Lembre: Nada É Verdade.

8 Remember, remember the 5 november. (Parte 1)


Notas iniciais
Uma homenagem ao dia de hoje, manifestação nacional (e internacional, apesar dos fusos)peguem seus Guy Fawkes e #vemprarua LOL

— Hoje é 5 de novembro, terça-feira. — Anuncia Annie ao entrar na cozinha. Os garotos estavam fazendo o relatório da missão a Bee, todos param e a olham.

— E? — Pergunta Ezio.

— Os anonymous estão convocando o país inteiro para uma irem às ruas. Aqui não vai ser diferente, e nós vamos ir, certo?

— Eu estou bastante ocupado, mas vocês podem ir. — Fala Bee revirando os olhos ao lembrar de tudo que tem que pesquisar.

— Você também pode ajudar Bee. Vai ser um ataque virtual também, provavelmente o maior ataque hacker da história do Brasil, só tem que entrar na página do anonymous e se informar direito, ver o que você pode fazer.

— Que horas, Annie? — Pergunta Connor.

— Às 18:30, na prefeitura. Fica do lado do Mercado Público, eu vou dar uma saída pra comprar as máscaras. Fui.

Eles continuam olhando para a porta até ela se afastar e se olham com um sorriso.

— Connor, você é mais velho e responsável, fica de olho nela. — Bee fala sério. — Sabe, Annie é muito troll e adora sacanear os policiais, ela não gosta deles porque nós já estivemos em uma favela no Rio e ela pode experimentar como a UPP age no morro. E desde pequena ela faz isso. — Bee começa a rir lembrando de algumas coisas que Annie havia feito, como roubar o bloco de notas que os policiais usam para multar os carros. — Então não tire o olho dela sob hipótese alguma, e tente mantê-la sob controle, porque se ela enxergar algum policial batendo em manifestantes ela vai pra cima.

— Falando em ‘ir pra cima’, eu nunca vi Annie lutando pra valer. Como ela é em combate? — Pergunta Ezio curioso sobre as habilidades da menina.

— A Annie não tem a mesma força que um homem, então teve que aprender muitas técnicas diferentes, mas em agilidade e velocidade é difícil ganhar dela. — Bee faz uma pausa percebendo que havia fugido completamente do assunto. — Vamos terminar o relatório, sim?

Enquanto os garotos faziam seu relatório, Annie passeava no centro da cidade procurando máscaras do Guy Fawkes, que se mostrou ser desafiadoramente difícil. Todas as lojas era a mesma coisa:

“— Tem a máscara do Guy Fawkes?

— De quem?

— Aquela máscara do V de Vingança.

— De onde?

— A dos hackers.

— Oi?”

Depois de falar a mesma coisa em sete lojas Annie estava quase desistindo, seria a última em que iria procurar. Ela entra na loja com a paciência esgotada, rezando para que o vendedor soubesse de quem ela estava falando. Antes de recorrer aos vendedores ela procura por conta própria, sem sucesso.

— Com licença. — Annie vai até o vendedor que ela pensa ser mais ‘descolado’, na esperança de que ele saiba. — Vocês tem a máscara dos anonymous? — Ela opta por ‘anonymous’ já que é mais provável que alguém os conheça.

— Bah, aqui não tem não. Mas acho que tem uma loja mais alternativa na outra esquina, à direita, que deve ter.

— Obrigada.

Annie sai da loja animada, finalmente alguém sabia do que ela estava falando e, finalmente, ela encontrara a loja que procurava. Ela desce a rua quase pulando de felicidade.

— A-Anthony? — Engasga Annie ao entrar na loja e reconhecer o vendedor como seu colega.

— Annie! Que coincidência. O que está fazendo aqui?

— Eu queria três máscaras do Guy Fawkes.

— Então você vai à manifestação hoje também. A gente podia se encontrar lá. — Diz ele enquanto vai até a prateleira em que estão as máscaras, sendo seguido de perto por Annie.

— É, acho que sim.

— Não sabia que você era dessas coisas, quer dizer... Você parece ser tão certinha.

— Ah é? Quem diria que me veem assim. — Ela sorri sem graça.

— Eu convidei uma galera pra vir, mas você sabe como é. São os ‘vida loka’, ficam tirando de malandro falando que bebe e fuma, que faz e acontece. Aí convida pra ir em uma manifestação e se borram, ainda tem a cara de pau de falar: “minha mãe não deixa”. — Ele pega as máscaras e os dois vão para o caixa.

— É verdade. — Ri Annie. — Então tá, a gente se encontra na frente da prefeitura.

Ela sai da loja e vai até a prefeitura para ver como está a movimentação, já eram quase 17h e haviam algumas pessoas de máscara pintando alguns cartazes e alguns policiais da Tropa de Choque desciam das viaturas e se posicionavam no alto das escadas que levavam à porta da prefeitura. Outros policiais já estavam rondando o local para ‘garantir a segurança’.

Annie continuou caminhando sem tirar os olhos de um Policial Militar que começou a se aproximar dos manifestantes que estavam fazendo os cartazes de forma estranha, ele parou perto e começou a falar com uma postura de quem estava afim de intimidar. Ela coloca sua máscara e vai até eles para escutar e ajudar a fazer os cartazes.

— Querem ajuda? — Ela pergunta da forma mais simpática possível.

— Claro. — O homem responde, ele parece sorrir por debaixo da máscara, em seguida estende a mão entregando um pincel branco. — Ajuda a pintar isso, esse cartaz vai ser pra linha de frente. Está escrito “Liberdade aos presos políticos".

Annie se ajoelha ao lado dele e começa a pintar.

— Mais um marginal. — Diz o PM que estava parado, como se estivesse supervisionando eles.

— Ignora, PMerda é tudo assim. — Fala o homem baixinho para Annie, arrancando uma risada da garota.

O PM começa a andar de um lado para o outro na extensão do cartaz. Ele para novamente em frente à Annie e o homem, jogando uma pouco de terra com pé em cima do cartaz. Ela suspira irritada, mas segue o conselho do homem.

— A propósito, meu nome é Gustavo. — Ele fala baixo para o policial não escutar e estende a mão para a garota.

— Annie. — Ela aperta a mão dele. — Esse cara tá começando a irritar.

— Fica de boa, ele não pode fazer nada, o pessoal da Mídia Ninja já está filmando escondido.

— Tá bonito esse cartaz, hein? — Diz o PM batendo o pé no chão para jogar mais terra na tinta fresca.

Annie passa dá a volta no cartaz e fica entre a letra que estava sendo pintada e o policial, para bloquear a areia. Ele caminha para o lado.

— Quero ver quem vai levar a melhor quando começar a confusão hoje.

— Se depender de nós não vai ter conflito, S. PM. — Explica Gustavo simpático. — E se nós ganharmos quem vai levar a melhor é o seu filho.

— Bando de vândalos arruaceiros, vocês falam de protestos, mas não é assim que se faz. Usam as manifestações como desculpa pra quebrar tudo.

— O que o senhor sugere? — Pergunta Annie. — Que fique todo mundo com cartaz parado aqui na frente?

— Então você é a favor?

— Eu não disse que sou a favor, só que, infelizmente, se for o ‘pacífico’ que a mídia fala o governo vai rir da nossa cara. Seria tão efetivo quanto compartilhar fotos de corruptos no Facebook. — Ironiza ela.

— Sabia que eu posso te prender por desacato?

— Nossa, que horror, eu estou falando contigo, que ofensivo isso.

— Eu vou te procurar durante a correria, e tu vai apanhar. — Ameaça ele furioso e sai.

— Que medo. — Diz Annie quando ele se afasta.

— Você não deveria ter feito isso. — Diz Gustavo. — Ele vai te procurar mesmo, tome cuidado durante a manifestação.

— Pelo menos ele saiu. — Ela brinca. — Tem horas?

— São 17:10h.

— Eu tenho que ir. Vou buscar uns amigos e volto pro ato.

— Até depois.

Notas finais
Desculpem qualquer erro :33 Estou aceitando sugestões e críticas.