Leonetta
155 Epílogo.
Notas iniciais
— Ai, Léon, como sinto sua falta... Mas sei que breve estaremos juntos novamente. – Ri esperançosa. – O engraçado é que ainda me lembro do dia em que nos conhecemos, eramos tão jovens. Você salvou a minha vida, em mais maneiras que jamais pensei. Trocamos números de telefone e tudo estava perfeito. Tudo sempre foi perfeito com você. Mas, tanto problemas vieram juntos...
Ah, não entenda mal, querido. Eu não teria feito nada diferente. Passamos por altos e baixos, mas que casal não passa? Conhecemos tanta gente. – Ri com um sorriso na comissura dos lábios. – E lhe garanto que se não tivesse sido por eles jamais teríamos chegados tão longe, jamais teríamos nos casados, Martina e Jorge jamais teriam existido, e garanto que eles sempre saberão o quanto nos dois os amamos. Mesmo nos dias que passamos sem dormir quando eles nasceram, ou nos dias em que tivemos que ficar acordados para terminar de compor músicas, mesmo quando estávamos exaustos.
Mas querido, tudo valeu a pena, criamos juntos uma estória de amor que vai ficar para a história. Sei que nossos netos já devem saber como contar a seus filhos. E mesmo que ninguém se lembre, e mesmo que nós caímos no esquecimento que alguma hora todos caem, o universo saberá que nosso amor é eterno. E eu sei que nossas músicas serão recordações constantes para as gerações futuras de amores verdadeiros são reais.
Garanto que não somos os primeiros e não seremos os últimos exemplos de almas que se completam, mas fico mais que satisfeita em dizer que fizemos parte desse meio. Tudo poderia ter sido diferente se eu não tivesse entrado em um parque, ou se eu tivesse visto o barranco, ou se eu simplesmente soubesse, naquela época, como nadar. – Meu sorriso se amplia cada vez mais. – É engraçado pensar que coisas tão simples assim poderiam ter mudado essa estória. Razões como essa me fazem acreditar em destino.
Mas a memória mais linda de nós dois que eu tenho, por mas mórbida que seja, foi o último ‘eu te amo’ que trocamos. Eu voltaria em piscar de olhos para aquele simples instante. Nem que seja para apenas olhar nos seu olhos uma última vez, para ver seu sorriso por mais que fraco, para segurar a sua mão novamente e sentir como se tivesse sido a primeira vez. Oh, se eu pudesse, eu voltaria.
Você foi a primeira e única pessoa que eu realmente amei, e que realmente me conhecia. Sei que provavelmente essas minhas palavras jamais chegarão a você. Mas se existir um lugar em que nos dois nos reencontremos, eu repetirei quantas vezes desejar. E mesmo que nunca mais troquemos uma palavra e apenas nossas almas ficarem juntas... Garanto, eu estarei feliz.
Por que na vida ou na morte, o melhor lugar para estar será sempre a seu lado. E eu sei que você já sabe, que todos já perceberam, mas eu só quero lhe dizer por uma últimas vez: Eu te amo! Obrigada por ter sido o meu felizes para sempre. – Finalmente levanto, porque todas as palavras já foram ditas, e enquanto eu fecho os olhos, uma lagrimas desce e minha última visão foi um pedaço de mármore que se lia:
Léon Vargas (1998-2082)
Amado pai, amigo e marido.
“Embora não me vejas
Sempre cerca ti estarei.”
E agora, eu finalmente vou por ti.
Fim.
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