Notas iniciais
Desculpem desde já¡ qualquer erro. Aceito crí­ticas e sugestões :33

— Querem beber algo? — Diz Annie ao chegar na sede enquanto caminha até a jarra no balcão.

— Veneno? — Ironiza Ezio.

— Desculpe desapontá-lo, mas é só água. Vai querer ou não?

— Sim, você nos fez correr.

— Ui, dondoca. — Annie entrega a caneca podre com água para o estrangeiro.

— Fiquem parados aí, já volto.

Ezio ia retrucar algo, mas Annie já estava longe.

— Você parece uma criança Auditore. — Reclama Connor.

— Eu? Essa... essa... essa quenga fica me xingando e eu não posso fazer nada? É isso?

— Sim, senão você cai no jogo dela. Idiota.

— Não enche, Connor. Ela que está caindo no meu jogo. — Ezio ergue as sobrancelhas duas vezes e vai mexer no boneco de madeira da decoração pobre do lugar. Annie chega com Bee e o vê mexendo nas coisas.

— Qual foi a parte de ficar parado que você não entendeu, gringo?

— Italiano, mia cara.

Annie franze o cenho e torce o nariz por debaixo do capuz, enquanto Ezio se diverte irritando-a.

— Tirem o capuz. — Diz Bee em um tom autoritário bastante intimidador. Os garotos o obedecem na hora, e tiram o capuz lentamente, mas Annie continua com o seu fazendo caretas para Ezio. — Todos. — Bee acrescenta.

Annie tira o capuz relutantemente, sem para de encarar o italiano irritante. Os garotos também se demoram um pouco a tirar, estão desconfiados.

Eles finalmente revelam seus rostos. Connor não poderia mentir a respeito de suas raízes mohawk. Ele era um cara sério, determinado e parecia sempre enfezado, mas muito gentil e carinhoso, algo que Annie demoraria para descobrir.

Ezio tem uma boa aparência física, com um olhar sereno e confiante. Ele estava encarando Annie com um ar de superioridade, com o nariz empinado a olhando de cima, mas ao mesmo tempo parecia estar brincando com o humor da garota.

— Annie, pode nos deixar a sós? — Diz Bee sorrindo gentilmente.

Ela olha para o Mestre ofendida e se retira caminhando pesadamente bufando.

— Ela é uma garota forte. — Diz Ezio passando a mão na bochecha onde Annie acertara o soco.

— De onde vocês são? — Os dois garotos ficaram rígidos. Bee havia mudado de pai gentil para Mestre, e o tom de sua voz como Mestre era intimidador.

— Somos de uma Irmandade dos EUA. — Respondeu Connor o mais firme que podia, mesmo assim sua voz saiu um pouco trêmula. Bee sorriu discretamente ao ver os dois jovens intimidados apenas com o jeito que ele falou.

— Por que EUA?

— Porque é onde ficam as principais sedes das maiores empresas multinacionais, consequentemente os Templários estão lá par tirar uma casquinha desse poder.

Bee abriu um largo sorriso, ajudando os garotos a relaxarem.

— Muito bem. Gostei da determinação em sua voz... — Ele faz uma pausa olhando para o garoto de modo interrogativo.

— Connor. — Responde ele decifrando o olhar.

— Connor. — Acrescenta Bee terminando a fala. — Quem é seu Mentor?

— Na verdade cada um de nós tem um Mentor diferente... Não tem ninguém definitivamente no poder, sabe? — Ezio tenta explicar.

— Fica quieto Auditore. — Connor dá um tapa na nuca do italiano. — O nosso Mestre é o velho Achilles, ele é o mais respeitado e geralmente o mediador das conversas entre os mentores de Ezio, Maquiavel e Mario, e o de Altaïr, Al Mualim.

— Então vocês tem mesmo um líder... Aqui é diferente. Não temos líderes aqui no Brasil, Annie pode até me ver como um mentor ou mestre, mas estou longe disso. Eu acredito que esse Credo deve virar um movimento, para ter apoio popular, pois meia dúzia de pessoas não pode parar esse sistema sem ajuda, precisamos de números. Então não deve ter liderança, pois por não ter uma liderança, uma centralização de poder, é impossível ser corrompido. Vocês entendem?

— Concordo com você em partes. O movimento mais próximo do que você acredita que deve existir aqui no Brasil é qual? O MST?

— Não, tenho uns parceiros que estão começando a formar uns Black Blocs no Rio de Janeiro e São Paulo, onde os professores forma agredidos. — Bee gostou dos garotos, ou pelo menos de Connor. — Vamos lá pra dentro.

Dessa vez Bee fala suavemente e com um sorriso. Connor e Ezio soltam um suspiro aliviados por terem sido aceitos pelo homem.

Bee os leva para a sala, onde Rogério, Paulo e Annie estão. Rogério está rindo meio bêbado e fazendo piadas com a altura da garota, enquanto Paulo ficava entre os dois para evitar que o amigo apanhasse.

— Rogério e Paulo, vão lá pro saguão. — Paulo arrasta Rogério que continua rindo e fazendo piadas enquanto é carregado para fora. Annie vai se retirando também. — Você fica, Annie.

Ela volta e senta na poltrona, para não ter que compartilhar o sofá com o italiano. Annie havia colocado uma roupa mais confortável e Ezio encarava o pequeno decote da blusa.

— Seu... — Annie fechou o punho e quis partir para cima dele, mas Bee interferiu olhando para ela com um sorriso do tipo “tudo bem, ignore”.

— Sentem. — Falou Bee fazendo um gesto indicando qualquer sofá ou poltrona. — Fiquem a vontade, tenho muitas perguntas para fazer.

Eles obedeceram e sentaram no sofá. Connor, mais educado, sentou-se com direito, com postura, mas ao mesmo tempo relaxado. Já Ezio se esparramou no acento, com as pernas abertas, brincando com um fio de cabelo para não olhar para Annie.

Bee começou a perguntar o motivo da vinda ao Brasil, sobre as outras pessoas do Credo, sobre o inimigo, como agiam, o que faziam e várias outras coisas. Foi mais um teste ara os garotos.

— Quanto tempo vocês vão ficar no Brasil?

— Talvez um ou dois meses. Nossa missão era conferir se haviam Assassinos aqui, mas já achamos.

— E onde estão hospedados? — Annie olha para Bee prevendo o que ele ofereceria conforme a resposta deles.

— Qualquer lugar que a gente ache. — Responde Ezio de forma dramática.

— Podem ficar aqui, se preferirem.

Connor se preparou para dizer algo, mas Ezio o interrompeu falando animadamente com um enorme sorriso:

— Claro que sim! Nós adoraríamos! — Em seguida olhou para Annie de forma implicante.

— Ótimo. — Bee sorri gentilmente. — Annie, eles vão ficar no seu quarto ok?

— O-o que?! — Ela já estava incomodada com o convite, mas ficar em seu quarto ultrapassou os limites. — De jeito nenhum! Eu não vou dividir o quarto com esse gringo! — Annie aponta para Ezio. — Nada contra você. — Fala ela gentilmente para Connor.

— Annie, não seja rude com os hóspedes. — Diz Bee com os olhos apertados e aquele sorriso que sempre vinha seguido de um ataque de fúria.

— Venham. — Diz ela secamente.

Os garotos a seguiram de perto, olhando as paredes de pedra coberta por musgos e fungos, que dava a impressão de que estavam sendo levados para um calabouço medieval e não um quarto.

— Connor, você fica naquela cama do canto. E você, realeza, — O sarcasmo na voz da garota arranca uma risada discreta de Connor. — vai dormir num colchão no chão.

— Ok, a gente se reveza pra dormir na cama, certo Conny? Uma noite eu e outra você.

— Vou pensar no seu caso. — Dizia ele enquanto pegava os lençóis que Annie lhe entregava.

— Ora, não seja cruel com seu amigo. — Ezio coloca o braço envolta dos ombros largos de Connor.

O mohawk pareceu congelar e olhou para o italiano com os olhos brilhando de raiva. Ezio imediatamente soltou o amigo e ficou sorrindo dando uns tapinhas no ombro de Connor, como se estivesse limpando. Depois que ele termina a encenação o mohawk continua o que estava fazendo normalmente.

— Seu colchão está de baixo da cama do Connor. — Diz Annie a Ezio estendendo o edredom na cama.

Ele faz uma cara de tédio e arruma sua cama no meio do quarto. Bee aparece com roupas mais confortáveis para os garotos logo depois.

— Boa noite. — Diz ele da porta do quarto apagando a luz.

— Boa noite. — Respondem todos em coro.

Os garotos apagaram rápido, estavam gratos por deitar em um colchão pela primeira vez em um mês. Annie não conseguia parar de pensar no que estava acontecendo. Cinco horas atrás ela estava reclamando que não havia ninguém para ajuda-la nas missões, agora havia dois Assassinos que poderiam fazer isso dormindo no seu quarto. Ela estava confusa em relação ao que sentia, era algo entre alívio e desconfiança. Estava tudo acontecendo rápido demais, e Annie não conseguia confiar neles como deveria. Eram seus ‘irmãos’ de Credo, lutavam pelo mesmo que ela, da mesma forma que ela.

“Vou ser mais gentil amanhã.” Pensou a garota, e de fato era algo que ela queria fazer, trata-los melhor.

Notas finais
Comentem para dar um apoio moral para a novata aqui XD