Leonore

1 Capitulo Único


Notas iniciais
Espero que gostem ^^

Ninguém era mais bonita que a filha do rei. Dentre todas as donzelas pelos sete reinos, Leonore era, de longe, a mais bela e pura das damas. Seus cabelos loiros, sempre trançados, davam-lhe um ar leve e seus olhos verdes eram os mais claros e brilhantes que as pessoas já viram. Todos os rapazes do reino a queriam e faziam-lhe a corte, mas a garota não queria ninguém, estava bem sozinha.

Seus pais gabavam-se o tempo todo da beleza dela, dizendo: “Nossa filha é tão linda, que todos hão de se apaixonar por ela!”. As moças solteiras a invejavam e as casadas a odiavam, por causa de seus maridos. Porém quando ela passava, tudo era enterrado e esquecido. Ela era linda demais para ser julgada e tão bondosa que a própria igreja pensava em torna-la santa. A mais santa das santas.

Um dia, porém, naquele reino abençoado com a beleza da jovem e ingênua Leonore, apareceu um cavalheiro de queixo fino, olhos castanhos e cabelos loiros que andou por todo o lugar, ouvindo sempre o quanto a filha do rei era linda e indisponível. Decidiu, então, ir até o castelo do rei e conhecer a garota. Quando o fez, ela se apaixonou por ele imediatamente. Os dois pertenciam um ao outro.

Só tinha um porém: O rapaz não tomava atitudes com ela. Não falava-lhe direito e quando dirigia-lhe a palavra, nunca era para dizer algo bonito. Às vezes era sobre o tempo e sobre as cartas que escrevia, mas nunca para ou sobre ela. Leonore já estava farta daquilo e queria que parasse de ama-lo, mas não conseguia. Tinha algo nele que a atraia terrivelmente. Parecia que toda a beleza dele era um imã pra ele. Apesar de todas as coisas boas, era uma garota realmente muito superficial. Então, falou com sua mãe sobre seu terrível amor por aquele homem belíssimo e tão querido por ela.

“Ora, querida” disse lhe a mãe “Vamos resolver este problema! Vamos preparar uma mascarada, para todas as suas tristezas serem espantadas!”. A princesa, que realmente adorava festas daquele tipo, concordou de pronto e agradeceu a mãe.

Logo chegou o dia e todos do reino foram convidados. O pai, que nada sabia de sua paixão por um forasteiro, pegou-a e a apresentou-a aos amigos falando de como sua filha era bonita e que até o coração do demônio havia de amolecer. Cansada daquilo, ela se desvencilhou e foi procurar o amado. Como estavam todos de mascaras, não sabia por onde o acharia, mas não precisou andar muito. Lá estava ele, beijando uma mulher desconhecida por ela e provavelmente por ele. Quando os dois a viram, pararam de se beijar, mas nada disseram. Leonore voltou a seu quarto em silêncio e sentiu ódio, um ódio que a corroia por dentro e a fazia querer morrer ou matar quem matava sua felicidade...

Era isso. Acabaria com a vida da mulher e tudo ficaria bem. Não importava como. Lembrava-se de seu rosto... Estava sem a mascara. Pobre mulher que cometeu um erro tão banal que nem sabia ser fatal.

Dias e dias se passaram até que tornassem a se ver novamente, ela e o rapaz. Não lhe dirigiu palavra e sabia que não deveria, mas não podia evitar olha-lo. Ele percebeu, mas não ligou e isso a enfureceu de uma forma doentia. Passou pelos corredores, até seu pai para-la e chama-la. Adentrou a sala e deu de cara com a inimiga.

— Esta é a Anne, Leonore – falou ele, sorrindo – Ela é sua nova criada. Foi mandada pelo próprio duque, que a renegou como filha, pois a descobriu impura.

Era perfeito! A chance que precisava! Seria Deus, ajudando-a a conquistar seu verdadeiro amor? Só poderia!

Cumprimentou-a e saiu da sala, com ela em seu encalço. Não se falaram, nem se entreolharam até chegarem ao quarto da princesa, que disse que não estava muito cansada e que ia até a cozinha, pegar algo para comer.

— A srta não quer que eu vá? – perguntou a criada e a outra fez que não, que não precisava. Desceu escadas e atravessou corredores, para chegar à cozinha e surrupiar apenas uma faca. Mataria ela e ninguém nunca suspeitaria da princesa, pois esta iria se ferir também. A janela seria quebrada e tudo pareceria perfeito. Logo, seu amor iria direto para seus braços.

Subiu tudo de volta e entrou no quarto, para ver a criada falando com alguém da janela. Era uma amiga. Quando Leonore entrou, ela deu tchau e fechou o vidro, voltando-se para ela. A loura trancou a porta.

— Princesa, não acha melhor deixar a porta aberta caso algo aconteça? – perguntou a criada, no entanto sem mostrar preocupação. A outra fez que não e deixou a faca à mostra, sorrindo assustadoramente.

— Não vai acontecer nada comigo – aproximou-se dela – mas com você, eu já não garanto – e matou-a, antes que pudesse algo dizer. Limpou seu rosto e olhou para o corpo – Você era patética e já era, apenas por meter-se em meu caminho.

— É ela já era mesmo – disse uma voz do outro lado do quarto, fazendo-a se virar. Era ele, seu amado, em carne e osso, mas como entrara ali? – Não pensei que fosse ser tão rápido.

— Eu a matei – falou e ele riu, erguendo as sobrancelhas.

— Matou, de fato matou – concordou e aproximou-se dela, tirando-lhe a faca da mão e sorrindo, olhando em seus olhos, daquele jeito que só ele sabia fazer – foi tudo que eu precisava, obrigada.

— Para quê? – perguntou Leonore, confusa com o assunto e ele riu de novo. Deu-lhe as costas e se afastou dela dois passos.

— Você não sabe meu nome, não é? – perguntou ele e ela disse que não. Se virou e ao invés de castanhos, seus olhos estavam vemelhos – É Lúcifer. Seu pai falava bastante que até o diabo se apaixonaria por você e é o que aconteceu. Eu só precisava que você fizesse algo de ruim, mas bem ruim. Agora, Leonore, você é minha — e dizendo isso, esfaqueou-a e puxou sua alma. Juntos, foram-se os dois para o inferno e de sua história só sobrou os lamentos de um rei amargurado, por ter provocado o diabo.

Notas finais
Deixem comentários!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!