Let your heart hold fast

4 04. Beautiful beat - Nada Surf


"Belo ritmo, me tire dessa bagunça. Belo ritmo, me tire essa aflição"

Robin revirou sua bolsa em busca de algo que ativa-se sua memória, uma foto ou objeto que fizesse as peças se juntassem em sua cabeça. Ela pegou o celular e desbloqueou a tela, porém parou quando notou que não sabia a senha, devolveu o aparelho a bolsa e continuou a vasculhar. Tirou a agenda de couro vermelho e a abriu, folheou a abriu a páginas observando que todos os seus dias pareciam lotados de reuniões, atividades e gravações que lhe ocupavam quase todas as horas do dia. Robin gemeu quando viu que o nome de Patrice ocupava muitas linhas em sua agenda.

—Droga, Patrice. — ela grunhiu virando as páginas com força, algo escorregou da agenda caído sobre o lençol. Robin pegou a foto e observou o pequeno bebê retratado, bochechas coradas, olhos azuis brilhantes, ralos cabelos loiros e um sorriso banguela. Ela piscou algumas vezes notando todos os detalhes que poderiam passar despercebido, o bebê era fofo e bastante familiar. Robin então virou a foto e leu o que estava escrito na borda.

"Ellie, 4 meses"

Robin prendeu a respiração enquanto voltava a encarar a foto. Os olhos ingênuos estavam livres de qualquer maldade ou malícia que Barney tinha, mas mesmo assim eles tinham aquele mesmo brilho familiar, como se vivesse em um eterno carnaval.

—Robin, você está bem? — a doutora Evans indagou, Robin assentiu guardando a foto em sua agenda. — O dia ontem foi bem agitado, não é?

—Entre sofrer um acidente, perder a memória, descobri que meu marido já não é mais o meu marido e que tem uma filha com uma mulher qualquer. Acho que levando. — ela disse sorrindo ironicamente. — Quando vou ganhar alta?

—Logo, seus ferimentos não foram graves e amnésia foi um efeito colateral. Então se você está fisicamente saudável, não tem porquê te prender aqui.

—Doutora…

—Minha chame de Thea.

—Ok. Thea, eu quero agradecer por você ter me ajudado, não apenas com minha saúde, mas por não ter deixado ninguém entrar aqui. — Robin disse dando um pequeno sorriso.

—Eu apenas achei que você gostaria de ficar um pouco sozinha depois de tudo o que aconteceu. Associar toda essa nova situação.

—É, eu realmente precisava disso. Tive um bom tempo para pensar sobre o que fazer a seguir.

—E já decidiu o que vai fazer? — Thea indagou se sentando na borda da cama. Robin apertou a agenda com força lembrando rapidamente de Ellie e então de Barney.

—Quando eu acordei, eu estava casada e feliz. Mal podia esperar para viver com aquele que deveria ser "homem da minha vida". Mas então eu acordo e descubro que estou divorciada, meu ex-marido tem uma filha e aparentemente, segundo a minha agenda, eu mal não vivo em New York. Eu pensei muito e decidi que eu não tenho tenho a menor ideia do que vou fazer. — ela falou traçando o dedo sobre o couro da agenda. — Eu não sei o que aconteceu nos últimos oito anos, não sei pelo o que passei e quais foram os fatores que me levaram até onde estou. Não tenho certeza de nada, porque não lembro de nada. A única certeza que eu tenho é que eu amo o Barney. Mas não sei se ele ainda me ama.

—Oh Robin, ele com certeza ainda sente algo por você. Barney se preocupa com você e ele também está bastante assustado com tudo que está acontecendo. — Thea falou com um olhar cheio de compaixão. — E o jeito como ele te olha. Ah, eu só vi ele olhar assim para Ellie. Essa mistura de amor e admiração. Isso é algo raro de se ver no Barney, mas ele fica constantemente assim quando está com você.

Robin piscou lentamente associando as palavras dela.

—Como você sabe sobre ela? — ela indagou. Thea abriu a boca sem saber o que falar, Robin franziu a testa tentando chegar a uma solução plausível. Mas ela então lembrou do jeito como eles agiam quando estavam juntos, tão familiarizados um com o outro. — Você é a mãe dela, não é?

—Sim. — Thea afirmou depois de um curto tempo em silêncio. — Mas acredite em mim, o que aconteceu foi um ato de sacrifício.

—Sacrifício?

—Ele ia pegar minha amiga, ela tinha acabado de terminar um namoro de cinco anos, estava indefesa. Eu apenas queria o melhor para ela.

Robin franziu a testa confusa por um momento. Mas então riu.

—Você fala como se ele fosse algum tipo de monstro. Eu sei que Barney parece ser um tanto sociopata, e ele é um sociopata. Ele me enlouqueceu para me pedir em casamento. Mas ele também é uma boa pessoa que sabe ouvir um não e se contentar.

—Eu sei. Esse tipo de homem está muito raro hoje em dia. — Thea disse batendo os dedos contra a prancheta. — Ele pode ser meio louco, psicótico e extravagante. Mas Deus! Ninguém pode negar o quanto ele é bom na cama.

—Não mesmo. Mas Barney tem muita prática, mais de 250…

—300 na última conta dele.

—Uau! Pensei que já seria mais. — Robin revelou fazendo Thea rir.

—Ele parou de cantar garotas burras em bares depois que eu disse que estava grávida. E depois que Ellie nasceu, ele não conseguia olhar para mais ninguém.

—Isso é o que eu mais gosto nele, Barney sabe quando é hora de parar e se dedicar somente a alguém. — ela disse e Thea sorriu em concordância. — Você acha que ele vem hoje?

—Ontem eu tive que expulsá-lo para que ele fosse dormir um pouco. Acredite, se pudesse ele já estaria aqui. — Thea assegurou.

Robin olhou para porta se deixando imaginar Barney atravessando-a pronto para lhe contar estórias mirabolantes e apenas para fazê-la sorrir. Porque era isso que Barney fazia quando queria que ela se sentisse bem.

—Parece que alguém precisa de biscoitos. — Robin encarou a mulher de cabelos castanhos e olhos brilhantes, ela tinha um sorriso gentil no rosto e segurava uma vasilha transparente onde haviam biscoitos de chocolate. — Você está melhor, querida?

Robin franziu a testa tentando lembrar de onde conhecia aquela mulher, mas antes que pudesse questionar Ted apareceu atrás dela, mostrando como a mulher era pequena.

—Ted boy, você demorou a aparecer, pensei que seria o primeiro na porta com flores e ursos de pelúcia. — ela disse sem conter o sorriso. Ted se aproximou dela e lhe deu um abraço caloroso.

—Você nos deu um baita susto, Scherbatsky. — Ted afirmou e Robin não pode deixar de sentir um leve aperto no peito ao ouvir seu sobrenome.

—Nós vinhemos ontem, mas você estava dormindo. — a mulher morena disse. Robin a encarou ainda intrigada com sua familiaridade.

—Lily disse que você está com alguns problemas de memória. — Ted falou enquanto tirava o casaco e o deixava em cima da cadeira. — Mas ela não especificou quais problemas.

—Acho que o maior problema é a falta dela. Eu não lembro de nada que aconteceu nos últimos 7 anos. — ela explicou.

—Então você não lembra de mim? — a mulher ao lado de Ted indagou se sentando na borda da cama. Robin franziu a testa finalmente reconhecendo o rosto dela.

—Você estava tocando no meu casamento, não é?

—Sim. Você tropeçou em mim enquanto fugia. Tracy Mosby. — ela disse estendendo a mão. Robin sorriu educadamente antes de apertá-la.

—Deus, sua palma é tão macia. — ela afirmou acariciando a mão de Tracy.

—É uma das vantagens de usar luvas para dirigir.

Robin riu baixinho antes de se virar para Ted.

—Parece que você achou uma vencedora, Mosby.

—O que eu posso dizer, é o destino. — Ted afirmou passando o braço ao redor dos ombros de Tracy. — Lily e Marshall logo estarão aqui, eles apenas foram deixar as crianças na escola.

—E Barney? — ela indagou, Ted e Tracy se entreolharam incertos sobre o que dizer. — Ele me falou sobre sobre a sua filha.

—Menos mal. — Tracy sussurrou ajeitando a saia do vestido ainda nervosa. — Barney levou ele ao pediatra.

—Robin, preciso ir visitar meus outros pacientes. Se precisar de algo, acione o botão. — Thea disse, Robin assentiu e a observou caminhar até a porta.

—Já que a 31 é bastante "ocupada", e Barney quem leva Ellie a todas as consultas. — Ted falou.

—31? — Robin indagou franzindo a testa.

—A mãe de Ellie. — Tracy explicou. — Não sabemos o nome dela, Barney nunca nos disse. O que não é algo ruim, não quero mais nenhuma garota tonta se exibindo pela minha casa.

—Você acha que ela é uma tonta?

—Ela dormiu com o Barney e engravidou dele. Juízo é que ela não tem.

Robin riu imaginando como eles reagiriam ao saber quem era a tonta.

—Como está minha pequena doente? — Lily indagou adentrando no quarto com seu álbum de fotos, logo atrás dela Marshall apareceu com balões coloridos. — Espero que esteja melhor, porque hoje sua memória vai voltar.

—Já devo imaginar que será um longo dia. — Robin sorriu para os amigos recebendo seus abraços de bom grado.