Let Me Take Care Of You

11 Capítulo 10 – Três escolhas.


Notas iniciais
Olá amorecos da Carol! *-* Estranharam meu sumiço na semana passada? Eu sei que disse que postaria uma vez por semana, mas vi que isso é impossível, já que eu tenho duas fics pra atualizar e que estou no final do período da universidade, então tudo está uma loucura! Então ficamos do seguinte modo, postarei uma semana aqui e uma em YAM, ok? Sintam-se avisados >< . Enfim, bem-vindos novos leitores! Muito obrigada a todos os que comentaram no capítulo anterior. Infelizmente ainda não tive tempo de responder todos os comentários, mas farei isso em breve. Estou realmente sentindo falta de recomendações, e essa derrota do Brasil não está ajudando em nada o meu humor. Triste fim. Se alguém quiser me alegrar estou aceitando tá? hahaha. O capítulo de hoje é apenas introdutório, prometo mais ação no próximo, ok? Boa leitura! ♥

– Três escolhas —

O dia de hoje se passou devagar e monótono como sempre, mas, para a minha sorte, era sexta-feira, ou seja, poderei aproveitar meu final de semana longe deste lugar de loucos. Em um dado momento esbarrei com Natsu, como de costume, mas não tive coragem de olhá-lo nos olhos e apenas sorri sem graça continuando meu caminho em seguida. Confesso que desde a nossa última conversa em que combinamos que seríamos amigos – e acabamos por selar isso com um beijo, de amizade, claro – eu não tenho sido mais a mesma com ele. Não que antes tivéssemos o costume de conversar por muito tempo, mas se antigamente isso quase não existia, agora posso dizer que realmente não existe. Eu simplesmente não tenho coragem de fixar meus olhos nos seus e acabo olhando para outro lugar, mais especificadamente para a sua boca, o que me faz lembrar de como seus lábios são macios e convidativos.

Esquece isso Lucy! Maldito beijo tentador de amigo.

A boa notícia é que meu pai não teve mais crises de bebedeira, o que é um alívio já que não temos mais economias para serem torradas em bebida. E o melhor de tudo é que ele está parecendo com a imagem que eu tinha dele de quando eu era criança. Seu humor melhorou, parece mais animado e de bem com a vida. Será que teria arranjado uma namorada? Não sei, mas o que quer que tenha acontecido foi ótimo e é muito bem-vindo!

Na hora da saída do colégio tivemos que lidar com Levy em um monólogo sobre o maravilhoso e encantador parque de diversões que havia chegado à cidade – nem eu ou qualquer uma das meninas aguentava mais seus discursos sobre isso, já que este fora um de seus mais frequentes assuntos do dia.

– Eu ouvi dizer que tem um brinquedo que parece um pandeiro gigante! Sem falar nos carrinhos de cachorro-quente, pipoca, churros, raspadinha... Tem até algodão doce Lu-chan. – me lançou um olhar malicioso.

– E o que eu tenho a ver com isso? – tentei agir com naturalidade.

A verdade é que eu havia cometido o pecado de comentar com minhas amigas sobre o beijo “amigável” que Natsu me deu outro dia. Preciso dizer que elas viram maldade em tudo?

– Não sei, talvez te faça lembrar de alguma coisa. – continuou falando como quem não quer nada.

– Nadinha. – dei de ombros.

– Aham, sei. Mas vocês querem ir ou não?

– Não estou muito animada pra sair. – respondi prontamente.

– Eu tenho que estudar.

– E eu tenho o meu estoque de bolos pra reabastecer.

Não vou nem me dar ao trabalho de especificar quem falou esta última frase.

– A, qual é meninas? Eu nunca peço nada a vocês. – mentira descarada essa Levy-chan. – O que custa vocês toparem sair comigo? Nós não somos amigas, é isso?

– Para ser sua amiga eu tenho que ir ao parque com você?

– Lógico!

– Então me desculpe Levy-chan, mas... – fui interrompida.

– Eu sabia que podia contar com vocês! Nos vemos em frente ao parque às 19 horas. Não se atrasem!

E simplesmente saiu correndo porta a fora como uma louca fugindo da polícia.

Olhei para as meninas e vi que todas mantinham a mesma expressão do que eu, incredulidade.

– É oficial, essa nanica levará um bolo daqueles hoje. – Juvia falou enquanto encarava o local pelo qual a McGarden havia acabado de sair.

– Bolo?

– É só uma metáfora Erza. – não pude deixar de rir. – Não sei se eu teria coragem de deixar a Levy esperando na porta desse jeito. Imaginem só a carinha que ela vai fazer se ninguém aparecer...

– Covardia Lucy-chan!

– Por mim tudo bem, meu compromisso não é inadiável. – Erza deu de ombros. E teria como ser?

– Tudo bem, tudo bem. – Juvia revirou os olhos. – Sócrates pode esperar.

– Garanto que ele não vai se importar.

E mais uma vez essa baixinha conseguia o que queria...

...

Cheguei do trabalho cansada e com uma vontade enorme de desistir de sair, afinal nunca fui muito fã de parques de diversão, mas algo me dizia que essa noite podia ser divertida. Tomei um banho relaxante, coloquei um vestidinho azul de alças com um short cor de pele por baixo e amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo. Quando desci notei que meu pai estava no sofá assistindo algo que parecia ser um daqueles filmes de ação que possui umas mil explosões de carros e cenas com balas em câmera lenta. Ao seu lado, na mesinha, estava uma lata de refrigerante. Não pude deixar de conter um sorriso ao constatar isso.

– Papai, irei ao parque com as meninas, mas prometo que não chegarei tarde em casa. – dei um beijo em sua testa.

– Tem certeza de que vai sair? Não está cansada? – pausou seu filme para me fitar.

Era ótimo ver meu pai se preocupando comigo.

– Está tudo bem, será apenas uma noite tranquila com as garotas.

– Ok. Vá com cuidado então.

Assenti e acenei antes de sair. Ele realmente parecia outra pessoa. Talvez eu não estivesse tão errada em acreditar em sua melhora, afinal.

O céu estava mais estrelado que o normal. Alguém poderia até dizer que Deus havia pintado mais algumas estrelas por ali. Órion, Escorpião... Todas pareciam mais radiantes.

Eu sentia um frio na barriga inexplicável. Sabe quando você está na montanha russa e ela começa a descer com uma velocidade tremenda? Você se sente vulnerável, mas ao mesmo tempo fascinado com algo. Estou me sentindo assim nesse momento.

Ao longe eu já podia ver a enorme estrutura do parque. Luzes de várias cores passando pelo local e uma pequena multidão ao redor. Quanto mais eu me aproximava mais gente parecia estar por ali. Como eu faria para achar minhas amigas dessa forma?

E aqui estava eu, na porta e totalmente desnorteada.

– Lu-chan! – olhei ao redor e pude ver a pequena McGarden sorrindo e vindo em minha direção.

– Oi Levy-chan!

– Que bom que você veio. – me abraçou apertado.

– Onde estão as meninas?

– Juvia está comprando nossos ingressos, mas a Erza ainda não chegou. Só espero que ela não tenha preferido os bolos. – falou com uma feição emburrada enquanto cruzava os braços.

– Aposto que ela só está atrasada. – sorri sem graça. Não é possível que a Erza tenha nos deixado na mão!

Fui me sentar em um banquinho enquanto esperava por Juvia. Levy exalava estresse enquanto falava com Erza ao telefone. Se não estivéssemos falando da ruiva provavelmente eu teria pena. A McGarden sabe muito bem como passar um sermão.

Fiquei um bom tempo apenas observando minhas sapatilhas transparentes com detalhes prateados. Nunca me dei muito bem em locais com muita gente, sempre preferi meu bom e velho quarto com a companhia apenas de um livro fantasioso onde o mocinho sempre fica com a mocinha no final. Eu tenho que ter romance em algum lugar não é mesmo? Nem que seja apenas através de meus bons amigos livros. A verdade é que eu não me importo de não ter romance na vida real. Quer dizer, muita gente vive sem isso não é mesmo? Não é como se eu fosse morrer caso não encontre o amor da minha vida.

Pelo menos é o que eu espero...

– Lucy-chan?

Pisco algumas vezes para voltar para a minha realidade.

– Oi Juvia. – dou um sorriso aberto.

– Apreciando seus pés? – ela dá um risinho.

– Sabe como é... – sorri sem graça.

– Sei sim. – eu e Juvia éramos muito parecidas.

– Ei, o que estão esperando? – Erza estava de pé ao lado de Levy, com uma feição de poucos amigos. Até parece que ela foi a primeira a chegar.

– Calma Erza, não fale como se nós não a estivéssemos esperando até um minuto atrás. – falei sorrindo.

– E não estavam. – falou séria. – A culpa foi toda dele. – deu um empurrão no rapaz ao seu lado.

Fiquei muda por uns instantes. Eu já comentei que fico sem graça perto de homens bonitos? Esse que estava em minha frente não era simplesmente bonito, então me imaginem mais do que muda. Simplesmente uma pedra. O rapaz era a personificação da beleza. Sua pele morena era invejável, possuía olhos castanhos claros e cabelos em um tom mais escuro. E, para piorar minha situação, usava uma blusa preta um pouco justa que me permitia ter uma noção de seu tronco bem torneado. Não que eu fosse uma pervertida, mas era algo impossível de não se notar.

– Meninas, esse é o meu primo Dan. – deu um murrinho em seu braço musculoso. – E estas, Dan, são minhas amigas Levy, Juvia e Lucy. – apontou para cada uma de nós. – Seja legal! – deu uma cotovelada nas costelas do moreno. Coitadinho.

– Prazer garotas. – impossível, ele conseguia ficar ainda mais bonito quando sorria, mesmo que estivesse tentando esconder uma aparente dor no local onde a ruiva havia acabado de bater.

– Muito prazer Dan-san. – Juvia foi educada como sempre. Por que a beleza dele não a afetava tanto?

Apenas acenei enquanto sorria sem graça.

– Vamos? Ou vocês preferem ficar apreciando tudo daqui de fora? – Levy me deu uma olhada nada discreta. Baixinha atrevida.

Me aproximei de Juvia e comecei a caminhar ao seu lado. Quanto mais distante eu ficasse do tal Dan, mais eu conseguiria ser eu mesma.

O local por dentro era lindo, absolutamente encantador. Muitas cores e, como Levy havia previsto, muitos carrinhos de comida. O que nenhum de nós prevíamos é que um deles estaria vendendo fondue de morango com chocolate. Seria bem óbvio se eu dissesse que foi preciso arrastar Erza a força de lá?

Erza, Dan e Levy foram até a montanha russa enquanto eu e Juvia ficamos apenas observando. Altura nunca foi o nosso forte.

– Você quer mesmo ficar aqui parada enquanto eles se divertem? – ela me perguntou.

– O que você sugere?

– Não sei, vamos procurar! – seu rosto era pura euforia.

– Tudo bem. – me dei por vencida.

Juvia saiu me arrastando pelo parque. Fomos até a barraquinha de tiro ao alvo, em outra de acertar argolas estúpidas que nunca entram no maldito pino e, quando finalmente estávamos indo comprar algo para comermos, Juvia simplesmente parou no meio do caminho.

– O que houve? – perguntei preocupada.

– Não acredito!

– No que?!

– Olha! – apontou para uma tenda roxa que ficava ao lado de algumas barraquinhas.

Eu quase não acreditei.

Em seu letreiro estava escrito Madame Nissa. Estas ciganas por acaso estavam me perseguindo?

– Temos que ir até lá Lucy-chan!

– Nem pensar! Minha experiência com esse tipo de gente não foi nada boa. – cruzei os braços.

– Por favor! – me lançou um olhar pidão.

Refleti sobre tudo o que me havia sido dito na noite em que encontrei com Ryoko. E as memórias não eram nada boas.

– Tem certeza de que quer fazer isso? – ela confirmou com a cabeça. – Tudo bem então, mas eu apenas irei te acompanhar.

– Combinado! – novamente saiu me puxando pelo parque.

A tenda era ainda mais sinistra vista de perto. Havia a famosa plaquinha clichê falando sobre “trazer seu amor de volta em três dias” e alguns objetos de santos ao redor. Um pouco mais a frente uma senhora, de cabeça baixa, estava sentada atrás de uma mesa enquanto embaralhava algumas cartas. O lenço que usava impedia que víssemos seu rosto, mas ela parecia bem concentrada.

– Olá meninas.

Aquela voz...

– Olá. Posso me sentar? – Juvia se aproximou lentamente.

– Claro querida. Sente-se. Poderia me dar sua mão?

Nesse momento o lenço cedeu um pouco e eu pude ver... Era ela.

– Ryoko. – falei com convicção. Seu olhar se direcionou a mim.

– Lucy, não é? – ela finalmente pareceu me notar.

– Vocês se conhecem?

– Claro que sim. A garota que me ajudou. – Ryoko respondeu por nós duas.

– Mas seu nome não é Nissa? – Juvia estava aparentemente perdida.

– Nome artístico, querida. – a senhora sorriu fazendo com que se acentuassem as rugas em seu rosto.

Eu não estava me sentindo muito bem. Na verdade tudo o que ela me falou na noite em que nos encontramos está me torturando até hoje. Eu nunca tive tanto medo da solidão desde aquele fatídico dia...

Ryoko se levantou e veio em minha direção.

– Desculpe Lucy, mas não costumo fazer atendimentos em duplas. Você poderia esperar do lado de fora? Em seguida eu a atenderei, não tivemos oportunidade de terminar nossa conversa no dia em que nos encontramos.

– Tudo bem, mas eu estou apenas acompanhando minha amiga. Não desejo atendimento. – sorri sem graça.

– Mas precisa. – segurou minhas duas mãos e sorriu. – Por favor, você tem que me deixar terminar o que tenho para lhe dizer.

Ela transpirava um mix de ansiedade e expectativa.

– Tudo bem. – sorri sem graça.

Sai caminhando lentamente processando todas as informações. O que ela ainda poderia ter para me falar? Algo de ruim que ela tenha se esquecido de dizer? Só o pensamento me causa calafrios.

Sento em um banquinho próximo a entrada da tenda para esperar a saída de Juvia. E se eu não entrasse na tenda? E se depois que minha amiga saísse eu simplesmente a puxasse e saíssemos correndo dali? É uma possibilidade, não é?

– Lucy, acertei?

Uma voz pouco conhecida me desperta do meu planejamento de fugas.

Dan estava com um sorriso estampado no rosto e me encarava, obviamente esperando uma resposta.

– Sim. – respondi envergonhada. Quanto tempo eu o deixei esperando?

– Sozinha?

– Estou esperando a Juvia. – respondi sem o olhar nos olhos, afinal eu não conseguiria tal proeza.

– Entendo... Cartomante? – indicou a tenda com a cabeça.

– Aham.

–E você acredita nessas coisas?

– Não sou muito fã, mas também não posso dizer que não acredito.

– Sei como é.

O silêncio se instalou e eu só conseguia pensar no que Ryoko poderia estar falando para Juvia nesse exato momento.

– Você é muito bonita Lulu.

Lulu?

– Obrigada. – respondi enquanto corava. Malditas emoções que se expressam sem serem autorizadas.

– Eu sei que a gente não se conhece direito, mas... – meu coração começou a bater mais rápido que o normal. – O que você acha se nós formos ao cinema um dia desses? Quer dizer, só eu e você, sabe? Sem a Erza ou as outras meninas. – ele parecia sem graça. Que fofo.

– Bem, eu não sei, eu...

– Lucy-chan? Ryoko está te chamando. – Juvia, que mantinha uma expressão extremamente feliz no rosto, havia finalmente saído daquela tenda.

– Tudo bem, eu espero. – Dan deu um de seus sorrisos encantadores.

– Ok. – sorri de volta. – Obrigada Juvia.

Adentrei a tenda de forma incerta. Não sabia o que esperar ou o que pensar neste momento. Minha respiração estava desregular e minhas mãos tremiam e suavam.

Ryoko me esperava com um sorriso no rosto.

– Sente-se Lucy. – me indicou uma cadeira em sua frente.

– E então? – perguntei curiosa.

– Lembra das minhas palavras naquele dia?

– Como eu poderia esquecer? – meus olhos voltaram-se para minhas mãos.

– Acredito que talvez eu tenha me expressado mal. – ela parecia sem graça. – Desde então eu tenho tentado lhe achar de alguma forma para reparar meu erro.

– Como assim?

– Quando eu disse que não via nenhum amor em sua vida... A verdade é que tudo vai depender das suas escolhas.

Fitei seu rosto sem entender.

– Poderia me dar sua mão novamente? – olhei-a com certo receio, mas optei por ceder. – Você se verá entre uma encruzilhada e o desenrolar da sua vida dependerá de suas escolhas.

– O que você quer dizer com isso?

– Que não se pode ter tudo nessa vida Lucy. Qual é a coisa que você mais deseja nesse mundo?

– Encontrar minha mãe. – respondi automaticamente.

Ryoko me lançou um olhar significativo.

Então é isso, eu simplesmente não poderia ter os dois.

– Lucy, você precisa entender. Quanto mais você se aproximar do caminho amoroso mais se afastará daquele que o levará até sua mãe.

E eu que no fundo ainda tinha esperanças de receber uma boa notícia.

– Eu não tenho que acreditar em você. – falei séria e puxei minha mão.

– Realmente, mas também não é necessário que você acredite. O destino não mente.

– Eu posso criar meu próprio destino.

– É exatamente isso que eu espero que você faça, Lucy. Não estou contra você. – sorriu gentilmente. – Acredite em mim, eu só quero o que for melhor para você.

Respirei fundo e me levantei da cadeira.

– Obrigada pelo seu tempo. – falei sem olhá-la nos olhos e saí daquele lugar que já começava a me sufocar.

Então eu teria três opções: escolher o caminho que me leve ao amor, porém que me afastaria da busca pela minha mãe; fazer as escolhas que me levassem até minha mãe, porém que me afastariam da minha vida amorosa; ou simplesmente fazer eu mesma o meu destino. Não preciso pensar duas vezes, afinal nunca suportei que fizessem nada por mim.

Notas finais
As palavras da Ryoko deixam um mistériozinho no ar não é mesmo? E o Dan? Lembrando que realmente é um personagem de FT, mesmo que seja de um arco filler. Amo esse personagem ♥ Então até o próximo meus amores! Quem sabe se nós tivermos uma boa comunicação eu não poste o capítulo antes do combinado? Estou achando as coisas muito paradas aqui no site >< . Beijocas! ♥