Let me love you | Dramione
1 Capítulo I
Notas iniciais
Eu andava de um lado para o outro no corredor do trem, havia perdido Harry e Rony de vista fazia mais ou menos uma hora e não conseguia encontrá-los no meio de uma multidão de alunos entusiasmados com a chegada próxima da escola. Não estávamos muito distante da nossa chegada a plataforma de Hogsmeade e de uma forma ou de outra eu encontraria os dois na escola, decidi então encontrar um vagão vazio e curtir o restinho da viagem que me sobrava.
A paisagem era bonita lá fora, os raios solares do pôr do sol iluminava o topo das árvores que balançavam suavemente com o vento gelado que acompanhava o mês de setembro. Eu sempre gostei da visão que a jornada à Hogwarts nos trazia. Era sempre calma e sublime. Sabíamos que o nosso sexto ano não seria nada fácil, Harry embora não demonstrasse estava inquieto pela forma como a guerra se aproximava tão depressa.
Ouvi passos sendo dirigidos até minha cabine mas não dispus a olhar para ver quem era, minha tranquilidade estava tão confortável que eu não queria ser interrompida por uma alma sequer. A porta se destrancou e um vulto sentou-se no banco da frente, respirei profundamente mostrando que não estava incomodada com a nova presença. Um par de olhos me fitava claramente, senti meu rosto corar com tamanha encarada de um ser a minha frente. Talvez uma conversa não seria tão ruim, não até eu perceber quem era minha nova companhia.
Malfoy estava sentado com as pernas esticadas e cruzadas – mesmo gesto repetido pelos braços – olhando pela janela observando a paisagem que a pouco eu mesma estava admirando. Eu o olhava confusa para tal gesto, ele não me xingou, não me chamou atenção e nem mencionou qualquer gesticulação demonstrando irritação por estar sob minha presença.
Seus pensamentos estavam fora de seu corpo certamente, uma carcaça de pessoa se encontrava ali. Seus pensamentos não acompanhavam o presente vívido, sua expressão estava tensa e fria. Suas bolsas embaixo dos olhos denunciavam suas noites mal dormidas e seus suspiros fortes mostravam seu cansaço aparente. Provavelmente, havia algo muito grave ali, aliás, sua família sempre fora problemática e seguidora de você-sabe-quem, não me admiraria saber que sua preocupação estava relacionada com assunto de tal gênero.
— Você está bem? — Perguntei cautelosa recebendo o primeiro contato visual do loiro, seus olhos cinzas eram indecifráveis, aliás, sempre foram. Mas no momento, algo a mais estava escondido.
— Estou. — Seu tom de desdém me fez recuar no meu assento. O que eu tinha na cabeça para fazer aquela pergunta? Ele voltou-se a olhar pela janela e eu voltei para o livro que estava lendo antes de chegar em King’s Cross.
A viagem se seguiu confortável embora a presença de Malfoy ali tornava tudo bem esquisito, mas tenho que admitir: sua presença era boa, ele não me interrompia durante a leitura, ao contrário de Rony que sempre me perguntava algo me impedindo de terminar o livro.
Rony.
Esse era o motivo por eu ter perdido minhas noites durante as férias, ele era tão gentil, tão amigo. Meu coração se acelerava a cada lembrança, a cada sorriso, a cada menção que ele fazia sobre mim. Uma noite na T'oca Ginny e eu estávamos conversando sobre ele, eu dizia o quanto ele me fazia bem mesmo não estando juntos, o quanto ele era atencioso e o quanto eu suspirava só de lembrar como ele era amoroso comigo. Embora, ele nunca percebesse meus olhares para ele, ele nunca havia me magoado profundamente em relação a sentimentos. Ginny também compartilhava seus interesses em Harry e a mesma se lamentava por ele nunca a ter olhado como ela o olhava, tentei explica-la como ele estava atormentado com a guerra que estava próxima, mas que eu tinha certeza que o amor era recíproco.
Fui tirada de meus devaneios quando reparei que Malfoy havia se levantando, ele puxou sua mala do bagageiro e se dirigiu a porta. Ele parou por um instante o que me fez pensar que ele tinha se esquecido de algo, ele se voltou e me encarou firmemente.
— Você não vem? — Ele me perguntou enquanto ajeitava sua varinha em um dos bolsos da calça. Assenti e peguei minha mala para ir para as carruagens que nos esperava do lado de fora.
Para minha infelicidade só restava uma coche disponível o que significava que eu e Malfoy teríamos que dividir por mais alguns minutos a presença um do outro. A companhia dele não fora desconfortável nas últimas horas mas eu não aguentaria encarar aquele sonserino por mais alguns segundos. Principalmente tão quieto como ele estava. Bufei em rendição e entrei dentro do único veículo presente, o vento frio me causava arrepios o que não passou despercebido pelo loiro que impacientemente lançou um feitiço aquecedor sobre nós, diminuindo consideravelmente o frio que dominava a cabine.
— Obrigada. — Eu agradeci automaticamente resultando em um respiro profundo, mas ele continuou com o silêncio. Decidi simplesmente terminar a viagem tranquilamente e seguir para o encontro de meus amigos.
Uma garoa fina caía sobre nós quando a carruagem puxada por testrálios parou subitamente na frente das grandes portas de madeira. Tossi um pouco em resultado a friagem e coloquei os braços em volta do meu corpo na tentativa de se aquecer. Um espirro soou pela minha boca quando Malfoy e eu estávamos subindo as escadas o que o fez parar e revirar os olhos, voltando-se em minha direção.
— Eu não estou pedindo sua ajuda Malfoy. — Minha voz saiu ríspida com a aproximação do mesmo. Ele se sentia na obrigação de me ajudar em qualquer circunstância o que claramente não era necessário. Uma ajuda vinda por ele.
— Realmente Granger, você não está pedindo minha ajuda. — Ele disse pausadamente com a voz alterada. Sua paciência já havia se esgotado. — Mas eu não posso simplesmente deixar você aqui doente enquanto posso levar uma detenção por deixar a garota de ouro se resfriar. Vai por mim sangue ruim, eu já teria a deixado aí se fosse por mim. — Suas palavras eram frias e saiam perfeitamente cuspidas em sua boca, seu rosto expressava uma raiva que nuncae fora exibida antes.
— Obrigada mas não preciso dos seus cuidados. — Eu me retirei de volta de seus braços que me rodeavam pelos ombros e subi em direção às portas o deixando sozinho.
Encontrei Harry e Rony já sentados na mesa da Grifinória jantando enquanto ambos olhavam preocupados para os lados, provavelmente estavam a minha procura. Sentei-me ao lado dos dois e expliquei toda a situação que eu havia passado. Desde o vagão do trem até o acontecido nas escadarias.
— Ele estava quieto e preocupado? — Harry perguntou enquanto olhava para a mesa das serpentes onde Malfoy encarava seu prato intocado pelo mesmo. Sua expressão mostrava seriedade e seus pensamentos estavam perdidos em meio a suas situações.
Assenti vagarosamente e mudei de assunto rapidamente.
O comportamento dele era realmente estranho mas não me incomodava, Harry o apontava como um possível comensal o que prontamente eu discordei e Rony concordou com o amigo sem pensar duas vezes.
Por ora pensei no que Harry haveria dito. Será que ele realmente estava se tornando um comensal? Ele sempre fora frio e nunca demostrava compaixão nenhuma com situações a sua frente. Mas eu nunca o imaginei como um seguidor do lorde das trevas. Eu precisava descobrir o que estava acontecendo, antes que ele próprio acabasse com sua vida.
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