Leque de palavras

1 Um novo começo


Naquela noite iluminada pelo luar Accarius descansava deitado em um banco de areia admirando as estrelas enquanto aproveitava para recuperar as energias que havia gastado nadando durante o dia todo. Já havia passado quatro dias desde que ele podia aproveitar o momento de descanso desde que havia fugido de casa. Aquela correnteza que batia em seu rosto já era diferente da que existia no local em que havia nascido, era perceptivo ao sentir o movimento suave da água contra seu rosto. Vendo o céu estrelado através da água do mar ele era capaz de ver que naquele local a água já estava mais poluída. Era uma porcentagem bem baixa, mas para quem viver em contato com o mar a vida inteira era algo simples de se ver.

Mesmo submerso em seus pensamentos quando a água se movimentou levemente ele já virou o rosto para olhar o que perturbava a água. Um navio de cruzeiro, do mesmo tipo que havia causado a morte de sua mãe. Após o acidente ele não aguentava mais continuar morando onde foi criado com seus pais. Tudo lembrava ela, todos lembravam dela, era algo doloroso continuar pelo mesmo lugar. Seu pai já havia falecido a algum tempo então não era mais afetado pelas memórias dele. Porém esse não foi o único motivo que levou Accarius a deixar seu lar. Ele amava seu lar, sentir a correnteza em volta do seu corpo todos os dias, nadar com os peixes, observar como o sol reluzia as estruturas de Atlântida. A roupa feita de escamas verdes que sempre usava agora pareciam perder o significado. Quantas vezes brincou com sua mãe se escondendo entre as algas. Isso também ajudava na hora de lutar contra um tubarão quando era preciso defender sua cidade. Era um nadador rápido e por isso usava duas facas para se defender contra esse tipo de perigo. Embora fosse agonizante continuar no mesmo ambiente sem sua amada mãe o que o persuadiu ele a abandonar sua morada foi o fato do rei ter virado as costas para seu povo. Ele não conseguia compreender como um soberano que era tão benevolente podia abandonar seu amado povo pelo povo da superfície. Accarius sabia que mais cedo ou mais tarde a guerra da superfície iria afetar o mundo em que viviam, já que o rei já não estava mais presente para defender o palácio ele resolveu começar a sua jornada procurando um local em que poderia viver em paz. Para Accarius não importava se Atlântida estivesse sobre ataque ele queria sobreviver sem precisar se preocupar com outro ser vivo.

O navio estava se aproximando, apesar de estar submerso na água o local que estava deitado ficava perto do fundo do navio, Accarius precisava se mexer para que não interferisse com nada. Ele procurava viver em paz e isso significava evitar ao máximo contato com humanos. No momento em que desceu do banco de areia e começou a nadar para o fundo começou a escutar estouros fortes vindo de cima. Guerra. Era tudo o que vinha na cabeça de Accarius. Todavia para sua surpresa não eram tiros que ele viu ao virar para olhar para o navio que se aproximava. Fogos de artifícios explodiam no céu estrelado. Isso o fez lembrar de sua mãe, quando era pequeno ela o levava para um local para ver uma certa celebração dos humanos que acontecia todo ano. O anos foram passando e iam os dois aproveitar aquele momento juntos. Eles ficavam sentados em uma pedra no mar aberto e contemplavam juntos a beleza que explodias nos céus. Mesmo quando sua mãe não podia mais nadar como em sua juventude, Accarius nadava sempre ao seu lado dando o seu apoio. Atraído pelo brilho constante que tomava conta do imenso céu ao invés de descer para as profundezas do oceano Accarius resolveu subir para ser capaz de olhar melhor para aquele espetáculo que acontecia acima de sua cabeça. Logo ao tirar a cabeça da água foi possível ouvir uns barulhos mais altos que as próprias explosões e vinham do navio. A música estava incrivelmente alta, para ser capaz de ouvir de onde estava. Sem dúvidas é uma celebração, era o que passava pela cabeça de Accarius. Ele estava tão imerso em seus pensamentos que não reparou quando o navio já estava próximo a ele. O que tirou ele de seu momento de apreciação foi ouvir gritos histéricos vindos do navio.

— Mamãe tem um moço nadando no mar!!!! — uma voz infantil gritou e quando ele olhou para a origem do barulho viu uma criança apontando diretamente para o local onde ele se encontrava.

Accarius entrou em pânico e sem pensar duas vezes mergulhou e começou a nadar o mais rápido que podia para se afastar daquele problema. Havia se distraído e agora sua própria existência corria risco. Sempre evitou o máximo o povo da superfície, eles só fazem poluir o mundo onde vivem. Seja o da superfície ou o oceano. Da mesma forma que sentiu o navio se aproximando enquanto relaxava, conseguiu sentir que algo havia entrado no mar atrás de si, mas não foi um movimento simples foi algo bruto que mexeu a água com ferocidade. Por instinto Accarius virou para cima, sacando suas facas já preparado para ter que enfrentar alguém. Mas o que viu a sua frente foi algo que não esperava.

— Disseram que tinha um homem caído no mar, não esperava que fosse um cidadão de Atlântida. — disse o homem que flutuava em sua frente. A capa que usava parecia meio embolada devido aos movimentos da água, mas sua postura não era de alguém que estava tendo dificuldades para nadar ou respirar.

— Quem é você? — Accarius perguntou levantando mais ainda as facas, mantendo a posição de ataque.

— Não está longe de casa? Se perdeu? — sua voz era bem calma, mas seu olhar esbanjava seriedade.

— Responda minha pergunta! — Accarius estava se sentindo ameaçado, não sabia que humanos podiam respirar embaixo da água, não sabia se corria, se lutava ou se apenas se defendia. Sua mente estava bem confusa.

— Calma, eu não quero lutar. — dizia o homem levantando ambas mãos a sua frente com a palma aberta — Me chamam de Super Homem.

Agora que Accarius conseguiu reparar que na roupa do homem a sua frente tinha a letra S em vermelho que gerava contraste com a roupa azul que usava.

— Eu conheço alguém de Atlântida — sua voz mantinha a mesma calma que antes

— Impossível! — Accarius arregalou os olhos tentando encontrar alguma explicação para as palavras que havia acabado de ouvir.

— O nome dele é Arthur mas o chamamos de Aquaman — ele abaixou as mãos, sem desviar o olhos dos olhos do tritão a sua frente

— Como....? — por um momento Accarius abaixou a guarda, estava chocado pelas palavras que ouvia

— Acho que pode dizer que trabalhamos juntos.

— Um traidor como ele?!! — ódio se formava no rosto de Accarius

— Traidor? — Super homem continuava mantendo a calma sem se exaltar, apenas demonstrou surpresa erguendo uma sobrancelha

— Como você chama alguém que abandona a própria casa por causa de problemas de outros? Ele nos traiu!!! — Accarius gritava com toda força em seus pulmões.

— Bem apesar de parecer simples é mais complicado que isso. Ele saiu de Atlântida porque sabia que se continuasse lá o perigo real iria chegar e ele não teria como defender todos os que ele ama.

— Mentira! Ele sabe que o perigo vai aparecer mesmo sem ele estar lá!

— Acha mesmo que ele iria embora porque as coisas parecem dificies? — pela primeira vez Super Homem levantou o tom de voz, mas sem perder a compostura — Que ele simplesmente iria embora porque não tinha como enfrentar? Muito pelo contrário, ele saiu de lá exatamente porque se importa muito. Se destruirmos o mal quando aparece na superfície ele não vai chegar no oceano e sua casa estará segura. Ele tomou essa decisão como rei para proteger seus súditos e seu lar.

— Ele foi embora sem se pronunciar. Ficamos sem liderança. — a voz de Accarius ficou fraca

— Foi por isso que você resolveu ir embora? Fugir?

— Você não sabe de nada! — continuava gritando como se isso fosse fazer Super Homem entender seus sentimentos

— Eu fui mandado embora do meu lar. Não pude fazer nada na época e hoje ele não existe mais. Se eu pudesse fazer qualquer coisa para ajudar um pouco que fosse eu teria feito. Aquaman se juntou a um grupo que deixou suas antigas vida em prol do bem maior.

— ...... — não tinha o que falar, Accarius estava tentando entender o que aquele homem lhe falava.

— Como você não está se afogando não tenho o que fazer aqui. Não faça nenhuma besteira. — e com essas palavras Super Homem se impulsionou de volta a superfície. Accarius ficou olhando ele se distanciar e ficou ainda surpreso ao ver que ele não parou ao ter o torso fora da água. Ele estava flutuando no céu.

Accarius ainda não conseguia acreditar no que havia acontecido. Encontrou com um humano que conhecia o rei. Desde que o rei havia deixado o lar parecia não ter volta, quando na verdade ele deixou seu lar para dar uma chance ao futuro para todos os moradores de Atlântida. Ele começou a se sentir envergonhado de ter ido embora assim que sua mãe morreu. Mesmo quando o rei não estava mais lá, ela sorria e ainda trabalhava para o bem da cidade submersa. A explosão que foi causada pelo o navio não matou apenas ela, mas sim outras mulheres que estavam ajudando a limpar os arredores da cidade. Seu pai havia morrido protegendo Atlântida contra uma guerra interna que aconteceu alguns anos. Ambos morreram protegendo a Atlântida que amavam e ele havia ignorado tudo por puro egoismo. O esforço de seus pais, a dedicação de seu rei e a vontade de continuar do povo de Atlântida. Ele nunca tinha pensado em nessas coisas até o momento com o confronto contra o Super Homem. Accarius não podia acreditar que tinha feito aquilo. Agora ele sabia o que tinha que fazer. Começou a nadar o mais rápido que podia na direção que havia nadado até ali, tinha que voltar para Atlântida o mais breve possível, não podia ficar longe nem mais um segundo seu novo começo que tanto buscava estava lhe aguardando lá para dar inicio a sua nova jornada.

Notas finais
O tema dessa história é "1- Uma história com o título "Um Novo Começo" " e sobre "1. Uma fanfic de um fandom com o qual eu nunca escrevi antes" (escolhi a DC Comics) e "2. Uma fanfic com sereias/tritões ou que tenha a ver com o fundo do mar".

Tentei juntar esses três temas nessa mesma história. Gostaria muito de ouvir a opinião de vocês sobre o que acharam. °?–✧?—?(⁰?–?⁰)?—?✧?–°
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.