Virei para o lado e encarei o rosto da criança loira na minha frente. Ou eram duas crianças loiras...Eu não estava muito bem ainda.

–Acorda, Sofia, a revista dos chalés. Você tem que acordar e fazer a cama.

–Humm, sai.

Logo em seguida eu senti a cama balançando e soube que teria que levantar. As duas crianças pareciam gêmeas e pulavam na minha cama.

–Quem são vocês e o que querem de mim, pestinhas?-disse balançando junto com a cama.

–Eu sou o Wes.

–Eu sou a Ruby. E você tem que levantar para a inspeção dos chalés. Estão no chalé 4, você tem que se apressar.

Eu peguei o braço dos dois e puxei eles para fora da cama. Levantei e arrumei os lençóis. Fui até o banheiro e tomei meu banho. Depois da inspeção, Wes e Ruby me levaram até o refeitório. As mesas eram compridas e todos comiam e conversavam.

–Então, quantos anos vocês têm?-perguntei para as duas crianças à minha frente enquanto mordiscava um pedaço de panqueca.

–seis anos.

–Seis anos e meio, Wes.

–Isso, seis anos e meio. Somos praticamente adolescentes.

–Vocês foram...qual é a palavra?

–reclamados?

–Isso...muito cedo, né?

–Foi preciso. Quando nossa mãe morreu, papai entrou em contato com Quiron e pediu uma equipe para nos salvar, logo depois nos reclamou como filhos para nos proteger. Nós moramos aqui no acampamento.-Ruby contou a história de uma maneira mecânica, o que me fez perceber que não era a primeira, muito menos a segunda vez que contava essa história.

Eles andaram comigo pelo acampamento e me mostraram tudo. Wes gostava de dar a mão para mim, Ruby gostava de correr sozinha. Eu era bem mais velha que eles. Papai não tinha me reclamado até hoje. Penso o porquê.

Primeira aula de arco e flecha. Eu fui boa o bastante para o meu gosto, mas quando busquei a aprovação das duas crianças loiras, elas fizeram uma cara feia e um sinal de negativo.

—O que foi? Eu acertei o alvo.

—Tudo bem. Você foi bem para a primeira vez. —Wes disse levantando e pegando o arco da minha mão. Me preocupei com ele segurando aquela flecha, mas ele me provou que sabia o que fazia quando a flecha voou e acertou a minha flecha, cortando-a ao meio.

—Como você conseguiu fazer isso?—perguntei assustada.

—Nós treinamos com o arco desde os 5 anos. Quiron ajudou a gente no começo. E agora vamos ajudar você.—Ruby disse levantando e vindo na minha direção. Ela pegou o arco da mão de Wes e acertou o meio das duas flechas.

—Eu sei que vocês são bons, mas tem realmente a necessidade de partir as flechas ao meio?—perguntei rindo e mudando a conversa para outros assuntos. Eles treinaram comigo e depois da aula fomos para a arena onde Quiron nos daria aula de mitologia. Eu estava bem atrasada e descobri que metade das poucas coisas que eu sei sobre o assunto não são verdadeiras. Eu sempre agarrada as duas crianças que me explicavam as coisas aos sussurros quando eu não entendia. Durante o jantar no refeitório eu percebi o Senhor D olhando para mim. Ele desviou o olhar e arrumou o terno, retomando a conversa com Quiron. Não sabia o que aquilo significava, mas deixei passar.

Notas finais
Podem falar aqui se estão gostando kkkk