yang, mas eles disseram que “acreditam nas nossas capacidades como artistas” além de que “é uma oportunidade única para a Yong-Gi-sshi”. — A maneira como ele falou fez-me dar uma gargalhada e ele riu-se comigo.- Mas agora fora de brincadeiras, eu também acho que é uma boa maneira de te começar a promover no entretenimento coreano.

— Talvez seja, mas como é suposto nós prepararmos as coisas em tão pouco tempo?

Ele debroçou-se sobre a mesa e olhou para mim, os seus olhos tinham um brilho de determinação que fizeram o meu coração acelerar um pouco. — Confias em mim?

— Confio. — Respondi.

— Então vamos para o estúdio, temos muito que fazer. — Disse enquanto deixava o dinheiro para pagar o café.

Ji-Yong colocou os óculos de sol e os dois saímos do café em direção ao prédio ao lado, também conhecido como o Quartel-General da GP. Subimos até ao estúdio de gravação e Ji-Yong sentou-se em frente da mesa de mistura, ligou o computador e depois de procurar durante alguns minutos, uma música começou a tocar, era divertida e um tanto diferente do que temos composto até agora.

— Que música é esta? — Perguntei curiosa.

— Esta é a demo de uma música que compus antes de tu chegares a Seoul. — Explicou pausando a música. — A melodia é simples e acho que serás capaz de encaixar rápido.

— E qual é o nome da música?

— “Fantasy”. — Revelou.

— Gostei, mas e a coreografia? — Questionei sentando-me no sofá atrás da mesa de mistura.

— Não te preocupes com isso, eu pedi ajuda a um velho amigo meu. — Disse com um sorriso na cara.

— Então vamos a isso!

— Yong-Gi tens uma caneta? — Perguntou Ji-Yong rodando na cadeira.

Eu fui até à minha mala e dela retirei uma garrafa de vodka preta e uma caneta ao que Ji-Yong fez uma cara engraçada. — Que foi? — Questionei entre um pequeno sorriso.

— Nada…Mas é que… Porque é que andas com uma garrafa de vodka na mala? — Perguntou apontado para a dita garrafa.

— Isto? — Perguntei pegando na garrafa. — Isto foi o pagamento de uma aposta que fiz com a Seung-Hee aqui à tempos.

— Isso é novidade, desde quando é que bebes vodka? E mais importante, desde quando é que fazes apostas? — Perguntou ele divertido.

— Ji-Yong, deverias saber que Soju é bom, mas para mim vodka preta é vida! — Expliquei também divertida. — Mas deixando a vodka de lado, temos coisas para fazer não temos? Vamos trabalhar!

O ambiente no estúdio de gravação era fenomenal, divertido e alegre, e a música contribuía imenso para que este ambiente permanecesse. Passamos o resto da tarde no estúdio a gravar, a produzir, a ensaiar e a gravar os back vocals para utilizarmos no special stage. Estou feliz por voltar à ativa, por sentir de novo o nervoso miudinho antes mesmo do dia da performance. Já faz imenso tempo desde a última vez que subi para cima de um palco, e talvez seja por isso que ainda esteja mais nervosa para este special stage.

Quando terminamos de por a parte musical em ordem recebi uma chamada de Giselle para que eu e o Ji-Yong passássemos na sua casa pois tinha um anúncio importante para transmitir. Arrumamos as nossas coisas e dirigimo-nos para a sua casa. No caminho eu e Ji-Yong planeamos mais algumas coisas para a performance.

Ji-Yong e eu subimos até ao último piso daquele apartamento chic que ficava numa das zonas mais cara de Seoul e tocamos à campainha. Foi Matt, o marido de Giselle, que nos abriu a porta, estava vestido de uma forma confortável longe do fato e gravata com que sempre andava, suponho que hoje tenha sido o dia de folga dele. Entramos dentro do Loft e deparamo-nos com Giselle que falava para uma mulher de cabelos escuro que tinha uma menina muito fofinha a brincar junto a ela. Ao nos avistar Giselle chamou-nos para a sua beira, foi quando finalmente vi o rosto da mulher, e fiquei completamente surpreendida. Aquela mulher de cabelos negros era Bo-Ra, uma velha amiga de infância minha e da minha irmã e já não nos víamos faz uns dez anos. Bo-Ra também não tardou em reconhecer-me:

— Yong-Gi? — Perguntou levantando-se e dando-me um abraço bem forte. Ji-Yong ficou um pouco atrás sem saber muito bem o que fazer. — Faz imenso tempo! Não mudaste nada.

— Bo-RA Unnie, faz mesmo muito tempo, uns dez anos? Nossa, como o tempo passa depressa! — Disse. — E quem é esta coisinha fofa aqui. — Perguntei apontando para a menina que agora estava sentada no chão junto a Bo-Ra.

— Esta é a minha filha Na-Ri. — Respondeu com um sorriso. — Diz “olá” à tia Yong-Gi.

A menina levantou-se e cumprimentou-nos a todos com uma vênia e logo se voltou a sentar.

— E quem é esse rapaz ao teu lado? O teu namorado? — Perguntou inocentemente Bo-Ra.

Eu e Ji-Yong olhamos um para o outro rapidamente e logo respondemos ao mesmo tempo. — Não! — Eu prossegui. — Nós somos apenas bons amigos.

— Sim, claro… — Disse ela com um pequeno sorriso maroto e logo prosseguiu. — Mas de qualquer forma vou-me apresentar formalmente. Olá, o meu nome é Oh Bo-Ra!

Ji-Yong também se apresentou: — Olá, o meu nome é Ji-Yong.

Por algum motivo, Na-Ri levanta-se de repente a olhar fixamente para Ji-Yong. — Você não é o G-Dragon Oppa? — Pergunta com uma incrível fofura.

Ele agacha-se para ficar da altura da menina. — Sou sim, como é que me reconheceste?

A menina ficou envergonhada e logo se escondeu atrás das pernas da mãe.

— Não tenhas medo, eu não mordo. — Disse Ji-Yong com um sorriso encantador.

A menina não tardou muito em se encantar com o sorriso de Ji-Yong e logo se aproximou dele e lhe deu um beijinho na bochecha.

— E então qual era o anúncio tão urgente que tinhas a dar? — Perguntei sentando-me no sofá enquanto Ji-Yong brincava com Na-Ri.

— Bem… — Começou. — A YGP irá lançar uma linda de roupa e gostaríamos que vocês os dois fossem os nossos modelos promocionais. A linha de roupa será desenhada por mim e por uma autora de grande talento que não quer o seu nome divulgado por enquanto. Eu e o Presidente Yang estivemos a conversar sobre este assunto hoje à tarde e achamos que vocês são os mais indicados para este trabalho. O que acham?

Eu e Ji-Yong cruzamos os olhares. Era óbvio que não iriamos negar tal proposta, assim que os dois concordamos com grande agrado.

Estive um pouco mais de tempo na casa de Giselle a pôr a conversa em dia com a Bo-Ra e a brincar um pouco com Na-Ri que estava completamente encantada com Ji-Yong. Estou agora junto a ele, os dois estamos sentados no chão, Ji-Yong pega em Na-Ri ao colo e brinca com ela, parecem duas crianças juntas. Vê-lo assim com aquele sorriso fofo na cara faz o meu coração encher-se de alegria.

Ele e o Andrew são tão diferentes mas no entanto tão iguais. Então noto que também eu estou com um sorriso na cara, e as palavras de Andrew, as suas últimas palavras repetem-se na minha cabeça.

Marti, promete-me que quando eu for embora encontrarás alguém que te faça sorrir de novo.

Talvez seja a isto que o Andrew se referia… Apesar da Seung-Hee sempre me fazer sorrir, sempre fora um sorriso triste o que preenchia o meu rosto, mas com Ji-Yong pela primeira vez consegui sorrir de verdade, consegui sorrir porque realmente estava feliz…. Talvez, apenas talvez, seja momento de deixar o Andrew descansar

***

Eu e Ji-Yong estávamos sentados junto à janela de frente para a porta do estúdio de dança, tínhamos passado o dia inteiro a ensaiar a coreografia para o Special Stage, e apesar de os outros já terem voltado para casa nós permanecemos aqui a treinar.

— Queres tentar mais uma vez? — Questionou Ji-Yong bebendo um pouco de água.

— Está bem, mas este é a última, já é muito tarde! — Respondi levantando-me.

Colocamos a música e começamos a dançar. O meu cabelo estava preso num rabo-de-cavalo mal feito e os cabelos mais pequenos já estavam colados à minha testa por causa do suor, Ji-Yong também tinha o cabelo todo colado à cara, já fazia horas que praticávamos o mesmo passo uma e outra vez. O passo era simples, eu tinha apenas de rodar sobre mim mesma com a ajuda de Ji-Yong e depois inclinar-me sobre os braços deles para novamente me levantar e prosseguir a coreografia, apesar do passo ser bastante simples, nós tínhamos sempre a infelicidade de tropeçar um no outro e cairmos os dois ao chão, isto aconteceu tantas vezes que acho que já se tornou parte da coreografia. Esta seria a última vez que ensaiarímos esta parte, se não corre-se bem seria eliminada da versão final.

Eu rodopiei sobre mim mesma duas vezes com ajuda de Ji-Yong que logo me agarrou e me inclinou sobre os seus braços, e pela primeira vez desde que aprendemos esta parte da coreografia, não tropeçamos um no outro, sendo assim, ele ficou inclinado sobre mim, o meu cabelo roçava o chão e as nossas caras estavam a poucos centímetros de distância. O tempo parou. E mais uma vez me lembrei de Andrew, do que ele me dissera. Lembrei-me de tudo o que eu e o Ji-Yong passamos juntos, e da nossa promessa…

Num impulso, numa fração de segundo, os meus lábios colaram-se aos seus como se não existisse mais nada, como se no mundo só existíssemos nós dois. O beijo foi intenso, foi desesperado, foi fantástico. Foi um erro.

Eu afastei Ji-Yong e levantei-me rapidamente, peguei nas minhas coisas e fugi dali o mais rápido possível. Cometi um erro…

Cheguei a casa e pousei as minhas coisas, só me apetecia desaparecer, só me apetecia ter o Andrew aqui para me dizer que tudo estava bem, que não tinha feito nada de errado. Só me apetecia chorar.

Olhei para a garrafa de vodka que Seung-Hee me dera, peguei nela, abri-a e comecei a beber. Bebi até me esquecer de tudo. Estou confusa, não sei o que fazer. Eu fiz-o prometer… Ele não gosta de mim e eu tampouco posso gostar dele. Andrew é e sempre será o amor da minha vida…

…promete-me que encontrarás alguém que te faça sorrir de novo.

Talvez seja pela bebida ou pela confusão de sentimentos no meu coração, mas esta noite algo em mim mudou. O Andrew não está mais cá e ele jamais voltará para mim…

Olhei para cima da mesa, lá em cima, um livro sobressaía de entre os outros, lá dentro encontrava-se a carta que Andrew me dera antes de partir, peguei nela, mas não a li…

Agora, com a boca negra da bebida, com os olhos vermelhos de chorar e o coração num tumulto, penso no que deva fazer. E assim adormeço embalada pelo álcool e pela confusão.

Continuo presa ao passado ou sou feliz de novo?

Notas finais
- Espero que tenham gostado!