Let Me Fall In Love
1 Sadness Notes
Notas iniciais
Ol! Como vai?
Estou adorando sua visita
Boa leitura
Estou adorando sua visita
Boa leitura
A cadeira de balanço arranhava o chão lentamente enquanto fazia seus suaves movimentos de vai e vem.
O piso estava velho e desgastado naquela parte da sala, como em toda a casa. Florence tentava não ligar para o barulho que o vento fazia ao bater em sua janela, quase a fazia pensar estar em um filme de terror. Ou talvez um pesadelo, daqueles em que se quer acordar e não é possível. Florence West era uma garota normal.Notas na média, não arrumava problemas, histórico quase nulos de namorados... Uma filha perfeita, ela era o que todos os pais querem que seus filhos sejam. Tudo começou a ficar ruim quando ele chegou...Daniel.O garoto de olhos azuis e cabelos negros caídos na testa, cuidadosamente penteados para que ficassem despojados o suficiente, apenas para que parecesse que ele não ligava para os cabelos.Malditos olhos azuis! Por que eles tinham que atrair Florence daquele jeito?A garota levantou-se da cadeira e puxou as cortinas.Estava frio e as janelas velhas já não seguravam nem o vento. Deitou-se na cama e pensou sobre quantas vezes havia sonhado com Daniel. Quantas vezes teve pensamentos impróprios com o garoto, onde ele a beijava e a levava para cama.O problema foi que ela nunca o viu se aproximar, e ela nunca seria a mesma depois disso. Mas o que um garoto como Daniel poderia querer com Florence? Ela era uma garota normal. Beleza normal e nada extraordinário, cabelos loiros e mega comuns e olhos azuis, comuns também. As páginas do seu antigo diário sabia muito bem o que ela sentia, apenas dor. Um clichê mal escrito. Isso era a vida de Florence. O engraçado é que Daniel sabia dos seus sentimentos por ele, ela não havia ficado calada como a maioria das adolescentes idiotas. Havia chamado-o para conversar e contou tudo o que se passava em seu coração. Ela se lembrava muito bem daquela tarde. Estava frio, os dois estavam na cantina da escola, Florence usava um cachecol vermelho e Daniel também. Pura coincidência, os dois nunca havia combinado isso.Era intervalo entre as aulas, a próxima aula de Florence seria de Filosofia. Ela fazia caretas em sua mente, odiava essa aula.— Daniel, eu preciso que você me ouça com certa atenção. — Falou, sua voz soou mais fraca do que ela gostaria. — Claro, estou ouvindo. — Ele apoiou os cotovelos na mesa e aproximou-se de Florence, ela engoliu em seco.Seu coração palpitava e suas palmas suavam.— Eu estou apaixonada. — Disse.Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos antes que ele falasse.— Quem é o felizardo? — Daniel sorriu.Ok, Florence sabia que ele era lerdo o bastante para pensar que ela estava apaixonada por outro, menos por ele. — Você. — Respondeu ela, baixinho.Fez-se silêncio novamente. Dessa vez, por mais tempo.Florence se levantou.— Eu sabia que não devia ter falado nada! — Murmurou.— Florence! — Daniel segurou seu braço. — Daniel... — Ela suspirou, ele estava perto demais. — Eu... Eu não sei o que dizer. — Só deixe...— Não sei...— Deixe. Deixe que eu me apaixone por você como se fosse a primeira vez! — O tom que usou a fez parecer uma atriz de peças dramáticas. Daniel não podia dizer nada. Estava em silêncio pensando em qual seria a melhor forma de dizer a Florence que também estava apaixonado, mas ele era tímido demais na frente daquela garota. O sinal tocou. 15 minutos já haviam se passado.Ele a soltou. Seguiu em frente sem olhar para trás. Florence ficou em uma espécie de transe enquanto via Daniel partir. Naquele dia, ela tentou fugir ao máximo dele.Foi até a enfermaria e pediu uma dispensa para a aula de Biologia, disse que estava com tontura. Essa aula eles teriam juntos e Florence não queria vê-lo. Ela ficou ali, naquela sala fria, em que o ar-condicionado estava ligado no máximo. Apenas ela e a velha enfermeira que reclamava todas as vezes que alguém entrava por aquela porta. Estando mesmo doente ou não. Uma hora e vinte se passaram, a aula de biologia acabou e Florence disse que estava melhor e saiu da enfermaria. Os corredores estavam abarrotados de gente.Florence mergulhou na multidão e saiu da escola. Quando entrou no ônibus, suspirou aliviada. Nada de Daniel. Desceu em seu ponto e caminhou algumas quadras até sua casa, quando se aproximava, não pôde acreditar no que viu.Daniel parado na frente de sua porta. — O que você está fazendo aqui? — Perguntou ela, franzindo a testa.— Eu precisava conversar com você Florence. — Respondeu ele, seu tom de voz denunciava tristeza. Mas por que ele estava triste se quem estava apaixonada era ela?— Então fale. — Ela destrancou a porta velha de sua casa, mas não abriu, esperou. — Você está agindo como se eu fosse o errado da história.— Você está sugerindo que eu errei em me apaixonar por você?Daniel assentiu vagarosamente. — Por que acha isso? — Ela perguntou, seus olhos azuis ficaram sem brilho algum.— Nós nunca daríamos certo. — Murmurou ele. Ele sabia que era uma mentira. Seu coração queria que dissesse outra coisa.
Desde aquele dia, Florence nunca mais viveu de verdade. Ela observava Daniel, e sabia que nunca o teria. Mas aquela tortura não passaria daquela noite fria. Foi na cozinha, pegou um copo d'água e algumas cartelas de remédios. Não sabia para o quê serviam, mais para ela, tinham apenas uma utilidade. Voltou para o quarto e trancou a porta, seus pais já estavam dormindo, estava um pouco tarde.Espalhou os remédios em cima da cama e tomou um por um, com calma e paciência. Quando acabou, bebeu um pouco d'água e prendeu os cabelos com um elástico. Aquela foi a última vez em que Florence deitou-se para dormir com o coração partido. 2 dias depois... — Não foi culpa sua cara, tinha que acontecer. — Disse Brad dando um tapa no ombro de Daniel.— Eu preciso pensar. Depois nós conversamos. — Afastou-se um pouco. — Se precisar, pode me ligar. — Tudo bem. — Daniel cerrou a mandíbula e caminhou até sua casa. Não tinha ninguém em casa, pelo que parecia. Foi direto para o quarto. Encostou a porta e virou-se, em cima da cama havia um papel.Aproximou-se, era uma carta, estava endereçada a ele. Daniel sentou-se na beirada da cama e abriu, começou a ler." Querido Daniel, não pense que minha morte foi por culpa sua. A culpa toda foi minha, eu não devia ter te falado nada sobre o que eu sentia.Você deve estar me achando uma burra, porque se todas as pessoas que se apaixonassem se suicidassem... O mundo estaria vazio. Tudo bem, talvez isso tenha sido uma atitude idiota, mas eu não tive escolha, e não tenho como me arrepender. Aquilo estava me matando, doía muito te ver e não poder te tocar, não ter você ao meu lado do jeito que eu queria doía mais que uma facada.Você me ensinou uma lição muito preciosa, eu não a trocaria por nada nesse mundo. O amor é todo o nosso muito pouco.Toda a nossa inveja, egoísmo, sujeira e tudo que há de pior dentro do ser humano. O amor é tudo aquilo que não podemos reprimir e nem negar, é o que nos deixa louco e o que nos mata. Não foi uma escolha minha, me apaixonar por você. Mas quer saber? Eu não me arrependo de nada. Eu te amei muito, é verdade, mas você me deixou louca também. Despertou em mim sentimentos que eu nunca havia conhecido, e eu descobri da pior forma que isso consome as pessoas.Nos queima por dentro até não sobrar nada, apenas insanidade.De mim, sobrou apenas um buraco vazio e sem emoções. Você Daniel, levou tudo que eu tinha.Levou tudo de bom porque a morte se encarregou de levar o ruim — e o restante das coisas boas. Eu quase me arrependo por não poder ver nunca mais esses seus lindos olhos azuis... Esses cabelos caídos na sua testa, e principalmente, esses lábios que me encantavam apenas com o falar. Você pode ver o quanto eu era louca! Tive que livrar a humanidade de mais uma louca.Eu nunca acreditei no Céu e muito menos no inferno, mas Daniel, quando eu te vi, mudei de opinião.Você era um anjo, com um sorriso no rosto e eu achava que deveria ficar com você. Só que eu tive que encarar a verdade. Eu nunca ficaria com você. "Os olhos azuis de Daniel estavam vermelhos, ele chorava.Dobrou o papel e viu que tinha outra coisa escrita no verso."P.S: Eu detesto te ver triste, então não chore. Eu te amei muito e onde quer que eu esteja,vou continuar te amando.Você é um anjo e anjos devem sorrir, não chorar. Já que não consegue fazer isso por você, faça por mim!Lembre-se do quanto eu ficaria brava se estivesse viva e o visse triste por minha causa. Obrigada por deixar que eu me apaixonasse por você. Você tirou meus pés do chão, me fez flutuar.Daniel, eu fiquei perdida em seus olhos. Agora sorria!Guarde suas lágrimas para quem precisa. Te amo, Florence"— Eu também amo você. — Sussurrou ele. — Por que não deixou que eu te dissesse isso, hein?
Notas finais
Obrigada por ler.
Se puder, comente para fazer uma autora feliz.
Se não puder, fiquei feliz só por ter vindo.
Obrigada!
Se puder, comente para fazer uma autora feliz.
Se não puder, fiquei feliz só por ter vindo.
Obrigada!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
Fale com o autor