Let me Go
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Enfim, essa fanfic é mais um drama, pq a vida de entidades das sombras não é apenas esbórnia e boemia.
Essa fic é dedicada às minhas manas, minha nova amiga, dona Viollet-chan, e para você que está lendo♡
Um beijo para todas e que os deuses as abençoem com criatividade sem fim.
Beijos da tia Mena
Betado com muito carinho e paciência pela querida Aisha Andris.
Tirando a Olívia, os personagens dessa história são do tio Kurumada! Se Saint Seiya fosse meu, eu ia transformar toda a história numa putaria sem fim!
Boa leitura
Happy Halloween
Kanon era um vampiro, um ser que se alimentava do sangue de inocentes, e não tão inocentes assim, sugando cada gotícula brilhante da vida que existia nos mortais. Porém, quando seu caminho se cruzou com Olívia, uma humana de saúde frágil, algo o fez mudar.
— Pensei que não viria hoje... — comentou a moça, deitada em sua cama, sentindo os pulmões arderem por conta de sua Tuberculose, cada dia pior e mais desgastante. Estava enterrada entre lençóis e travesseiros, apresentando os cabelos dourados como o sol da manhã espalhados ao redor de sua cabeça, e, na mão direita, um lenço branco, que culminava com sua camisola de mangas compridas. — Eu... — ela tentou se sentar, mas foi acometida por uma crise de tosse, que assustou o vampiro e o fez avançar sobre ela, amparando-a para voltar a deitá-la no enorme leito.
— Por favor, não deve se esforçar! — volveu Kanon, segurando uma das mãos pálidas da moça, tirando dela um sorriso. — Está muito debilitada, Olívia.
— Não exagere. — arfou a loira, erguendo a mão para acariciar o rosto cianótico de Kanon. — Você está com fome? Eu não aguento lhe ceder, mas Stella ou Ruth podem lhe servir! Elas são lindas...
— Estou satisfeito, querida, me alimentei antes de vir lhe ver. — garantiu ele, sorrindo com a preocupação tola da amada. Carinhosamente, Kanon deslizou os dedos pelas bochechas de Olívia, vendo-a suspirar. — Está doendo?
— Não importa... — comentou a humana, pegando a mão do vampiro para beijá-la. — Sua presença me entorpece o suficiente para que eu não sinta dor.
— Você sempre foi uma romântica incorrigível, minha pérola. — Kanon roçou os lábios nos dela, ansiando beijá-la com a fúria e o desejo de antes, mas conteve-se, uma vez que a jovem estava mais do que fraca, estava débil. — Preciso ir agora, meu amor. Seu irmão pode vir lhe ver a qualquer momento, e não quero que se enerve caso venhamos a nos enfrentar.
— Um dia ele será capaz de entender que eu te amo e que você me ama, e que não há Céu ou Inferno que me fará deixar de lado esse amor. — a humana já estava ofegante, a conversa fora por demasiado longa e seu peito começava a doer ainda mais, assim, ela parou o parlatório e fechou os olhos, gemendo com a dor.
— Descanse agora, minha querida, sabendo que meus sentimentos são recíprocos. — pediu ele, dando um leve selinho nos lábios ressecados da moça, usando seus poderes para enviá-la a um sono tranquilo e indolor.
Ficou a observá-la por poucos minutos, até levantar-se da cama e ir até as enormes janelas do quarto. Pulando pela sacada e transformando-se em um vampiro, ele voou em direção à lua cheia. Seu peito doía, mas não pelos mesmos motivos que faziam doer o peito de sua querida Olívia, mas sim por seu coração pesar ao vê-la acamada e sem o brilho que seus olhos azuis exibiam antes. Ela era como um raio de luz na escuridão, uma direção em seu mundo completamente perdido e transtornado por sua condição amaldiçoada.
~
Dias e mais dias se passaram, Olívia declinava cada vez mais em sua doença e Radamanthys não media esforços para trazer os médicos mais caros, os melhores padres e até mesmo alguns curandeiros pagãos, que prometiam a cura da moça.
Porém, mesmo com todos os esforços, Olívia definhava cada dia mais, transformando a vida do irmão mais velho em um mar de decepção e dor, uma vez que ela era a única família viva que lhe restava, e, vê-la perecer como uma flor sob o sol, era mais penoso para ele do que ter o peito perfurado por mil facas afiadas.
Assim, quando Olívia o chamou para seu quarto, delirando e tossindo, ele não conteve as lágrimas em seus olhos.
— Meu querido... — Ela conseguiu dizer com o pouco de ar que lhe restava nos pulmões. — Vai ficar bem sem mim? Prometa que irá se cuidar...
— Shh... — pediu Radamanthys, pegando a mão da irmã para beijá-la com carinho. — Você não vai me deixar tão cedo, Olívia! Eu consegui contatar um monge do Tibete que promete curar qualquer tipo de doença.
— Rada... — suspirou a jovem, sorrindo fracamente. — Até seu monge milagroso chegar, eu já estarei me decompondo debaixo da terra, meu irmão... Deixe-me ir, Rada, por favor. A morte vai ser como o remédio mais esperado para meu corpo... Já não aguento mais viver com a dor que me lacera a cada dia mais.
— Não diga isso, Olívia... Não blasfeme contra sua vida! — o homem sentiu seus lábios tremerem ao terminar de proferir aquelas palavras, e percebeu que, talvez, a irmã estivesse certa, e sua vida terrena estivesse mesmo acabando. Mas, Radamanthys não era o mais cruel e sério caçador de vampiros à toa, ele não desistia tão fácil de uma presa, imagine desistir de sua irmãzinha...
— Você e ele fazem a mesma cara quando estão tristes... — a loira soltou um riso fraco, lembrando-se que Kanon também tentava parecer sério e inalcançável, no entanto, com ela, ele deixava transparecer um lado mais... Humano. — Você deve deixar que ele venha me ver, Radamanthys, assim como você, Kanon sofre ao me ver desta forma.
— Aquele maldito demônio não sofre por nada, Livy!
Radamanthys só não gritou, pois sabia que a irmã mais nova não poderia se exaltar, de outro modo, teria gritado como sentia vontade. — É capaz de ele estar sentindo prazer ao te ver desse modo... Tão frágil e tão doente...
— Você realmente superestima a maldade no coração dele. — o mesmo sorriso doce de antes continuava estampado no rostinho pálido de Olívia, mostrando que ela não havia se abalado com a crueldade nas palavras do irmão mais velho. — Rada, minha morte é mais do que certa, poderia deixar que meu coração fosse ao menos um pouco acariciado por aquele que eu amo... Te peço apenas esta noite... Apenas essa.
O belo conde fitou os olhos azuis de Olívia, vendo dentro deles um desespero escondido, algo guardado no fundo de sua alma, longe dos olhos de qualquer um que não conhecesse tão bem como ele conhecia. Ela realmente amava aquele maldito sanguessuga... Aquela aberração das trevas.... Deveria ter mantido um olho nela quando ainda era tempo, quando sua irmãzinha era apenas uma garota inocente, bailando nos salões do castelo em que moravam, sendo observada por toda a nobreza inglesa e pelos olhos sedentos daquele vampiro infiltrado no seio real.
Ele tentou afastá-la dele, ele realmente tentou! Cobriu a casa com amuletos e rezas, mas nem isso conteve a sede de sangue e prazer que dominava o vampiro interessado em sua irmã. Kanon conseguiu chegar até ela e, quando Radamanthys descobriu, já era tarde. Olívia estava completamente atada à teia de sedução que o demônio lhe prendera. Agora, lá estava ela, definhando, morrendo, e a única coisa que pedia era a permissão de ver, mais uma vez, o vampiro que o irmão odiava e não podia exterminar.
— Se eu permitir que ele venha, você terá que prometer que irá tentar resistir. Tentará ser o mais forte que conseguir até que o monge chegue. — olhando-a profundamente, ele segurou as mãos de Olívia, forçando-a a aceitar.
— Eu vou tentar... — prometeu ela, mais feliz do que seu corpo a permitia demonstrar. — Obrigada... Rada...
O conde permitiu-se sorrir, beijando as mãozinhas de Olívia ao vê-la ceder à fraqueza e desfalecer na cama. Imediatamente, Radamanthys mandou que as criadas preparassem os remédios receitados pelos médicos, e requisitou que um menino de recados chamasse uma curandeira.
Em poucos minutos, a velha e decrépita mulher estava no quarto da nobre, proferindo sobre ela encantos que concedessem força e vigor para aguentar mais uma noite, algo que fazia há meses, não dando trégua para Olívia se acostumar com a quantidade agressiva de magia inserida em seu corpo.
A noite fria castigava os pulmões de Olívia, por isso, suas servas haviam colocado debaixo de seus cobertores um braseiro quente, que aqueceu desde os pés até o peito da pequena, deixando-a um pouco mais confortável. Ressonando baixinho, ela estava alheia aos sons da casa, ignorando qualquer barulho ou incômodo.
As empregadas que sempre a acompanhavam foram dispensadas por Radamanthys, e ela permanecia sozinha, mergulhada em seu inconsciente.
Um vento controlado abriu as enormes janelas da sacada, e uma sombra negra ergueu-se pelo quarto, trazendo para dentro dos aposentos a figura melancólica de Kanon. Silencioso como só ele conseguia ser, o vampiro foi até a cama de sua querida humana, analisando os traços femininos e delicados que ela exibia, mesmo em seu leito de morte.
A mente dele bailava entre o desejo de mordê-la e possuí-la, ou deixá-la morrer como mortal e alcançar o reino dos céus, onde a alma pura e caridosa seria recompensada pelos anjos de Deus... Tentava balancear seu egoísmo de tê-la consigo com a promessa de uma vida eterna sem dor ou sofrimento.
Foi retirado de seus pensamentos quando a moça iniciou um ataque de tosse, tapando a boca com o lenço branco, manchando-o de vermelho vivo. Rapidamente, Kanon foi até ela, ajudando-a a se sentar e a segurando pelas costas, já que o corpo estava mole e débil. Olívia, desesperada, sentia a bola de sangue subir por sua garganta e, quando tossiu uma última vez, o sangue sobrecarregou o lencinho e escorreu por seu queixo, indo manchar a camisola branca, o colo e parte dos dedos que seguravam o tecido sobre os lábios.
Arfando, ela cessou à tosse, sentindo-se ainda mais fraca e cansada do que antes, agradecendo pelos braços que a seguravam sentada, imaginando o quão terrível seria se engasgasse com o próprio sangue e morresse agonizando em afogamento.
— Respire, Olívia, respire! — pediu Kanon, balançando-a levemente para que que pudesse voltar a ventilar.
Então ela controlou a respiração, agarrando-se às vestes do mais velho para se sentir mais segura e firme.
— K-Kanon... — a voz saiu fraca e gaguejada, junto daquele sorriso meigo. — Você...
— Shh, querida, poupe seu ar para você. — pediu ele, tirando o lenço ensanguentado das mãos dela, jogando-o em um canto qualquer do quarto, aquilo já não mais seria útil, de qualquer forma. — Quer voltar a se deitar?
—N-não... — volveu ela, negando levemente com a cabeça. Os olhos estavam úmidos e lacrimejantes pelo esforço de falar. — Eu... Eu quero ir para a sacada...
— Mas está muito frio, você... — o imortal tentou refutar a ideia, porém, apenas um olhar pidão e sincero de sua protegida foi o suficiente para convencê-lo.
— Minha morte é certa, meu amor... — comentou a loirinha, levando a mão direita, com uma dificuldade tremenda, até o rosto pálido do amado. Deslizou os dedos pelo rosto, logo depois levando-os até os cabelos negros como a noite, tão longos quanto os dela e macios como os lábios doces adornados por presas. — Deixe-me apreciar mais uma noite de lua cheia contigo antes de partir...
E, assim como fizera da primeira vez em que a tivera, pegou-a nos braços com delicadeza, levando-a até a sacada, mantendo-a próxima a si, sustentada por seus braços fortes. Olívia suspirou ao contemplar o luar, plácido e cheio, como se dissesse adeus a ele. Sorriu fracamente, fechando os olhos e deixando-se afundar naquela sensação maravilhosa de carinho, sentindo como se todo seu mundo se resumisse àquele momento... E, por Deus, como seria perfeito se assim o fosse.
— Eu te amo. — confidenciou Kanon, beijando o topo dos cabelos loiros, agora ressequidos e quebradiços, muito diferentes de quando ele a conhecera.
— Eu também te amo... — volveu ela, num tom baixo e sussurrado, sentindo sua consciência começar a lhe deixar. — Não se afunde em tristeza... Por favor... Encontre outro amor... Alguém que possa passar os anos a seu lado... E fazê-lo feliz...
E, com essas palavras, ela desfaleceu nos braços do vampiro, desesperando-o profundamente. Kanon caiu de joelhos no chão, segurava o rosto de Olívia e pedia para que ela acordasse, para que voltasse para ele, porém, a pele da moça já começava a ficar fria como mármore, e seus lábios perderam o resto do rubro que lhes sobrava. Desesperado, ele soltou um urro de dor e sofrimento, deixando pesadas lágrimas de sangue escorrerem por seus olhos verdes.
Encostou a testa na dela, manchando as bochechas de rubro quando as gotas pesadas caíram sobre a pele sem vida. Balançando o corpo para frente e para trás, ele implorava a Deus que a deixasse voltar, que o levasse no lugar!
Ele, um demônio condenado, ofereceria sua alma corrompida em troca da vida de Olívia. No entanto, a moça continuou paralisada, morta, alheia aos sofrimentos de outrem... Finalmente, Olívia encontrara o descanso eterno, e nenhuma vida imortal compraria a paz em que seu espírito agora se encontrava...
Fim
Notas finais
Tenham um Halloween assustador!
Beijos da Mena
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