Let´s Rock

6 Capítulo dois, parte três: Ruínas


Notas iniciais
Fragmento escrito pelo Fabiano Alves ^^

Antes que pudessem fazer alguma coisa, Vick

desapareceu com um brilho que ofuscou os aventureiros.

E quando o brilhou se dissipou, apenas eles estavam na

sala.

— ......Será que ela falava a verdade? — perguntou

Rachi, olhando para os outros.

— Não sei Rach...- disse fOrCe — Isso tudo está muito

estranho. Mas ela foi a única que falou mais ou menos

com sentido para a gente o que está acontecendo...

— É isso aí! — disse Aron, tornando a olhar para Pluto

e passando a lingua pelos lábios. — Ah...Você

entenderam algo do que ela disse?

— Ela falou de um encarnado... — disse fOrCe. — Um

encarnado que trará a luz...

— Humm...Quando eu estava na Igreja, ouvi falar que às

vezes, os deuses ficam na terra com corpos

mortais...deve ser isso que ela falava...

— Um deus na terra? Mas...que deus poderia estar aqui

entre a gen...

Antes que Aron concluísse seu raciocínio, um vento

frio soprou, abrindo a porta da velha casa e deixando

entrar o ar noturno.

Todos olharam para fora e viram o que seria

impensável.

A cidade de Prontera destruída, vitimada por algum

tipo de guerra, ou catástrofe natural.

Tão ou mais sombria que a macabra Glast Heim...

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— Meu deus...não...o que aconteceu aqui? — comentou

Rachiele, saindo para fora do casebre e olhando tudo,

estarrecida.

— A cidade...Prontera...algo ou alguém a destruiu...

Aron engoliu em seco; embora não compreendesse ao

certo o que se passava, sentiu um contínuo mal-estar

ao ver a dita “Capital do Reino de Rune-Midgard” em

frangalhos.

— ......MINHA CASA! — gritou Rachiele ao constatar que

algo deveria ter acontecido com sua casa também.

— Rach, calma! — falou fOrCe, segurando a moça pelo

braço, evitando que ela saísse correndo. — Temos que

manter a calma! Não adianta nada a gente...

Não adiantou. Rachiele se livrou de fOrCe sem

dificuldade e correu. Correu o mais que pôde até sua

casa. Precisava ver. Embora em seu intímo soubesse o

que esperar.

Caiu de joelhos ao ver o que restou de sua casa.

— Não...papai...porque isso está acontecendo?

— Rachi! — gritou fOrCe ao avistar a jovem — Vem Aron!

— Espera aí, Forge! — disse Aron olhando para trás -

Tem mais gente aqui além da gente!

— O quê...?

Ambos pararam enquanto Rachi ficava ali, diante do que

um dia foi sua casa. Viram um estranho homem, com

roupas negras e chápeu. Ele tinha um banjo improvisado

a tiracolo e andava lentamente. Em dado momento,

sentou-se e ficou a observar os estranhos.

— Rachi! Aron! Vamos! Aquele estranho parece um

bardo! Talvez ele possa nos dar alguma informação! -

disse fOrCe.

— Mas...a Rachiele... — disse Aron, não errando o nome

de Rachi dessa vez.

— Vamos lá Aron! — precisamos descobrir o que

aconteceu aqui!

— Ahh...certo. — e ambos foram em direção ao sombrio

menestrel.

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— O que querem saber de mim, viajantes?

— Queremos saber o que aconteceu com a cidade! — disse

fOrCe com Aron concordando.

— Prestem atenção então...houve numa época que

consideramos dourada um homem. Um único homem. Ele

tivera uma benção dos deuses e sobreviveu à destruição

de sua pátria natal. Ele veio para o mundo novo junto

com outros poucos sobreviventes, mas devo dizer-lhes:

esse homem errou.

— Errou no quê? — perguntou Aron, mas fOrCe o alertou

por uma pancada no estomago que era melhor não

interromper o bardo.

— Ele errou. Vocês sabem no quê. Ele quis ter o mundo

que o abrigou, e para isso ele firmou acordo com tudo

e todos. Fossem eles mortais ou monstros. Tudo que

aconteceu aqui foi por culpa dele.

Aron e fOrce apenas ouviam o estranho com atenção, ele

tirou algumas notas de seu banjo e por alguma razão,

os dois sentiram-se tristes.

— Ele matou. Aliou-se aos piores seres e aos mais

baixos humanos. Ele teve o controle de tudo...Por

algum tempo, mas então, os monstros que o haviam

apoiado, cobraram sua parte no acordo. E quando ele

findou, tudo o mais findou também.

O menestrel sombrio então cantou, de forma melancólica

e triste alguns versos.

“ Tudo era dele e então perdeu...

Reinos, mulheres, tudo findou...

Seu aliados inimigos se tornaram...

E seu coração, ainda mais negro se tornou...”

— Bardo, ainda existem pessoas vivas aqui? — indagou

fOrCe.

— Não mais. — respondeu o menestrel — Prontera hoje é

um enorme cemitério...Sob os restos de suas

residências e da Igreja dormem apenas cadáveres...Ou o

que sobrou deles...

— Todos morreram...? — perguntou Aron, apreensivo.

— Todos sem exceção. Quando os Exércitos avançaram

contra a nação, nada restou. Os que aqui não estavam

fugiram, e hoje em dia, eles esperam que o Ragnarok se

complete. Todos querem que o fim seja o mais breve

possível. Sofrer como sofremos não é mais tolerável.

— Onde estão estas pessoas, bardo? — perguntou fOrCe.

— Perdidas, isoladas...Todos os aglomerados humanos

viraram alvo para os monstros. Agora não temos mais as

Kafras para nos ajudar...Tudo que restou é tão somente

a lembrança de uma época que não existe mais.

Ambos silenciaram enquanto o bardo tirava algumas

notas de seu instrumento. Lembraram-se que deixaram

Rachiele sozinha. E isso poderia ser perigoso.

— Aron... A Rachi...ela sumiu! — falou fOrCe , ao

constatar que a jovem não estava mais diante da casa

que um dia a abrigou.

— Mas onde ela pode...

— Na Catedral. — disse o bardo — Noviças eram formadas

na Catedral antes do ataque...Vão atrás dela antes que

seja tarde.

Aron e fOrCe, sem pensar, saíram correndo atrás de

Rachiele. E nem notaram quando o menestrel sombrio

apenas sumiu em meio às trevas da cidade...

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— Vamos iniciar a missa! — disse Necrus em alto e bom

som. — Hoje irmãos, iremos receber uma alma pecadora

que nos abandonou quando mais precisamos.

— CASTIGUE-A! PUNIÇÃO PARA A PECADORA! MATEM-NA! -

bradaram os fiéis.

— Irmãos, a alma perdida da irmã Rachiele finalmente

voltou ao seu lar sagrado para sofrer a imolação

merecida por sua falta.

— MATE-A! MATE-A! MORTE AOS PECADORES! — tornaram a

bradar os fiéis.

— Deixemos que ela mesma se explique, irmãos. Venha

aqui, irmã Rachiele, a vanir...

Rachiele olhou para toda a igreja: estava intacta, com

seus vitrais impressionantes, suas paredes sólidas e o

ar sagrado. Necrus estava impecável com sua túnica

sacerdotal e muitos fiéis lotavam os lugares.

Ela seria julgada ali, por isso andou até Necrus de

cabeça baixa.

— Sabes qual foi seu pecado? — perguntou Necrus.

— Sei, senhor padre.

— Sabes porque serás punida?

— Sei, senhor padre.

— Sabes que eu, em dado momento de minha vida amei-a

de tal forma que agora ojerizo-me de ter que mata-la?

— Sei, senhor padre

— Dá-me a ventura te expurgar o mal que existe em

você?

— Sim senhor padre.

Rachiele fechou os olhos e ficou de joelhos diante de

Necrus; os fiéis urravam pedindo a morte da noviça e

Necrus se aproximou dela e começou a ler seu livro

sagrado. Uma estranha aura escura envolveu Necrus e

começou a ir em direção de Rachiele.

Os fiéis deliraram com aquela visão.

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fOrCe e Aron correram até a Catedral e encontraram a

mesma em ruínas, com o que restava de sua antiga

arquitetura enegrecida, como se algo extremamente

maligno tivesse ocupado o local.

Saltando pelos destroços e lixo espalhado, os dois

correm em direção à nave principal da Catedral, apenas

para presenciar uma decadente criatura morta-viva com

um livro em mãos, envolvendo Rachiele em uma tenebrosa

névoa negra.

Ouviram também múrmurios vindos do que um dia foi a

bancada onde os fiéis anteriormente se colocavam: era

como se as almas dos que morreram estivessem num

paródia cruel de uma missa, onde o padre era um Druida

Maligno, e Rachiele uma profana oferenda à morte...

— Rach! — gritou Aron, sacando a espada e indo para

cima do Druida, que estava em transe enquanto sua aura

negra envolvia a noviça.

— Não Aron! — gritou fOrCe, sacando a espada e sendo

cercado por fantasmas que murmuravam “A missa não pode

parar”...

Aron investiu contra o Druida, pensando apenas em

tirar Rachiele dali:

— IMPACTO EXPLOSIVO!

A força do golpe afastou o Druida de Rachiele, que

rolou pelo chão e parou perto de alguns bancos,

completamente atordoada.

— Mortal... — disse o druida se voltando para Aron -

Como se atreve a atrapalhar a oferenda à nosso senhor

o Dark Lord? Você pagará! FIÉIS! Destruam os intrusos!

E com um movimento de mão do druida, ferozes ghouls se

levantaram dos restos da Catedral fitando os

aventureiros.

— ARON! PEGA A RACHI! VAMOS CAIR FORA DAQUI! ELES

SÃO MUITOS! — Berrou fOrCe, ciente que não poderiam

com tantos morto-vivos e um druida.

— OK! — disse Aron, pegando Rachiele e colocando-a

num ombro enquanto segurava a espada — Desculpa o mau

jeito, Rachi! — desculpou-se enquanto a noviça, ainda

atordoada, tentava se recuperar.

Aron foi em direção de fOrCe levando Rachiele, mas

viram-se cercados por ghouls que brotavam de todos os

pontos da destruída Catedral. Até mesmo da frente, por

onde eles tentaram, inutilmente, fugir.

O druida flutuou entre os mortos-vivos e os impediu de

estraçalharem os intrusos. Com uma risada macabra,

disse:

— Agora...Vocês são todos meus convidados para o fim

de nossa missa...E não aceitarei que saiam sem antes

confessar todos os seus pecados e serem

imolados...Há..Há...Há...