Let Me Be Your Superhero
31 Capítulo 30 – Life is a miracle
Notas iniciais
Capítulo 30 – Life is a miracle
— Saiam da frente. – grito, sem me importar com quão grosseira estou sendo com essas pessoas desconhecidas que não fizeram nada de ruim, mas que permanecem no meu caminho enquanto Bucky e eu tentamos buscar ajuda em um hospital lotado – Temos uma grávida em trabalho de parto, será que alguém pode ajudar? – grito de novo, procurando algum médico.
Logo alguns enfermeiros chegam, com uma maca, orientando Barnes a colocar Bobbi na mesma, já que ele a segurava nos braços, mesmo após a relutância e hostilidade da loira.
— Vamos leva-la para a sala de parto. – um dos enfermeiros diz em voz alta, logo se dirigindo para a recepcionista — Chame a Dra. Holland agora. – a mulher de cabelos castanhos, aparentemente com seus vinte e poucos anos de idade, apenas assente e pega o telefone – Você é o pai da criança? – ele questiona Bucky, que arregala os olhos sem saber como reagir a uma pergunta tão absurda para ele.
— Eu sou o pai! – felizmente Clint aparece, entrando correndo, com duas sacolas na mão, obviamente os croissants que Bobbi pedira.
Assim que colocamos Bobbi em um dos carros de Tony, dirigi o mais rápido que pude até o hospital mais próximo, e no percurso consegui ligar para Clint avisando, ele deveria estar perto, ou sua moto é mais rápida do que eu esperava.
— Ótimo, pode vir comigo, se quiser. – Barton assente, seguindo o enfermeiro até o elevador, por onde Bobbi desaparecera a poucos segundos.
Respiro bem fundo, só então percebendo que minha respiração estava descontrolada. Olho para o lado, e vejo um Bucky desconfortável por estar em um lugar tão cheio e agitado, o que define bem esse hospital.
— Vem, vamos esperar ali. – aponto para algumas cadeiras encostadas a parede, vazias.
Ambos andamos até lá e nos sentamos, observando o movimento ao nosso redor. Sinto a ansiedade, finalmente o filho tão esperado de meus amigos está prestes a nascer. Só espero e torço para que dê tudo certo.
[...]
Muitas pessoas acreditam em milagres, como por exemplo, a recuperação de uma doença quase impossível, ou pessoas que sobreviveram a acidentes absurdos e quase fatais.
Já para alguns, a vida é o verdadeiro milagre. O nascimento é a coisa mais linda que o ser humano pode presenciar. Hoje, eu pude comprovar isso. Ao segurar aquele pequeno bebê em meus braços, mesmo chorando, foi a coisa mais incrível do mundo. Eu me senti feliz, eu estava onde deveria estar.
— Ele é lindo, Bobbi. – solto um simples sorriso, tentando manter as lágrimas em meus olhos, mas aquele “humaninho” tão indefeso em meus braços não facilitava, eu estava emocionada.
— É a cara do Clint. – a loira responde, sorrindo, demonstrando abertamente sua felicidade, assim como Barton, que também não para de sorrir.
— Mal posso esperar para ensinar esse meninão a usar um arco. – ele comenta assim que entrego o bebê a ele, o observando segurá-lo com tanto cuidado e tanto carinho que até me espantei um pouco – Você vai ser um arqueiro tão bom quanto o papai aqui. – sorrio ao vê-lo conversar com o próprio filho.
— Ei, vai com calma aí Gavião. Ele ainda é só um bebezinho. – Bárbara repreende, fazendo-o revirar os olhos enquanto se aproxima dela, colocando o bebê em seus braços, e lhe dando um beijo suave na testa.
— Você é uma estraga prazeres, mamãe coruja.
Bobbi faz beicinho, logo depois voltando a atenção para o filho, que parara de chorar assim que Barton o tirara de meus braços. Eu ainda vou ter muito tempo pra conquistar esse menino.
Fico ali, observando a família que Barton conseguira construir, mesmo com a loucura que é a vida dele, sentindo-me feliz por ele, pois conseguira ter o seu final feliz. Clint merecia isso, depois de tudo que passou, ele e Bobbi mereciam ter sua própria família enfim.
Mas, apesar de estar feliz pelos dois, eu não podia evitar o pouco de inveja que senti. Ver eles ali, sorrindo, com um filho nos braços, me fez pensar que isso é algo que eu quero pra mim, mas também algo que eu nunca terei. Não posso ter filhos, é impossível pra mim, só não tive coragem de contar isso ao Steve ainda. Será que ele quer isso tanto quanto eu quero?
— No que está pensando? – sinto um braço forte envolver minha cintura com carinho, enquanto a voz de Steve sussurrava em meu ouvido.
Sorrio levemente, sem desviar os olhos da cena a minha frente.
— Nada. Só estou feliz pelo Clint e pela Bobbi. Eu nunca os vi tão felizes quanto agora. Os dois merecem. – respondi, como de costume, não me abrindo.
— Um dia seremos eu e você em um quarto assim, com o nosso próprio filho. – sinto seus lábios pousarem em meu rosto levemente, em um beijo curto e carinhoso.
Ouvir essas palavras foi bem parecido com as diversas vezes que fui atingida por uma bala durante um combate. Mas a dor era duas vezes pior. Steve quer uma família, agora eu não tenho dúvidas disso, e saber que eu nunca poderei dar isso a ele é o que acaba comigo, faz com que eu não me sinta suficiente pra ele.
— Quem sabe... – é o que respondo, tentando evitar dizer que isso nunca vai acontecer, que Steve e eu nunca teremos filhos, porque eu não posso e nunca serei capaz de conceder esse milagre tão lindo da vida.
De fato, essa incapacidade combina bem com a Viúva Negra... Afinal, fui treinada pra tirar vidas, e a KGB sempre pensou em tudo meticulosamente.
Depois de tantos anos, enfrentando situações perigosas, muitas delas escapando da morte por um triz, eu nunca senti tanto medo quanto estou sentindo agora. Medo de perder a única pessoa que conseguiu enxergar em mim algo que nem eu mesma via, que conseguiu me amar de verdade, e que me fez amá-lo também.
Eu não estou pronta para contar a ele, não estou pronta para arruinar seu sonho de ter uma família, e sinceramente, eu nunca estarei pronta para fazer isso. Steve merece alguém melhor que eu, merece alguém que seja boa o bastante para ele. Eu certamente não sou essa pessoa, e tenho medo do que possa acontecer quando ele se der conta disso.
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