Notas iniciais
Yeeeeap o/

Eu amo esse casal e não consigo parar de escrever sobre eles aaaaaaaaAaaaaahH

Bom, espero que gostem xD

— Bi! Não gay, não hétero, Bi! – Exaltei-me. Eu já estava cansado de escutar a mesma coisa sempre. – Não é porque eu ‘to em um relacionamento hétero que eu deixei de gostar de homem e vice-versa! – Suspirei frustrado e decidi que era hora de parar.

Não era o desfecho que eu esperava para a noite — na verdade eu não sei bem o que esperava quando topei uma reunião do ensino médio — mas discutir com todos por conta da minha sexualidade não era uma delas. Recolhi minhas coisas e sai do restaurante sendo arremetido pelo frio, a raiva borbulhando no meu ouvido.

“Soube que namorou uma mulher recentemente, decidiu virar hétero finalmente?”

“Beijava homem porque nunca tinha pego nos peitos de uma mulher.”

“Remédio para toda gayzisse” – A risada debochada queimando o interior do meu cérebro.

Algo como o último comentário eu já esperava uma vez que Octavian sempre fora um grande imbecil preconceituoso e duvidava que os cinco anos que passamos sem nos vermos pudesse ser suficiente para seu único neurônio se multiplicar, mas eu não estava preparado para o pico de ignorância que havia presenciado, ainda mais vindo de pessoas que “aceitaram” quando a notícia de que eu gostava de homens também se espalhou pela escola.

Destravei o carro e taquei a mochila no banco traseiro e antes de ter a chance de fechar a porta ouvi um grito que parecia me chamar – embora eu já tenha me enganado em vários casos assim – e virei observando um menino correr em minha direção, os cabelos pretos e rebeldes tampando seu rosto e dificultando minha tarefa de reconhecê-lo.

— Will! Você ‘ta bem? – A voz grave me surpreendeu vindo do que parecia um corpo infantil, mas então eu finalmente reconheci, Nico Di Angelo tinha me alcançado.

— Nico? O que você ‘ta fazendo aqui? – Perguntei genuinamente confuso. Ele era dois anos mais novo do que eu, portanto aquela reunião não era uma tortura que ele deveria aguentar.

— Percy mandou mensagem a um tempinho pedindo que eu viesse com alguma desculpa salvá-lo daqui, mas eu cheguei em um mal momento e achei que você precisasse mais. – Explicou terminando com um sorriso sincero, me surpreendendo.

Nico era primo do Percy – uma das poucas pessoas descentes da minha antiga sala e que demonstrou continuar assim ao não disfarçar seu nojo ao que eu fora obrigado a escutar minutos atrás. Não via Nico desde que terminei o colégio e mesmo antes nunca fomos de conversar, mas ele tinha uma fama sombria de ter alguns problemas sociais e Percy costumava ser seu único amigo.

— Você está bem? – Repetiu a pergunta interrompendo meu fluxo de pensamentos e eu em um impulso o abracei.

— Obrigado por se preocupar. – Murmurei esperando ser afastado, mas ele parecia ter superado qualquer problema que tivesse tido no passado e retribuiu o abraço de uma forma tão acolhedora que o nó no meu peito se desprendeu.

— Eles são uns babacas.

— Eu sei.

— Octavian é um bosta.

— Eu sei.

— Você deveria ter socado ele.

— Eu sei. – Ri me afastando. – Eu pensei bastante sobre fazer isso, tipo desde o colégio, mas como da para perceber eu não sou o tipo atlético que daria uma surra em alguém, ‘to mais para o bundão que quebra com um sopro, então deixei para uma próxima ocasião, mas estou desejando com toda a minha nobre alma que ele seja atropelado e o carro exploda em cima dele.

Nico gargalhou e automaticamente se tornou o ser mais charmoso que eu já tinha visto. O modo como sua expressão se suavizou e ele parecia tão genuinamente divertido com o comentário contrariou todo o pré-julgamento que inconscientemente minha mente tinha feito baseado no seu visual – tinha passado de um adulto em um corpo de criança marrenta para um homem gentil e charmoso em suas roupas pretas e feições infantis (homem no qual eu queria muito sentar).

— Se eu tivesse um carro eu ficaria feliz em ajudar, mas acho que vamos ter que deixar isso para uma próxima ocasião também. – Ele piscou em minha direção e por um segundo me deixei iludir, o que custou muito para segurar o “Quando? Amanhã eu ‘to livre, a gente pode usar o meu carro e depois podemos tomar um café e começar a discutir os planos do nosso casamento, eu sempre achei que um no campo durante o nascer do sol seria interessante” – Já que você está bem eu vou resgatar o Percy... – Sua fala parecia incompleta, como se ele fosse acrescentar algo ou esperasse que eu o fizesse, mas eu não sabia o que dizer e estava usando toda minha concentração para não o assustar com os planos sobre nosso destinado futuro.

— Obrigado por ter vindo. – Sorri, esperando que não estivesse deixando óbvio que eu estava decepcionado por ele ainda não ter se ajoelhado e me pedido em casamento, ou talvez só o meu número mesmo.

— De nada Will. – Soltou em um suspiro e pareceu incerto por um segundo antes de se aproximar e me dar um rápido abraço. – Foi bom te ver!

E tudo o que eu pude fazer foi entrar no carro e ficar observando enquanto ele se afastava em direção ao restaurante, para então ligar o carro e dirigir de volta para casa – sem um noivo.

**

Aquela noite eu sonhei com Nico Di Angelo vestindo uma armadura quase tão brilhante quanto o sol enquanto usava uma almofada em forma de Kombi para espancar Octavian.

**

Uma semana se passou comigo esperando que Nico tivesse ficado xonado em mim, mas fosse muito envergonhado, por isso tinha deixado para pedir meu contato para o Percy e logo ia aparecer me chamando para sair, mas claramente era fanfic demais para ser minha vida e eu fiquei esperando por algo que não veio – e não viria.

Decidi que se eu quisesse que a minha fanfic acontecesse eu teria que chamá-lo, então comecei a stalkear suas redes sociais e as de Percy, o que não gerou frutos quanto a número pessoal e meu coração foi a mil quando percebi que o único jeito seria pedir diretamente a Percy.

— Bom, o próximo amor da sua vida que tu encontrar talvez tenha o número gravado na camiseta. – Tranquilizei minha própria imagem no espelho.

Foi assim que desisti pela terceira vez em dois meses da minha fanfic.

Mas é aquilo, estava destinado.

(E eu erro duas vezes, mas não três)

**

— Eu jurava que dessa vez eu tinha achado minha alma gêmea! Uma com cabelos rebeldes, cara de nenê, voz de metaleiro e sobrenome de anjo, mas aparentemente ele não recebeu o memorando avisando o mesmo para ele. – Reclamei para o único que sempre se disponibilizava a ouvir sobre minhas decepções amorosas uma vez que lhe fazia sentir melhor sobre as suas próprias.

Leo Valdez gargalhou, quase cuspindo a comida que estava em sua boca e fazendo com que algumas pessoas nas mesas ao lado da nossa na praça de alimentação nos encarassem curiosos. Leo tinha esse efeito de chamar atenção de todos por onde passava, quase nunca de uma boa forma, mas os rolês com ele eram sempre os melhores – foi inclusive por conta da sua personalidade espontânea e divertida que durante muito tempo eu tinha tido um crush nele.

— O que diria no memorando? Que se ele tivesse sorrido para você na época do colégio ele teria ganhado uma cadelinha seis anos antes? – Brincou. – Realmente não entendo como Nico Di Angelo pode ter perdido essa oportunidade.

— Vai tomar no cu Valdez!

— Não, obrigado. Mas tenho certeza que se fosse com o Nico você iria adorar tomar no cu. – O infeliz disse piscando em minha direção, mas seu olhar parecia um pouco acima da linha do meu.

— Com certeza! – Comentei empolgado demais, inocentemente ignorando minhas observações sobre Leo, algo que pelo tempo de amizade que tínhamos eu já deveria ter aprendido a não ser tão estúpido assim.

— Viu? Falei que ele ‘tava afim, eu conheço meu amigo. – Leo falou e senti desespero soprando na minha nuca ao perceber que aquela frase não fazia sentido porque não era para mim.

A risada rouca que me eriçaria em qualquer outro momento me deixou à beira do pânico ao vir de algum lugar atrás de mim.

— Leo Valdez me diga que estamos tendo uma alucinação coletiva e você não transformou realmente a minha vida em uma fanfic bem constrangedora?! – Murmurei num fio de voz, os olhos fechados pronto para acordar do pesadelo.

— Relaxa Will, ele também tava doido para sentar em ti.

— VALDEZ! – Minha voz e a de Nico se juntaram em uma reclamação constrangedora e atraímos a atenção do público novamente.

— Não se façam de castos agora quando eu passei dias ouvindo sobre o desejo sexual de vocês. – Leo falou alto se divertindo cada vez mais com a atenção que recebíamos e nosso crescente constrangimento. – E eu não planejei isso ok? Eu só chamei ele aqui para apresentá-los direito, mas aparentemente ele tem um péssimo timing... ou ótimo dependendo do ponto de vista de vocês.

Leo continuou falando, mas eu já tinha paralisado sem conseguir absorver nada do que tinha acontecido. Felizmente – ou não, ainda não saberia dizer – Nico me tirou do meu torpor, levando-me para longe de Leo e da sua plateia. Paramos perto de uma loja de perfumes e eu foquei nos aromas para me acalmar enquanto nos encarávamos. Ele havia tomado a atitude de nos levar ali, mas não parecia que ia tomar a de iniciar a conversa – não tão cedo pelo menos.

— Desde quando você e Leo são amigos? – Perguntei, não lembrando de Valdez ter comentado sobre isso comigo alguma vez.

— Leo é amigo do meu outro primo Jason. – Respondeu depois de engolir demoradamente, como se não estivesse produzindo saliva. – Ele passa mais tempo do que eu gostaria lá em casa. – Eu ri ainda nervoso.

Sobre Jason eu já havia ouvido falar, ele era namorado da Piper, melhor amiga de Leo. Bom, cidade pequena era assim mesmo, todo mundo se conhecia.

O silêncio voltou e eu fiquei esperando o alarme de incêndio que costuma salvar os protagonistas nos filmes – não veio. Eu sentia meu rosto queimar e podia notar claramente Nico tentando esconder sua vermelhidão atrás dos cabelos.

— Bom, se você quiser eu quero. – Nico soltou depois de tanto tempo que eu achei que ele já tinha desistido da nossa conversa e ia simplesmente virar e ir embora.

— Que? – Gaguejei atônico.

— Eu queria ter tentado algo aquele dia, mas ‘tava sem coragem e não queria parecer que estava me aproveitando da situação, mas agora... – Ele falou tudo num folego só, e quando parou para respirar não o deixei continuar.

— Pode se aproveitar quando quiser. – Falei me aproximando, e eu não estava falando da “situação”. – Porque eu quero!

E eu não esperei por uma resposta, seu sorriso foi o suficiente para eu fazer o que queria desde a primeira vez que o direcionou a mim.

Aquela noite eu sonhei com nosso beijo: seu hálito quente e mentolado, o aperto firme na minha nuca, o carinho nos meus cabelos, o frio na barriga que o momento gerou, e no ambiente estava o cheiro que havia ficado nos meus dedos depois que eu contornei todo o seu rosto. Infelizmente o sonho tinha como trilha sonora Leo Valdez gritando:

Que aula de beijo!

Casal lindo da porra!

Vale uma sentada mesmo!

Quanta língua meu senhor!

Deixa um pouco para a janta!

Notas finais
Éeee isso hahaha Espero que tenham gostado x) Deixem um comentário sz que eu agradeço imensamente!!

E que nunca sejamos esses colegas do Will, amém!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!