Lenora e Phillip — Um amor quase impossível
24 Capítulo 23
Capítulo 23
(...)
Beijar Lenora era como uma necessidade que Phillip percebeu ter. Algo do qual precisava para viver; como respirar, algo do qual não saberia viver sem.
E mesmo que consciente de onde estavam, de que além daquela porta de madeira existia toda uma multidão de convidados que poderiam vê-los se quisessem entrar e de que Lenora obviamente não estava sozinha, Phillip deixou que tais preocupações simplesmente se perdessem em sua mente e quando elas não mais faziam-se presentes, conseguiu finalmente entregar-se ao momento.
E finalmente a beijou. Outra vez.
Prolongaria aquele beijo ao máximo que lhe era permitido, porque além de precisar — e muito — daquele beijo e precisar senti-la em seus braços outra vez, ele também precisava deixar claro que cada palavra que dissera, que cada ação ali feita era sua declaração da verdade. Que precisava dela como o ser humano precisa do ar para respirar, que a queria, que a desejava.
Tinha de ser honesto com Lenora e consigo mesmo sobre toda a situação. Mas principalmente com ela.
Phillip não conseguia sentir mais nada ao seu redor, concentrava-se apenas no calor que corria por suas mãos quando a tocou e de como seu corpo se incendiou de dentro para fora num tipo de explosão de sensações e sentimentos. Passou os dois braços ao redor dela, aproximando-a mais de seu corpo. Conseguindo sentir o corpo menor de Lenora chocar-se contra o seu e a seda de seu vestido dar-lhe a sensação de que ela poderia escorregar de suas mãos a qualquer momento. Assim que a trouxe para mais perto, ela o segurou pelos ombros, firmando as duas mãos sobre ele e erguendo o próprio corpo como se o ajudasse.
Era um beijo completamente diferente do primeiro dado.
Lenora não parecia estar hesitante sobre o que estava fazendo e até mesmo Phillip — que temia o que a família dela poderia lhe fazer — estava mais disposto a entregar-se ao desejo de finalmente ter outra chance para beijá-la e ele aproveitaria aquela oportunidade. Pois não sabia quando seria agraciado outra vez.
Afundou sua língua dentro de sua boca sentindo a dela finalmente encontrá-lo e nesse momento o beijo se tornou mais urgente. Phillip desceu suas mãos por sua cintura, apertando aquela região e sentindo o corpo de Lenora estremecer com o toque inesperado, já ela, se arqueava em direção a ele, entrelaçando suas mãos ao redor de seu pescoço para conseguir mais firmamento. Enquanto seus lábios buscavam mais dela, beijavam-na de forma faminta e necessitada.
Ela recuou alguns passos, quatro, na verdade. Até suas costas se chocarem contra a parede, Phillip não estava esperando por isso e quase se desequilibrou, precisou apressar-se em apoiar a mão na parede para manter o próprio corpo de pé. A intensidade do beijo apenas aumentou, ele se via incapaz de conseguir controlar-se por mais tempo e quando percebeu que Lenora se esforçava para manter o mesmo ritmo que ele, percebeu estar prestes de enlouquecer.
Era quase impossível conseguir parar. Lenora estava bem ali, apertando as mãos em seus ombros e braços, inclinando o corpo em sua direção, correspondendo-o na mesma intensidade, suspirando alto à medida que as mãos dele percorriam por seu corpo, sentindo cada curva existente dela, cada leve tremor que a acometia por causa de seu toque.
Ela era perfeita e não compreendia como ninguém mais conseguia enxergar isso.
Lenora ofegou mais alto quando Phillip desceu seus lábios em direção ao queixo, por onde traçou um caminho lento até encontrar a curva de seu pescoço. Aspirou forte, sentindo o perfume conhecido vindo de sua pele e sentindo o coração bater mais forte. Ela apertou as mãos em sua nuca, seus dedos se afundando em seu cabelo, o bagunçando sem perceber, inclinando-se ainda mais para ele.
— Phillip — sua voz não era mais do que um sussurro baixo e extremamente fraco, ao qual ela pareceu fazer um grande esforço para chamá-lo.
Aquilo apenas o deixou ainda mais enlouquecido. Novamente ela suspirou, jogando a cabeça para trás quando os lábios dele subiram por toda a extensão da curva de seu pescoço, de sua língua a passear por sua pele sensível enquanto ele mordiscava levemente aquela região. Suas mãos o apertaram com mais desespero, vez e outra repuxando alguns fios de cabelo enquanto ela estremecia logo abaixo dele.
— Lenora — ele conseguiu chamá-la assim que afastou os lábios de seu pescoço, percebendo que seu nome quase não saiu de forma coerente.
Ela abriu os olhos, o encarando com confusão e protesto.
— O que foi? Por que parou?
Phillip segurou o riso.
— Não podemos... — começou a dizer, mas ela o interrompeu antes mesmo de ele conseguir lembrá-la de que alguém poderia vir a procurá-la.
— Podemos — Lenora tocou seu rosto. — Por Deus, Phillip eu preciso de você! Passei todos esses dias apenas a lembrança daquele primeiro beijo, desejando, sonhando...
— Sonhou comigo? — questionou, arqueando uma sobrancelha.
O rosto dela ganhou um tom avermelhado. Estava mesmo envergonhada?
— E você não? — perguntou de volta.
Lentamente ele assentiu, aproximando os lábios dos dela mais uma vez, apenas o roçando contra o outro.
— Todas as noites — ele admitiu, não havia motivos para mentir.
Os lábios de Lenora se esticaram, porém não houve tempo para que seu sorriso se mostrasse completamente, ela o puxou ao seu encontro e assim, voltaram a se beijar como se aquela fosse a primeira vez que faziam isso.
E foi glorioso.
Phillip sentiu as mãos enluvadas de Lenora percorrerem por seu corpo de maneira hesitante, elas correram por seus ombros, descendo pelos braços fortes e foram guiadas até suas costas, para então encontrarem sua cintura. Ela o puxou, ao mesmo tempo que precisou usar a parede bem atrás dela como apoio para o próprio corpo, fazendo-o sentir facilmente como seus corpos pareciam apenas um naquele momento.
Ele suspirou, beijando-a com mais calma. Sentindo seu gosto e explorando a boca sem pressa, ao passo que seu quadril involuntariamente jogou-se de encontro a ela. Foi uma ação automática de seu corpo já tomado pelo desejo, algo que não conseguiu prever e tão pouco controlar, percebeu que essa simples ação o fez ultrapassar um limite que ele mesmo estabelecera antes de beijá-la. Contudo, diferente de como ele esperava que Lenora fosse reagir diante de uma ação tão ousada como aquela, ela o puxou ainda mais, arfando em meio ao beijo enquanto o instigava a repetir aquela ação depravada.
E céus, ele repetiu!
— Ah, Phillip! — ela gemeu seu nome, a voz trêmula e falha. Segurou seu rosto com as duas mãos quando o sentiu se aproximar pela terceira vez. Seus quadris se encontrando, deixando claro todo o desejo que lhe dominava.
Tinha consciência de que se continuasse com aquela atitude, logo estaria se descontrolando completamente e, uma coisa levaria a outra e mesmo que o corpo e mente gritavam por isso, pelo corpo de Lenora, ele não iria tomá-la naquela noite.
Não podia.
— É demais — disse ele, ofegante, forçando a encontrar em si forçar para que conseguisse se afastar dela.
Lenora parecia não ter consciência de suas próprias atitudes, ou talvez tivesse, mas não se importava muito com possíveis consequências, ela firmou as mãos em seu rosto o mantendo próximo ao seu e passou uma das pernas ao redor de seu corpo. Forçando-o a segurá-la em seu colo.
Era inédito que não houvesse nada e nem ninguém para atrapalhá-los dessa vez, seus corpos pareciam mais desesperados e desejosos pelo outro e à medida que seus lábios continuavam com aquela dança incomum de um roçar sensual de lábios, a mente de Phillip se distanciava cada vez mais do que seria coerente e lógico. Não havia mais ninguém ao redor, tudo desapareceu e por um longo momento ele se deixou levar pelo pensamento de que realmente estavam sozinhos.
Apenas eles e seus corpos ansiosos.
A beijou com mais lentamente, ouvindo-a arfar vez e outra, a perna o rodeou com mais firmeza de modo que seu quadril estivesse perigosamente próximo do dela — mesmo com a saia e sua calça como barreira, ele não confiava nos tecidos e que eles seriam o suficiente. E, incapaz de manter qualquer confiança em seu corpo e em suas próprias atitudes, ele afastou-se de seus lábios e isso apenas fez com que eles mudassem de alvo.
Sentiu os dedos de Lenora se afundarem com mais destreza em seus cabelos no segundo em que seus lábios se concentraram apenas no pescoço exposto. Prolongou a estadia de seus lábios naquela região, percorrendo sua pele quente e perfumada com os lábios de modo a sentir o gosto de Lenora, a ouviu gemer outra vez e estremecer quando uma mão segurou sua perna com mais firmeza, a apertando ao redor de seu quadril.
Seus lábios estavam agora perigosamente próximos ao decote de seu vestido, Phillip teve o curto vislumbre do contorno de seus seios ainda parcialmente escondidos pelo corpete antes de ela praticamente se arquear para ele. Lenora escorregou as mãos até os botões de seu terno, começou a desabotoá-los até enfim abri-lo, fez o mesmo com o colete até encontrar a camisa clara ainda a esconder seu corpo.
Phillip gemeu quando sentiu os dedos dela tocar-lhe a pele, aquela era a primeira vez que a sentia em contato tão direto — mesmo com a luva escondendo sua pele — e gostou do que sentiu, do calor que o invadiu. O visconde estremeceu quando ela o envolveu com um dos braços, forçando-o a manter-se próximo de seu pescoço, um gemido desconexo escapou de seus lábios e Phillip sentia cada vez mais perto do mais completo descontrole.
Alguns botões do corpete dela foram soltos também, tornando o vestido mais folgado na parte de cima de seu corpo, exibindo um pouco mais do contorno arredondado de seus seios. A chamou pelo menos duas vezes, a voz trêmula e rouca até que sentiu algo. O roçar constante de seus corpos o despertara e à medida que continuavam próximos aquilo crescia, um desejo que sabia que não iria conseguir controlar.
O pensamento do que viria — do puro descontrole — o fez parar no mesmo segundo. Lenora abriu os olhos e esboçou uma careta, em claro protesto. Phillip, porém — mesmo que tivesse parado o que estava fazendo — não se afastou dela tão cedo, nem mesmo iria conseguir tal façanha.
Seu coração disparava forte, a respiração era um caso à parte, algo completamente descontrolado e sufocante e nem mesmo o calor da sala e o fato de estarem envoltos a uma iluminação péssima serviram como justificativa para ter parado. Mas o volume ameaçador entre suas pernas era um sinal claro, um alerta de que a qualquer momento não seria ele a comandar seu próprio corpo.
E sim o próprio desejo de possuí-la.
— Precisamos parar — conseguiu dizer, a voz saiu rouca, denunciando seu atual estado.
Ela o encarou, parecia prestes a protestar, mas contrariou a si mesma e assentiu. Como se acabasse de lembrar de que estavam num lugar público e cheio de gente.
— Eu sei — ela engoliu seco, respirando profundamente.
Seu estado era quase tão descontrolado quanto o dele, os lábios estavam inchados, o rosto corado e a forma como sua respiração se encontravam acelerada e às vezes falha, eram sinais claros de que algo intenso acontecera a pouco. E os botões abertos de seu corpete exibiam muito mais do que Phillip considerava apropriado para aquele encontro.
Se encararam, ambos ofegantes e sem qualquer condição de conseguir dizer algo a mais, os olhos castanhos de Phillip se encontravam ainda mais escuros e Lenora, que tentava inutilmente se recompor, precisou firmar-se um pouco mais nos braços dele, sentindo que as pernas se encontravam fracas demais para suportar o peso de seu corpo.
A troca de olhares demorou e surpreendentemente, eles começaram a rir. Gargalhando alto demais e esquecendo-se de que alguém poderia ouvi-los.
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Longos minutos se passaram até que eles finalmente pararam de rir e conseguiram encontrar forças para se arrumarem. Afinal, não podia dar qualquer sinal do que fizeram e nem mesmo levantar suspeitas de que tiveram um momento a sós.
Já se encontravam mais controlados e arrumados, apesar de ambas as mentes estarem tomadas pela euforia de um beijo que por muito pouco não os levou a algo a mais. De repente, a sala aonde estavam tornou-se grande demais e ainda sufocante e Lenora sabia que aquilo era apenas uma reação protestante de seu corpo pela separação indesejada.
Seu ventre ainda formigava, era uma sensação estranha ao mesmo tempo excitante, não contaria a Phillip, mas agradecia por ele ter conseguido forças para parar, pois ela não sabia se iria conseguir isso.
— E agora? — ela perguntou, virando-se para olhá-lo novamente.
Apenas perguntara porque queria saber o que Phillip pensava a respeito de toda aquela situação, porque ela, já tomara sua decisão.
— Agora? Creio que é hora de enfrentar sua família e uma possível morte — diz, olhando-a também.
— Não vou forçá-lo a nada, Phillip — ela avança dois passos e para de repente. — O que fizemos, eu sei das consequências, mas jamais o obrigaria a cumprir com um compromisso do qual não queira.
Phillip ficou alguns instantes em silêncio, associando suas palavras.
— Lenora — seu rosto se franziu. — Não estará me forçando a nada. Achei que deixei claro o que queria e o que acontece entre nós.
Ela se cala, sim, ele deixara claro antes. Suas palavras foram claras o bastante para que ela entendesse com clareza o que viria a seguir, mas ainda sentia que o beijo de noites atrás e aquele que trocaram a pouco, apenas o estava levando a tomar uma decisão precipitada de não a humilhar publicamente.
— Eu sinto que estou o forçando a isso, entende?
Ele sorriu com o canto dos lábios.
— Não está — é ele quem se aproxima dela, parando na sua frente. — Eu a quero, Lenora e, eu não vou conseguir sair daqui e fingir que nada aconteceu entre nós depois do que acabou de acontecer. Não posso mais fazer isso.
— Eu também não consigo mais fazer isso — assume. — Na verdade, desde a noite em que quebrei o nariz de Anthony.
Ela ri com a lembrança e de como sentiu-se satisfeita com o que fez. Phillip tenta segurar o riso, mas falha, afinal, ele presenciou o ocorrido.
— Então, — ele começa a falar, segurando suas mãos. — Com a sua permissão, eu gostaria de falar com seus pais.
— Mesmo ciente de que eles queiram matá-lo?
Phillip assente.
— Mesmo ciente.
Lenora lentamente balança a cabeça em um sim sorridente e sincero.
— Peço apenas que espere até o baile de aniversário, está uma loucura por causa dos preparativos e não quero causar algum ataque a meus pais.
Ele concorda. Ela não queria parecer que estava apenas adiando o inevitável, se dependesse dela e claro, se Phillip concordasse, falariam com seus pais ainda naquela mesma noite, contudo com a mãe agitada e preocupada com o próprio baile, sua mente deveria estar uma loucura e ela queria que tal assunto fosse sua única preocupação.
— Claro, como preferir.
Trocaram um beijo rápido antes de retornarem para o salão, não fingiram indiferença como sempre faziam, mas Lenora precisou ser um pouco mais discreta em relação a si mesma, pois a mãe percebia que tinha algo de errado com a filha no momento em que a viu estranhamente bem humorada.
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