Letra G
1 Prólogo - Me desculpe, me desculpe!
Notas iniciais
Alguns dias antes de sair de casa, Marnie jurou aos pais e ao irmão mais velho que tudo daria certo e que eles teriam orgulho dela. Marnie sempre gostara de escrever desde pequena, e quando o final do ensino médio chegou, ela escolheu cursar literatura.
Mas, como a faculdade mais perto ficava a quilômetros de distância da família, Marnie teve que deixar de lado a calmaria do campo, o cheirinho de mel e o som dos passarinhos todas as manhãs.
Ela não acreditava que tinha trocado todas as coisas boas, por muitas aulas desnecessárias, o barulho ensurdecedor todos os dias, e o pior de tudo, a falta de inspiração.
Marnie prendeu o cabelo em um rabo de cavalo baixo, respirou fundo e esperou seu nome ser chamado. O professor entregava os exames de literatura e Marnie tinha certeza que sua nota fora baixa.
Ela passara noites acordas lendo os livros e os textos, mas na hora de prova tudo dera errado.
Quando o professor chamou por "Marnie Evans", com as pernas bandas, ela andou em direção ao mesmo. Pegou frustada a prova e olhou para o canto superior direito da folha. "E-" estava escrito em um garrancho vermelho.
O sinal da última aula tocou evitando que Marnie tivesse um ataque de raiva ou amassasse a prova em uma enorme bola e enfiasse na boca do Sr. Martins. Ela correu até a carteira que sempre sentava, enfiou a bolsa preta no corpo e saiu correndo da sala.
– Marnie, espera aí! – Ela não deu bola. Continuou a correr, a correr e a correr. Não reparou onde estava, nem o quão distante estava da faculdade ou de seu apartamento.
Já fazia três meses que ela vivia aquela tensão todo santo dia. O pouco dinheiro extra que a mãe lhe dera estava acabando e como era caloura, eram poucas as pessoas que tinha a amizade.
Enquanto corria, Marnie, pensou diversas vezes em desistir. Ia ligar para a mãe e dizer que estaria de volta pela amanhã, que sair de casa fora besteira e estudar literatura não daria certo. Voltaria para o interior, arrumaria um emprego de verdade e ajudaria a mãe em casa.
As pernas de Marnie estavam doloridas e seu corpo já tinha perdido os sentidos a um tempão. Ela olhou para as ruas, os prédios em sua volta, as pessoas que andavam de um lado para o outro. Não reconhecia tudo aquilo, aquele não era o seu lugar e nunca seria.
Marnie voltou a correr, mas algo a impediu de seguir em frente.
– Me desculpe, me desculpe! – Era tudo que Marnie conseguiu murmurar. Suas mãos tremiam e se negavam a pegar os livros que estavam espalhados na calçada.
– Deixa que eu pego – A outra garota ajudou Marnie a juntar os livros antes que alguém pisasse nos mesmos.
– Você está bem nervosa, não é? – Marnie ouvia, mas não compreendia – Eu preciso voltar para casa, me desculpe mesmo — Ela respondeu.
– Espera – A garota em que Marnie esbarrara gritou preocupada – você esqueceu esses aqui.
Ainda faltavam alguns livros para a estudante de literatura recolher. Com calma, a outra garota entregou os dois livros a Marnie.
– Você quer beber um copo d'água? Eu pago para você. Meu nome é Anelise, qual o seu? – Anelise esticou a mão e abriu um sorriso simpático. Marnie balançou a cabeça, aceitando o convite de Anelise.
– Gostei das suas sapatilhas – Anelise falou gentil enquanto ela e Marnie caminhavam lentamente a procura de algo que acalmasse a garota de sapatilhas vermelhas.
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