Let It Be
1 A brand new start...(Or just a very rough end)
“A girl can do what she wants to do and that's what I'm gonna do”-Joan Jett
-Megan,vai ser bom pra você!É Montreal,e sua tia é tão centrada. Vai te ensinar alguns valores,vai te por na linha.-Diz minha mãe, sorrindo ironica.Ela consegue me mandar pra morar com minha tia no Canadá e continuar calma?Não me leve a mal,em condições normais, morar perto de Montreal seria maravilhoso. Mas a Tia Jane é super conservadora,do tipo que não deixa nem ver TV,acha que rock é algo do diabo e que Sex Pistols é uma seita satânica.(Sério,ela me disse isso quando eu tinha uns 9 anos)Além do mais, não é como se eu tivesse escolha de ir ou não.
-Pense bem,querida.Vai ter a Kate,sua prima,ela tem sua idade...
-Mas pai,eu nem lembro dela!-Na verdade,eu lembro.Uma menina de cabelo castanho avermelhado que implicava comigo.Uma vaca,se quer saber minha opnião.
-Você vai,Megan.Já falei com sua tia.Eu não quero que você termine igual sua irmã.Já me basta uma problematica nessa família.
-A Sofia não ficou assim a toa,sabe,mãe?-Explodo-Mas você nunca se importou mesmo...Até ela entrar em coma.Agora você quer me afastar dela..Tudo por essa sua hipocrisia.Você queria uma família perfeita?Olhe sua família perfeita então.A mais velha está em coma,a mais nova,expulsa de casa.Seu marido não te ama e você é uma vaca fútil.O que suas amigas ricas acham disso?-Respiro fundo,tentando impedir as lágrimas de continuarem descendo.
-Você vai,queira ou não.Sua passagem e sua emancipação.-Minha mãe me diz,seca,estendendo uma pasta.-O voo é as 8 da noite.De hoje.
Arranco a pasta da mão dela e subo correndo para o quarto de Sofia,meu refúgio.Olho seu relógio com nossa foto em alguma praia do Rio de Janeiro.São 12:46.Pego uma mala e coloco algumas roupas minhas e dela.Não que eu tenha muita coisa para levar.A maior parte da mala são livros e fotos.No meu quarto,pego todo o dinheiro que tenho guardado.No quarto de Sofia,pego a chave que ela escondia no globo de neve e abro sua caixinha de segredos,como ela costumava dizer.Algumas cartas,cartoes de crédito e dinheiro,quase 9 mil reais.Vou para o banho e visto meus jeans,uma camiseta do Nirvana e a jaqueta de couro dela,juntamente com um cachecol de lã branco,meu colar da sorte e o relógio de prata dela.Dou uma olhada no local que chamei de casa pelos últimos 17 anos.Branca,grande,com cara de rica.Trazia a ideia de família perfeita,de clase média alta.Só que não era realmente assim.Eu desabo.Não sou sentimental,mas ser expulsa de casa por sua própria mãe não é,digamos assim,a coisa mais fácil e agradável do mundo.Seguro minha mala,e tento conter as lágrimas enquanto marcho em direção a porta.Sem dizer adeus a ninguém, estou sozinha,acho.Sinto uma mão em meu ombro e me viro.Meu pai me abraça forte,como fazia quando eu era pequena.
-Megan,eu...Eu sinto muito pela Sofia,ok?Mas você tem que deixá-la ir.Eu...Acho que sua mãe não devia te mandar para sua tia,mas recomeçar pode ser bom para você.Você sempre foi forte,embora não use seus poderes muito para o bem.Eu espero que dê tudo certo na sua vida,e eu espero que saiba que sempre pode contar comigo.Qualquer coisa que você precisar eu te darei.Toma .-Ele me entrega uma bolsa.-Seu passaporte com vistos canadense e americano estão aí.De residente para os dois países.E tem um cartão de crédito,pra sua conta.Tem 50 mil dólares.E tem mais uns 450 dolares canadenses aí.Sofia estaria orgulhosa de você.Eu te amo, pequena.Você vai ser meu bebê pra sempre,né?
-Só se você for meu pai pra sempre.-Ele ri.Vou sentir falta dessa risada.
-Você já tá tão moça...Me promete que nenhum idiota vai partir seu coração?
-Prometo.-Nos abraçamos com lágrimas nos olhos.Me despeço de meu pai e vou embora.Para sempre.Estou quase pronta para deixar o Brasil.Quase.Tem mais alguém que merece meu adeus.
-Hospital Santa Catarina,por favor.-Digo ao taxista,enquanto bato a porta da Meriva.A mala está no porta malas.Uma música em portugues toca no rádio.
-Quem vai visitar?Melhor amiga?-Ele arrisca,puxando assunto.
-Irmã.-Ele para o carro na porta do hospital.-Me espere aqui.Não vai demorar,juro.
As enfermeiras já me conhecem e apenas me entregam meu crachá.Subo até o quarto 67.Sofia ainda está em coma.Eu tomo folego:
-Sofia,é a Megan.Me escuta,ok?Lembra do nosso plano de fugir de casa e nos emancipar?Eu fui meio que expulsa de casa.Mas me emancipei.Eu...Estou sendo mandada para morar com a tia Jane.Eu peguei o seu dinheiro,depois explico.Continue viva,está bem?Eu te amo.Muito,muito mesmo.Eu vou estar em Montreal,acho.Se eu não fugir. Vou te mandar cartas a cada 15 dias,juro.Não me deixe fazer muita merda,ok?
Deixo uma carta em sua cabeceira e lhe dou um beijo na testa antes de ir.O taxista me leva ao aeroporto.17 horas. Faço check in e entro no voo,mostrando minha passagem de executiva.Pelo menos isso.Minha vida inteira,minha mãe me controlou,assim como controlou minha irmã.Minha irmã se rebelou contra o sistema,e minha mãe a odiava por isso.Minha irmã me ensinou a fumar,me arranjou maconha mais de uma vez e sempre me dava dicas de como ficar com os meninos.Tipo,a irmã loucona e perfeita.Eu estudava mais que ela,então sempre fiz seus deveres de história e trigonometria.Ela desenhava muito bem.Ela gostava de Oasis,eu do Sting.Ela era loira,e eu morena.Minha irmã,mas minha melhor amiga.Ela sempre dizia que,quando fizesse 18 anos,ia pedir minha guarda e nós íamos fugir.Olhei minha emancipação.Sofia ia gostar disso.Significa que eu sou, finalmente, independente.Livre da minha mãe controladora. Ouvindo música da "seita satânica",(também conhecida como Sex Pistols),eu penso em como tudo vai mudar.Sem pais,sem amores,sem irmã.Com uma tia mais santa que Madre Teresa.Uma prima mais metida que a Paris Hilton. Músicas Gospel. Sem celular,talvez até sem telefone. Usando roupas do século 17.Sem Johnny,Jack ou Jim.Sem Malboro ou L&M.Sem Axl,Kurt ou Jimi.
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