2.

Haviam o total de doze pessoas na comitiva – sem contar com os dois príncipes – seis humanos e seis elfos especialmente preparados para aquela expedição. Pelo menos os humanos estavam, o próprio príncipe Cartman escolheu a dedo quem lhe acompanharia, só não poderia ter tanta certeza sobre as delicadinhas fadas da floresta que eram os elfos.

Butters era o paladino mais forte e honrado de Kupa Keep e Eric colocaria a mão no fogo por ele, por mais que jamais fosse demonstrar isso com palavras ou ações. Além disso, ele era realmente mais esperto do que demonstrava, mas, exatamente por não demonstrar, facilmente pegava os inimigos desprevenidos.

Tweek era um bárbaro vindo de regiões distantes de Zaron, que conseguia quebrar o crânio de um humano ou elfo apenas usando as mãos. Sempre atento aos arredores e era o primeiro que via um perigo chegando, havia um pouco dessa paranoia nas ações dele, uma preocupação excessiva, mas não era tão ruim quando não se convivia com ele o tempo todo.

Clyde era um feiticeiro especializado em artes ocultas, magias das trevas e feitiços esquecidos, não combinava tanto assim com a personalidade sensível, mas ele ainda era o melhor do reino inteiro. O jeito agradável dele, de sorrisos fáceis e brincadeiras constantes não era o perfil ideal do único homem que sabia usar feitiços capazes de levantar os mortos.

Token era considerado o melhor guerreiro dentre todos os humanos e nunca havia perdido um duelo sequer, assim como sabia manusear praticamente todas as armas de curto e médio alcance. Ele era quieto, um estrategista discreto bastante sério e observador.

Craig se vestia como um ladrão, discreto e rápido, mas ele era um mercenário habilidoso que estava sempre pronto para fazer o trabalho sujo. Pelo preço certo, claro. Eric já tinha contratado o homem vez ou outra para alguns trabalhos perigosos, ele sempre voltava vivo e com o trabalho completo..

Já Nichole era a estrategista e a escriba mais brilhante e inteligente entre todos, uma mulher que conseguia intimidar qualquer marmanjo que fosse com meia dúzia de palavras bem colocadas. Tinha essa personalidade dura quando precisava, no campo de batalha, mas na maior parte do tempo era uma mulher agradável de se conversar.

Eric Cartman nunca escolheria nada que não fosse somente o melhor, especialmente quando não tinha certeza sobre quando os elfos fariam algum movimento traiçoeiro que eles certamente faria. Não dava para confiar naquelas criaturas, não depois de tudo.

Claro que eles estavam convivendo a mais de uma semana inteira, indo em direção a Floresta Sombria nos confins de Zaron, mas a tensão não dava muitos sinais de que diminuiria tão cedo. Eric ainda achava aquela ideia estúpida, se aliar com aquelas criaturas para ir em busca do Cajado da Verdade e os humanos poderiam muito bem ir naquela viagem sozinhos.

Sua mãe, entre todas as pessoas, discordou. Ela era uma mulher bastante liberal com o filho e, no geral, uma boa rainha. O povo gostava mais dela do que do falecido rei e Eric também, mas por outros motivos. Enfim, a rainha Liane foi bastante enfática sobre isso e, diferente das outras vezes, não cedeu as vontades do filho mesmo com toda a chantagem que o príncipe tentou fazer.

Agora lá estava Cartman, no meio de uma missão para o desconhecido e absolutamente desagradado com isso. Se ao menos eles estivessem sozinhos…

Olhou com desgosto para o príncipe elfo, que estava com o cavalo dele não muito longe, e toda a comitiva dele. Pouco sabia sobre Kyle Broflovski, era o príncipe do reino élfico e ele se portava de maneira tão arrogante quanto as histórias diziam que ele era, mas não poderia esperar nada muito diferente de um elfo.

A comitiva que ele trouxe também não parecia ser grande coisa, talvez o guerreiro Stan Marsh e aquele ferreiro David fossem um pouco mais fortes do que os elfos normalmente eram, não que era como se isso fizesse muita diferença, de qualquer modo.

O sol começou a sumir no horizonte e o grupo se viu obrigado a parar e passar a noite a beira da estrada, especialmente agora que estavam tão próximos da Floresta Sombria e as leis dos homens valiam cada vez menos. Rapidamente montaram o acampamento, muito bem dividido como todos os outros antes daquele. Um lado apenas para os humanos e outro para os elfos.

Claro que os monarcas dos dois reinos não trocaram nenhuma palavra além de o necessário durante esse tempo, mas, lentamente, os outros da comitiva estavam começando a deixar estranhezas de lado. As primeiras foram Nichole e a mulher elfa de cabelos negros, não conseguia lembrar o nome dela, que, como únicas integrantes mulheres do grupo, naturalmente acabaram se aproximando.

Agora, cada vez mais elfos e humanos conseguiam dividir a mesma fogueira para esquentar a comida e Eric via toda essa cena de longe, de dentro da própria tenda que era visivelmente maior que as outras, sem muita vontade de participar.

Era bizarro que sua mãe tivesse concordado, mesmo no meio daquela comitiva, na estrada e chegando cada vez mais perto do primeiro destino, ainda era difícil acreditar que a rainha estava tão disposta a seguir com uma estratégia que o príncipe considerava tão arriscada. Depois de tantos anos de guerra, de perdas e sangue derramado, por causa de um simples sinal dos deuses que a rainha Liane era devota, havia acreditado nas palavras do vidente do reino quando ele disse que o Cajado da Verdade não estava mais nas mãos dos elfos, sim em um lugar muito mais distante e esquecido pela história.

Ele também falou sobre um futuro sombrio para os dois reinos se eles não se juntassem por aquela causa e sua mãe acreditou.

Colocou os olhos no príncipe elfo, do outro lado do acampamento e próximo a tenda dele – que tinha esse estilo completamente diferente dos humanos – e conversava com um dos servos. Eric não poderia confiar nele, mesmo com a palavra da sua mãe e o voto de confiança dela no vidente.

Mas também não conseguiu imaginar porque o reino dele havia concordado com aquela insanidade. Eles tirariam proveito da situação toda, obviamente, mas aquela parecia uma comitiva real como a sua, com suprimentos prontos para uma viagem longa como a que eles fariam.

Não tinha uma postura agressiva, no máximo cautelosa e até diplomática. Bastante diferente da sua própria na primeira vez que se encontram. Eles não pareciam planejar nada, mas os olhares do príncipe elfo ainda eram estranhos. Talvez não realmente fossem, mas ainda havia algo de esquisito nele, ninguém nunca teve a atenção de Eric tão rápido quanto ele.

Mas, de qualquer modo, não confiaria somente em aparências e primeiras impressões. Era sempre bom manter a guarda, principalmente com elfos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.