Lembre: Nada É Verdade.
14 Abbas
Notas iniciais
Ezio e Connor acordam cansados, nunca imaginaram que gás lacrimogênio pudesse acabar com uma pessoa daquele modo. Annie já estava na escola, até uma Assassina tem que estudar.
— Bom dia, Bee. — Ezio aparece na porta do escritório.
— Bom dia. — A voz do homem soou sinistra, ele estava com o cenho levemente franzido lendo algo no computador.
— O que foi?
— Templários, Ezio. Templários. — Ele tira os olha para o Assassino e lembra que Ezio o avisara que um amigo dele viria ao Brasil. — Quando seu amigo chega?
— Dio!!! Eu e Connor combinamos de pegá-lo no aeroporto! Que horas são?
— 9 e...
— Dio!!! Connor!!! — Ezio sai berrando pelo corredor para acordar o mohawk, eles haviam esquecido completamente de Abbas.
Bee escuta algumas coisas sendo derrubadas e Connor bradando furioso por não ter sido acordado antes. Os dois passam correndo pela porta do escritório.
— Bee, qual ônibus a gente pega para ir ao aeroporto? — Connor pergunta apressado.
— Eu levo vocês, vão demorar duas horas pra chegar lá.
— Obrigado.
Bee pega as chaves do carro e vai até a borracharia onde o guardava, sob os cuidados de Marco, um velho Assassino.
— Marco, o carro. — Bee entra apressado na borracharia.
— Nos fundos.
— Obrigado.
O caminho até o aeroporto é longo e cansativo, o trânsito estava um caos devido a um acidente de carro, mas conseguiram chegar às 10h.
Ezio e Connor procuravam pelo amigo um pouco nervosos.
— Como ele é?
— Alto, branco e cabelos pretos. — Diz Connor passando os olhos por todo o salão de desembarque. — Achei. Ezio, vai buscar. — Ele fala como se estivesse dando uma ordem a um cachorro.
— Por que eu?
— Vai. — O mohawk o empurra, Ezio acaba cedendo e começa a caminhar pesadamente.
— Abbas. — Ele fala quando chega perto.
— Auditore! Quanto tempo! — O garoto o abraça sorrindo. — Onde está Connor e a Assassina gostosinha que você me falou? Estou ansioso para conhecê-la.
— É Annie, e só eu posso chamá-la assim. E não fale isso perto do tio dela.
— O outro Assassino?
— É Bee. Pare de dar escândalo. — Ezio fala se encolhendo ao perceber que várias garotas estão olhando para Abbas. — Vem.
O italiano agarra a manga do moletom do Assassino e o arrasta com passos duros até Connor e Bee.
— Conny! — Abbas caminha em direção ao mohawk de braços abertos, mas lembra que ele odeia ser tocado e para no meio do caminho. Bee simpatiza com o garoto, ele ao menos sorri. — Você deve ser Bee. — Ele estende a mão. — Prazer Abbas.
Bee aperta a mão do garoto com força e, mesmo tendo simpatizado com ele, o faz com uma expressão séria. Ele sempre amedrontava os novos Assassinos.
— Podemos ir? Não aguento mais ficar nesse aeroporto! — Diz Abbas.
— Demoramos muito? — Pergunta Bee.
— Eu avisei aos garotos que chegaria às 9h, já contando que o avião atrasaria, e aposto que eles acordaram no horário em que eu disse para chegar.
Bee olha para o garoto de canto, ele caíra um ponto no seu conceito depois dessa demonstração de autoritarismo. Na volta para casa a rodovia ainda estava congestionada, o guincho finalmente chegou para tirar o carro do meio da pista, em compensação acabou por trancar a via que estava livre.
— Bem-vindo ao Brasil, Abbas. — Bee suspira irritado com os motoristas idiotas que não paravam de buzinar, achando que as coisas se apressariam se eles fizessem barulho.
— Se você visse os engarrafamentos em dias de nevasca nos EUA acharia isso aqui o ouro, não é garotos?
— É. — Os dois respondem secamente em coro.
— Ânimo rapazes! Temos mais um parceiro para ajudar agora! — Bee fala, tentando colocá-los para cima.
— Talvez esse seja o problema. — Resmunga Ezio só para Connor escutar.
Eles chegam às 11:30, perto do horário de Annie chegar da escola. Abbas fica realmente desapontado com o estabelecimento, ele esperava qualquer coisa, menos um esconderijo subterrâneo e mofado. Ele tenta esconder o descontentamento, mas fica muito evidente.
— Onde estão os outros? — Abbas pergunta.
— Annie chega da escola daqui a pouco. — Informa Connor.
— Eu tenho que dar uma apurada nos planos dos Templários, vocês cuidam do almoço? — Bee pergunta indo para seu escritório.
— Pode deixar.
— Ei, Connor, a garota é bonitinha mesmo? — Pergunta Abbas assim que Bee some de sua vista.
— Não é pro seu bico.
— Ah! Para você achá-la bonita deve ser realmen...
— Chegueei! — Annie escancara a porta com um chute, desce as escadas saltitando e cumprimenta Ezio e Connor com um beijo na testa, dando uma pirueta antes. — Você deve ser Abbas, olá. — Annie o abraça com força. — Bee! Cheguei!
— Ela é sempre assim? — Pergunta Abbas.
— Não, mas eu poderia me acostumar com isso. — Diz Ezio acompanhando a garota com o olhar.
— Ai, que dia lindo. — Annie volta rodopiando para a sala e se atira no banco.
— Bee falou o que temos para hoje? — Pergunta Ezio.
— Sim, matar Arthur Benits. É o Templário que está comandando tudo aqui, Victor era só uma peça mesmo. Esse tal Arthur é quem financia.
— E quem vai? — Pergunta Abbas.
— Não sei. Connor tem que falar com aquele menino da Restinga.
— É William. — Todos olham para o mohawk surpresos. — Que foi?
— Se apegou é? — Abbas provoca.
— Não é isso... É que ele tem um nome. — Novamente aqueles olhares inquisitivos e maliciosos são lançados sobre ele. — Parem de me olhar assim.
— De qualquer maneira temos que fazer isso logo. — Suspira Annie. — Acho que vamos viajar em uma semana ou menos, acabei de falar com Bee.
— Para onde?
— Mato Grosso.
— Por que? Se matarmos Arthur quebramos o esquema deles. — Ezio parece frustrado.
— As coisas não funcionam assim com políticos, Ezio. Se matarmos Arthur enfraquecemos o esquema deles. É diferente. Isso é um projeto grande e arriscado demais para que os Templários e políticos se envolvam pessoalmente, ou os Mercenários vão fazer o trabalho sujo ou fica com a polícia. — Explica Annie.
— Mas se nós denunciarmos isso no Governo Federal...
— Não adianta Ezio, aqui não é assim. Os Templários tem mais poder que o governo atualmente, aliás, são eles quem decidem quem vai governar.
— Quer dizer que a Presidenta está de acordo?
— Não. Quero dizer que mesmo que ela dê uma ordem direta para parar as escavações essa ordem pode não chegar lá. Os Templários sempre fazem isso quando algum governo não segue seus métodos: arma a bomba e deixa explodir na mão de quem eles bem entendem.
— E quem é o outro banqueiro que está financiando isso? — Pergunta Connor pensativo.
— Provavelmente Estados Unidos, os Borgia estão lá.
— Então podemos ligar para lá e avisar para Achilles, ele tomará alguma providência, tenho certeza. — Connor fala determinado.
— Acho que não vai dar certo, Connor. — Abbas interrompe. — Estamos sem pessoal lá. Lembra? Altaïr e Malik estão feridos.
— Temos Desmond. — O mohawk começa a digitar o número.
— Achilles não vai deixar Desmond sair da sede. — Abbas parece nervoso.
— Por que?
— Porque... Porque os Templários estão o caçando, lembra aquela história que Desmond era um mapa vivo para encontrar os Pedaços de Éden? Eles estão insistindo nessa loucura e perseguem Des como loucos. — Abbas sorri sem graça.
— Verdade, tinha esquecido. — Connor desliga.
Annie ficou olhando Abbas o tempo todo e percebeu como ele ficou nervoso quando Connor começou a digitar o número.
— Mesmo assim ligue, Connor. — Annie fala sem tirar os olhos de Abbas, que a olhou com um misto de ódio e pavor. — Ele pode tomar alguma providência mesmo assim. Devem ter outros Assassinos, mesmo os que cuidam da parte tática são treinados, não é?
O mohawk começa a digitar novamente. Abbas olha para Connor em seguida lança um olhar furioso sobre Annie.
— Caixa de mensagens... — O mohawk desliga e Abbas solta o ar que estava segurando. — Ele vai retornar a ligação.
— Que bom. Vou fazer o almoço. — Annie fala com um tom de satisfação após confiram o que queria: Abbas estava mentindo.
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