Eu me olhava no espelho e a cada olhada, ficava mais nervosa. Eu não acreditava ainda que esse dia realmente tinha chegado. Eu que sempre disse que não iria me casar tão cedo, lá estava, com o vestido branco que caía pelo meu corpo. Afrodite tentava me ajudar na arrumação do cabelo, mas cada vez que ela me via, começava a chorar. Já era a sexta vez que ela entrava no quarto e desabava.

—Mãe, se você continuar assim, eu não vou nem casar. Se você já está chorando aqui, imagina quando eu estiver lá na frente, você vai passar mal.

—Não Sofia, eu estou bem. É que você está tão linda, minha filha. Queria que seu pai estivesse aqui para ver você.

—Eu também queria mãe.

Apolo ainda estava brigado comigo desde aquele dia. Eu já tentara entrar em contato com ele para convida-lo para o casamento. Para ele conhecer os netos. Ele nunca me respondeu, nenhuma palavra, nada. Eu fico triste por Castor e Pólux que não conhecem ainda o avô. Eles perguntam, se tem a vovó, cadê o vovô? Não sei mais o que dizer a eles. Agora eles estão com um ano e eu achei melhor esperar eles nascerem para fazer a cerimônia, por que não haveria vestido no planeta Terra que eu poderia vestir. Eu fiquei enorme. A vantagem de ser filha da deusa da beleza é que eu voltei ao normal totalmente depois do parto, o que foi maravilhoso. Pelo Di nós teríamos casado no mesmo dia em que ele pediu minha mão. Ele não gostou muito do adiamento do casório, mas eu contornei ele direitinho no final. E lá estávamos nós. Duas ninfas entraram com os gêmeos no quarto e eles estavam lindos de terno e gravata. Eu estava nervosa. De repente Afrodite me chamou e apontou para a porta e ali estava. Meu pai, ele estava sem jeito ali, eu podia perceber, então pedi para todo mundo sair um pouquinho. Quando estávamos só nós dois no quarto, ele sentou ao meu lado na cama.

—Me desculpe.

—Eu te desculpei há muito tempo, pai.

—Me perdoe por não ter aparecido antes. Eu não sabia o que dizer a você. Eu não sei o que deu em mim aquele dia. Eu não sou assim, você sabe. Não queria ter perdido você. Perdido isso.

—Tudo bem pai, o que importa é que você está aqui agora. E você vai entrar comigo e dar minha mão ao meu noivo?

—Como um pai deve fazer. Eu estou aqui pra você, raio de sol.

Eu tive que me segurar para não chorar ali mesmo e acabar com a maquiagem. Mesmo que fosse fácil arrumar, Afrodite iria falar na minha cabeça até o ano que vem. Ou ela começaria a chorar também.

—E você está pronto para conhecer seus netos!?

—Pode trazer aqueles pestinhas, quero dar uma boa olhada neles.

Eu chamei as meninas para o quarto outra vez e Apolo ficou com as crianças. Agora eu estava pronta. Todos estavam lá e eu não tinha mais medo.

Quando a música começou eu me agarrei os braços do meu pai e ele riu alto, quando eu desci as escadas, de repente me arrependi de ter argumentado com Dioniso tanto tempo sobre querer me casar no acampamento. O meu salto era e enorme. Assim que aquela tortura acabou, nos saímos pela varanda e lá estava ele. Perfeito como sempre, seu smoking dava um ar refinado a ele. Ele parecia elegante e simples. Estava lindo e era todo meu. Nas cadeiras alguns campistas que tinham ficado lá para as férias. Alguns deuses menores e todos os doze olimpianos. Eu não olhei nada disso de primeira, porque eu não tirava os olhos do meu marido, cada passo que eu dava durava uma eternidade e eu ansiava por chegar perto dele. Quando Apolo se aproximou e colocou a minha mão na de Dioniso, ele agradeceu e eu sabia que ele não estava agradecendo só por aquilo. A cada segundo eu o amava mais. Hera presidiu a cerimônia que foi simples e bem curta. Senão não teria muito tempo para a festa. Zeus disse para nós na recepção que como presente de casamento para Dioniso ele iria tirar a maldição do vinho e ele agradeceu educadamente.

—Nós vamos tomar vinho hoje então?

—Acho champanhe uma idéia melhor.

—Ué, mas Zeus...

—Eu sei o que ele fez. E sei também que existe uma coisa na minha vida que é mais forte e melhor do que o vinho. Você. Então eu pretendo tomar uma taça de você por dia se a senhorita me permitir.

—Eu te amo. Seu bobo.

Me aproximei e beijei seu rosto devagar. As crianças estavam brincando com Apolo e agora já o chamavam de vovô. Tudo estava perfeito.

Castor e Pólux ficaram com Quiron no acampamento e nós fomos para nossa lua de mel. E ela foi perfeita.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.