Let Me Make You Fall In Love
18 I do.
Notas iniciais
“Ele é um daqueles seres em extinção. Tanta gente por aí procurando o rastro de alguém assim e eu que já não queria mais aparecer, fui encontrada. Ele faz minha vida parecer um filme brega, clichê, romance antigo, amor de mentira. Quase me embalo na ficção, tamanha a dificuldade em acreditar que exista mesmo um menino-homem nesse mundo. Aqui. Comigo. É o tipo de riso que faz brotar a lágrima, quando assisto todos os dias ele repetir e ressaltar que não existe ninguém melhor do que eu. Então eu repito, sussurro e agradeço pelo zelo, palavras, companhia, segurança, sorrisos e o que nem se vê mais por aí: atitudes. Porque eu vivo diariamente todo o amor que existe nele, quando as pessoas desacreditam do amor em si. Ele é futuro, mais do que presente. Me deixa fazer da sua camisa o meu pijama, que eu o deixo fazer de mim o teu cenário. Ele é definitivamente único e o maior prazer da minha vida é ser tua pequena, tua namorada, teu amor, tua menina. (...) É isso, ele me faz acreditar.” Amanda Maciel
Encontrei-me deitada sobre uma superfície quente, como uma fogueira acesa com o fogo do amor. Um braço forte e sólido me envolvia como se estivesse com medo de que eu saísse correndo. Senti uma respiração calma a cima da minha cabeça e antes de abrir os olhos, rezei diversas vezes para eu estar aonde pensei ter dormido na noite passada. Autorizei-me a checar se eu ainda pertencia ao menino de olhos verdes a quem eu tinha dito que amava na última noite. Abri os olhos devagar, com medo de me despertar de um sonho melhor do que o das princesas da Disney. Mas por sorte, ou talvez destino, meus olhos revelaram a figura de um menino com cara de bebê dormindo enquanto me envolvia apaixonadamente. Eu me encontrava deitada sobre o seu peitoral, que por sinal cabia perfeitamente em mim. Sorri por um instante, lembrando o quanto eu sonhei em um dia acordar e vê-lo dormindo assim, como um anjo dos céus.
Fui me levantando devagar, tomando cuidado para não acordá-lo, por mais que eu quisesse ver aquela carinha sonolenta mais uma vez. Tirei a sua mão do meu corpo com carinho e a posicionei sobre a cama. Saí da mesma e caminhei até a cozinha na ponta dos pés, fechando as portas por onde eu passava. Peguei o achocolatado que se encontrava no armário em cima da pia e o leite na geladeira. Os juntei em uma caneca e coloquei para esquentar no microondas. Londres estava realmente congelando naquela madrugada. Fiquei pensando em tudo o que havia acontecido na noite anterior: Blusa do Ramones, jantar, escova de dente... Sim, meu príncipe conseguia ser melhor do que eu sempre imaginei que ele fosse. Babei tanto me lembrando dessa noite que quando percebi o microondas apitava por já ter esquentado o quando eu planejei. Abri o mais rápido que pude, rezando para não ter acordado Harry. Peguei a caneca quente e fui bebendo o seu conteúdo até chegar ao sofá. Avistei um moletom grande em uma cor creme jogado sobre a poltrona, provavelmente seria do menino que agora dormia sozinho no quarto ao final do corredor. Deixei a caneca no braço do sofá e peguei o moletom para vesti-lo, mas não sem antes sentir o cheirinho de bebê que Harry devia ter impregnado nele. O moletom cheirava como o cabelo dele, com um aroma de bebê que combinava com o perfume que ele usava todos os dias.
Sentei no sofá encolhida de frio enquanto bebia o leite quente que continha na caneca. Se eu fosse contar para alguém tudo o que vinha acontecendo ultimamente, poderiam me chamar de maluca e me levar para um hospício por acharem que eu sonho demais. Mas como eu poderia explicar para as pessoas que até os sonhos mais banais ou mais impossíveis se tornam reais? Já acreditei e desacreditei que um dia estaria aqui diversas vezes, mas no final, eu sempre voltava ao pensamento de que se você correr atrás, tudo pode acontecer.
– Amor? – Disse uma voz rouca e sonolenta um pouco longe de mim, que me fez acordar dos meus pensamentos e reflexões. Olhei para a pessoa que emitia aquela voz linda e rouca que eu amava tanto. Harry se encontrava sorrindo com os olhos semi-serrados por conta da luz que vinha da janela. Deixei a caneca em cima da mesinha de centro da sala, e andei até o menino de cabelos bagunçados que se encontrava de braços abertos para me envolver assim que eu chegasse até ele. E foi exatamente isso o que aconteceu, e tenho que confessar que não poderia estar em um lugar melhor do que os seus braços.
– Volta pra cama comigo. – Ele murmurou entre os meus cabelos, com uma das mãos fazendo carinho nos mesmos, enquanto a outra se encontrava em minhas costas.
– Deixa eu só levar essa caneca para a pia. – Eu disse querendo que a caneca se transportasse sozinha para a cozinha e eu poder ficar agarradinha com o meu amor.
– Ah não... – Ele resmungou e me prendeu com as duas mãos, sem deixar que eu saísse de seus braços. Como reclamar disso?
– Harry... – Eu ia começar a suplicar, até que levantei minha cabeça para encará-lo. Ele me olhava com uma cara de bebê que até a mulher mais ranzinza do atendimento ao cliente de uma loja falida se derreteria. – Você só me olha desse jeito porque sabe que eu não resisto. – Eu disse com um ar de injustiça e ele riu se divertindo.
– Deixa a caneca aí e vem ficar comigo. – Ele implorou e eu sorri olhando para baixo, sabendo que não resistiria se ele pedisse mais uma vez. – Amorzinho, por favor. – Ele disse e eu apenas suspirei, me jogando em seus braços.
– Só se você me levar no colo. – Eu disse soltando uma risadinha boba. Sem eu perceber, Harry me colocou de ponta cabeça no seu ombro, como um saco de batatas. Eu comecei a rir batendo as pernas e ele fazia cócegas nas minhas coxas enquanto andava até o quarto me carregando.
Harry era o tipo de homem que qualquer pessoa gostaria de ter como companheiro. Além de conseguir me fazer rir como ninguém, ele sabia a medida certa de carinho a me dar, sem parecer meloso ou me deixar carente. Nada podia ser melhor do que já estava sendo.
Quando me dei conta, Harry já havia me colocado na cama e agora estava deitado ao meu lado, acabando de passar a coberta por nós. Virei para ficar de costas para ele, e como uma resposta aos meus pensamentos, Harry se juntou a mim, ficando de conchinha.
– Acordei assustado pensando que você tinha me largado, fugido, sei lá. – Harry disse. Sorri como uma boba, e ao perceber, ele deixou um beijo na minha bochecha como um “eu te amo”.
– E eu acordei pensando que tudo isso que eu vivi em Londres tenha sido um sonho. – Eu disse soltando um riso fraco. Ele passou suas mãos pela minha cintura, me fazendo ficar mais próxima do que já estava. E então, sussurrou:
– Enquanto você quiser eu vou te fazer viver esse sonho todos os dias.
(...)
– Anda amor! – Harry gritou lá da sala enquanto eu saía correndo do banheiro procurando uma roupa para passar o dia.
Ele disse que me levaria a um lugar que eu iria adorar, mas em compensação, não disse como eu deveria me vestir. Montei a roupa mais rápida que consegui, rezando para que fosse o suficiente para ficar a altura de como Harry se vestira. Mas nunca importava o quão boa minha roupa estava, porque arrumado ou desarrumado, Harry sempre conseguia ficar maravilhoso.
Finalmente terminei de me vestir e agora só faltava eu passar um corretivo para esconder as olheiras que a noite de ontem me proporcionou e estaria pronta.
Depois de ontem, acho que nunca mais bebo nenhum tipo de bebida alcoólica. Sempre soube que era fraca nesse quesito, mas não para chegar ao ponto de desmaiar por causa disso e ainda causar uma dor de cabeça e tanto nas pessoas que estavam comigo. Mas também não podia desejar não ter vivido ontem porque foi a noite mais linda da minha vida, depois do trágico ocorrido. Estava vivendo o meu sonho, qualquer dia ruim se tornava bom na minha vida desde que fosse com aquelas pessoas e nessa cidade. Pensar que Harry ainda não sabia nada sobre o meu passado, me fazia apostar que quando descobrisse, não ficaria muito feliz por eu ter escondido isso dele. Mas também, o que eu poderia dizer? “Sim, eu sou uma daquelas milhares de fãs malucas que sempre quiseram casar com você e lia imagines hot te desejando com elas.” Se eu dissesse isso, adeus Londres, adeus One Direction, adeus felicidade.
– Você não quer que o seu amorzinho morra de fome não é? – Harry disse em um tom mais alto com uma voz manhosa vinda lá da sala. Então percebi que já tinha perdido tempo demais. Calcei o tênis e deixei para amarrar os cadarços no caminho, não queria ser inconveniente e o deixar esperando quando ele iria fazer algo para mim.
– Pronto, não chora nem morre de fome, bebê. – Eu disse chegando correndo a sala, aonde o meu menino me esperava. Harry vestia uma bermuda azul marinho, uma camisa cinza com um bolso que tinha escrito “lover” em vermelho e claro, o seu all star branco.
– Acho que alguém me copiou nos sapatos. – Disse Harry se referindo ao que eu vestia nos pés. Eu soltei uma risadinha sapeca e fui ao encontro de seus braços que estavam estendidos em minha direção. Passei minhas mãos pelo seu pescoço, ficando na pontinha dos pés para conseguir deixar um beijo em seu nariz. – Vamos? – Ele perguntou e eu apenas assenti com um sorriso e peguei sua mão para irmos.
Já lá embaixo, Harry abriu a porta do carro para mim, como um cavalheiro. Ficaria mal acostumada se ele continuasse com essas coisas, mas não poderia reclamar de jeito nenhum da minha sorte de ter ele. Quero dizer, não sei se podia chamá-lo de meu (ainda), mas enfim.
Quando entramos no carro, foi quando percebi que o relógio já marcava 16h46min, ou seja, havíamos dormido muito. Tomamos partida, e Harry disse que não demoraria muito para chegar á nossa primeira parada, mas que a segunda era um pouco longe. Todo esse suspense me fazia ficar toda arrepiada, mas ele disse que eu teria que confiar nele. Então quem sou eu para contrariar um menino de cabelos enroladinhos e olhos verdes que me olhava com cara de bebê?
Chegamos à frente de um restaurante chamado Shanghai Blues, que Harry jurava que era bom. Ele pediu para que eu esperasse no carro enquanto ele iria comprar nosso almoço (pouco) atrasado. Harry logo voltou com dois pacotes marrons que na embalagem continha o mesmo nome do restaurante, e o que estava dentro, parecia delicioso só pelo cheirinho.
– Hmmmm, parece delicioso. – Eu comentei. Ele riu e concordou com a cabeça. Peguei os pacotes para eles não atrapalharem Harry a dirigir, e já aproveitei para dar uma olhadinha no que tinha dentro. – Posso comer? – Perguntei fazendo uma cara de cachorro abandonado.
– Tudo bem, mas deixe os biscoitinhos da sorte para o final. – Harry disse rindo.
– É COMIDA CHINESA? – Eu dei um pulo. Como ele adivinhou que eu amava comida chinesa? Ai meu Deus, eu tenho o quase namorado mais perfeito do mundo. Comecei a abrir os pacotes desesperadamente tentando encontrar qualquer coisa que cessasse a minha fome de comida chinesa naquele momento.
Conforme eu ia comendo, dava na boca de Harry algo para ele comer também. E quando parávamos no semáforo, ele arrancava o saco da minha mão e dizia que eu já tinha comido demais só para me fazer protestar. Ríamos feitos loucos e nos babávamos feito crianças. Quando me dei conta, havia acabado toda a comida que Harry havia comprado, e estávamos brigando pelo último Guioza da sacola. Mas como uma menina muito boazinha, acabei cedendo e deixando-o ficar com o último, apesar de eu adorar aquela comida.
Enquanto eu ia arrumando o que era para jogar fora e o que havia sobrado, que era somente os biscoitinhos da sorte, percebi que o carro parou.
– Ué, já chegamos a nossa última parada? – Eu perguntei sem desviar os olhos do que eu estava fazendo. Ouvi Harry rir e não pude deixar de ficar curiosa sobre o que havia feito ele rir. Levantei a cabeça, e vi a coisa mais linda que já tinha visto na minha vida. Era o pôr do sol na Tower Bridge. Era um misto de laranja que coincidia com o azul do céu e o branco das nuvens, que combinava perfeitamente com o clima daquela noite. Toda a cidade já estava iluminada ao nosso redor, somente o carro que estava escuro por dentro. Estávamos estacionados em cima da torre, o aquecedor ligado e o som do carro fazia com que aquilo ficasse mais perfeito do que já estava.
– Uau. – Eu disse suspirando por fim.
– Eu sempre quis te trazer aqui. – Harry disse sorrindo enquanto relaxava na cadeira. Ele pegou um CD no porta luvas e o colocou no rádio. Começou a tocar Forever and Always, uma das minhas músicas preferidas. Aquilo estava muito desconfiado pro meu gosto. – Me passa os biscoitinhos da sorte, amor.
Como pedido, passei para eles os dois pacotinhos brancos que dentro continham dois biscoitos da sorte. Harry pegou um e abriu para ler o que estava lá dentro.
– “É hora de inovar.” – Disse ele depois de ler o papelzinho que estava dentro do biscoito. Harry me entregou o meu para que eu pudesse fazer o mesmo. Destrambelhada do jeito que eu sou, demorei um minuto inteiro para conseguir desmanchar o biscoito e ler a frase.
– “Quer na...” – Eu comecei a ler, mas quando vi tudo o que estava escrito ali, pensei que fosse desmaiar ou acordar de um sonho com um beliscão. – Harry, o que é isso? – Eu perguntei não sabendo se chorava ou sorria, não sabendo se aquilo estava mesmo acontecendo ou era só um engano. Ele pegou o bilhete da minha mão, apoiou a outra na minha bochecha, de modo que a minha cabeça ficasse inclinada para o lado e sussurrou com aquela voz rouca maravilhosa:
– Quer namorar comigo?
E apartir daquele momento eu soube que ele não era um menino como os outros, ele era homem, era maduro e sabia o que fazer. Eu não precisava ter medo de ele me deixar hoje ou amanhã, porque ele não faria. Eu não precisava mais dormir a um oceano de distância dele ou rezar para um dia conhecê-lo. Ele fez tudo ser mais do que eu sonhei e muito mais do que era possível acontecer. Ele me fez amar, ele me fez apaixonar. Ele me fez viver.
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