Lets Get Back
16 [LGB] Fourteenth
Notas iniciais
(Harry POVs)
Então tá. O mundo e mais algumas galáxias resolveram se pegar. E eu estou de vela. Muito legal. Batuquei meus dedos, observando Danny e Fran, sentados na borda da piscina, cochichando um para o outro, rindo baixinho, daquele jeito que diz “OH! Você é tão fofo!”. Nojo. Procurei por meu marido e o achei, não gostando muito da cena. Se agarrando com Mariana. Me senti traído. Mimi. E então fui procurar pela minha salvação (sem muitas esperanças, cofcof). E lá estava Tom. Sozinho! ISSO IRMÃOS! ALELUIA!
Puxei meu aviador (fuck yeah H’) e fui em direção de Tom, mas antes que eu pudesse ao menos perguntar-lhe o que estava fazendo, um furacão passou por mim.
E de repente Tom não estava mais sozinho. Filho da Puta. Respirei fundo e passei as mãos pelos meus cabelos, pensando seriamente sobre ir dar um mergulho. Não. Ainda não. Me senti ser cutucada e procurei, encontrando Mika, sendo abraçada por Tom.
- Sabe Harry, eu vi na sua solidão, uma excelente amiga pra solidão da Ana, — ergui minha sobrancelha, pensando se ria ou chorava dessa tentativa patética de Mika de soar como uma filosofa – e eu estava pensando, se elas não podiam sofrer juntas, enquanto vocês passavam um tempo juntos.
Segurei o riso. A pesar de ser extremamente sem noção, parecia ter sentido. Nunca soei tão sem sentido na minha vida. Medo. Fiz um ‘beleza’, revirando os olhos por trás do óculos e indo pra frente da casa. E não é que a Ana estava lá? Destino, tenho medo de você.
- Hey! – murmurei, sentando-me calmamente ao seu lado, enquanto a via dedilhar alguma coisa em um violão que havia trazido da casa de Mika.
- Oi! – Ana deu um sorriso tímido, obviamente sem graça pelo fato de ser a primeira vez que conversávamos sozinhos – O que houve pra vir aqui pra frente?
Ela puxou um caderno, e escreveu alguma coisa, tentei dar uma olhada, mas desisti ao perceber que era em Português.
- Muita melosisse. Se passasse açúcar naqueles seis estraga. – revirei os olhos, tirando meu aviador e deixando-o na mesa ao meu lado. Ana riu. E me senti pasmo ao perceber que além de dentes extremamente brancos, ela tinha olhos verdes. Como eu nunca havia percebido isso?!
- Você pode estar achando isso nojento, mas eu meio que acho isso bom. Fran não teve muitos namorados que prestavam, e apesar de ficar ouvindo o quanto Danny é cafajeste e galinha e não sei mais o quê, ele parece diferente perto da Fran. Dougie parece o mesmo que as meninas falavam. Eu normalmente não deixaria um menino pra lá de dezoito anos se aproximar dela, mas quando ele olha pra ela, parece ser diferente. O Tom é o que mais me dá medo. A Mika, apesar de parecer a pessoa mais forte do mundo é que nem cristal. Eu fico pensando o que aconteceria se ele fizesse algo de errado...
Revirei os olhos, pensando seriamente no que ela havia ouvido falar de Tom, mas antes que pudesse abrir a boca, Ana acrescentou.
- E eu tenho que manter minha responsabilidade. Como a enxugadora de lágrimas e animadora. – Ana sorriu. Era forçado. Eu não conseguia vê-lo em seus olhos. E ela tinha um porque de não se animar com isso. Quem se anima em ter que ver as amigas se apaixonarem, ter que ficar de boca calada, e ainda depois de tudo, secar as lágrimas sem abrir a boca e dizer ‘eu te avisei’!?
Passei a mão pelos meus cabelos, me perguntando sobre o negocio da responsabilidade. Responsabilidade. Aos quatorze anos. Aos quatorze anos, minha responsabilidade era tentar não voltar pra casa parecendo ter acabado de tomar um porre! A responsabilidade dela eram três adolescentes que obviamente tinham amores e paixões pra vida toda.
Dei uma leve olhada em Ana. Branca, branca. Olhos verdes. Cabelo castanho alaranjado. Definitivamente com um corpo não descrito como de uma garota de quatorze anos. E tendo que limpar as lágrimas das amigas. DEUS! O que essa menina faz nas horas vagas? Espera até alguém quebrar o coração de alguma das três?!
- O que você gosta de fazer Ana? — perguntei, batucando na mesa ao meu lado, tentando não perder o foco, que era a resposta de Ana.
- Ouvir música, dançar, jogar vôlei, lutar capoeira... – Ana comentou, colocando delicadamente o violão encostado perto de sua cadeira.
Mexi em meus cabelos. Eu sei jogar vôlei. Não sou o melhor jogador do mundo, quer dizer, sou melhor em futebol do que em vôlei, mas dá pra arriscar uma partida...
- Vamos jogar vôlei?! – Puxei-a, animando-me. Chegamos ao grande armário que Bob havia nós dito ser o “armário da diversão” (mais brega impossível!) e achei rapidamente uma bola de vôlei. Ana parecia animada.
- Pronta para jogar, senhorita? — Perguntei, sorrindo de canto, após ter aberto o portão da frente, Ana estava atrás de mim. Me assustei, quando de repente, um vulto passou ao meu lado, e de repente Ana estava no meio da rua, jogando a bola pra cima, sorrindo maliciosamente.
- Nasci pronta, Sr. Judd. – tentei ao máximo pensar naquelas palavras apenas como palavras inocentes. Quatorze anos! Gritava algo em minha mente. E quando percebi, minha mente estava em outro lugar.
Precisamente? Tentando não pagar mico. Era incrível como em míseros dez minutos de jogo, eu havia sido o único a deixar a bola cair. Ana estava com um leve arranhão na perna já que havia se jogado no chão, tentando pegar uma bola, e acertando-a com manchete, me surpreendendo e me fazendo perder a bola. De novo.
Mas, apesar disso, eu continuo intacto. Sem um arranhão se quer. Você poderia dizer “Oh, Harry, você é um ótimo jogador!”, mas eu só estou sem arranhões porque nem a pau vou me machucar pra pegar uma bola. Nop. Sem chances.
- Fala sério Harry! – Ana gritou novamente, quando a bola veio em minha direção e eu virei minha cabeça, acompanhando-a, vendo-a parar perto da esquina. Dei um sorriso colgate, e Ana revirou os olhos, me empurrando levemente murmurando que eu iria pegar a bola dessa vez.
- Nããão! É muuuito longe! – Fiz drama. Mas nem a pau vou lá na esquina do caralho pegar uma bola. É só esperar que ela vem rolando, ué.
- MUITO LONGE O CARALHO HARRY! OLHA AONDE A BOLA TÁ! PARA DE SER MOLE, CARA! – Ana surtou, gritando em altos pulmões e reclamando. Me senti sem graça, e dei uma leve olhada aonde a bola estava. Três casas da nossa, na casa da frente. Não tão longe, mas não tão perto.
- Ma- tentei argumentar e me senti ser interrompida por Ana, rindo derrotada, fazendo um gesto pra mim ficar quieto.
- Eu vou se você for, que tal? — olhei levemente pra Ana, fazendo um leve biquinho. Me lembrava um pouco Izzi. Só que Izzy não tem aqueles hipinotizantes olhos verdes. E nem aqueles cabelos castanhos alaranjados que não ficariam bem em nenhuma outra pessoa. Uma pele branca que eu diria como a da Branca de neve, mas isso é mais para Fran. Ana era como... Rapunzel. Esperando até algum dia um príncipe chegar e lhe tirar da rotina como limpadora de lágrimas.
Senti um leve arrepio ao olhar para ela, e perceber que sua sobrancelha estava levantada.
- Você sabe levantar a sobrancelha? Que nem eu! – fiquei de cara, normalmente as pessoas não sabem isso, apesar de ser muito fácil. Ana revirou os olhos.
- Não muda de assunto, Harry! – arregalei os olhos, me sentindo sem graça. Nem havia percebido que havia mudado de assunto...
- Ah, claro, por mim! – sorri calmamente, e Ana me puxou, entrelaçando seu braço no meu, andando tranquilamente. Olhei para Ana. Ela parecia ser diferente. Diferente de qualquer fã, de Izzy, de qualquer mulher com quem eu havia dormido – e por mais sensacional que a noite havia sido – e havia ido embora na manhã seguinte.
Me peguei pensando sobre o verão. Eu tinha uma leve impressão de como Ana era. Do tipo que não fica muito com meninos com medo do coração partido. Eu nunca conseguiria deixa-lá. E se fosse pra mim deixar alguma coisa, seria essa cidade. Junto com Ana. Pra Londres.
Olhei levemente pra frente, só percebendo então, que Ana estava voltando e que havia desenlaçado seu braço do meu, para apresar-se em pegar a bola. Ela sorriu pra mim, um sorriso que chegou até seus olhos. O sorriso que eu tanto ansiava ver. Senti novamente o bobo arrepio. E mexi nos meus cabelos, observando Ana se aproximar.
- Então Ana, — comecei, e pude ver suas sobrancelhas franzirem-se – o que vai fazer essa noite?
Notas finais
Reviews, love you all! McKisses
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