Let The Show Begin
1 One-shot
Notas iniciais
Eu tinha assistido a mais um show do the GazettE com Carolina naquela noite e sentia como se o chão tivesse sumido debaixo de meus pés... De maneira nenhuma aquela sensação era como deveria ser... Não era uma sensação ruim... Não era como costuma ser quando tudo desmorona a sua volta e você não é mais capaz de sentir os pés no chão... Era como se eu flutuasse... Como se o vento fosse capaz de me levar e eu não quisesse resistir a ele... A cada novo show, a cada nova música, a cada nova nota... A cada novo sorriso de Yuu... Eu sentia como se meu corpo tivesse abandonado para trás a Terra e minha alma fosse livre pra viver num mundo de sonho...
Desde que eu tive o prazer de conhecer a banda... Conhecer de perto o moreno sedutor que arrancava meu fôlego apenas por existir, era como se todos os dias, até mesmo os nublados e chuvosos, nascessem cor de rosa!
No dia em que eu estava no karaokê com Carolina e Sereny, brincando com se fosse um dia normal e Ruki, nosso cantor favorito Ruki, nosso ídolo Ruki, o grande astro do VK Ruki, se escondendo das duas garotas que trabalhavam com a banda para fugir de um ensaio em nossa cabine, eu nem podia imaginar que ele acabaria se apaixonando perdidamente pela minha amiga... Muito menos que nós duas iríamos durante as férias em tantos shows do the GazettE e conheceríamos a banda...
Já era o quinto show deles daquele mês que assistíamos, sem contar o ensaio no final de semana e eu não conseguia parar de me beliscar pra ter certeza de que aquilo tudo não passava de um sonho! Era tudo muito bom pra ser verdade...
A cada nova ida ao camarim deles, eu sentia meu coração bater mais forte pelo guitarrista moreno, toda vez que sentia seus olhos negros fixos em mim... Sentia um arrepio gostoso subindo pelo meu corpo como uma descarga elétrica.
— Gostou do show, Haruka-chan? – ouvi sua voz sensual em meu ouvido, já disparando meu coração e me virei para encará-lo, ofegante.
— Vocês são sempre maravilhosos no palco, Aoi-san! – tentei parecer o máximo controlada que podia, mas duvido que tenha dado muito certo, porque ele deu risada da minha resposta.
— Domo arigato! – seu sorriso era capaz de arrancar completamente o ar dos meus pulmões.
Sua mão deslizou sutilmente pela minha pele, descendo pelo meu braço até se entrelaçar na minha e me conduziu para o sofá de dois lugares, nos sentando lado a lado, sem soltar minha mão.
— Qual é sua música preferida? – ele perguntou, interessado e eu fiquei pensativa.
— Acho que Taion... – eu disse depois de um tempo pensando calmamente a respeito... Não era de maneira alguma uma resposta fácil de encontrar... Ele sorriu satisfeito. – O que foi que eu disse?
— Nada... Nada... – ele desviou seus olhos dos meus, ainda dando risada, mas tentando disfarçar de maneira completamente inútil.
— Pode me dizer! Eu falei alguma coisa errada, por acaso?
— Não, querida, é claro que não! – ele se apressou em dizer, afagando minha face carinhosamente. – É que... Nós somos mais parecidos do que eu imaginava... – seu sorriso tão lindo amoleceu minhas pernas e disparou meu coração, como costumava fazer até com os pequenos gestos. Eu podia sentir meu rosto em chamas.
— E o que você acha que sabe de mim para ter tanta certeza de que somos assim tão parecidos? – eu brinquei, tentando disfarçar meu constrangimento, fazendo-o gargalhar divertidamente.
— Você não é confusa quanto ao que sente, nem fala com rodeios como a maioria das garotas por ai... Eu gosto muito disso em você! Eu mesmo não fico indeciso sobre o que sinto... Gosto sempre de ter certeza e de buscar o que eu quero com todas as minhas forças! Você parece ser assim também...
Eu o encarei surpresa. Ele tinha uma facilidade em me decifrar que eu não sabia se me assustava ou agradava... O que realmente me deixava preocupada era que, se ele sabia tanto assim sobre mim sem que eu precisasse dizer nada, ele podia saber ou no mínimo desconfiar dos sentimentos que eu vinha nutrindo por ele desde que fomos apresentados... Eu temia ter sido tão descuidada desse jeito...
Por muito tempo em minha vida, eu busquei uma maneira de silenciar o vazio que eu sentia em minha alma solitária... A solidão que atormentava minhas noites de sono...
Mas como eu priorizava tanto preencher esse vazio, eu tinha colocado também muitas pessoas vazias em minha vida, pessoas egoístas que depois de um tempo deixaram de ser encantadoras e de me consolar e me magoaram profundamente. Mas essa busca tinha se tornado um ciclo vicioso no qual minha vida não parava de girar... Toda vez que eu tirava uma dessas pessoas da minha vida, eu já estava em busca de outra pra preencher o meu vazio e ela não diferia muito da última...
Eu temia estar caindo novamente nessa armadilha por estar me sentindo sozinha mais uma vez... Temia confundir o sentimento de solidão com amor mais uma vez... E o que eu menos queria era que aquilo que eu vinha sentindo por Yuu fosse assim tão frágil...
Talvez ele estivesse errado... Eu não era tão simples de entender assim... Eu só disfarçava bem... Eu só tinha me machucado e me iludido tantas vezes que era quase capaz de imitar uma pessoa racional... Mas isso era uma mentira, uma máscara que eu teria de tirar...
— Acho que sou bastante confusa, Yuu... – disse, tentando não soar infantil demais. Admitir aquilo era com certeza quebrar o que ele podia ter começado a sentir por mim... E poderia doer mais do que encarar a verdade...
Yuu encarou nossas mãos entrelaçadas ainda sorrindo e as levou para seus lábios docemente.
— Acho que sou capaz de entender você assim também! – ele riu e eu senti meu coração bater mais forte. Tudo o que eu queria era beijá-lo naquele momento.
Eu queria ver o show começar...
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