Lembre-se de mim
1 Um recomeço.
Notas iniciais
Espero que gostem!
Jamais imaginaria que voltaria lá. James dirige com os olhos fixos na estrada, tentando não pensar que se arrependeria da decisão repentina. A estrada coberta por neve e folhas, já que era outono. As árvores cobriam o céu. Seu filho mais novo, Lucas, dormia pesado no banco de trás. O bebê raramente chorava, mas naquele dia, havia abrido um berreiro impressionante. Isaac e Anna brigavam, enquanto sua esposa, Sarah se esforçava para aquieta-los. Todos os filhos de James e Sarah tinham puxado o pai, com exceção de Isaac. Lucas e Anna tinham cabelos negros, pele branca como mármore e olhos acinzentados. Sarah era parda, olhos amendoados. Isaac era muito parecido com a mãe. Até os cabelos enrolados que marcavam sua personalidade difícil.
Chegaram à cidade. Casa nova, vida nova. Mais James conhecia bem a casa. Ela ficava numa ruela estreita. Todos os cômodos eram espaçosos, e os moveis eram antigos. Assim que entrou na casa sentiu um arrepio. Subiu no quarto principal, que ficava no fim de um corredor. Ouviu o som de caixas e móveis sendo arrastados lá embaixo. Imaginou seus filhos e esposa pegando no pesado. Foi descer para ajudar, mas antes, resolveu entrar no quarto. Assim que colocou os pés lá dentro, teve a impressão de ter visto alguém. Aproximou-se da janela e viu seus filhos no quintal. Quando foi descer, esbarrou o joelho no pé da cama. Ele agarrou o local, xingando. Depois, quando voltou a por o pé no chão, uma mão saiu da parte inferior cama e agarrou seu tornozelo. James gritou em desespero. A mão apertou seu tornozelo com tanta força, que James escutou um barulho de algo sendo partido e caiu no chão. A dor inundou seu corpo. A mão desapareceu, mais James se afastou, arrastando-se, do lugar onde ela havia estado. Sua esposa escolhe a hora certa para chegar, com Lucas no colo. A mulher vê sangue no chão e dá um grito rouco. O bebê começa a chorar. Lucas tinha um ano e meio, então mal sabia andar. Mesmo assim, ignorando esse fato, Sarah coloca a criança no chão, torcendo que ele parasse de chorar logo. Foi socorrer James, mas este só lhe pediu que o levasse para o hospital, dizendo-lhe que havia quebrado o tornozelo, pois distraidamente tropeçou pé da cama.
Com o tornozelo esquerdo enfaixado, James estava totalmente incapaz de se levantar e pôr seus filhos para dormir como era de costume. As crianças foram deixadas a tarde inteira aos cuidados da avó, mãe de James, que como agradecimento pelo tempo passado com os netos entregou a Sarah um álbum de fotos de quando James era criança.
Naquele momento, o casal estava deitado na cama, com o álbum nas mãos. Sarah havia acabado de colocar seus filhos para dormir, enquanto James tentava captar alguma rede para o celular. Quando acabou de constatar que estavam sem nenhuma ligação com o mundo afora, o telefone tocou. James disse que “tudo bem” a sua mulher e saiu mancando até o aparelho. Quando atendeu, percebeu que havia alguém na linha, mais não importava o quanto chamasse pela pessoa, ninguém dizia nada. "Deve ser engano". Deitou com Sarah e abriu o álbum. As primeiras fotos chegavam a ser bem constrangedoras. Sua mãe segurando James bebê, James na formatura, seu pai e sua mãe na praia... Num momento tudo bem, no outro nem tanto. Na outra página, James viu uma menina que parecia familiar. Ela lembrava muito Anna, mas como a imagem era antiga, era difícil dizer. A menina era bonita, mas estava bem abatida. Na foto, ela aparecia do lado do pai de James, que estava agachado e da mãe de James, que sorria jovialmente. A garota de tão estranha era quase assustadora. Na outra foto, novamente ela. E os pais de James. e nas outras fotos também. Porem cada vez mais ela aparecia de fundo, cada vez com as faces mais encovadas, a expressão mais sombria. Até uma foto em que James apareceu. Ele estava no colo de sua mãe. Até aí tudo bem, mais olhando bem lá no fundo, notava-se claramente que aquelas paredes eram do quarto ocupado por Lucas. E naquele lugar a menina encontrava-se encolhida num canto. James aproximou o álbum mais perto do rosto. Palavras escritas em vermelho escorriam na parede.
“edadinasni”
Nesse momento, pela babá eletrônica, ouviu-se um grito agudo de Lucas. Misturado com o som de alguma outra coisa.
Notas finais
Próximo capitulo: " A desgraça de Rose"
Valeu e boa leitura!!!
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