Let´s Rock
6 Capítulo dois, parte três: Ruínas
Notas iniciais
Fragmento escrito pelo Fabiano Alves ^^
vezes, os deuses ficam na terra com corpos mortais...deve ser isso que ela falava... — Um deus na terra? Mas...que deus poderia estar aqui entre a gen... Antes que Aron concluísse seu raciocínio, um vento frio soprou, abrindo a porta da velha casa e deixando entrar o ar noturno. Todos olharam para fora e viram o que seria impensável. A cidade de Prontera destruída, vitimada por algum tipo de guerra, ou catástrofe natural. Tão ou mais sombria que a macabra Glast Heim... ------------------------------ — Meu deus...não...o que aconteceu aqui? — comentou Rachiele, saindo para fora do casebre e olhando tudo, estarrecida. — A cidade...Prontera...algo ou alguém a destruiu... Aron engoliu em seco; embora não compreendesse ao certo o que se passava, sentiu um contínuo mal-estar ao ver a dita “Capital do Reino de Rune-Midgard” em frangalhos. — ......MINHA CASA! — gritou Rachiele ao constatar que algo deveria ter acontecido com sua casa também. — Rach, calma! — falou fOrCe, segurando a moça pelo braço, evitando que ela saísse correndo. — Temos que manter a calma! Não adianta nada a gente... Não adiantou. Rachiele se livrou de fOrCe sem dificuldade e correu. Correu o mais que pôde até sua casa. Precisava ver. Embora em seu intímo soubesse o que esperar. Caiu de joelhos ao ver o que restou de sua casa. — Não...papai...porque isso está acontecendo? — Rachi! — gritou fOrCe ao avistar a jovem — Vem Aron! — Espera aí, Forge! — disse Aron olhando para trás - Tem mais gente aqui além da gente! — O quê...? Ambos pararam enquanto Rachi ficava ali, diante do que um dia foi sua casa. Viram um estranho homem, com roupas negras e chápeu. Ele tinha um banjo improvisado a tiracolo e andava lentamente. Em dado momento, sentou-se e ficou a observar os estranhos. — Rachi! Aron! Vamos! Aquele estranho parece um bardo! Talvez ele possa nos dar alguma informação! - disse fOrCe. — Mas...a Rachiele... — disse Aron, não errando o nome de Rachi dessa vez. — Vamos lá Aron! — precisamos descobrir o que aconteceu aqui! — Ahh...certo. — e ambos foram em direção ao sombrio menestrel. -------------------------- — O que querem saber de mim, viajantes? — Queremos saber o que aconteceu com a cidade! — disse fOrCe com Aron concordando. — Prestem atenção então...houve numa época que consideramos dourada um homem. Um único homem. Ele tivera uma benção dos deuses e sobreviveu à destruição de sua pátria natal. Ele veio para o mundo novo junto com outros poucos sobreviventes, mas devo dizer-lhes: esse homem errou. — Errou no quê? — perguntou Aron, mas fOrCe o alertou por uma pancada no estomago que era melhor não interromper o bardo. — Ele errou. Vocês sabem no quê. Ele quis ter o mundo que o abrigou, e para isso ele firmou acordo com tudo e todos. Fossem eles mortais ou monstros. Tudo que aconteceu aqui foi por culpa dele. Aron e fOrce apenas ouviam o estranho com atenção, ele tirou algumas notas de seu banjo e por alguma razão, os dois sentiram-se tristes. — Ele matou. Aliou-se aos piores seres e aos mais baixos humanos. Ele teve o controle de tudo...Por algum tempo, mas então, os monstros que o haviam apoiado, cobraram sua parte no acordo. E quando ele findou, tudo o mais findou também. O menestrel sombrio então cantou, de forma melancólica e triste alguns versos. “ Tudo era dele e então perdeu... Reinos, mulheres, tudo findou... Seu aliados inimigos se tornaram... E seu coração, ainda mais negro se tornou...” — Bardo, ainda existem pessoas vivas aqui? — indagou fOrCe. — Não mais. — respondeu o menestrel — Prontera hoje é um enorme cemitério...Sob os restos de suas residências e da Igreja dormem apenas cadáveres...Ou o que sobrou deles... — Todos morreram...? — perguntou Aron, apreensivo. — Todos sem exceção. Quando os Exércitos avançaram contra a nação, nada restou. Os que aqui não estavam fugiram, e hoje em dia, eles esperam que o Ragnarok se complete. Todos querem que o fim seja o mais breve possível. Sofrer como sofremos não é mais tolerável.
— Onde estão estas pessoas, bardo? — perguntou fOrCe. — Perdidas, isoladas...Todos os aglomerados humanos viraram alvo para os monstros. Agora não temos mais as Kafras para nos ajudar...Tudo que restou é tão somente a lembrança de uma época que não existe mais. Ambos silenciaram enquanto o bardo tirava algumas notas de seu instrumento. Lembraram-se que deixaram Rachiele sozinha. E isso poderia ser perigoso. — Aron... A Rachi...ela sumiu! — falou fOrCe , ao constatar que a jovem não estava mais diante da casa que um dia a abrigou. — Mas onde ela pode... — Na Catedral. — disse o bardo — Noviças eram formadas na Catedral antes do ataque...Vão atrás dela antes que seja tarde. Aron e fOrCe, sem pensar, saíram correndo atrás de Rachiele. E nem notaram quando o menestrel sombrio apenas sumiu em meio às trevas da cidade... --------------------------- — Vamos iniciar a missa! — disse Necrus em alto e bom som. — Hoje irmãos, iremos receber uma alma pecadora que nos abandonou quando mais precisamos. — CASTIGUE-A! PUNIÇÃO PARA A PECADORA! MATEM-NA! - bradaram os fiéis. — Irmãos, a alma perdida da irmã Rachiele finalmente voltou ao seu lar sagrado para sofrer a imolação merecida por sua falta. — MATE-A! MATE-A! MORTE AOS PECADORES! — tornaram a bradar os fiéis. — Deixemos que ela mesma se explique, irmãos. Venha aqui, irmã Rachiele, a vanir... Rachiele olhou para toda a igreja: estava intacta, com seus vitrais impressionantes, suas paredes sólidas e o ar sagrado. Necrus estava impecável com sua túnica sacerdotal e muitos fiéis lotavam os lugares. Ela seria julgada ali, por isso andou até Necrus de cabeça baixa. — Sabes qual foi seu pecado? — perguntou Necrus. — Sei, senhor padre. — Sabes porque serás punida? — Sei, senhor padre. — Sabes que eu, em dado momento de minha vida amei-a de tal forma que agora ojerizo-me de ter que mata-la? — Sei, senhor padre — Dá-me a ventura te expurgar o mal que existe em você? — Sim senhor padre. Rachiele fechou os olhos e ficou de joelhos diante de Necrus; os fiéis urravam pedindo a morte da noviça e Necrus se aproximou dela e começou a ler seu livro sagrado. Uma estranha aura escura envolveu Necrus e começou a ir em direção de Rachiele. Os fiéis deliraram com aquela visão. ------------------- fOrCe e Aron correram até a Catedral e encontraram a mesma em ruínas, com o que restava de sua antiga arquitetura enegrecida, como se algo extremamente maligno tivesse ocupado o local. Saltando pelos destroços e lixo espalhado, os dois correm em direção à nave principal da Catedral, apenas para presenciar uma decadente criatura morta-viva com um livro em mãos, envolvendo Rachiele em uma tenebrosa névoa negra. Ouviram também múrmurios vindos do que um dia foi a bancada onde os fiéis anteriormente se colocavam: era como se as almas dos que morreram estivessem num paródia cruel de uma missa, onde o padre era um Druida Maligno, e Rachiele uma profana oferenda à morte... — Rach! — gritou Aron, sacando a espada e indo para cima do Druida, que estava em transe enquanto sua aura negra envolvia a noviça. — Não Aron! — gritou fOrCe, sacando a espada e sendo cercado por fantasmas que murmuravam “A missa não pode parar”... Aron investiu contra o Druida, pensando apenas em tirar Rachiele dali: — IMPACTO EXPLOSIVO! A força do golpe afastou o Druida de Rachiele, que rolou pelo chão e parou perto de alguns bancos, completamente atordoada. — Mortal... — disse o druida se voltando para Aron - Como se atreve a atrapalhar a oferenda à nosso senhor o Dark Lord? Você pagará! FIÉIS! Destruam os intrusos! E com um movimento de mão do druida, ferozes ghouls se levantaram dos restos da Catedral fitando os aventureiros. — ARON! PEGA A RACHI! VAMOS CAIR FORA DAQUI! ELES SÃO MUITOS! — Berrou fOrCe, ciente que não poderiam com tantos morto-vivos e um druida. — OK! — disse Aron, pegando Rachiele e colocando-a num ombro enquanto segurava a espada — Desculpa o mau jeito, Rachi! — desculpou-se enquanto a noviça, ainda atordoada, tentava se recuperar. Aron foi em direção de fOrCe levando Rachiele, mas viram-se cercados por ghouls que brotavam de todos os pontos da destruída Catedral. Até mesmo da frente, por onde eles tentaram, inutilmente, fugir. O druida flutuou entre os mortos-vivos e os impediu de estraçalharem os intrusos. Com uma risada macabra, disse: — Agora...Vocês são todos meus convidados para o fim de nossa missa...E não aceitarei que saiam sem antes confessar todos os seus pecados e serem imolados...Há..Há...Há...
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