Let´s Rock
17 Capítulo Seis, Parte Dois: Muros e Grades
Notas iniciais
Capitulo escrito pelo Fabiano Alves. Espero que gostem! ^^
- Nada...- Limpe o chão filha. A taverna precisa ficar limpa para quando os clientes chegarem.A moça pega a vassoura, resoluta. Desde o dia em que os elfos saíram das profundezas de Geffenia e voltaram a caminhar por Midgard, seu pai está assim.A mãe fugiu em desespero quando as tropas do Lorde das Trevas invadiram a cidade, sequer pensou na filha e no esposo.A moça acredita que sua mãe enlouquecera, assim como seu pai.Talvez só ela não tenha sido afetada.------------------------------ Aonde os deixamos? – perguntou o mercenário com o olhar voltado para Aron.- Cada um em celas separadas. O mestre preparou tudo para mante-los aqui por um bom tempo. – respondeu Crea, que levava Force.- Já estão desarmados. Crea, você me acompanhe. Eles não vão demorar a acordar.- Certo Necrus. A Torre de Geffen, por muito tempo foi a sede da guilda dos bruxos, magos mais poderosos que o normal. O líder da guilda desapareceu e os bruxos debandaram por toda Midgard, sendo coletivamente chamados de magos desde então.Supõem-se que o líder da guilda foi assassinado por Force, quando passou a ser chamado de Lorde das Trevas, mas o corpo do bruxo nunca foi encontrado."Provavelmente Force não deixou vestígios do líder." Comentava-se.Hoje, a cadeira que pertencia ao líder da guilda está novamente ocupada por um bruxo.Após os reparos feitos na estrutura da Torre de Geffen, o local passou a ser habitado novamente.- Estamos aqui senhor. – disse Crea.- Os inimigos foram subjulgados. – disse Necrus.- Eles estão na masmorra agora, disse o jovem.O bruxo se ergueu de sua cadeira e foi até uma janela. Viu um corvo voando perto e indo em direção ao Monte Mjolnir, sumindo de sua vista.- Celas separadas? – perguntou o bruxo.- Sim senhor. – respondeu Crea.- Devidamente contidos pelos feitiços que preparei?- Sim. Todos os fetiches* estão posicionados. – disse Necrus.- Façam correr os avisos. Chegou a hora de fazermos justiça.- Sim senhor. – respondeu o jovem.- Vocês fizeram um bom trabalho, Crea, Necrus e Billy. Estão dispensados.- Obrigado senhor Rob.O bruxo assente com a cabeça; seu ex-amigo Force, finalmente estava preso. E como feliz acréscimo, ele prendera também Rachiele e Aron Wormior.Seria um julgamento triplo.A acusação: destruição em massa causada por artefatos proibidos.-------------------------------Minha cabeça dói...nós fomos vencidos...Quem eram aqueles que estavam com o Necrus...? Por muito tempo, o calabouço da Torre de Geffen ficou vazio.A passagem que levava para Geffenia foi propositadamente bloqueada por Rob quando tomou a torre como sua base.Os poucos habitantes que ficaram em Geffen, temiam o poder do bruxo, pois sabiam que ele conhecia Force, o lorde das trevas de Glast Heim.Assim, Rob foi aceito como novo "regente de Geffen", dado que ninguém ousou ( ou viu vantagem ) em enfrentar um mago pelo controle de uma cidade tão próxima da amaldiçoada Glast Heim.Droga...Tiraram minhas armas...Mas essa cela não parece ser difícil de arrombar...Vou usar uma benção e sair daqui de fininho... Rachiele sentou e começou a rezar pedindo a Thor que emprestasse sua vasta força e que Odin ampliasse sua inteligência; entretanto, após minutos absorta em orações, Rachiele sentiu apenas um vazio.Não dá...A benção falhou...Alguma coisa bloqueou minha prece...Epa, vem vindo alguém! - Hohohohohohoho! Prisioneira nova...Huhuhuhu...Mas...mas que diabos é isso?? - Olá mocinha. Sou a carcereira daqui. Tudo bem com você meu amor?Decerto enlouqueci. Eu ou o mundo. Diante de mim uma alta mulher com pele pálida, cabelos azuis bem-tratados semi-ocultos por um elmo de metal e trajando roupas escarlates feitas de couro me olhava com altivez enquanto empunhava um chicote. Era uma praticante do chamado sadismo. Eu já tinha entendido meu destino, mas... - Me disseram que é noviça... – disse a mulher estalando o chicote – Noviças são divertidas de se brincar. – recolheu o chicote e começou a acaricia-lo com cuidado; tirou um par de longas luvas pretas de seu cinto e as colocou – Tem medo de demônios? Vamos, diga algo! Ou quer que eu a faça falar e sofrer um pouquinho só, querida? – ela sorriu.
E ela quer que eu diga o quê? "Oi, você é minha torturadora? Que legal!" -------------------------Em sua sala, Crea conversava com Rob acerca da captura dos inimigos. Rob fecha um livro e vai até uma campainha. Após toca-la, uma moça de cabelos morenos entra na sala com um carrinho. Ela tira um bule de porcelana do mesmo e serve chá para o mago e o assassino.- E quanto a Amanda e Marceli? Pensei que... – ele olha a empregada. – Uma Kafra...?- Não. Só o vestido é parecido. Apesar das buscas por toda região de Al de Baran, todas as Kafras foram dadas como mortas. – ele se volta para a moça – Obrigado Nastenka, pode descansar pelo resto do dia.A moça faz uma mesura e saí da sala em silêncio. Seus passos são tão leves que quase nenhum som é ouvido.- Como eu dizia... – fala Crea, retomando a conversa. – E quanto a Amanda e Marceli? O que você vai fazer com as duas? - Ainda não sei Crea... – o mago pondera – Mas o que importa é que tiramos a sorte grande. Pegar os 3 inimigos numa tacada só...Após a execução deles tomaremos providências quanto a Niffelheim...Já estou desenvolvendo um feitiço contra os demônios de lá...- Pretende mata-los quando? - Amanhã.Os dias em Geffen se tornaram sombrios e um sol praticamente inexistente que sumia quando as sombras espreitavam.Com a falta de sol, as lavouras ficaram arruinadas, as cidades inóspitas e o gado seriamente prejudicado.Pensou-se por aqueles dias, efetuar-se uma caça maçiça de monstros para manter os armazéns cheios naquela época difícil.Foi um erro fatal: os monstros mais fracos, que serviam de alimento para os mais fortes, praticamente sumiram, e os monstros mais fortes, famintos, avançaram contra as cidades, destruindo tudo em busca de comida.Até as raças humanóides que habitavam as cercanias das habitações humanas começaram a caçar num território maior; ameaçando as habitações humanas que se formavam quando as grandes cidades ficavam infestadas de monstros.Perto das muralhas de um desses vilarejos, três figuras humanas se reuniam em torno dos restos de uma fogueira: uma mulher e dois homens.- Eles foram capturados por Rob...Temos que fazer alguma coisa...- Não sei... – devaneou um homem, enquanto observava uma borboleta gigante caçando seu alimento em pequenas flores – Já fizemos muito...- Se eles continuarem falhando todo esforço será em vão. – o outro homem tirou algumas notas de seu violão e disse – Proponho que os deixemos se virar.- Você é louco! Não temos tempo para isso! Se eles falharem... – protestou a mulher, sendo interrompida.- Se eles falharem vocês sabem o que vai acontecer... – atalhou o primeiro homem, com a mão em um banjo, tirando alguma notas audíveis apenas a seu ouvido treinado. – Chega de conversa, vamos indo...Ambos concordaram com o bardo e mal andaram um pequeno animal peludo, de cor branca, veio saltando na direção dele. O coelho levava algo à boca.- Ah, Pluto...Você recebeu a mensagem... – disse o bardo, apanhando o animal nas mãos e o deixando repousar – E trouxe o livro que estava com Rachiele...bom trabalho...- Porque pediu que o animal trouxesse o livro? – indagou o andarilho.Mas o bardo apenas sorriu e continuaram seu caminho em silêncio.-----------------------------------Na masmorra do castelo, Rachiele, devidamente imobilizada, encarava sua torturadora. As marcas de chicotadas ardiam, sangue escorria por seu rosto, mas tinha decidido: não iria gritar na presença daquela mulher.- Você é resistente mocinha... – comentou a mulher, guardando o chicote – E o jeito como me olha... – riu,escarnecendo da prisioneira – Faria-me pensar que me mataria...Se tivesse como fazer isso...- sorriu se afastando e saiu da cela, deixando Rachiele presa nas correntes que na parede de pedra.Porca! Maldita cadela pervertida! Não vou gritar. Sei que é isso que você quer. Nem que arranque minha pele gritarei. - pensou Rachiele, enquanto suspirava. Aron, Force...Me perdoem...Nós perdemos amigos...Não queria que tudo terminasse assim...Meu primeiro grupo...Que falta de sorte... – pensou novamente, triste agora por não ter conseguido cumprir a missão.- Eu não gosto quando estou torturando alguém que não grita...- disse a torturadora, entrando de novo na cela – Tudo bem. Você vai conhecer uma amiga minha agora... – sorriu, mostrando uma vela avermelhada acesa. – Essa não é uma vela vulgar, humana...E logo você vai saber porquê... – disse, se aproximando.------------------Aron estava em outra parte do calabouço. Sozinho e dormindo. Perto da cela, Billy, agora um soldado de Rob, o observava em silêncio.Lembrou-se daquela época feliz onde Aron, a espadachim chamada Silpha e Bulk, um noviço o salvaram do inóspito deserto de Sograt. Billy havia fugido de casa, e não desejava voltar por causa dos pais, mas Aron e seu grupo o convenceram do contrário até conhecer os pais de Billy.Desde então, Billy acompanhava o grupo e esperava, um dia, ser como Aron, a quem escolheu como herói.Mas tudo mudou em pouco tempo.Ah,Aron...Porque fez aquilo à cidade de Alberta...? Porque a arrasou...?Até hoje não entendo o que deu em você...Você nunca demonstrou raiva alguma por nada...Como pode fazer aquilo...?? Billy cerrou seus punhos e concordou para si mesmo que fora um tolo por ter confiado em Aron. Rob o havia contado que as pessoas vis, usam de disfarces, máscaras para enganar os outros...Desde que Billy se separou do grupo nunca mais tivera notícias de Silpha ou de Bulk. Talvez Aron os tenha matado...pensou enquanto saía do calabouço.As nuvens sumiram do céu e uma noite estrelada podia ser vista. Billy caminhou até um velho banco e sentou-se. - Apareça, Necrus.Saindo das sombras, o antigo sacerdote andou calmamente até o aliado. As trevas que o envolviam se desgarravam como se fossem areia.- Noite bonita, não acha? – perguntou Billy.- Com as graças de Odin, sim. – responde Necrus.- Pegamos eles Necrus...Quem diria!- De fato. Os deuses e o destino estão do nosso lado.- Alguma idéia?- Perdão...Como assim?- Alguma idéia de como você vai executar a vanir?- Estive pensando sobre isso...a primeira parte já está sendo executada...- ?- Tortura, humilhação em praça pública e morte na fogueira. Amanhã serão feitos esses dois últimos...- Uau. Rob disse que posso escolher como matar o Wormior. Mas ainda não pensei em nada.- Ele traiu a você a muitos outros. Não seja piedoso.- Eu sei, eu sei...Fico pensando o que Rob vai planejar para o Lorde das Trevas...- Eu não gostaria de estar na pele dele agora.---------------------------------------Rachiele tentava com todas as suas forças não ceder aos flagelos que sofria da mulher-demônio, seu rosto, ferido pelo chicote, deixava filetes de sangue escorrendo, seu corpo, queimado pela cera da vela, não mais tremia, dando a idéia de que pertencia a um cadáver. Suas mãos e pés, por ficarem tanto tempo presos em grilhões, adormeceram.Agora a mente de Rachiele dava sinais que cederia, e a faria inconsciente em breve.- Você é durona moça... — disse a torturadora – Mas pelo que vejo, seu corpo não vai aguentar mais tempo e você vai desmaiar logo...E isso é algo que eu não desejo...Tudo bem, vamos cuidar para que isso não aconteça. — sorriu.A mulher tirou seu elmo de ossos e apertou-o perto de um dos chifres, revelando um compartimento secreto de onde tirara uma folha, colocou a folha na boca e, sem o elmo foi em direção da noviça.- Sabe o que é isso? — disse a mulher – É uma folha da árvore da vida, ela pode te curar completamente...Desde que não seja tocada por um demônio...Porque se isso acontecer a alma da pessoa que usou a folha pertencerá ao demônio que a tocou e não ao falecido Odin. Bem, eu sou um demônio...Você é uma humana e está ferida. Vamos brincar um pouco escrava? Sem que pudesse resistir, Rachiele apenas sentiu os lábios da mulher tocando os seus, e enquanto o gosto da folha inundava sua língua, fechando seus ferimentos e expulsando os resquicíos da cera que insistia em queima-la, mesmo depois de tanto tempo, sentiu que sua alma a abandonava...---------------------------Próximo a Geffen existe um aglomerado de terras que pertenciam ao rei Tristan III, mas que foram cedidas para que clãs pudessem se instalar. Entretanto, a decisão do rei de privilegiar certos clãs em detrimento a outros, foi vista como injusta, e guerras se sucederam pela posse desses feudos por todo o continente.
Atualmente, com o mundo em colapso e a destruição da capital e de outras cidades, os líderes de clãs decidiram permitir a entrada de outras pessoas em seus domínios, surgindo assim pequenas vilas em torno dos feudos.É noite quando um emissário de Geffen chega à casa do burgomestre da vila de Noah, ao redor dos feudos de Geffen.- Boa noite. Desculpe incomodar, mas é uma mensagem urgente do senhor Rob, líder da guilda dos bruxos.- Não seja por isso emissário...deseja entrar? - Não senhor...devo voltar para Geffen o quanto antes. Por favor, transmita o conteúdo dessa carta para os líderes de cada um dos feudos.- O que aconteceu para essa mensagem tão repentina? Rob descobriu algo?- O senhor não vai acreditar no que vai ler, mas é a mais pura verdade. Eu mesmo vi com meus olhos. Bem, tenho que ir. Até.- Até jovem. Boa noite.Do alto de seus mais de 60 anos, o senhor Hover abre a carta, senta-se numa cadeira e começa a ler. Apenas aceitou o cargo de burgomestre porque mantinha, quando em sua juventude, boas relações com todos os líderes dos feudos, uma das poucs vantagens que possuia por ser um ferreiro.Enquanto lê a carta, ouve um barulho vindo de um quarto adjacente: sua esposa provavelmente acordou.- Hoooover! Vem dormir, amor! — fala a mulher, saindo do quarto em uma camisola transparente. Ela se aproxima do homem, que lê a carta com um óculos sob a luz de um lampião. — Que é isso?- Uma carta de Rob, líder do bruxos...- O que ele quer? - Está nos chamando para uma execução...- Outra...? — a moça boceja.- Dessa vez não é pouca coisa...ele pegou os 3...Aron, Force e Rachiele...- Rachiele...?- Sim.- Nossa...- Eu tenho que ir até os feudos avisar os líderes...eles vão me matar por acorda-los a essa hora, mas se eu deixar para amanhã cedo não vai dar tempo...eles serão executados ao meio-dia.- Ok.- Por favor Zurrumud, me espere.Zurrumud se lembra no instante em que seu esposo saí da casa, que sua irmã, Irene, num certo dia, falou de uma filha de nome Rachiele, que por essas mazelas da vida, sumiu no mundo como seus outros filhos.Zurrumud se lembrou também quando as notícias de uma bruxa que assassinava homens começaram a chegar ao feudo.Embora não tenha certeza de nada, Zurrumud decide sentar-se ao lado do lampião e, com uma pena, começa uma carta para sua irmã.Rachiele havia finalmente aparecido e era preciso que Irene soubesse disso.Mesmo que isso significasse tira-la de seu tranquilo descanso em na praia de Comodopara ir para a agora sombria Geffen...--------------------------------- Levante escrava. Zea, sua senhora ordena. — disse a mulher-demônio.- Eu ouço e obedeço....- Vai me falar apenas a verdade. Achei muito estranho seu jeito...- Eu ouço e...obedeço...- Primeiro, porque resistiu a toda a tortura e não desviou sua boca da minha quando usei a folha? Porventura, aprecias lábios de uma mulher, ainda que um demônio? - ...Sim, aprecio.- Isso elucida muitas coisas... — Zea sentou-se no chão e desviou o olhar de Rachiele, que permanecia em transe. — Limpe minhas botas com sua língua, escrava.- Eu...eu ouço...e...e...- ? O que está esperando? Começe logo! - Agh! Sob o olhar de Zea, Rachiele tombou ao chão, com as mãos no ventre, como se toda a dor que sentira anteriormente viesse a tona só agora; em minutos, a noviça regurgitava a parte da folha que engolira.- Agh...Por..Por favor... — pediu Rachiele, ao chão.Zea nada disse. Levantou-se e foi em direção à humana.- Eu...eu não me importo comigo...livre meus colegas...senhora...Eles tem que cumprir a missão...- Que missão, criança...? — perguntou Zea, com uma voz quase num sussurro.- Achar...achar...Thor...- Thor...- Zea acariciou o rosto de Rachiele, que desmaiou em seguida,com as feridas de seu corpo abertas de novo. — Humm...Thor, aquele desgraçado...Bom saber disso, escrava...-sorriu.--------------------------------------Madrugada. Devido a sua proximidade com as montanhas, faz frio em Geffen quase todas as noites. E de madrugada, tudo fica pior. Os poucos hotéis que ficaram de pé depois da batalha que ocorreu na cidade normalmente fecham suas portas.Menos um. O pior deles.- Boa noite Zea...quem é a moça?- É uma longa história senhor Artemis...cuide dela...Eu a machuquei um pouquinho...huhuhu...- Você mandando eu cuidar de gente que você tortura? Porque não a deixa aprodecer no calabouço como os outros? - Porque se meu palpite estiver certo, ela é uma das chaves para retomarmos Glast Heim...e Niffelheim no processo!-! O homem carrega Rachiele apressadamente por um porta secreta atrás do balcão. Zea pega uma garrafa de bebida e coloca numa caneca de madeira e sorri.- Um brinde a Rob, soberano dos bruxos de Geffen! HAHAHAHAHAHAHAHA!-------------------------------
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