Lendarium.
1 Don't trust.
Notas iniciais
Há milhões de anos atrás, acreditava-se que sereias e tritões habitavam as profundezas marítimas. Mas a maioria dos seres humanos, só acredita no que vê. Caso contrário ele classifica o fantástico como inexistente.
Quando eu era pequeno, minha mãe me apoiava nas minhas pesquisas pra encontrar esses seres extraordinários. Mas por volta dos meus nove anos, ela veio a falecer, a partir disso vivi com meu pai e diferente da minha doce mãe, contos de fadas, criaturas mágicas, sempre foram uma grande besteira pra ele.
Apesar de tudo meu pai não era uma má pessoa. Ele estava longe de ser uma, porém me proibia de falar sobre seres mágicos e entre outras bobagens. Meu pai era um importante biólogo marinho no reino de Fiore, e queria que eu seguisse seu exemplo, e eu o fiz.
Éramos uma família pequena composta por um biólogo e uma psicóloga. Bem, éramos, como disse antes minha mãe faleceu e meu pai desapareceu misteriosamente em uma expedição marítima.
Segui minha vida sendo criado por um velho amigo dele, chamado Makarov. O velho era dono da faculdade onde estudo biologia marinha, o que é bom, ele me ajuda bastante nos estudos.
A propósito, me chamo Natsu Dragneel, tenho dezessete anos e estudo na faculdade Fairy Tail. Não sou muito alto, nem muito baixo. Tenho cabelos róseos e espetados.
Essa é basicamente minha aparência, minha personalidade não é tão simples. Desde pequeno sou muito inseguro, não anti-social. Sou realmente inseguro, eu duvido de coisas que não se pode duvidar, como por exemplo, o amor que meus amigos sentem por mim. Para controlar essa insegurança deixo esse assunto de lado enchendo minha mente com outras coisas, tais como biologia, biologia marinha, antropologia e arqueologia.
O velho disse que ia me mandar pra uma expedição nos arredores de Fiore, a diversidade marítima aqui é alta, vai me ajudar bastante nos estudos. Talvez fosse imprudência minha ir sozinho, mas eu precisava.
Após muita busca sobre alguma notícia do meu pai, descobri que ele tinha desaparecido no extremo leste de Fiore, onde as águas não são tão cristalinas e onde um antigo cemitério submerso vive cercado de mergulhadores.
Eu ia pra lá, com toda certeza eu iria. Nem que eu precisasse fugir de casa, eu definitivamente tiraria minhas próprias conclusões sobre o desaparecimento do meu pai, e porque aquele cemitério guarda tantos segredos.
Aquele maldito trem partia para a cidade de Hitode, eu e o velho decidimos ficar perto da janela já que esses transportes me enjoam fácil. Saindo das montanhas era possível ver um imenso lago que se estendia com a superfície congelada, era o lago de Reitō tamashī. Apesar do gelo era possível ver suas águas cristalinas refletirem as árvores.
Resolvi me concentrar no meu livro que aclamava por um fim. Passaram-se duas, três ou quem sabe quatro horas até chegarmos ao leste, e diferente do Sul, era quente, muito quente. Sai daquele trem tirando casacos, luvas, tudo o que eu podia. Fomos até o maquinista que tinha a chave do porta-malas. Retiramos os aparelhos para mergulho, as nossas malas, livros e entre outras tranqueiras.
Ficamos em um hotel que tinha como vista uma praia qualquer para banhistas, começaria minhas pesquisas lá mesmo. Arrumei meu quarto separei os equipamentos, tanques de oxigênio, lanternas e tudo o que seria necessário.
Almoçamos num barco alugado pelo velho enquanto analisávamos a área com o GPS, estávamos acima da entrada do cemitério e a 267km da costa onde os banhistas estavam.
Após algum tempo, me arrumei e mergulhei, descia atentamente observando o lugar, era realmente incrível. Rochas antigas formavam uma entrada estreita para o cemitério. Guiando até estatuas de animais estranho, símbolos esculpidos no mármore desgastado eram vagamente familiares para mim.
Certamente aqueles símbolos eram celtas, provavelmente eram espirais, elas significavam paz e equilíbrio. Em um cemitério talvez não fosse má ideia esculpir algo assim.
Nadando lentamente, pude perceber os peixes que se escondiam com o movimentar da água, eram extremamente raros, com a câmera tirei várias fotos do local e do seus pequenos habitantes. Foi quando percebi ter adentrado no local, cruzes desgastadas e sepulturas com uma linguagem estranha eram vistas em lotes e mais lotes, as paredes que pouco se faziam presentes eram de um tom branco agora bege, cheia de crustáceos e outros peixes que se alimentavam daquele material.
Nadando mais um pouco, a pressão aumentava e ficava cada vez mais difícil de enxergar, no meio daquela construção um vestígio de chão podia der visto, desgastado e sem cor outro símbolos esculpidos.
Sinto um movimento atrás de mim, viro-me para ver se era algum tubarão ou algo do tipo, mas nada. Olhando pra cima estava bem longe do velhote e do barco. Os raios de sol que refletiam na água, chegavam até o chão do local, deixando sua visão mais limpa. Era absurdamente lindo, pude ver claramente como seria se a construção ainda estivesse de pé.
Continuei nadando, sempre checando o oxigênio e o comunicador, mais uma vez aquela sensação, viro-me bruscamente para trás, mas não há nada nem ninguém. Ao redor do local pode-se perceber várias cavernas e no chão profundas crateras, como podia avançar mais um pouco, nadei em direção as crateras.
Fiquei mais deslumbrado ainda vendo aquela cratera, tinha uma escadaria e pinturas nas paredes. Quanto mais fundo ficava mais curiosidade dava, lá dentro havia uma pedra esculpida em forma de cama, com o fundo oco, armários emperrados de mármore e joias. Era um quarto de uma mulher, as joias eram feitas de pérolas. Na parede atrás da cama um triskel, símbolo celta, era nítido.
A luz era pouca e a lanterna não ajudava, sem perceber onde pisava cortei meu tornozelo com uma concha pontiaguda. A maldita era tão potente, que rasgou minha roupa de mergulho. O comunicador piscou avisando sobre o meu oxigênio, nadei o mais rápido que pude se meu oxigênio acabasse eu estaria em maus lençóis.
Era noite lá fora, e minha lanterna fraquejava, eu estava perdido naquele cemitério, os peixes e outros animais começavam a se reunir ali me rodeando. Era perigoso, e eu sabia disso. Lembrei-me das cavernas por perto, tinha que ser uma coisa discreta, me distanciando vagarosamente dali entrei em uma caverna estreita. E no fim daquela caverna uma fenda na horizontal era nítida e a água gelava quanto mais pra cima eu ia. Era uma corrente de oxigênio. Eu aumentava a minha velocidade, a falta de ar era sufocante.
Me segurava nas rochas tomando impulsos desumanos, arranquei as máscaras e puxei o ar me acalmando, eu estava ofegando já fazia um tempo, olhando turvamente o local notei ossos. Ossos humanos, alguns velhos e outros recentes.
Foi quando um em especial me chamou atenção, ele usava um colar banhado a ouro com uma inicial "N" foi quando notei, era o colar do meu pai. Eram os ossos do meu pai.
Ele estava morto?
Me desesperei, procurei por marcas, cortes profundos, qualquer coisa que fosse visível nos ossos e achei. Marcas de dentes, alguns finos e pontiagudos e outros de tamanho humano. Um canibal? Impossível, raciocinei.
Apesar da corrente de oxigênio, o ar já se fazia rarefeito. Já havia se passado cerca de duas horas que eu estava aprisionado naquela caverna estranha.
Vesti novamente minha mascara e os equipamentos, usei o tanque reserva de oxigênio que só durava cerca de uma hora. Tirei o colar dos ossos do meu pai e amarrei-o em meu pulso. Comecei a descer pegando novamente impulso nas rochas, só que no sentido contrário, a irritação de fazer aquilo era grande. Machucava e era claustrofóbico, mas eu tinha que sair dali.
Foi então que ouvi certos murmúrios, uma espécie de som, como uma canção de ninar. Sai da caverna e olhei para o cemitério.
Me arrependo de ter olhado.
Era uma pessoa, não, não era humano. Cantava junto com os seres que à rodeavam, penteando seus cabelos e balançando sua cauda. Seus cabelos loiros eram compridos e mesmo de longe pude ver seus olhos castanhos num tom amendoado.
Era uma sereia.
Parecia que ela me olhava fixamente, não só parecia, ela me encarava como se eu fosse um troféu. Nadando vagarosamente com aquele tecido que cobria seu corpo ela veio parecendo um anjo.
Só parecendo.
"–Natsu o beijo de uma sereia pode ser fatal, se for como amor verdadeiro não vai te matar. Mas se não for, certamente irá.-dizia mamãe alertando-me."
Em instantes, nossos lábios se selaram como um contrato. Um contrato de morte, por assim dizer. Senti como se meu corpo amolecesse para depois endurecer como pedra, a carne começava a se dilacerar e minha visão ia desaparecendo.
–Legendary princeps anima mea.-sussurrou ela.
Após isso eu sabia, que nunca mais eu acordaria, morreria no oceano, como meu pai fez.
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