Notas iniciais
Boa leitura!

P.O.V. Lisanna

A cerveja do meu terceiro copo estava quase acabando e meu short estava apertado na região das coxas. Isso poderia me definir por hoje.

Mira-san estava limpando os copos (estes eram sujos mais rápido do que limpos, com certeza) e sorrindo, como sempre. Kinana servia as mesas e anotava os pedidos e o resto dos magos gritava ao invés de falar, gargalhava ao invés de rir e se embriagava ao invés de beber.

Não os julgo, a alegria geralmente faz isso com as pessoas. As faz sentir tudo com extremo exagero e por isso também as faz levar a vida com esse extremo exagero.

Não chamo isso de felicidade, pois a felicidade nos torna egoísta, a ponto de guarda-la só para nós. Senti-la em segredo. Apreciá-la em silêncio.

Como eu faço.

- No que está pensando?

- Em como eu queria outra cerveja – mostrei meu melhor sorriso.

- Aqui.

- Obrigada, Kinana-san.

Ela balançou sua cabeça e foi levar a comida de algum mago.

O quadro de missões estava cheio. Caminhei até lá, após terminar minha cerveja com alguns goles, e comecei a analisar alguma missão que eu pudesse fazer sozinha.

- Já escolheu alguma missão, Lisanna?

- Na verdade não, Nat-kun. Me recomendaria alguma?

Ele franziu a testa, como se estivesse pensando. Continuei observando e segurando o riso.

- Que tal essa?

- Não. E essa?

- Pensei que eu que deveria recomendar a missão.

- Ah, tá bom. Qual então?

- Eu já disse. Essa.

- E eu já disse que essa eu não quero.

- Por que não? O que ela te fez?

- Natsu! Escolha logo.

- Tá bom, tá bom. E essa?

Analisei-as, as duas eram péssimas. As duas pagavam mal e eram perigosas demais, então obviamente essas missões eram perfeitas para ele e seu time, não para mim.

- Obrigada pelas sugestões, Nat-kun.

- Vai fazer qual das duas?

- Eu vou pensar a respeito – não queria magoá-lo ou passar a tarde ouvindo quais lições eu poderia fazer por pouco dinheiro e um pescoço quebrado.

- Tudo bem, quer uma cerveja?

- Não, obrigada.

Saí de fininho quando Gray apareceu e eles começaram a discutir. Eu nunca gostava do final das brigas. Não era bom que eu bebesse mais, já estava bêbada e chegar em casa tropeçando não estava entre os meus planos.

- Olá, Cana-san!

- Oi, Lis! Sente aí.

- Pegou alguma missão? – Ela balançou a cabeça em negativa.

- Estou de cabeça cheia para isso.

- Por quê?

- Ai, Lis, é muito complicado para a sua cabecinha virgem!

- Homens? Você está saindo com alguém?

- Não! Quer dizer... Bem, é complicado.

- Não é não. Você está saindo com o cara? Se sim, quer dizer que vocês tiveram mais de um encontro e se não vocês tiveram só um ou nenhum.

- A gente não tem encontros propriamente ditos, só nos esbarramos por coincidência em algumas festas.

- Coincidência?

- Coincidência, ora essa. Por quê?

- Porque eu acho que você está perseguindo o cara e indo as mesmas boates que ele.

- EU? Eu nunca faria isso.

- Não, eu sei que não.

- Estou falando sério.

- Claro que está.

- Para com isso, vaca.

- Tá me fala o que tá acontecendo.

- Não está acontecendo nada.

- Tá bom, e o que não está acontecendo?

- Eu acho que ele tem uma namorada ou algo perto disso. E ele ainda sim ele está ficando comigo.

- E se for só uma ficante?

- Eu sou a ficante dele.

- Ele não pode ter mais de uma ficante?

- Pode, mas – ela suspirou e fez um daqueles barulhinhos que as mulheres bêbadas fazem quando estão tristes – eu queria que fosse só comigo que ele ficasse.

- Você está ficando só com ele?

- Pior que estou!

Agora ela estava chorando com um lindo biquinho de bêbada. Daqui a pouco ela já estaria dormindo.

- Então fica com algum outro cara. Aí você o esquece.

- E se eu gostar dele?

- Tá, mas se ele não estiver afim de algo mais do que uma menina com quem dormir?

- Mas se ele estiver?

- Você achar que ele está?

-Não.

- Então que tal uma bebida?

- Sim!

Sua alegria bêbada e infantil era também cômica, aposto que antes mesmo de terminar a lata de cerveja que eu a trouxe ela já estará dormindo em cima da mesa.

- Lisanna! Só para avisar que eu vou fazer uma daquelas missões, então você vai ter que fazer a outra!

- Oi?

- Daquelas que eu escolhi pra você.

- Tudo bem, Nat-kun.

- Se você quiser vir conosco...

- Não! Não! Não precisa se preocupar! Eu vou ver alguma outra missão.

- Tá, e agora você quer uma cerveja?

- Não, já estou bêbada Nat-kun.

- E daí? Já que já está bêbada qual vai ser a diferença de ficar mais? – A diferença é que eu posso ficar bêbada até desmaiar e provavelmente a ressaca vai ser arrasadora, meu querido.

- Tudo bem, só uma.

Sentamos nas banquetas em frente à Mirajane, que folheava uma revista despreocupadamente. Acabei pegando eu mesma duas latinhas e entreguei uma delas ao Natsu.

- Você anda dormindo na Lucy, não é? – notei a atenção de Mira-nii em nós.

- Aham. O Happy adora a cama dela.

- E você? Gosta da cama dela?

- Bem, o colchão é um pouco fino, mas até que é bom.

- Você gosta de dormir lá?

- Sim... Por quê? – tapado. Burro. Idiota.

- Por nada, é que eu ouvir dizer e quis saber se era verdade.

- Você é tão esquisita, Lisanna.

- Como assim? Eu só fiz algumas perguntas!

- É, vocês mulheres adoram ficar fazendo perguntas. Parecem umas burras. –Ah, claro. Nós é que somos burras.

- Você e a Lucy dormem juntos? – a Mira se intrometeu, parecia bem irritada por eu ter cortado o assunto.

- Viu! Parecem umas antas!

Parecia até planejado, eu e Mira demos tapas estalados nos braços dele.

- Cale a boca e apenas responda.

- Tá bom, sim. Nós dormimos juntos e daí?

- Ah, não sei. Você gosta da Lucy?

- Gosto, claro que gosto! Por que eu dormiria na casa de alguém que eu não gostasse?

- Mas você gosta do jeito você gosta de mim e da Mira-nii ou gosta como o Happy gosta da Charles?

- Não sei como o Happy gosta da Charles? – Droga, eu devia ter falado peixe. Talvez ele se tocasse. Mas também não é minha culpa dele ser tão tapado.

- Tipo a Juvia com o Gray.

- Não! Eu não sou maluco!

- Natsu! Temos que ir pra estação! – Happy chegou, estragando tudo. Eu não havia entendido: ele estava dizendo que não era maluco de gostar da Lucy ou que não era maluco\obsessivo que nem a Juvia pelo Gray? Com o Natsu tudo tem que ser muito especificado porque o cérebro dele é bem lento e confuso.

Quando percebi, Natsu já havia ido embora soltando fogo pelas ventas e Mirajane já estava folheando novamente sua revista com uma cara frustrada.

Eu havia apostado com Mira que o Natsu não era a fim da Lucy. Se ele fosse eu teria que fazer uma missão de 500.000 jewels e dar todo o dinheiro a Mira e vice-versa.

Não que eu não ache o casal fofo (afinal, todo mundo acha), mas Natsu é tapado demais para sentir algo além de amizade. Sei que eles realmente se apegaram e parecem até namorados, mas ele também é assim com Happy.

O cérebro dele não é programado para algo como “Amor”. Essas coisas de peito esquentando não acontecem, porque 1- ele já é quente; 2- tudo para ele é a mesma coisa, ele não acha ninguém diferente e não sente nada diferente por ninguém (apesar de ele já sentir muita coisa por todos).

E eu também acho que a Lucy mereça um cara que a ame como mulher. Um cara que um dia pode pedi-la em namoro e depois, talvez, casamento. Um cara com quem haja alguma chance de beijá-la ou transar com ela. O Natsu nunca chegaria tão longe de um simples “eu te amo”.

Afinal, Natsu ama toda a sua família.

Notas finais
Gostaram? Se sim ou se não comentem ou favoritem ou apenas acompanhem a história e a marquem como lida!
Espero postar nessa semana ainda, mas não sei ainda.
Bem, como eu já escrevi nas notas da história: Não é nem Nali ou Nalu(bem, pelo menos não explicitamente), talvez o Natsu até fique sozinho!
De qualquer jeito obrigado por ler, tchau!