Notas iniciais
Eu não planejava postar esse capítulo até a semana que vem, maaaaaas como entrei num bom ritmo de escrita, decidi que mal não poderia fazer! Espero que vocês estejam curtindo! Bom capítulo!

'Cause though the truth may vary
This ship will carry our bodies safe to shore

Cordélia não demorou a perceber que gostava de Cedrico mais do que previra.

Não era uma coisa ruim. Nas semanas seguintes ao seu primeiro encontro, eles estavam sempre dando um jeito de ficarem juntos. A sonserina percebeu que gostava dos amigos de Cedrico também. Anna e Susana se davam muito bem com Mary e Lana. Nas aulas de poções, Mary e Lana passaram a dividir a mesa com os lufanos para que o casal ficasse junto. Se a encontrava nos corredores, Cedrico a acompanhava até suas aulas, também dando atenção a suas amigas.

Não que fosse sempre simples. Cordélia e Cedrico tinha opiniões diferentes sobre uma sorte de coisas. Os Diggory eram uma antiga família mágica, mas como os Potter, os Longbottom e os Fawcett, conhecidos por serem tolerantes. O mesmo não se aplicava aos Bloxam, mais próximos aos Black, Malfoy, Lestrange e Gaunt. Embora, possivelmente por causa de seu sangue Mckinnon, Cordélia não fosse tão intolerante quanto poderia ser, como com nascidos-trouxas, por exemplo, com quem ela mantinha amizades regulares, a sonserina tinha uma forte opinião sobre mestiços e lobisomens, por exemplo.

Cedrico a observou fazer uma volta exagerada ao longo de Hagrid uma tarde, para evitar chegar perto do meio-gigante, e estreitou os olhos.

—Uma de suas melhores amigas é 1/4 veela. —Observou ele, com gentileza. —Como isso pode ser diferente de ser meio-gigante?

A sonserina considerou por um segundo fazer que não havia o ouvido. Era complicado explicar: veelas simplesmente não eram consideradas perigosas, as criaturas descontroladas que os gigantes eram, embora fossem perigosas como harpia em suas formas de pássaro. De qualquer forma, não era como se Fleur pudesse se transformar num pássaro agressivo, enquanto Hagrid era grande e forte e, ela achava, temperamental.

—As veelas não ficaram do lado das Trevas na primeira guerra bruxa, ficaram? —Ela perguntou, usando a desculpa que tinha.

O lufano fechou os olhos, paciente.

—Temos poucas veelas na Bretanha. São criaturas do leste e centro da Europa. Além disso, não sofrem a marginalização que os gigantes sofrem. É mais fácil se aliar ao partido das Trevas se eles oferecem reconhecimento e sociedade, enquanto o Ministério segue ignorando e oprimindo essas criaturas.

Em algum lugar de sua mente, o discurso dele fazia perfeito sentido. Isso não a impedia de nenhuma forma de achar a figura de Hagrid na mesa dos professores, especialmente ao lado do pequeno professor Flitwick, um tanto quanto intimidadora.

Em História da Magia, Hugh Spizba, único lufano na matéria, passou a dividir mesa com ela e Edmundo, que passou a fazer as atividades com o rapaz na biblioteca. Sem o quadribol, não havia motivo para brigarem, Cordélia percebeu divertida. Nas tardes de sexta, Cedrico ficava com ela na biblioteca se estivesse fazendo alguma tarefa e, se estivesse livre, inventava algum tipo de encontro para os dois.

Da primeira vez que ele a levou para voar numa vassoura, seus gritos atraíram uma legião de expectadores para o campo de quadribol. Seus amigos, os amigos dele, alguns corvinais de quem gostava e mesmo Alicia Spinnet aparecera com Angelina Johnson para rirem dela.

Além disso, seguia trocando cartas com seus colegas franceses, que guardava no seu armário junto ao seu antigo uniforme de Beauxbatons, que ficava um pouco justo, mas, Cordélia percebeu ao experimentá-lo numa tarde em que se sentira nostálgica, ainda cabia. Colada em seu armário, havia uma foto dela com Fleur e Claire, usando vestidos de festa em tons pastéis para a celebração do Ostara. A foto era mágica, e as duas garotas louras, mais Cordélia, com seus cabelos mogno, faziam uma dança engraçada olhando para a câmera e umas para as outras no dormitório de Beauxbatons, que era mais aberto, iluminado e ventilado do que seu dormitório sonserino.

No começo de outubro, o grupo de três sonserinas e três lufanos estava voltando ao salão principal para o jantar depois de uma aula particularmente espinhosa de Poções quando se viram impedidos de passar pelo saguão por uma aglomeração de alunos em torno de um grande aviso ao pé na escadaria de mármore. Cedrico, o mais alto do grupo, se inclinou para ler em voz alta para os demais:

TORNEIO TRIBRUXO

As delegações de Durmstrang e Beauxbatons chegarão às seis horas, sexta-feira, 30 de outubro. As aulas terminarão uma hora antes. Os alunos deverão guardar as mochilas e os livros em seus dormitórios e se reunir na entrada do castelo para receber os nossos hóspedes antes da Festa de Boas-Vindas.

—Que beleza. –Mary reclamou em voz alta. –Vai ser um dia antes da... –e aqui ela baixou um pouco a voz olhando ao redor –tradicional festa de Halloween Proibido que Rogério Davies dá todo ano. Só falta uma semana.

—E nós nem escolhemos nossas fantasias ainda. –Susan se virou para as três colegas sonserinas. –Do que vocês vão?

Lana corou.

—Vou de O Coração Peludo do Mago com o Peter. –Riu-se. –Você sabe: eu vou ser o coração peludo e ele, o mago.

—É uma droga ser solteira. –Reclamou a lufana. –Vou acabar indo de algo triste, como A Noiva Cadáver ou algo assim.

Mas, pelo olhar no rosto de Mary, Cordélia percebeu que a lufana não tinha com o que se preocupar.

—Eu já tive uma ideia. –Mary cantarolou. –Você vai comigo, já que Cordélia me abandonou.

O grupo entrou para o salão principal depois disso; se despedindo no caminho cada um para suas mesas. Cedrico puxou Cordélia para um beijo em público; coisa com a qual ela ainda estava se acostumando, embora ele fosse sempre comportado: apenas um encostar de lábios que nem Minerva Mcgonagall poderia reprimir.

Nos dias seguintes parecia que toda a escola só sabia falar no Torneio Tribruxo e na chegada dos convidados estrangeiros. Se perguntavam se suas habilidades mágicas seriam muito diferentes das inglesas; quem seria o campeão de Hogwarts –os dedos e olhares vivam se virando para Cedrico, embora a Casa de Sonserina quisesse apostar em Warrington. Cordélia fora bastante assediada quando descobriram que estudara em Beauxbatons por uma no quando seu pai fora fazer uma pesquisa em Paris com Nicolau Flammel. Seus colegas queriam saber das aulas, dos alunos.

O próprio castelo parecia estar passando por uma faxina: as molduras dos quadros estavam mais brilhantes do que nunca e o chão nunca fora tão limpo e impecável. Os professores também andavam estressados: Snape fora visto aos berros com um terceiranista incapaz de produzir uma solução para cura de bolhas e ele chamara Cordélia ao seu escritório para pedir que a afilhada usasse suas habilidades como monitora-chefe para manter seus colegas em seu melhor comportamento.

Cassius e Peter, os únicos dois colegas que seguiam cursando adivinhação, chegaram aos risos no salão comunal uma noite, porque a professora previra a morte do sonserino mais alto. Cassius não pareceu preocupado: afirmou que era um sinal de que seria escolhido para o torneio e morreria nele, com honra.

Quando subiram até o salão principal do dia 30 de outubro para o café da manhã, notaram que o salão havia sido totalmente decorado durante a noite. As quatro casas de Hogwarts estavam representadas em bandeiras de seda caindo das paredes e a maior bandeira de todas tinha o brasão de Hogwarts atrás da mesa dos professores.

—Snape segue sem querer revelar quem vai escolher os campeões. –Murmurou Edmundo, chateado, quando se sentaram à mesa da Sonserina. Ele gostava de saber das coisas; como as descobria era sempre um mistério para Cordélia, mas não parecia estar surtindo efeito dessa vez.

—Ei, alguém conhece aquela garota? –Peter perguntou, com ar de riso, apontando para a mesa da Grifinória. Cordélia seguiu seu olhar para Harry Potter e dois amigos. Supôs que o colega estava falando da menina quartanista de cabelos cheios e dentes grandes.

—Hermione Granger? –Perguntou. –Conheço. Ela pegou um vira-tempo ano passado para assistir às aulas extras; a professora Minerva me pediu para ajudá-la com isso. O que tem ela?

Peter riu em voz alta.

—Ela é perigosa. –Disse com um aceno de cabeça que conferia veracidade às palavras. –Estava intimidando um pessoal da Lufa-Lufa ontem na biblioteca a comprar um bottom para lutar por salários justos e empregos dignos aos elfos domésticos ou coisa assim, dá pra acreditar? Comprei um bottom pela ideia. Muito criativa, Hilária.

Ele mostrou um bottom redondo com as iniciais F.A.L.E para os colegas sonserinos sem perder o ar de riso.

Aquela foi a tarde com as aulas mais tranquilas que eles tiveram até então. Era sexta, então Cordélia tinha a tarde livre de qualquer forma, mas a aula de Feitiços da manhã tinha um agradável ar de expectativa. Mesmo os professores pareciam mais interessados na chegada das delegações do que nos assuntos que tinham para dar e Flitwick deixou que eles fizessem ajustes em seus projetos trimestrais sem interferir, apenas orientar aqueles que queriam ajuda. Cordélia e Edmund sentaram-se juntos, lendo livros diferentes sobre criação do movimento, já que eles já haviam passado da fase de criar o nome em latim para o feitiço.

O professor Binns, de História da Magia, deu sua aula normal, mas os cinco alunos em sua turma deram pouca atenção e ele não pareceu notar. Cordélia fez uma tentativa de desenhar os ângulos do rosto de Cedrico num papel, mas ao invés disso fez uma obra abstrata irreconhecível e largou a tentativa.

Cordélia passou a tarde na biblioteca sozinha com Cedrico –Peter e Lana haviam sumido misteriosamente após o almoço, ao invés de se juntarem aos colegas para estudar –mas foi uma tarde pouco produtiva, pois o lufano criou um jogo de beijar seu pescoço ou lóbulo de sua orelha a cada vez que ela respondia uma questão certa num questionário de Herbologia passado pela professora Sprout e não demorou para que ambos fossem expulsos da biblioteca por madame Pince.

Cedrico saiu da biblioteca aos risos, repetindo para Cordélia as palavras da bibliotecária: “Vão fazer imoralidades num lugar mais indecente e não sejam pegos por um professor se não quiserem ficar detentos!”, mas a namorada estava com o rosto corado e o empurrou, afirmando ter sido culpa dele.

Num instante, o lufano mudou de atitude e fez uma cena, se colocando de joelhos no corredor para conseguir seu perdão. Cordélia olhou para os lados, notando alguns alunos curiosos passando e fez o namorado se levantar num instante, o chamando para seu lugar no Lago Negro, onde eles passaram o resto da tarde, trocando beijos deitados na areia junto ao lago.

Um pouco antes das aulas acabarem, eles se despediram e foram aos seus dormitórios. Cordélia arrumou seu uniforme e passou um pouco de pó em seu rosto –de uma marca de maquiagem bruxa francesa, presente de Fleur –e no cabelo pôs uma fita azul-royal em homenagem a Beauxbatons. Então pôs a capa da Sonserina por cima do uniforme e esperou as amigas para descer ao saguão.

Os diretores das casas estavam organizando os alunos em filas por casa e ano, o que fez com que o grupo de sonserinos setimanistas ficasse por último, mas o professor Snape num segundo colocou a sua afilhada um pouco mais à frente, sob a desculpa de que era monitora-chefe, mas ela o notou sorrindo maldosamente e soube que era porque era sua afilhada.

Os alunos ao seu redor discutiam sobre como chegariam os estrangeiros. Cordélia, que conhecia bem a carruagem de Beauxbatons, não disse nada, mas estava curiosa sobre Durmstrang. Beauxbatons tinha sua carruagem voadora, Hogwarts seu trem. Como os nortenhos se locomoviam? Além da curiosidade, o frio estava começando a incomodá-la, fazendo pouca diferença quando ela puxou a capa para mais perto. Desejou ter usado seu suéter em vez do colete de tricô.

Quando o diretor Dumbledore anunciou que estava chegando a delegação de Beauxbatons, a sonserina ignorou seus colegas que olhavam para todos os lados e focou seus olhos no céu, de onde vinha a carruagem, “é uma casa? Um dragão! ”, muito familiar contra o céu azul-escuro, ela era azul-claro, do tamanho de um casarão, puxada por doze cavalos alados do tipo abraxanos, que Cordélia conhecia por serem como os cavalos que sua mãe criava em casa.

O tamanho de madame Maxime quando a carruagem pousou com um baque e se abriu para deixar desembarcar seus alunos impressionou seus colegas, mas Cordélia fez apenas um gesto respeitoso quando a diretora francesa olhou em sua direção com reconhecimento. Houveram aplausos e boas-vindas quando os alunos de Beauxbatons saíram da carruagem. Eram doze garotos e garotas e num instante Cordélia notou Fleur, Marlon e Claire, embora eles não a tenham visto, mesmo passando os olhos pelos alunos. Todos tremiam de frios, cobertos apenas pelas vestes azul-claros de seda que eram o uniforme.

Os alunos subiram os degraus de pedra e Marlon a notou, cutucando Claire, que olhou ao redor. Os dois acenaram animadamente, os cabelos louros iguais refletindo os archotes acesos. Cordélia sorriu amorosamente para eles e acenou de volta, então, satisfeitos, os dois seguiram os outros colegas para dentro. Cordélia ignorou os olhares de assombro dos colegas mais novos.

—O lago! –Berrou um aluno da Grifinória, chamando a atenção deles. –Olhem para o lago!

Do alto do gramado, eles tinham a melhor visão possível do Lago Negro. Cordélia podia até ver o ponto de encontro entre ela e Cedrico com mais clareza do que seria confortável. A superfície lisa e escura do lago refletia o castelo –só que não era mais lisa. Grandes bolhas se formavam no centro e ondas quebravam na margem de terra.

Primeiro, emergiu um mastro.

Lenta e imponentemente, o navio saiu da água, refulgindo ao luar. Era esquelético como o sobrevivente de um naufrágio e a escotilha tinha luzes fracas, amareladas e fantasmagóricas quando deslizou para a margem de forma silenciosa. Logo depois, quebrando o silêncio, a âncora foi baixada na água rasa e uma prancha abaixada para a margem.

Os recém-chegados eram altos e fortes, mas, quando chegaram a luz, Cordélia notou que era majoritariamente por causa da capa de pele que usavam; exceto pelo homem que devia ser o diretor: este usava uma macia capa de seda prateada como seus cabelos.

O diretor, como fizera madame Maxime antes dele, se adiantou para cumprimentar o diretor, trazendo consigo um garoto à tiracolo. Cordélia pensou que ele era bonito, de um jeito nortenho: cabelos curtos rentes ao couro cabeludo, nariz aquilino, olhos médios, escuros.

—Oh meu Merlim! –Mary exclamou atrás de Cordélia, segurando seus braços com excitação, mas baixo o suficiente para não chamar atenção de Snape. –É o Vítor Krum!

Notas finais
Bem, o Torneio Tribruxo está cada vez mais próximo a partir de agora! Comentários? Ideias? Nos vemos semana que vem! A música do capítulo é Little Talks, de Of Monsters and Men!