Let me love you | Dramione
4 Capítulo IV
Notas iniciais
Meu mau humor diário já era habitual na presença de todos, mas aquela raiva que me consumia diante daquela cena não era nada comparado com a minha falta de paciência. Meus olhos se cerravam cada vez que eu avistava uma cabeleira ruiva. A Granger era a sabe-tudo, até tinha tirado meu posto de melhor aluno, como ela poderia se envolver com aquele pobretão?
— Qual foi cara? — Blaise perguntou quando me encontrou no meio do corredor. Um de seus braços me abraçaram pelo pescoço e seguimos juntos para às masmorras. — Até parece que um bichinho te mordeu.
— Eu vou te contar. — Entramos no meu dormitório e ele se sentou na ponta da cama, me avaliando atentamente para que eu começasse.
— Sou todo ouvidos.
— A Granger está com o Weasley. — Eu disse socando a parede resultando em um estrondo enorme no cômodo.
— E o que tem demais nisso Malfoy? Você gosta dela? — Ele sorria de canto com a minha confissão.
— Não, você é maluco? Acontece que durante o almoço ele estava nos maiores amassos com a Brown.
— Você está com ciúmes?
— Não, mas francamente Zabini. O cenoura é extremamente burro de perder a Granger pra ficar com a Lilá. — Eu me sentei junto com ele na cama e respirei fundo colocando as ideias no lugar.
— Se ela for esperta o suficiente, ela vai perceber. Ou aquele idiota vai mostrar pra ela por si só. — Ele me disse com um sorriso ligeiro nos lábios. Ele sabia o que acontecia ali, mas eu nunca havia contado para alguém e nem estava pronto para contar. Mas eu sabia que mais cedo ou mais tarde, isso viria a tona.
Minha vida sempre foi resumida entre ensinamentos patéticos sobre pureza sanguínea e a falta de importância que os nascidos trouxas traziam para a sociedade. Eu nunca havia concordado com essas ideologias que meu pai me passava.
Desde quando eu a vi no nosso vagão em 1991 eu a reconheci como nascida trouxa, mas isso sinceramente não me importava. Ela era linda, gentil e tinha um sorriso muito bonito mesmo com seus dentes dianteiros exageradamente grandes. Ela me trazia paz, me trazia felicidade interior, mesmo com tão pouco tempo de conversa. Eu realmente havia me apaixonado. Mas tudo acabou quando ela havia se juntado com o santo Potter e o pobretão Weasley.
Tudo o que meu pai havia me ensinado, dedicado anos para me explicar o quanto sangues ruins manchavam a sociedade bruxa, eu havia adquirido para mim. E foi aí que anos de rivalidade foram alimentados. Um amor reprimido e a raiva sendo exposta abertamente.
Acontece que eu era frágil, as palavras saíam frias em minha boca mas meu coração se apertava por tamanha indolência.
Secretamente eu a visitei no segundo ano quando soube que ela havia sido petrificada, me arrependi amargamente por a ter chamado de sangue ruim em um momento de fúria, jurei que iria acabar com aquela onda de terror. Agradeci mentalmente ao Potter por ter acabado com a aberração que morava na câmara.
No terceiro ano quando soube que ela havia ganhado um vira tempo de Minerva eu prontamente solicitei o que eu havia em casa. Meu pai havia me dado de aniversário a alguns anos antes e diferentemente dos vira tempos reregularizados pelo Ministério, esse me permitia viajar por anos, não tendo um tempo máximo de 5 horas.
Quando soube da inocência de Sirius Black e que iriam voltar para salvá-lo, meu estômago havia se revirado, eu não iria deixá-la sozinha nessa situação. Eu os segui pelo percurso que haviam feito. Soltei o hipogrifo de uma das árvores que eles o haviam prendido para impedir que o professor Lupin os atacasse e espantei alguns dementadores de longe dela. Tudo em segredo.
No ano seguinte eu realmente percebi que minha paixão por ela havia voltado – se é que ela tinha ido embora – fiquei desesperado ao saber que ela havia aceitado fazer parte de uma prova do torneio. Meu coração saia pela boca a cada segundo que ela não aparecia de volta naquele lago. O Viktor Krum havia ganhado um ponto comigo, mas fora imediatamente retirado quando eu a vi naquele baile.
Ela estava incrível, minha inveja era perceptível aos olhares de meus amigos quando eu dei um fora em Pansy na frente de todos depois da primeira dança. Tive vontade de matar o Weasley por ter a feito chorar naquela noite. Meu coração estava totalmente entregue. Eu amava Hermione Granger.
No ano passado ela estava ainda mais atraente, seus cachos caiam em uma cascata perfeita com eles bem definidos, a pele clara contrastava com as madeixas mais claras que nos anos anteriores. Os olhos predominavam em uma cor de avelã vivo que transmitia calor para quem a visse.
E mais uma vez a angustia me subiu pela garganta quando soube da batalha no ministério, ela estava se arriscando pelo Potter, o que evidentemente não me agradava. Mandei Dobby a vigiar enquanto os duelos aconteciam, ele desviava alguns feitiços que eram dirigidos a ela na tentativa de mantê-la segura como eu havia ordenado. Dobby era um bom amigo. Só ele sabia do meu segredo, sorrindo sacana quando eu o havia contado, o que me fez rir da situação também. Ele havia me prometido que ajudaria, e cautelosamente ajudava.
Obviamente meus pais odiaram saber da minha suposta paixonite. Por sorte, meu pai apenas desconfiava, não tinha coragem de me expressar desse jeito. Ainda mais o motivo sendo uma nascida trouxa.
Por outro lado, confiei o bastante em minha mãe para se abrir. De começo ela negou, gritava em meio as lágrimas dizendo o quanto isso era perigoso e o quanto meu pai poderia se rebelar e fazer coisas terríveis para mim e para ela.
Suspirei profundamente só de imaginar minha reação ao vê-la machucada. Dizia-se uma antiga lenda chinesa que as pessoas destinadas a ficarem juntas estavam interligadas a um fio vermelho invisível, este por sua vez não poderia ser rompido, ele podia se esticar e se embolar. Mas nunca seria arrebentado.
E era isso. Hermione estava do outro lado da linha, nós podíamos nos separar e vivermos distantes, mas eu sabia que no final ela estaria comigo, e fora esse pensamento que nunca me fez desistir e continuar a lutar secretamente por ela enfrentando meus pais.
Minha mãe depois de observar minha determinação a ficar com ela custe o que custasse, cedeu. Me apoiou grandemente e me fez correr atrás do que realmente fazia bem à mim. Ela sabia que poderia ser perigoso uma paixão entre uma grifinória e um sonserino, uma nascida trouxa e um Malfoy, porém, ela só torcia pela minha felicidade e no fundo eu sabia que ela estaria do meu lado.
Uma paixão de infância era forte o bastante para passar por obstáculos que enfrentaríamos durante a vida. Eu não sabia seus reais sentimentos sobre a minha pessoa – obviamente não seriam agradáveis – mas eu faria de tudo para reverter a situação.
Por mais que minhas palavras não demonstrassem meus reais sentimentos, meu coração se enchia de paixão a cada olhar que eu transmitia a ela, a cada gesto inesperado e impulsivo para protegê-la.
Embora meu pai tivesse me ensinado o quanto nascidos trouxas eram inferiores a nós, bruxos. Isso não se encaixava com ela, Hermione era a bruxa mais inteligente que eu já vi. Sua inteligência sobressaía entre nomes de grande porte na história bruxa, seu sorriso era o mais belo e vivo dentre todas as garotas de Hogwarts. Sua beleza poderia ser comparada com a de uma legítima Veela.
Suspirei fundo só de imaginar aquela garota à minha frente, me encarando fixamente, atenta a cada gesto carinhoso que eu poderia fazer sobre ela. Eu estava apaixonado por Hermione Granger.
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