Let Me Correct It
11 Capítulo 11
XI.
Are you still mine?
Unchained Melody, Righteous Brothers.
Eu sabia que eu precisava procurar Ryan para esclarecer as coisas. Eu não tinha ficado com Hayley de novo apesar de ter correspondido o beijo dela.Provavelmente eu estava sendo julgado por algo que eu não fiz. Hayley e eu ainda tínhamos que conversar, embora eu preferisse não ter aquela conversa.
Sabendo que a turnê do Paramore tinha acabado há alguns dias, decidi procurar Hayley em casa e acabar logo com isso. Eu queria ficar livre para Ryan Ross, apesar de saber que não seria tão fácil. Uma chance que eu pedi e tive. Conforme minha vontade , fui para a casa da vocalista do Paramore.
Como ela havia me dado uma cópia das chaves, fui entrando e ligando a luz ao perceber que estava tudo muito escuro. Não foi uma coisa muito boa reviver uma cena – quer dizer, não foi bem revivida porque não era o mesmo protagonista, só a menina era a mesma – que marcou demais a minha vida. Olhei para a televisão e vi o maldito filme “A Casa do Lago” rodando e um casal devidamente apaixonado se beijando. Não seria problema se a garota não fosse a Hayley.
Deixei o queixo cair quando pude ver com nitidez quando vi Josh. Ele estava com as mãos apoiadas no sofá onde deitavam, em cima dela que o acariciava com as pontas dos dedos que estavam em seus cabelos. Ninguém me levava a sério. Talvez fosse disso que ela queria falar comigo na boate. Talvez ela já levasse esse relacionamento com Josh há algum tempo e eu não sabia de nada. De qualquer forma, não me importei tanto quanto a primeira vez que aconteceu.
Pigarreei e os dois se desgrudaram. Hayley me olhou espantada, meio com medo e Josh tinha uma boa dose de raiva estampada no olhar, como se quisesse me bater de novo. Mesmo que eu não tivesse totalmente bom da primeira surra, um ódio tão grande me invadiu que eu o soquei, uma única vez. Hayley, dessa vez, entrou no meio e apontou a porta para o outro:
- Vai embora, Josh! – Falou pausado, enquanto me olhava dentro dos olhos a fim de me conter. Desviei um pouco para acompanhar os movimentos dele que passou por mim. Eu não me mexi em momento algum, nem mesmo quando uma palavra de calão baixo ao meu respeito surgiu em seus lábios. Ele pegou sua jaqueta e saiu.
Me sentei no sofá, ainda um pouco irritado, mas com a mão doendo por causa do soco. Olhei para Hayley com meu melhor ponto de interrogação nos olhos e a menina encolheu os ombros de forma ressentida. Ela então me deu um beijo na testa e foi buscar gelo, porque tamanha a força do soco que minha mão estava machucada. Quando voltou, entregou-me o cubo enrolado em um pano e sentou-se na mesinha de centro.
- Eu não deveria ter feito isso com você. – Não discordei. Apenas fiz sinal com a cabeça, na verdade o que me chateava era que eu me sentia usado por ela. – Eu sei que você só esteve comigo para provar que poderia ficar só com uma pessoa sem traí-la.
Arregalei meus olhos e acabei dando uma maldita risada fora de hora. Daquelas que só constrangem e não aliviam em nada. Mordi meu lábio em seguida para conter aquele maldito som, sabendo que eu já tinha traido-a.
- Eu jamais usei você.– Falei tentando parecer calmo – Mas posso citar você como exemplo daqui pra frente.
- Então você ainda me ama? Eu realmente reconquistei você? – Eu poderia fazer um drama e dizer que sim só para fazê-la se sentir mal, mas maneei a cabeça negativamente.
- Desculpe, Brendon. Deverdade.É que eu me apaixonei por ele e... Descobri a pouco que ele me ama... – ela mordeu os lábios, tentando conter seu mal jeito em se explicar. Dei um pequeno sorriso, agora já totalmente calmo e beijei-lhe carinhosamente a face.
- Seja feliz com aquele idiota se é o que quer. – Sorri maior – Eu vim aqui mesmo para conversar sobre nós e terminarmos, mas você me deu um motivo maior que minha solidão.
- Você deveria tentar ter alguém fixo, alguém que ame para ver se fica melhor sem essa sua costante solidão, Brendon. – Aconselhou maternalmente. – Podemos ser amigos, não é?
- Não vejo impedimento nenhum para não sermos. – Encolhi os ombros – Quer dizer, o Josh não vai gostar muito...
- Não me importa. – Piscou pra mim e sorriu. Confesso que fiquei na casa delacom gelo na mão conversando aleatoriamente sobre assuntos do Paramore e sobre o Panic! at the Disco. Decidi então ir para a casa de Ryan me desculpar e contar a novidade para ele. “Sem intervenção feminina, Ryan. Como você sempre quis.”
Comprei uma caixa dos seus bombons favoritos e dirigi até a casa de Ryan. Tinha uma frente bem cuidada e uma cor bem convidativa. Estacionei e buzinei como sempre fazia, mas Ryan Ross não apareceu. Eu esperava que ele ao menos me recebesse. Supirei, desci do carro e toquei a campainha, impaciente. Quando ele abriu – porque eu fiquei tocando a campainha desesperadamente por longos minutos — e deixou um maldito sorriso irônico escapar, segurei minha vontade de xingá-lo e a porta que era para ser batida em minha cara.
- Vai me escutar! – Exclamei, entrando em sua casa.Não entreguei a caixa, deixei-a no sofá enquanto Ryan apenas me encarava. – Por favor, me escuta.
- Se você se incomodou em fazer todo esse escândalopra mentir de novo pra mim, para no fim disso ir pra cama comigo de novo, eu vou socá-lo sem nenhuma compaixão. – Sorri de leve e Ross arqueou a sobrancelha – Isso não é engraçado!
- Eu não vou mentir, okay? Okay!- Rosnei — E mesmo assim me soque o quanto quiser. Eu caí no mesmo golpe de novo. O mesmo \"Casa-do-Lago-mais-Hayley-mais-Josh\".
- Sai da minha casa, Brendon Urie! — Gritou — Sai agora! Não quero ver mais a sua cara.
- Eu não vou sair, Ryan Ross. — Falei firme, com o tom baixo, cruzando os braços. Bati meu pé, bem mimado.- Eu quero que você me dê uma chance. Me ouça, Ryan Ross e depois eu não te procuro nunca mais, eu juro.
- Eu não acredito em você, Brendon. — Encolheu os ombros — Agora faça o favor de sair da minha casa.Não quero mais ver o seu rosto até o próximo show.
- Não vou sair, Ryan. Entenda. — Dei dois passos para frente e ele deu dois para trás. Tínhamos uma distância considerável um do outro que eu não gostava em nada. Pensei em me ajoelhar, mas não cheguei a tanto, apenas mantive o olhar triste contra o dele — Você pediu para eu não mentir e eu não estou mentindo. Você diz que me conhece muito, muito bem, então deveria conhecer quando estou sendo sincero.
- É recente demais para eu raciocinar. — Murmurou, sem forças — Eu não quero ouvir você.
- Se achar que eu estou mentindo, pode me chutar, me socar, me beijar... — Dei alguns passos até ele e Ross não se moveu, começou a perceber o quão desesperado eu estava ficando. Eu precisava ser ouvido por ele a qualquer custo. -Pode fazer o que quiser comigo, Ryro, eu não ligo. Desde que me ouça, o resto nada importa.
- Não, Brendon. Você vai me ouvir agora. — Ele se aproximou, me jogando contra o sofá. Arregalei os olhos ao notar o quão bravo ele estava. — Eu cansei, Brendon. Sério. Você só me procura quando toda a sua chance de sobreviver acabou. Brendon, eu quero ser estável, ter uma vida estável e eu acho que você não pode fazer parte dos meus planos.
- Como? — Arregalei os olhos — Você não pode fazer isso. Não. Pode.
- Brendon, eu não só posso como vou. — Segurou minhas mãos, olhando direto em meus olhos. Sem firmeza alguma. Ele não queria e eu não ia deixar acontecer. — Eu quero parar de sofrer por você que parece uma vadiazinha domada pela Hayley. Eu não quero uma vadia ao meu lado, Brenny. Eu quero você, mas o maravilhoso Brendon Urie que aprenderia a amar comigo, que seria só meu, eu não quero o cãozinho domado da Hayley, por isso, saia da minha casa e vai procurá-la.
– Eu não vou procurar a Hayley , Ryan. Não vou porque eu terminei com ela. Porque eu quero econsigo ser completamente fiel a você. Consigo porque você me completa, Ryan Ross. Eu não raciocinei quando ela me beijou aquele dia, no bar. Não era para ter acontecido, eu... Eu não esperava. Eu, realmente, sinto muito.
- Não me faça rir! – Cruzou os braços fronte ao peito, batendo o pé nervosamente. — Posso socar você agora?
- Pode, se realmente quiser. — Murmurei, mordendo o canto dos lábios. — Mas eu não estou...
Mal terminei de falar e senti o punho de Ryan duasvezes seguidas se chocar contra meu rosto. Limpei o local com as costas das mãos e voltei a olhá-lo, meio surpreso. Eu não sabiaque ele realmente ia fazer aquilo. O sangue saiu por um tempo, mas depois parou e com ele veio as lágrimas. Ryan estava muito magoado comigo e eu não ia poder curá-lo como queria. Talvez a cura fosse minha distância.
- Terminei com a Hayley por você, Ryro – Murmurei, continuei – Ela não me conquistou , porque eu me entreguei numa bandeija de ouro pra você. Desde quando te implorei uma chance para conhecer o amor. Por favor, Ryan, deixa eu te mostrar que aprendi a te amar?
- Você não...?- Entreguei o celular para ele, indicando que ligasse para Hayleye tirasse suas próprias dúvidas. Sentou-se no sofá ao meu lado e acariciou minha coxa, doce. — Eu acho que vou acreditar em você, mas se eu pegar você com ela, um soco vai ser só o começo.
- Não vai acontecer, seu bobo.- Mostrei a língua. — Ai, caralho! Minha boca tá doendo. E, você até que tem bons punhos pra uma garotinha.
- Brendon Urie! — Gritou, brincando — Não esqueça que você é a garotinha da nossa relação.
- Vai buscar gelo pra mim, Ross. — Torci os lábios, ainda que doessem — Da próxima vez que me socar, quebre meu nariz. Ele é menos útil.
Ryan deu uma risada e um beijo no topo da minha cabeça e foi buscar o gelo. Estiquei o corpo um pouco, pegando a caixa de bombons. Ao menos ia dar algo para ele sem visar um perdão. Quando ele voltou com o gelo enrolado no pano, segurou o meu queixo com cuidado e cuidou do ferimento. Ryan Ross e seu instinto doce de me cuidar. Adorava isso nele.
Gemi um pouquinho quando o gelo encostou e tirei os lábios. Ryan me olhou torto eaproximou o gelo de novo. Reclamei da dor, mas ele não parecia se importar. Ficamos nos olhando nos olhos por alguns minutos, então ele tirou o gelo e desviou o olhar.
- Quero muito beijar você agora. — Murmurei, torcendo os lábios agora geladinhos. — Quero, quero muito.
- Vai doer... — Falou, com um sorriso triste no rosto. — Não quero que sinta dor ao meu toque.
- Não me importo. — O puxei mais para perto, fazendo a toalha cair e provocando um pequeno barulhinho, por causa do gelo. — Não me importo em sentir dor alguma por seus lábios.
- Eu me importo.- Deu um beijinho com cuidado na minha mandíbula. — Me importo, porque te amo, sua vadia.
Juntei nossos lábios sem pensar em mais nada, a dor incomodou bastante e Ryan não pôde resistir. Ainda me pergunto se consegui corrigir tudo o que precisava corrigir com Ryan, talvez, isso é uma coisa que eu nunca fosserealmente saber. Apenas estou com Ryan, porque me apaixonei por ele.
E quando um mulherengo encontra o real amor de sua vida, ele nunca esquece.
- Sua vadia de segunda, Ryan Ross. — Brinquei. – Apenas sua.
FIM
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