Notas iniciais
Música desse capítulo além da New Perspective é a Give me Novacaine, do Green Day.

V.

AndI’ll admire your expensive taste.

And who cares divine intervention?

Voltei para meu quarto com Ryan mais ou menos três horas depois do café da manhã. Fomos pela cidade, relembrando nosso amor maluco de antigamente, nossa vida de hoje, conversando sobre nossos planos para o futuro. Acabei percebendo que eu não tinha os mesmos planos que ela e, por isso, disse que ainda não tinha pensado sobre o que eu faria daqui dez ou vinte anos. Talvez lançasse um DVD com os meninos com ‘Vinte anos de sucessos’ ou essas coisas que todo mundo faz para comemorar.

Ryan não estava no quarto, então deixei o presente em cima de sua cama etirei a camiseta. Precisava de um bom banho e descanso para o próximo show, ou eu estaria completamente imóvel no palco. Foi então que voltei meus olhos para a minha cama e Jon estava sentado nela, calado e com uma expressão de limão mal chupado.

- O que você tá fazendo aqui? – Perguntei e ele me apontou minha cama. Sentei-me e comecei a perceber que a coisa não seria muito agradável pra mim. – Tá esperando a muito tempo?

- Brendon, precisamos conversar. – Assenti, embora não soubesse o conteúdo daquela conversa, sabia que não seira notícia boa. Jon segurou carinhosamente minha mão e olhou-me nos olhos, por um momento achei que viria mais uma declaração de amor eterno e eu, com certeza, não estaria pronto para mais uma. – Você e a Hayley voltaram, certo?

- Acho que sim. – Encolhi os ombros. – Não sei ao certo, por quê?

- Só peço cuidado, Brendon. Cuidado e responsabilidade. – Falou e eu franzi o cenho, como se perguntasse do que ele estava falando. – Ryan Ross.

Ryan?”, me perguntei mentalmente. “Oh, Ryan. O que eu estaria fazendo de tão errado? Por que súplicas ontem, pedidos hoje?”. Mantive minha expressão duvidosa e Jonathan fez um carinho amigo em minha mão. Virei-me para ele, simplesmente para poder olhar melhor em seus olhos, confuso o suficiente para que ele continuasse:

- O Ryan não é alguém que você pode brincar e depois nunca mais querer olhar em sua cara. O Ryan é o cara com quem você divide o quarto todos os dias e isso você tem que resolver. – Jon dizia e eu comecei a pensar melhor e, consequentemente, a encaixar as peças daquele quebra-cabeças.

“Por favor, meça as conseqüências comigo.”, fez sentido. Muito, muito sentido. Então era isso que ele queria dizer, era por isso que ele implorava.Implorava porque não agüentaria mais me ver com outros depois de me ter uma vez. Queria que eu fosse só dele, mas os motivos... Por que ele me queria tanto assim se eu não tinha nada de interessante?

- Jon, eu... – Mordi meu lábio, irritado comigo mesmo por ter feito tudo ao mesmo tempo: Ryan e Hayley. Me repreendendo por ter feito o que fiz, mas não estava arrependido por ter ficado com o Ryan. Eu faria de novo se tivesse a oportunidade. De novo, e de novo, e de novo... Como num ciclo vicioso. – Eu só não deveria ter me aproveitado do porre dele.

- Agora já está feito. – Jonathan sorriu forçado – Só cuide do Ryan agora. Nos ajude a cuidar ele e não deixe acontecer de novo se não for para você levar a sério, Brendon.

- Quer que eu o impeça de beber?

- Quero que se afaste, que evite brincadeiras com segundas intenções. – Jon falou firme. – Só que fique perto o suficiente para quando ele precisar, você estender a mão amiga. Reconquiste a confiança dele, Brends. Corrija o que fez, sem se arrepender...

- Eu não me arrependo. – Respondi firme. – Não posso corrigir o que não está errado.

- Converse com o Ryan, Brendon. – Walker soltou minha mão e deu-me um beijo na face. – Converse e você vai descobrir alguma coisa. Talvez você entenda melhor as coisas, seu lerdinho.

Assenti e Jon saiu logo depois. Me deixou sozinho com os pensamentos e flashs em câmera lenta da noite anterior. Os beijos, os pedidos, súplicas, sensações... E a cima de tudo, a minha vontade egoísta de jantar todos os dias.

Levantei da cama preguiçoso, tomei um banhonão tão longo, porque queria estar pronto quando o Ryan voltasse para o quarto. Aquele dia teríamos o último show naquela cidade e nós quatro deveríamos estar radiantes, porque nosso publico merecia isso.

Fui ao quarto do Spencer a fim de lhe pedir um conselho. Spence conhecia Ryan Ross desde sempre e provavelmente me daria uma luz maior, a final, eu não conseguiria nada sem saber por onde começar. Eu não poderia pedir desculpas por algo que não foi errado.

Desisti de abrir completamente a porta quando vi uma das cenas que mais me cortou o coração. Uma das cenas que mais me marcariam, devo eu dizer. Já,aos esqueceria a primeira vez que eu ouvi a voz do Ryan chorando. Era a primeira vez que eu percebia a voz de Ryan Ross expressando algum tipo de sentimento. A tristeza dele era tão profunda que parecia me invadir.

- Por que ele fez isso comigo, Spence? – Ross choramingou. – Por quê?

- Ele é Brendon Urie, Ryan. – Spencer justificou. – Ele é livre e nem mesmo a Hayley pode prendê-lo.

- Eu já o vi preso à Hayley uma vez, Spencer. – Disse, passando a mão pelo rosto – E percebo que vou ter que aturar, de novo, o Brendon achando que está com a melhor mulher do mundo quando eu não acho que ela tenha, sequer tamanho, para ficar com ele. Hayley nem saiu das fraudas.

- Pára de ser ciumento e arranja um argumento melhor. – Spenny riu e Ross o olhou torto. – Sério, Ryan, isso não é motivo para odiá-la.

- Isso de “ele é livre e ela não o prenderá” não me serve de consolo. – Ryro disse. – Eu o amo desde sempre. Sou eu o cara que cuida, que sempre está perto. Faço dormir, arrumo sua mala, suas confusões, escutei todas as confissões. Eu escutei os detalhes de cada uma das transas animais que ele teve com as suas milhares, milhões de garotas. Sou eu quem tiro as meninas do pé dele. Escuto diariamente milhares de histórias de como o Brendon é maravilhoso na cama e quando o tenho, não passo de mais um na lista dele. E olha que eu implorei para que ele não transasse comigo. Eu, Ryan Ross, implorei.

- Ryan... – Spencer falou e o menor voltou sua atenção a ele. – Não imaginei que você o amasse a esse ponto.

- Nem eu sabia que eu me rebaixaria dessa forma pelo Brendon. – Encolheu os ombros. – O que eu devo fazer para conquistá-lo.

- Tenha um belo par de peitos e esfragá-lo todos os dias na cara dele. – Spencer falou fazendo Ryan rir e me fazendo rir também.

- Eu não vou te responder o que eu tenho que as mulheres não têm. – Ryan encolheu os ombros e aquilo me fez lembrar que o quê ele tinha entre as pernas era muito bom. – Eu queria saber como voltar para aquele quarto e encará-lo.

- Qual é. Você sempre foi muito forte quanto às garotas do Brendon. Consegue ir lá e agir como se nada tivesse acontecido. – Ross suspirou – Sério, vocês precisam conversar, se entenderem.

- Eu sou forte, Spencer, quando não sou eu a garota do Brendon. – Deu os ombros. – É, eu vou conversar com ele.Deixar certas coisas claras entre nós.

Ryan veio em direção a porta e eu quase não tive forças para dar quatro passos longos para tráse fingir que estava andando por aquele corredor. Ryan passou por mim e me puxou pelo braço de volta para o nosso quarto, soltou-me com muita força quando entramos. Estava furioso e talvez eu pudesse entender.

- Quer conversar, Ryan Ross? – Eu disse, sentando na cama. Ryan sentou-se de frente para mim e assentiu com a cabeça, deixando que eu conduzisse aquilo. – Desculpa.

- Desculpa? – Me interrompeu. – Então pra você é isso? Mais um na sua lista enorme de mulheres de quatro por seu amor, não é? Não é! – Esbravejou, cortando o meu coração.

- Não, Ryan. – Neguei com a cabeça. – Não é um erro. Nunca seria. Eu almejei isso tanto quanto você. – Ryan soltou uma gargalhada irônica, ressentida, dolorida. – Não achei muita graça, Ross.

- Você nunca pode ter esperado quanto eu esperei por isso. – Resmungou, baixinho e eu pude lhe ouvir claramente. Okay, eu não o amava desde sempre, mas sempre quis uma noite com ele. – Você fez tudo errado, Brendon. Foi você.

Take away the sensation inside bitter sweet migraine in my head. It\'s like a throbbing toothache of the mind I can\'t take this feeling anymore.

- Eu conheço bem certas coisas, Ryan. – Falei, desviando o olhar. – Eu não fiz da maneira certa, mas eu fiz. Ao menos eu fui atrás do que eu sempre quis. Eu sempre quis você.

- Só por uma noite, todo mundo quer, Brenny. – Ryan me disse, puxando os meus olhos para olhá-lo. – Por uma noite, qualquer fã quer. Eu não sou como você. E você deveria saber bem a diferença grande entre sermos uma banda, convivermos todo o tempo juntos e uma fã que grita nosso nome a beira do palco.

- Se eu soubesse a diferença, deixaria de ser assim? – Me soltei dele e Ryan sorriu pra mim.Não era um sorriso para que eu comemorasse, era algo confortador. Algo que eu não queria ter que presenciar, muito menos que fosse assim. Encolhi os ombros, triste comigo mesmo, com minhas atitudes, pronto a pedir desculpas mais uma vez, mas eu sabia que Ryan estava muito irritado comigo. Ele tinha todos os motivos do mundo para estar. – Desculpe, desculpe, mesmo.

- Quer calar essa sua maldita boca, Brendon! – Ryan gritou, porque, pelo jeito, ele não queria ser igualado a um erro . Um erro que simplesmente seria apagado com o tempo. Ele não queria entender que eu não pedia desculpas pelo meu ato, eu pedia desculpas por ser sujo com ele, por não conhecer o sentimento que carregava consigo. – Para de pedir desculpas, seu... seu...Sujo. – Abaixou o tom de voz conforme gritava ‘seu’. Nunca vou poder esquecer o tamanho da naquela hora, o quão idiota me senti.

- Eu... Comprei pra você. – Estendi o ursinho e o outro arqueou a sobrancelha. Abriu o presente e desacreditou no que estava vendo. Não sei quantas vezes aquele ursinho bateu contra meu rosto, apenas levei as mãos contra aquilo e me encolhi. Após cansar, Ryan cortou o coração que o ursinho segurava, bem aonde dizia ‘I love you.’

Drain the pressure from the swelling, this sensation\'s overwhelming, give me a long kiss goodnight and everything will be alright. Tell me that I won\'t feel a thing, so give me novacaine.

Fechei os olhos por um instante longo. Abracei-o num impulso e o senti se debater em meus braços. Provavelmente, eu ficaria completamente cheio de hematomas após aquilo, minha pele sempre foi branquinha e sensível. Não me importei com nada, apenas em fazê-lo pôr toda aquela sensação ruim para fora de si. Não importava mais nada, apenas que ele ficasse bem, mesmo que momentaneamente.

- Deixa eu concertar o que eu estraguei, Ross.– Murmurei quando seus socos se tornaram apenas fracas encostas em mim. – Não me arrependo de ter me aproveitado, só quero consertar nossa amizade, o carinho que tínhamos um com o outro. Let me correct it, Ross?

Ele não tinha forças para me responder. Seus atos posteriores que me diriam se sim ou não.