Let Me Take Care Of You

5 Capítulo 04– Era só o que me faltava.


Notas iniciais
Olá meus leitores queridos! Aqui estou eu dando minha cara a tapa literalmente! KKK. Perdão pela demora pra postar, mas vocês já sabem meus motivos não é mesmo? Antes de qualquer coisa queria dizer que o motivo para não haver postagem de YAM esta semana está no meu perfil, quem se interessar pode dar uma corridinha até lá. Ah, não sei se alguém notou, mas eu mudei o nome do capítulo passado! Bem, tenho dois super agradecimentos para fazer, afinal LMTCOY recebeu mais duas divosas recomendações! ♥-♥ - Dalian, muuito obrigada pela sua recomendação! Eu pirei quando a li! Sério, foi uma das recomendações mais fofas que já recebi. E eu te admiro muito como ficwriter então é uma honra saber que você gosta tanto assim do meu trabalho. Quem ainda não leu a fic da Dalian-chan, eu SUPER recomendo! ♥ - Amy Chan, você é a fofura em pessoa! Muito obrigada pela recomendação! Fiquei muito lisonjeada em saber que você me considera uma das melhores escritoras - mesmo não me achando isso tudo -. Ah, e você que é uma querida! ♥ Well, bem-vindos novos leitores e muuuuuito obrigada a todos os que comentaram no capítulo passado *-* Boa leitura! ♥

– Era só o que me faltava -

O caminho da livraria até minha casa nunca pareceu tão sombrio. A cidade parece menos agitada que o normal. As crianças não estão jogando bola na rua, não vejo pais de família voltando para casa e as senhoras não estão sentadas na calçada com bobes no cabelo conversando sobre aspectos de vidas alheias.

Enquanto caminho me lembro de que hoje no trabalho fiz as contas e vi que tenho em minhas economias coisa pouca a mais do que a quantia necessária para pagar a mensalidade atrasada do colégio, e isso porque eu já estou economizando há um bom tempo. Como eu faria se tivesse que assumir as mensalidades daqui pra frente? Sinceramente eu não sei e prefiro não pensar muito nisso. Meu pai só sumiu por um dia afinal. Ele vai voltar, de preferência sóbrio, e tudo vai voltar a ser como era antes.

Um barulho de alguma coisa me tira de meus devaneios. Olho alarmada ao meu redor e vejo um latão de lixo rolando e um animalzinho do lado.

– Era apenas um gatinho atrapalhado. – falo para mim mesma.

Continuo caminhando. Nunca tinha achado esse caminho tão longo. Vejo alguns homens do outro lado da rua e apresso um pouco meu passo. Sei que tenho que me cuidar, afinal nenhum rapaz lindo e corajoso apareceria aqui do nada para me salvar como nos filmes caso algo estivesse prestes a acontecer. Quem se preocuparia em me salvar afinal? Sem falar que estamos na vida real onde a mocinha só se ferra no final.

Dou um suspiro.

Já consigo ver minha casa ao longe e isso me trás um enorme alívio. Os homens já não podem mais ser avistados por mim e a porta da minha casa fica cada vez maior. Para o meu espanto o carro do meu pai não está parado na entrada como eu achei que estaria a essa altura do campeonato.

– Então ele continua sabe-se Deus onde? – pergunto para mim mesma.

Meu pai tem suas crises de bebedeira e de violência, ás vezes chega de madrugada, mas nunca deixou de voltar para casa como agora e isso está me preocupando. Podem falar o que quiserem, mas Jude é meu pai e eu sempre vou me preocupar com seu bem estar, mesmo que tenha que me arriscar um pouco por causa disso.

Quando finalmente chego em casa fecho a porta depressa e, me encostando na parte de dentro dela, suspiro aliviada deixando meu corpo chegar ao chão.

Depois de uns instantes me apoio na mesinha de canto para levantar e derrubo um vaso de vidro com flores artificiais daquelas que tem umas gotas de água falsas que parecem ser feitas de cola seca. Flores artificiais me transmitem tristeza. Para mim é algo similar a um bicho empalhado, porém menos mórbido. É como se a único motivo da importância da flor fosse sua beleza e sua vida fosse um estorvo que não deve ser levado em consideração. Se pensarmos assim até que nós temos muito em comum, mas aquela flor, que agora estava derrubada no chão junto a uns cacos de vidro, era rosa.

Normalmente essa cor não teria muita importância pra mim, sempre fui mais fã de azul, mas de uma hora para outra ela tornou-se significante. Talvez por ser a cor dos cabelos de um certo rapaz? Mas no que eu estou pensando? Ele é muita areia pra mim... Não é?

Espanto esse pensamento de minha mente e ao encostar minha mão no chão para levantar-me acabo colocando-a em cima de um pedaço de vidro.

– Droga! – falo ao ver a quantidade de sangue que escorria da palma da minha mão, que agora se encontrava cortada de uma extremidade a outra.

Corro para a pia do banheiro onde coloco o ferimento debaixo da água corrente e vejo o sangue escoar pelo ralo por uns instantes. Quando a água estava menos vermelha, pego uma toalha de rosto pequena e enrolo na minha mão para estancar o sangramento. Mais tarde farei um curativo descente.

[...]

Hora do café da manhã e nada do meu pai. Ele não atende o celular e ninguém sabe nada sobre seu paradeiro no trabalho. É como se ele tivesse sumido do mapa sem deixar vestígios, o que não é muito difícil pra um cara que não gosta muito de criar laços afetivos com ninguém e por isso não tem amigos.

Fora o problema de eu não saber o seu paradeiro, ainda preciso da assinatura dele na notificação que me foi entregue pelo diretor. Makarov sempre teve a fama de cuidar de seus alunos e certamente não ia ver com bons olhos se o pagamento fosse feito sem a assinatura de Jude. O que eu faço?

Bem, minha única certeza é de que ficar aqui parada não vai facilitar em nada a minha vida. Estou sem fome, então saio de casa de estômago vazio e vou para a escola.

Durante todo o caminho apenas meus problemas me vem em mente. Deus, se o senhor quiser começar a iluminar minha vida já pode.

– Opa, desculpa. – falo ao esbarrar em alguém.

– Luce? – era ele. Rapidamente escondo minha mão para evitar ter que dar explicações. Não poderia simplesmente dizer “Estava tão distraída pensando em você que coloquei a mão em um chão cheio de cacos de vidro”. Definitivamente não.

– Lu-cy. – pronuncio bem o nome.

– Prefiro do meu jeito. – ele sorri. – Está indo para a escola não é?

– Aham.

– Então vamos juntos.

– Tudo bem. – dou um sorriso sem graça. A presença dele me intimida, mas eu não sei muito bem o motivo. É como se eu não conseguisse me soltar perto dele.

– Você mora por aqui?

– Sim, e você?

– Não muito na verdade. Não dormi em casa noite passada.

– Hum... – provavelmente devia estar na casa de alguma namorada ou coisa assim. E você ainda se dando ao trabalho de pensar nele. Patético, Lucy.

Sabe quando se instala aquele silêncio constrangedor? A simples hipótese de ele ser um galinha não me faz querer falar nada, já que se ele for legal as coisas pioram para mim. Quem mandou ser tão apaixonante Natsu?

– Tá tudo bem com você? – ele me fita curiosamente.

– Sim. Por que não estaria?

– Nada, só estou te achando mais aérea do que o normal.

– Você fala como se a gente se conhecesse há séculos. – começo a rir. – Quem te garante que esse não é o meu comportamento normal? – arqueio uma sobrancelha.

– Eu mesmo.

– E como pode ter tanta certeza? – a conversa começava a ficar interessante.

– Porque eu conheço você.

– Como?

– Conhecendo. – sorri travessamente. Cerro os olhos de forma desconfiada o instigando a falar mais. – Calma, eu não sou um perseguidor e nem nada do gênero. – levanta as mãos em forma de rendição.

– Tudo bem, não vou mais insistir. – uma hora eu acabaria descobrindo de qualquer forma.

– Ótimo. – ele sorri fazendo com que um sorriso involuntário brotasse em meus lábios. Mas este não dura muito tempo já que trato logo de me controlar e reprimi-lo.

– A gente se vê na sala. – falo ao chegarmos ao colégio. Nem espero sua resposta e já me afasto indo à procura de minhas amigas.

Os corredores estavam cheios, como era de se esperar pelo horário. Me encaminho até meu armário para pegar um livro de álgebra que usarei hoje e encontro uma albina que me é muito conhecida.

– Lis? Não sabia que esse ano seu armário seria ao lado do meu. – a lanço um sorriso.

– Pois é, nem eu. – ela sorri sem graça.

– Como você tá? De repente a gente podia... – fui interrompida.

– Lis, o que você está fazendo? – a voz mais irritante do mundo chega aos meus ouvidos.

– Nada Sherry, só guardando uns livros. – a albina fecha seu armário e sussurra discretamente para mim um “a gente se esbarra por ai” enquanto se afasta até sumir do meu campo de visão acompanhada por aquela rosada dos infernos.

Eu e Lisanna costumávamos ser grandes amigas há mais ou menos um ano atrás, mas de uma hora para outra, quando entramos para o ensino médio, nos separamos de vez e até hoje eu não sei direito o motivo. De lá pra cá ela virou uma popular líder de torcida junto com a Sherry e outras garotas e eu virei a Lucy Esquisitona. Estranho como as coisas mudam assim tão de repente...

– Ei Lucy!

– Juvia! Como vai? – meu sorriso volta ao ver minha amiga.

– Vou bem, e você? Seu pai já deu as caras?

– Estou indo. Ainda não e isso está me dando nos nervos.

– Ele nunca sumiu assim antes não é?

– Não. Por isso não consigo sossegar.

– Calma, vai dar tudo certo. Daqui a pouco ele aparece. – sorriu tentando me encorajar.

– Espero que você esteja certa. No fundo, no fundo sei que ele está bem. O que me preocupa é que não posso pagar a dívida com o colégio sem a autorização dele.

– Como assim?

– Makarov me entregou uma notificação ontem e o pagamento deve ser entregue junto a essa notificação assinada pelo meu responsável, ou seja, Jude.

– Então sem Jude sem pagamento? – ela pergunta pensativa.

– Exatamente.

– E você não pode entregar sem a assinatura dele? Diz que ele teve que viajar de repente e que não deu tempo de assinar.

– Pode até ser, mas ai o diretor pode pedir para falar com ele diretamente quando ele voltar. – falo desanimada. – Tenho que pagar essa dívida o mais rápido possível.

– Nós vamos pensar em alguma coisa. – ela segura minhas mãos e as aperta com força.

– Ai. – puxo minha mão machucada.

– O que houve com sua mão?

– Nada de mais, só me cortei com um caco de vidro. – sorri sem graça.

– Bem típico de você. Deixa eu ver. – puxou minha mão para si. – Que curativo paraguaio é esse? – perguntou ao ver que meu machucado estava sendo protegido apenas com um algodão colado por um pedaço de fita em cima. Sim, eu não sei fazer curativos, mas nunca quis ser enfermeira afinal. – Isso pode infeccionar Lucy.

– Eu estou bem, não precisa se preocupar.

– Vamos até a enfermaria fazer um curativo descente. – me puxa pela minha mão boa.

– Não vai dar tempo, nós vamos acabar perdendo o primeiro horário.

– Então vamos deixar nossas coisas na sala antes para marcar nossos lugares. – continua me puxando e pisca para mim como se tivesse achado a cura para o câncer.

Deixamos nossas mochilas em nossas cadeiras e vamos em direção à enfermaria. Ao chegarmos lá o lugar estava totalmente vazio, nem a própria enfermeira – que devia estar ali – se encontrava no local. Nunca gostei muito de enfermarias, na verdade nunca gostei de lugares brancos demais e sem vida.

– Tá vendo? Não tem ninguém aqui.

– Não tem problema, vem cá. – pegou uma caixa de primeiros socorros de cima de uma das mesas e sentou na maca.

Aproximei-me e delicadamente Juvia tirou o meu curativo improvisado, passou um pouco de álcool – recebendo reclamações minhas, claro –, depois o remédio e em seguida colocou uma gaze, uma atadura e um esparadrapo.

– Não sabia que você levava jeito com essas coisas.

– Eu sonho em ser enfermeira. – falou sorridente.

– Ótimo, agora já sei quem vai cuidar dos meus futuros machucados. – dei um sorriso, mas o dela cessou.

– Você não vai precisar dos meus cuidados Lucy. – falou séria.

– Tudo bem. – sorri fraco.

– Agora vamos para a sala.

Nos levantamos e fomos andando pelo corredor rezando para que nenhum supervisor nos achasse, afinal o horário já tinha batido e levaríamos uma bronca na certa.

– Com licença Professor. – disse Juvia ao entrar na sala. Eu estava logo atrás.

– Senhorita Lockser e Senhorita Heartfilia, onde estavam? – ele perguntou com um tom desconfiado. Nesse momento todos da sala, inclusive um certo rosado, nos olhavam com um ar curioso.

– Na enfermaria. A Lucy precisava de um curativo descente e eu a ajudei. – a azulada falou enquanto apontava para minha mão enfaixada.

– Tudo bem, dessa vez passa. Sentem-se. – apontou para nossas cadeiras.

– Obrigada professor. – Juvia e eu nos curvamos em reverência e seguimos para nossos lugares.

Sinto uma bolinha de papel batendo em meu braço e em seguida caindo em meu colo. A desamasso e me surpreendo ao ler uma caligrafia que não conheço.

O que houve com a sua mão?

Natsu

Um sorriso brota em meus lábios. Isso quer dizer que ele se importa, penso comigo mesma. Olho para o professor e vejo que ele está de costas anotando algo no quadro, é o momento certo para responder.

Nada de mais. Só um acidente doméstico com vidro.

Amasso o papel novamente e jogo em direção ao rosado. Não pude deixar de notar o olhar malicioso que Levy, sentada um pouco mais a trás, lançou para mim. Provavelmente terei muito o que explicar na hora do intervalo.

De novo uma bolinha de papel é jogada para mim.

Nossa, não sabia que você fazia o tipo atrapalhada.

Novamente começo a rir e na hora em que estou prestes a responder uma tossida forçada me faz olhar para frente.

– Atrapalho Heartfilia? – o professor estava de braços cruzados olhando em minha direção.

– Não senhor, desculpe. – discretamente escondo o papel debaixo do meu caderno. Seria muito constrangedor se isso fosse lido em público.

– Ótimo. Sobre o que eu estava falando mesmo? – Erza levantou a mão para responder e o professor assentiu.

– Sobre a Segunda Gue... – foi interrompida.

– A sim. Como eu ia dizendo, a Segunda Guerra Mundial aconteceu no período de 1939 a 1945...

[...]

– Vamos Lu! Desse jeito a gente vai acabar perdendo todo o intervalo!

– E não vai mais ter bolos de morango na cantina! – Erza falou com uma áurea assassina. Longe de mim afastá-la de seu bolo de morango.

– Rapidinho meninas, não estou conseguindo achar a notificação. – falei enquanto revirava a minha bolsa.

– Tem certeza de que não deixou em casa?

– Tenho! Olhei na bolsa hoje de manhã. – um desespero tomava conta de mim.

– Espera. – Erza pegou minha bolsa e a virou de cabeça para baixo fazendo com que tudo caísse no chão e todas nós a olhamos de uma forma espantada. – O que é? Assim é mais fácil de achar.

Olhei tudo o que estava no chão. Minha chave de casa, estojo, carteira, porta absorvente, batom... Tudo menos a bendita notificação.

– O que eu faço agora? – perguntei enquanto sentava em uma cadeira e suspirava.

– Calma, nós vamos achar. – disse Juvia enquanto guardava minhas coisas de volta na bolsa.

– Será que alguém pegou? – perguntou Levy.

– Mas quem iria querer aquele papel?

– Alguém que queira te prejudicar, talvez. – Erza falou de forma pensativa.

– Sherry? – foi a primeira pessoa que me veio em mente.

– Talvez. – a ruiva deu de ombros. – Vamos refazer seus passos Lucy. Você pode ter deixado cair em algum lugar.

– Bem, cheguei ao colégio, deixei minha mochila aqui na sala e fui para a enfermaria com a Juvia. Depois nós... – fui interrompida.

– Espera ai. Vocês deixaram as bolsas aqui sozinhas? – Levy perguntou incrédula.

– Foi. Ninguém nunca mexe em nada... – Juvia respondeu.

– Pois dessa vez mexeram. – a baixinha completou.

Era só o que me faltava.

Notas finais
Me perdoem pelo capítulo meia boca, foi apenas algo introdutório ok? >< . Quem será que pegou a notificação da Lucy? Façam suas apostas! haha Até o próximo queridos e um ótimo carnaval. Beijocas! ♥