Let's Make A Bet
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Notas iniciais
P.O.V. Lisanna
A cerveja do meu terceiro copo estava quase acabando e meu short estava apertado na região das coxas. Isso poderia me definir por hoje.
Mira-san estava limpando os copos (estes eram sujos mais rápido do que limpos, com certeza) e sorrindo, como sempre. Kinana servia as mesas e anotava os pedidos e o resto dos magos gritava ao invés de falar, gargalhava ao invés de rir e se embriagava ao invés de beber.
Não os julgo, a alegria geralmente faz isso com as pessoas. As faz sentir tudo com extremo exagero e por isso também as faz levar a vida com esse extremo exagero.
Não chamo isso de felicidade, pois a felicidade nos torna egoísta, a ponto de guarda-la só para nós. Senti-la em segredo. Apreciá-la em silêncio.
Como eu faço.
- No que está pensando?
- Em como eu queria outra cerveja – mostrei meu melhor sorriso.
- Aqui.
- Obrigada, Kinana-san.
Ela balançou sua cabeça e foi levar a comida de algum mago.
O quadro de missões estava cheio. Caminhei até lá, após terminar minha cerveja com alguns goles, e comecei a analisar alguma missão que eu pudesse fazer sozinha.
- Já escolheu alguma missão, Lisanna?
- Na verdade não, Nat-kun. Me recomendaria alguma?
Ele franziu a testa, como se estivesse pensando. Continuei observando e segurando o riso.
- Que tal essa?
- Não. E essa?
- Pensei que eu que deveria recomendar a missão.
- Ah, tá bom. Qual então?
- Eu já disse. Essa.
- E eu já disse que essa eu não quero.
- Por que não? O que ela te fez?
- Natsu! Escolha logo.
- Tá bom, tá bom. E essa?
Analisei-as, as duas eram péssimas. As duas pagavam mal e eram perigosas demais, então obviamente essas missões eram perfeitas para ele e seu time, não para mim.
- Obrigada pelas sugestões, Nat-kun.
- Vai fazer qual das duas?
- Eu vou pensar a respeito – não queria magoá-lo ou passar a tarde ouvindo quais lições eu poderia fazer por pouco dinheiro e um pescoço quebrado.
- Tudo bem, quer uma cerveja?
- Não, obrigada.
Saí de fininho quando Gray apareceu e eles começaram a discutir. Eu nunca gostava do final das brigas. Não era bom que eu bebesse mais, já estava bêbada e chegar em casa tropeçando não estava entre os meus planos.
- Olá, Cana-san!
- Oi, Lis! Sente aí.
- Pegou alguma missão? – Ela balançou a cabeça em negativa.
- Estou de cabeça cheia para isso.
- Por quê?
- Ai, Lis, é muito complicado para a sua cabecinha virgem!
- Homens? Você está saindo com alguém?
- Não! Quer dizer... Bem, é complicado.
- Não é não. Você está saindo com o cara? Se sim, quer dizer que vocês tiveram mais de um encontro e se não vocês tiveram só um ou nenhum.
- A gente não tem encontros propriamente ditos, só nos esbarramos por coincidência em algumas festas.
- Coincidência?
- Coincidência, ora essa. Por quê?
- Porque eu acho que você está perseguindo o cara e indo as mesmas boates que ele.
- EU? Eu nunca faria isso.
- Não, eu sei que não.
- Estou falando sério.
- Claro que está.
- Para com isso, vaca.
- Tá me fala o que tá acontecendo.
- Não está acontecendo nada.
- Tá bom, e o que não está acontecendo?
- Eu acho que ele tem uma namorada ou algo perto disso. E ele ainda sim ele está ficando comigo.
- E se for só uma ficante?
- Eu sou a ficante dele.
- Ele não pode ter mais de uma ficante?
- Pode, mas – ela suspirou e fez um daqueles barulhinhos que as mulheres bêbadas fazem quando estão tristes – eu queria que fosse só comigo que ele ficasse.
- Você está ficando só com ele?
- Pior que estou!
Agora ela estava chorando com um lindo biquinho de bêbada. Daqui a pouco ela já estaria dormindo.
- Então fica com algum outro cara. Aí você o esquece.
- E se eu gostar dele?
- Tá, mas se ele não estiver afim de algo mais do que uma menina com quem dormir?
- Mas se ele estiver?
- Você achar que ele está?
-Não.
- Então que tal uma bebida?
- Sim!
Sua alegria bêbada e infantil era também cômica, aposto que antes mesmo de terminar a lata de cerveja que eu a trouxe ela já estará dormindo em cima da mesa.
- Lisanna! Só para avisar que eu vou fazer uma daquelas missões, então você vai ter que fazer a outra!
- Oi?
- Daquelas que eu escolhi pra você.
- Tudo bem, Nat-kun.
- Se você quiser vir conosco...
- Não! Não! Não precisa se preocupar! Eu vou ver alguma outra missão.
- Tá, e agora você quer uma cerveja?
- Não, já estou bêbada Nat-kun.
- E daí? Já que já está bêbada qual vai ser a diferença de ficar mais? – A diferença é que eu posso ficar bêbada até desmaiar e provavelmente a ressaca vai ser arrasadora, meu querido.
- Tudo bem, só uma.
Sentamos nas banquetas em frente à Mirajane, que folheava uma revista despreocupadamente. Acabei pegando eu mesma duas latinhas e entreguei uma delas ao Natsu.
- Você anda dormindo na Lucy, não é? – notei a atenção de Mira-nii em nós.
- Aham. O Happy adora a cama dela.
- E você? Gosta da cama dela?
- Bem, o colchão é um pouco fino, mas até que é bom.
- Você gosta de dormir lá?
- Sim... Por quê? – tapado. Burro. Idiota.
- Por nada, é que eu ouvir dizer e quis saber se era verdade.
- Você é tão esquisita, Lisanna.
- Como assim? Eu só fiz algumas perguntas!
- É, vocês mulheres adoram ficar fazendo perguntas. Parecem umas burras. –Ah, claro. Nós é que somos burras.
- Você e a Lucy dormem juntos? – a Mira se intrometeu, parecia bem irritada por eu ter cortado o assunto.
- Viu! Parecem umas antas!
Parecia até planejado, eu e Mira demos tapas estalados nos braços dele.
- Cale a boca e apenas responda.
- Tá bom, sim. Nós dormimos juntos e daí?
- Ah, não sei. Você gosta da Lucy?
- Gosto, claro que gosto! Por que eu dormiria na casa de alguém que eu não gostasse?
- Mas você gosta do jeito você gosta de mim e da Mira-nii ou gosta como o Happy gosta da Charles?
- Não sei como o Happy gosta da Charles? – Droga, eu devia ter falado peixe. Talvez ele se tocasse. Mas também não é minha culpa dele ser tão tapado.
- Tipo a Juvia com o Gray.
- Não! Eu não sou maluco!
- Natsu! Temos que ir pra estação! – Happy chegou, estragando tudo. Eu não havia entendido: ele estava dizendo que não era maluco de gostar da Lucy ou que não era maluco\obsessivo que nem a Juvia pelo Gray? Com o Natsu tudo tem que ser muito especificado porque o cérebro dele é bem lento e confuso.
Quando percebi, Natsu já havia ido embora soltando fogo pelas ventas e Mirajane já estava folheando novamente sua revista com uma cara frustrada.
Eu havia apostado com Mira que o Natsu não era a fim da Lucy. Se ele fosse eu teria que fazer uma missão de 500.000 jewels e dar todo o dinheiro a Mira e vice-versa.
Não que eu não ache o casal fofo (afinal, todo mundo acha), mas Natsu é tapado demais para sentir algo além de amizade. Sei que eles realmente se apegaram e parecem até namorados, mas ele também é assim com Happy.
O cérebro dele não é programado para algo como “Amor”. Essas coisas de peito esquentando não acontecem, porque 1- ele já é quente; 2- tudo para ele é a mesma coisa, ele não acha ninguém diferente e não sente nada diferente por ninguém (apesar de ele já sentir muita coisa por todos).
E eu também acho que a Lucy mereça um cara que a ame como mulher. Um cara que um dia pode pedi-la em namoro e depois, talvez, casamento. Um cara com quem haja alguma chance de beijá-la ou transar com ela. O Natsu nunca chegaria tão longe de um simples “eu te amo”.
Afinal, Natsu ama toda a sua família.
Notas finais
Espero postar nessa semana ainda, mas não sei ainda.
Bem, como eu já escrevi nas notas da história: Não é nem Nali ou Nalu(bem, pelo menos não explicitamente), talvez o Natsu até fique sozinho!
De qualquer jeito obrigado por ler, tchau!
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